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Desaceleração na transição energética é um dos fatores que levaram à crise na Raízen, indica Shell

Um dos fatores que levou à atual crise financeira na Raízen foi a desaceleração na transição energética após a pandemia, combinada com a conjuntura dos mercados de etanol e açúcar, a expansão acelerada de linhas de negócio, a alta dos juros e o crescimento da alavancagem financeira da companhia, reconheceu o CEO da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa. eldquo;O mundo não avançou com tanta velocidade quanto se esperava na transição energética, como consequência, a demanda pelo combustível não foi tão alta quanto a gente esperavaerdquo;, disse o executivo em café da manhã com jornalistas na terça-feira (3/3) no Rio de Janeiro. A Raízen é uma joint venture entre a Shell e a Cosan. Nos últimos anos, a empresa apostou fortemente no etanol de segunda geração. Segundo Pinto da Costa, a Shell se comprometeu a aportar até R$ 3,5 bilhões de reais no processo de capitalização da companhia e espera que a sócia aporte um valor similar, de modo a manter a atual estrutura societária da companhia. O executivo ressaltou, no entanto, que a companhia tem preferência por manter a atuação integral da Raízen nos negócios de etanol e distribuição de combustível. A eventual separação das operações foi considerada, mas ele acredita que é necessário primeiro recuperar a empresa para prosseguir com essa opção. eldquo;A Shell não se opõe a uma eventual guerra dos negócios. A gente só acredita que, dada a complexidade das operações, da dívida e da interdependência dos dois negócios, a sequência mais plausível é tentar recapitalizar a companhia de uma forma integrada primeiro e depois que estiver estabilizada eventualmente considerar uma separaçãoerdquo;, explicou. A capitalização pelos sócios atuais passou a ser discutida depois que a tentativa de atrair um novo investidor para a joint venture falhou. eldquo;Fizemos um data room, encontramos diferentes atores globais para olhar. A Shell colocou todos os esforços internacionais pelo seu time global de aquisição de investimento, todo o peso da nossa relação com vários potenciais investidores. Infelizmente, esse processo não conseguiu trazer até o momento um sócio novoerdquo;, disse. A Raízen está implementando uma reestruturação, com a venda de ativos para focar as atividades na produção e comercialização de etanol e a distribuição de combustíveis. Entre os desinvestimentos estão projetos de geração de energia elétrica. eldquo;O grau de complexidade da solução não deve ser subestimadoerdquo;, afirmou o executivo. Segundo o CEO da Shell Brasil, a recuperação da Raízen foi debatida com o presidente Lula (PT). eldquo;É do interesse do governo brasileiro, a Raízen é uma das principais companhias do paíserdquo;, disse. Outras fontes renováveis O CEO da Shell Brasil descartou novos investimentos em geração de energias renováveis, como solar e eólica, por ora. eldquo;Nesse momento isso não é parte da estratégia da companhiaerdquo;, disse. Segundo ele, a empresa segue com investimentos internacionais em renováveis, biocombustíveis, hidrogênio e sequestro de carbono, mas eldquo;de maneira seletiva, testando essas novas tecnologias e o modelo de negócioserdquo;. eldquo;Eventualmente, conforme a demanda por esse novo tipo de energia volte a crescer no mundo, a gente pode voltar a acelerar. Mas o foco principal da companhia hoje está no crescimento das linhas de negócio de exploração e produçãoerdquo;, afirmou. Na visão dele, a desaceleração da transição energética foi uma das consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia, que levou o mundo a focar mais na segurança energética. Além disso, o recente aumento na demanda, associado sobretudo ao uso da inteligência artificial, também reforçou o movimento.

