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PIB desacelera e fecha 2025 com alta de 2,3%, menor taxa em 5 anos

Em um cenário de juros altos para conter a inflação, a economia brasileira desacelerou em 2025 e fechou o acumulado do ano com crescimento de 2,3%, apontam dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados nesta terça (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O país confirmou o quinto ano consecutivo de expansão, mas a taxa foi a menor desse período, que abrange a recuperação após a crise da pandemia. A alta alcançou 3% ou mais nos quatro anos anteriores emdash;em 2024, o avanço foi de 3,4%. A desaceleração tem sido chamada de suave por analistas e era aguardada devido ao aperto dos juros, que dificulta o consumo e os investimentos produtivos. O desempenho de atividades como a agropecuária, que cresceu 11,7% no ano passado, sustentou o PIB. "Ficou claro que os juros tiveram efeito de conter o crescimento. Mas é bom ressaltar que o PIB conseguiu crescer apesar disso. Não é um resultado ruim, embora seja o menor dos últimos cinco anos", diz a economista Juliana Trece, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). "Para 2026, a expectativa também é de crescimento, em princípio menor que 2,3%, porque a agropecuária não deve ter um avanço tão expressivo, e a gente continua com juros elevados. Mesmo que o Banco Central inicie em março o corte dos juros, demora um pouco para ter efeito", acrescenta. O resultado de 2025 veio em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 2,3%, conforme a agência Bloomberg. O PIB está no maior patamar da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. No quarto trimestre do ano passado, a economia permaneceu praticamente estagnada, com taxa positiva de 0,1% frente aos três meses imediatamente anteriores. O número também ficou em linha com a mediana das previsões coletadas pela Bloomberg (0,1%). O dado de outubro a dezembro ocorreu após variação nula no terceiro trimestre de 2025 (0%), conforme revisão do IBGE emdash;o resultado divulgado inicialmente pelo órgão era de 0,1% para o período de julho a setembro. Também houve taxa próxima de zero no segundo trimestre (0,3%), depois de um avanço superior a 1% nos três primeiros meses do ano passado (1,5%). AGRO DÁ IMPULSO A trajetória mostra que o crescimento ficou concentrado no início de 2025, quando a economia teve o impulso da safra recorde de grãos. A alta da agropecuária no acumulado do ano (11,7%) ficou bem acima dos avanços de serviços (1,8%) e indústria (1,4%). O campo deu a principal contribuição para o PIB. Segundo o IBGE, a agropecuária respondeu por 32,8% do volume adicionado ao indicador no ano passado, seguida por indústria extrativa (15,3%), outras atividades de serviços (14,6%) e informação e comunicação (9,4%). Os destaques são menos influenciados pelos juros e têm presença em exportações, avaliou a coordenadora de contas nacionais do instituto, Rebeca Palis. FORÇA DA INDÚSTRIA EXTRATIVA A indústria extrativa fechou 2025 com alta acumulada de 8,6% ante 2024. Houve crescimento da extração de petróleo e gás. O ramo sustentou o avanço da indústria geral no ano passado (1,4%). Já a indústria de transformação (fábricas) mostrou variação negativa de 0,2%. Trata-se de um segmento mais afetado pelos juros. O BC iniciou em setembro de 2024 o ciclo de aumento na taxa Selic, que chegou a 15% ao ano em junho de 2025. O patamar está inalterado desde então. A Selic de 15% encarece o crédito e tende a esfriar a demanda por bens e serviços com o passar do tempo. Assim, espera-se que a pressão sobre os preços também ceda. CONSUMO ESFRIA O consumo das famílias acumulou crescimento de 1,3% em 2025, abaixo de 2024 (5,1%). O novo resultado foi o mais fraco desde a queda de 4,6% em 2020, na pandemia. A recuperação do emprego e da renda serviu de incentivo para o consumo, mas esse componente do PIB encontrou as barreiras do endividamento das famílias e dos juros, segundo o IBGE. Os investimentos produtivos na economia também perderam ritmo. A alta foi de 2,9% em 2025, abaixo da registrada em 2024 (6,9%). O consumo do governo, por sua vez, cresceu 2,1%. Foi praticamente o mesmo nível verificado um ano antes (2%). SETOR EXTERNO O PIB ainda inclui o setor externo. As exportações aumentaram 6,2% no ano passado, acima dos 2,8% de 2024. As importações avançaram 4,5% em 2025, menos do que no ano anterior (15,6%). A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, afirma que o PIB mostrou resiliência com a demanda da administração pública e o desempenho de setores menos sensíveis à política monetária, como a agropecuária e a indústria extrativa. "Essa combinação também impulsionou as exportações, contribuindo para manter a economia em ritmo sólido, sem sinais de recessão ou desaceleração abrupta." Analistas destacam que o governo Lula (PT) aposta em estímulos para impedir uma perda de ritmo maior do PIB em ano eleitoral. Uma das medidas citadas é a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. A ação tende a abrir espaço no orçamento de famílias para o consumo. Na mediana, as previsões do mercado financeiro indicam PIB de 1,82% em 2026, conforme o boletim Focus, do BC. Já a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda projeta expansão de 2,3%, mesmo ritmo de 2025. Caso as estimativas se confirmem, o PIB terá crescimento de 2,7% ou 2,8% em média ao ano no terceiro mandato de Lula (2023 a 2026). Seria a maior variação desde o segundo governo do petista (2007 a 2010), quando a taxa ficou em 4,7% ao ano. GUERRA NO IRÃ PODE IMPACTAR INFLAÇÃO A divulgação do PIB ocorre no momento em que a guerra no Irã chama a atenção no ambiente externo. O conflito já pressionou as cotações de petróleo e, caso se prolongue, pode elevar as exportações de países como o Brasil. O contexto, porém, traz riscos para a inflação no país. A ameaça aparece no radar porque o petróleo influencia os preços de combustíveis, que impactam os custos de diferentes setores da economia. "Isso pode deixar o Banco Central mais