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Empresariado teme votação sobre jornada 6x1 em ano eleitoral no país

Cem entidades do setor produtivo assinam um manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil, no bojo das discussões sobre o fim da escala 6x1. O documento fala em diálogo com governo e sociedade civil, porém, na apresentação do manifesto nesta terça-feira (3), o discurso de líderes empresariais e parlamentares aponta para uma ofensiva para barrar o avanço da pauta no Congresso e "controlar a narrativa" sobre os efeitos de uma mudança sobre a economia. "Tenho bastante experiência na indústria. Se não aguentar o custo, troca o funcionário. Vai ter redução de salário, 22% de aumento [de custo] da folha, quebra e falência principalmente de pequenas empresas, demissões e mais gastos públicos", disse Antonio Carlos Vilela, vice-presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro). "Gostaria que alguém provasse uma vantagem do outro lado, além da narrativa de que é o bem-estar do trabalhador." Joaquim Passarinho (PL-PA), presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, defendeu que, juntas, as frentes conseguem votos suficientes para barrar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), "mas estamos em ano eleitoral". Para o parlamentar, o nível de apoio popular a uma proposta desse tipo tem relação com o que ele considera um desconhecimento das consequências. "Só um débil mental falaria outra coisa" ao ser questionado se é a favor de trabalhar menos, disse o deputado, "Mas ele apoiaria sabendo que o posto de gasolina vai aumentar 10%, que a comida vai ficar 10% mais cara?", afirmou. O deputado Afonso Hamm (PP-RS) também defendeu que o assunto não seja debatido em ano eleitoral. O momento é inoportuno, segundo ele. Na véspera, durante jantar da Coalizão de Frentes Parlamentares, o presidente da FPA, Pedro Lupion, classificou como eleitoreiro o debate da redução na jornada. As preocupações com o ano eleitoral foram recorrentes nas falas de parlamentares e de representantes do empresariado. O ex-ministro do Planejamento do governo Michel Temer (MDB) Dyogo Oliveira, hoje presidente da Cnseg (Confederação Nacional da Seguradoras), disse que se a proposta entrar em votação neste ano, os setores contrários terão problemas. "Temos que garantir que não entre em votação", afirmou. Para a vice-presidente da Fecomercio, Gisela Lopes, a Constituição não deve ser emendada. A posição da entidade é que a discussão fique para o ano que vem. Até quem não será afetado pela mudança, como é o caso do setor financeiro, onde a jornada semanal já é de 30 horas por acordo coletivo, falou em preocupações com os impactos de uma mudança. Cristiane Galvão, diretora-presidente da Fin (Confederação Nacional das Instituições Financeiras), afirmou que a entidade acompanha como o ambiente de negócios será afetado e que há necessidade de reforçar a segurança jurídica das contratações. Outro indicativo de que o ano eleitoral cria um risco de imagem para os parlamentares que buscam a reeleição foi a sugestão apresentada pelo presidente da Unica (do setor de álcool e açúcar), Evandro Gussi, para que seja criado um mapeamento de parlamentares que estejam mais vulneráveis a pressões políticas. No manifesto, as entidades afirmam que o momento mais propício para "a construção de consensos duradouros e de soluções equilibradas" é fora do "ambiente de disputas eleitorais". A apresentação formal do manifesto das entidades foi antecedida por uma apresentação do sociólogo José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP. Ele defendeu que uma redução da jornada de trabalho seja feita por meio de negociação coletiva e que respeite as diferentes necessidades dos setores. Pastore, professor titular aposentado da FEA-USP, já havia defendido os mesmos argumentos em um artigo na Folha. Aos parlamentares e entidades empresariais, Pastore disse que os maiores afetados por uma troca da jornada de 44 horas por 36 horas semanais seriam os trabalhadores menos qualificados, que recebem os salários mais baixos e são mais vulneráveis. "Os números dizem isso", disse. Segundo o sociólogo, deve haver um aumento de 22% nos encargos sociais que incidem sobre o salário-hora. Por enquanto, as posições contrárias à mudança na jornada de trabalho máxima estão concentradas nas propostas encaminhadas à Comissão de Constituição e Justiça pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). As duas reduzem a jornada semanal máxima de 44 horas para 36 horas. O governo Lula (PT), no entanto, defende a redução para 40 horas, sem limitação aos dias da semana. Em entrevista à Folha, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a grade de jornada, ou seja, como as horas semanais são distribuídas ao longo da semana, deverá ser definida por meio de negociação coletiva, respeitando as diferenças entre os setores. A popularidade de uma redução de jornada sem corte de salário tem levado parlamentares a modular seus discursos a depender da audiência. Se diante de representantes do setor a fala é mais incisiva, em ambientes públicos evitam se opor frontalmente à proposta e já falam em discutir outros desenhos emdash;como a redução para 40 horas, ou apenas adiar a votação para depois do período eleitoral. Às entidades, os deputados têm pedido apoio para fazer oposição à pauta e evitar que o desgaste fique apenas sobre os políticos. "Esse grupo de frentes consegue barrar uma PEC, mas nós não queremos barrar a PEC. Queremos abrir uma conversa", afirmou Joaquim Passarinho, depois do fim do evento, em uma conversa com jornalistas. "Não podemos jogar [o tema] para baixo do tapete, temos que enfrentar sem que isso seja contaminado pelo processo eleitoral. Se tiver que votar, vamos votar. Não sei o que vai sair. Nossa ideia aqui é trazer o setor produtivo para dentro do jogo." Nesta terça, depois do almoço de apresentação do manifesto, representantes das frentes parlamentares e das associações do setor produtivo levaram o documento ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), está viajando. A coalizão espera entregar o manifesto a ele nos próximos dias. Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), disse que os líderes empresariais levaram à Alcolumbre a preocupação com o risco de que uma mudança na escala engesse as negociações coletivas. O presidente do Senado teria se comprometido com a discussão do tema.

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Lula modula discurso sobre fim da escala 6x1: 'Temos de encontrar o que é bom para cada um'

Em meio aos debates sobre o fim da escala de trabalho 6x1, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira, 3, uma mudança na jornada de trabalho para garantir mais eldquo;comodidadeerdquo; e eldquo;prazererdquo; aos trabalhadores. Ao mesmo tempo, disse ser preciso entender que eldquo;há especificidadeserdquo; entre as diferentes categorias e que um entregador pode querer uma escala diferente da de um sindicalista, por exemplo. Foi um discurso mais pacificador e menos em linha com o que a militância petista normalmente defende e aplaude. O discurso de Lula, por exemplo, foi mais voltado às diferentes demandas da sociedade (dos trabalhadores e dos empresários) do que o de autoridades que o antecederam, como o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet. eldquo;O que nós estamos tentando é construir um conjunto de propostas que interessa a empresários e a trabalhadores, que interessa ao País, para dar mais comodidade nesse mundo nervoso, para que as pessoas tenham mais tempo de estudar, de ficar com a família, de descansarerdquo;, disse o presidente em participação na sessão solene de abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho (CNT), em São Paulo. eldquo;Possivelmente, a jornada que os entregadores de pizza querem é uma diferente daquela que os trabalhadores querem na Volkswagen ou a na Mercedes-Benz. Então, não é preciso a gente carimbar todo mundo na mesma coisa. O que é preciso é a gente garantir que todos sejam premiados em função da sua realidade. Porque senão, a gente vai ficar no mesmoerdquo;, afirmou. A modulação no discurso de Lula é uma forma de atingir também outra parcela do eleitorado: aqueles que se veem mais como microempreendedores do que trabalhadores. É a mesma lógica que o presidente passou a seguir ao defender a regulação da atividade dos trabalhadores de aplicativo, por exemplo. eldquo;Qual é a jornada ideal? Para muitas categorias, há jornadas diferenciadas, e nós temos que encontrar o que é bom para cada um. Você pode ter até uma regra geral, mas na hora de regulamentar essa regra geral, vai ter que cair na especificidade, em função da realidade de cada categoriaerdquo;, afirmou. O petista disse que a mudança na jornada de trabalho vai ser discutida na Câmara e no Senado e eldquo;vai sair alguma coisaerdquo;. Afirmou que será uma mudança boa se for eldquo;resultado de um acordo entre empresários, trabalhadores e governoerdquo;. eldquo;O governo não vai fazer como antigamente, vender para um lado, porque há 30 anos atrás, há 20 anos atrás, os empresários se utilizavam muito do peso da máquina do Estado, da força do Estado, para prejudicar os trabalhadores. Dessa vez não vai acontecer. Nós não iremos contribuir para prejudicar os trabalhadores, não iremos contribuir. E também não queremos contribuir com o prejuízo da economia brasileiraerdquo;, afirmou. Lula completou: eldquo;Nós queremos contribuir para que de forma bem pensada, bem harmonizada, a gente possa encontrar uma soluçãoerdquo;. Ao mesmo tempo, o presidente criticou a desigualdade existente nas plataformas de entregas de refeições e outros produtos e de transporte. Disse que há eldquo;empresários hoje das plataformas que têm mais dinheiro do que o PIB de muitos países pobres, e isso não é justoerdquo;. Afirmou, também, que há pessoas que eldquo;recebem dividendos, esses também não pagam imposto de rendaerdquo;. eldquo;Os empresários sempre vêem um jeito de escapar. Quem não consegue escapar é a pessoa que recebe o holerite no final do mêserdquo;, afirmou. Alckmin: elsquo;Ser humano não é máquinaersquo; O vice-presidente Geraldo Alckmin disse que os trabalhadores precisam de saúde mental e direito ao descanso. eldquo;O ser humano não é máquina para trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar. Não. O ser humano precisa ter saúde mental, ter direito à família, descansoerdquo;, disse Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O vice-presidente voltou a dizer que a redução da jornada de trabalho é uma tendência mundial, citando ganhos de produtividade permitidos pela adoção de novas tecnologias, como a inteligência artificial. eldquo;Essa é uma tendência do mundo inteiro. E precisamos construí-la através do diálogo, para ter o melhor encaminhamento dessa tendência mundial.erdquo; Alckmin também aproveitou o discurso para destacar avanços econômicos do governo Lula, citando que o País vive a menor eldquo;taxa de desconfortoerdquo; da história, com índices baixos tanto de inflação quanto de desemprego. eldquo;A taxa de desconforto é uma soma entre inflação e desemprego. Então, quando a inflação estava baixa, o desemprego estava alto. Quando o desemprego estava baixo, a inflação estava alta. Hoje, nós temos a menor taxa de desconforto. Inflação baixa com desemprego baixoerdquo;, salientou Alckmin. eldquo;É a primeira vez que nós temos, simultaneamente, inflação baixa com desemprego baixoerdquo;, acrescentou o vice-presidente. Marinho: elsquo;Economia está madura para redução de jornadaersquo; O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que a economia do País está eldquo;maduraerdquo; para redução de 44 para 40 horas de jornada semanal. Ao defender o fim da escala 6x1, pauta relevante eleitoralmente para o governo federal, a redução tem impacto nos custos, mas pode melhorar produtividade. eldquo;É evidente que a redução de jornada de trabalho gera impacto, gera impacto, não se precise, nos custos das empresas, mas seguramente ele pode melhorar de forma determinante o ambiente de trabalho, as condições de vida das pessoaserdquo;, disse Marinho. eldquo;Temos que apostar, portanto, no ganho de produtividade, porque a economia brasileira precisa de ganho de produtividade. O ministro disse que o aumento da produtividade também passa por melhores condições e satisfação no ambiente laboral. Segundo ele, o debate sobre jornada de trabalho deve permanecer aberto e ser conduzido por meio do diálogo. Marinho acrescentou ainda que é necessário discutir modelos de escala para setores que precisam funcionar de forma contínua. eldquo;Não tem assunto proibido no debate; vamos continuar dialogando para chegar a acordo sobre jornada de trabalhoerdquo;, disse. Tebet: elsquo;Dizer que País vai quebrar é não conhecer a realidadeersquo; A ministra do Planejamento, Simone Tebet, defendeu o fim da escala 6x1, a principal bandeira eleitoral do governo no Congresso. eldquo;Dizer que um país como este não suporta e vai quebrar com o fim da escala 6x1 é não conhecer a realidade do Brasilerdquo;, disse a ministra. eldquo;Dizer que o Brasil não suporta o fim da escala 6x1 é desobedecer a Constituição Federal. A Constituição diz que todos são iguais perante a lei e diz quais são os direitos sociais.erdquo; Tebet também defendeu o fim da escala sem redução de remuneração, argumentando que a medida é possível e justa. Ela acrescentou que, apesar de o Brasil ser um país muito rico, grande parte da população ainda vive em condições de pobreza. Com foco nas eldquo;mulheres trabalhadoraserdquo; em seu discurso, Tebet salientou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu a promessa de campanha ao garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres. Segundo ela, se mulheres e homens têm a mesma produtividade no trabalho, devem receber o mesmo salário. Tebet é considerada pré-candidata ao Senado por São Paulo. Nos bastidores, também cogitam o seu nome ao governo estadual.

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Senado deve votar nesta quarta-feira projeto que amplia licença-paternidade para 20 dias

O Senado deve votar nesta quarta-feira o projeto que muda as regras da licença-paternidade no Brasil e amplia gradualmente o período de afastamento dos atuais cinco dias para até 20 dias. A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e cria também o chamado salário-paternidade, benefício pago pela Previdência Social durante o período de licença. Se aprovado, o projeto seguirá para sanção presidencial. Na Câmara, a proposta tinha o intuito de chegar a 60 dias de licença, mas foi reduzida para um modelo escalonado que alcança 20 dias ao longo de quatro anos. A proposta, porém, enfrentou resistências por causa do impacto fiscal estimado e acabou reduzida para o modelo atual, com previsão de custo de cerca de R$ 5,4 bilhões até 2030. O texto prevê um período de afastamento ampliado gradualmente: dez dias nos dois primeiros anos de vigência da lei, quinze dias no terceiro e vinte dias a partir do quarto ano. Hoje, a licença-paternidade é de cinco dias e não possui regulamentação específica, sendo aplicada com base em uma norma transitória da Constituição de 1988. O projeto também institui o salário-paternidade, benefício previdenciário semelhante ao salário-maternidade. Na prática, as empresas continuarão pagando o salário do trabalhador durante o afastamento, mas poderão compensar o valor nas contribuições ao INSS. Além da ampliação do período de licença, o texto estabelece regras para estabilidade no emprego e prevê situações especiais em que o pai poderá ter direito a um afastamento maior. Em caso de falecimento da mãe da criança, por exemplo, o pai poderá usufruir licença de até 120 dias, nos mesmos moldes da licença-maternidade. O projeto também prevê ajustes na legislação trabalhista e previdenciária para garantir remuneração integral durante o afastamento e impedir discriminação contra trabalhadores que utilizem o benefício. O texto ainda inclui a licença-paternidade entre as modalidades contempladas pelo Programa Empresa Cidadã, que concede incentivos fiscais às empresas que ampliam licenças familiares. A proposta reúne diferentes projetos apresentados ao longo dos últimos anos, incluindo iniciativas da ex-senadora Patrícia Saboya e da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Segundo o parecer aprovado na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, a regulamentação busca aproximar a proteção ao pai do modelo já existente para a maternidade e incentivar a divisão das responsabilidades no cuidado com os filhos. A discussão sobre o tema ganhou força após decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu omissão do Congresso na regulamentação da licença-paternidade e fixou prazo para que o Legislativo aprovasse uma lei específica sobre o assunto.

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Julgamento decide hoje futuro do empreendimento de maior devedor contumaz do Brasil

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) começa a julgar nesta quarta-feira (4) um recurso da Refit contra a interdição da Refinaria de Manguinhos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), que já dura cinco meses. O caso é marcado por um jogo de pressão e intrigas nos bastidores para tentar influenciar nos resultados endash; tanto pelo potencial de definir o futuro da companhia de Ricardo Magro, o maior devedor contumaz do Brasil, como por por ter colocado o Judiciário na mira com o monitoramento da atuação dos desembargadores pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Por determinação do corregedor nacional de Justiça, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Mauro Campbell, todas as peças e decisões do processo são acompanhadas de perto pelo órgão. Como mostrou o colunista Lauro Jardim, a medida foi tomada por Campbell a partir de alertas de órgãos fazendários sobre a necessidade de monitorar o caso. A Refit soma mais de R$ 26 bilhões em dívidas, segundo a Receita Federal. Seu dono, o empresário Ricardo Magro, vive há anos na Flórida, nos Estados Unidos. No final de janeiro, ele reforçou sua defesa perante o TRF-1 com a contratação de Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, que já foi do tribunal e continua a manter influência sobre ele. Nas últimas semanas, integrantes da ANP têm afirmado nos bastidores que pessoas ligadas a Magro enviaram recados de que o empresário disporia de eldquo;recursos infinitoserdquo; para manter o processo vivo até que se decida o caso a seu favor. É nesse clima de tensão que os magistrados do TRF-1 analisarão a regularidade da interdição da torre de refino de Manguinhos pela ANP em uma operação conjunta de fiscalização com a Receita Federal em setembro passado que apontou indícios de refino fantasma e fraude tributária. Mas, com a deflagração de uma ofensiva judicial por parte da Refit, parte do processo se refere a assuntos que fogem do objeto inicial. Isso porque o caso chegou à Justiça Federal após o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) conceder decisões favoráveis para a empresa de Ricardo Magro. Desde então, o TRF-1 concedeu em dezembro passado uma liminar que suspendia deliberações administrativas do órgão regulador relativas à refinaria. Porém, depois que a a ANP determinou a interdição total de Manguinhos por risco de incêndio e acidentes em uma nova fiscalização nas instalações da empresa, no final de janeiro, a Refit passou a tentar também anular a nova diligência, sob o argumento de que a agência reguladora teria descumprido a liminar do ano passado. Para os advogados da ANP, ao fazer isso dentro de uma ação que discutia outra interdição, em outro momento e por outros motivos, a Refit mudou o foco de sua reclamação, o que seria uma manobra jurídica vedada pelas normas processuais. Dentro da agência, o recurso da empresa de Magro é chamado de eldquo;agravo mutanteerdquo;. A companhia também apresentou à Polícia Federal (PF) uma queixa-crime por abuso de autoridade e prevaricação contra dois diretores da ANP na decisão de interditar parcialmente a refinaria em setembro. Suspeitas e eleição A decisão de Campbell de determinar o monitoramento do processo pelo CNJ também tem gerado controvérsia e desconforto nos bastidores, segundo apurou a equipe da coluna. A medida não é usual e tornou pública a teia de intrigas que tem permeado o caso, com críticas a Campbell vindas da Refit e sinais de apoio da ANP. Há ainda o componente político-eleitoral. Em dezembro, o presidente Lula afirmou durante um evento público ter discutido a prisão de Magro com Donald Trump durante uma ligação com o chefe de Estado americano, mas sem citar o nome do dono da Refit, a quem classificou como eldquo;chefe do crime organizado brasileiroerdquo;. Mais recentemente, durante viagem oficial à Índia após o carnaval, Lula revelou ter mencionado o empresário em três conversas distintas com o presidente dos EUA. eldquo;Eu disse ao presidente [Trump] que nós estamos dispostos a trabalhar com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico, no tráfico de armas, na lavagem de dinheiroerdquo;, declarou o petista. eldquo;Qualquer coisa que puder colocar os magnatas da corrupção na cadeia, nós estamos dispostos a trabalhar.erdquo; "Já mandamos para ele uma relação das coisas que nós queremos fazer, já mandamos documento da Receita Federal, já mandamos fotografia. Já mandamos nomes de pessoas", completou, novamente sem citar Ricardo Magro. Esses elementos têm provocado toda sorte de ruídos no curso do processo. Mas o que se julgará hoje é o mérito da decisão da ANP endash; ou seja, se os argumentos técnicos apresentados pela reguladora e a Receita são suficientes para manter a Refit interditada ou não. Os dois órgãos reforçaram nos autos a suspeita de que a refinaria importe combustíveis prontos de forma irregular para driblar o Fisco, declarando os produtos como nafta petroquímica, cuja incidência tributária é substancialmente menor do que a da gasolina e do diesel. A nafta é um dos insumos usados na produção dos combustíveis, entre outros materiais endash; daí a hipótese de eldquo;refino fantasmaerdquo;. Longo histórico Como publicamos no blog em outubro passado, essas suspeitas em torno da Refit não são novas para a ANP. Um parecer técnico sigiloso formulado pela agência em 2017 detectou o mesmo problema naquele ano durante uma inspeção de rotina às instalações da refinaria de Manguinhos. Além de interditar a torre de refino da Refit em setembro, os dois órgãos federais apreenderam na mesma ocasião dois navios com 91 milhões de litros de diesel avaliados em R$ 290 milhões e 115 toneladas de insumos para aditivos de combustíveis com origem no exterior que seriam destinados à refinaria. A operação foi batizada na época de Cadeia de Carbono, e tanto a ANP como a Receita anunciaram à época que as diligências eram um desdobramento da Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal no mês anterior e que mirou a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis de São Paulo e o uso de fundos e fintechs da Faria Lima para a lavagem de dinheiro do crime organizado.

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Preço do diesel dispara a US$ 134 e atinge maior diferença para petróleo em dois anos e meio

A diferença do preço do diesel sobre o petróleo bruto disparou para seu maior nível desde o verão de 2023 (inverno de 2023 no Brasil), à medida que o conflito no Oriente Médio ameaça o abastecimento global. Os contratos futuros de referência do diesel na Europa custavam mais de US$ 40 (R$ 209,78) por barril acima do petróleo bruto no início desta terça-feira (3), a maior diferença entre os combustíveis em dois anos e meio, segundo dados compilados pela Bloomberg. A diferença do combustível sobre o petróleo também saltou nos EUA e na Ásia. Os preços absolutos do diesel dispararam como parte de uma alta mais ampla no mercado de petróleo: na Europa, os contratos futuros para entrega em março ultrapassaram US$ 1.000 por tonelada, equivalente a mais de US$ 134 por barril. Mas seus ganhos superaram os do Brent, refletindo a importância do Oriente Médio como grande exportador de diesel e fornecedor para outras grandes refinarias. Nesta terça, o barril do Brent chegou a atingir US$ 85,10. As entregas de diesel para a Europa vindas de refinarias na Ásia que recebiam petróleo bruto do golfo Pérsico "estão agora severamente em risco", afirmou Janiv Shah, vice-presidente de mercados de commodities da Rystad Energy. "Os fluxos de volume do golfo Pérsico para a Europa também estão ameaçados", disse. O tráfego de navios-tanque pelo estreito de Hormuz emdash;por onde passa 20% da produção mundial de petróleoemdash; foi severamente interrompido. Os custos de frete também estão disparando, com a taxa para transporte de derivados de petróleo do golfo do Oriente Médio para o noroeste da Europa saltando para seu maior nível desde 2024 na segunda-feira (2). Em resposta aos problemas de transporte, algumas refinarias asiáticas estão considerando reduzir as taxas de operação, o que pesaria ainda mais sobre as cadeias de suprimento. (Bloomberg)

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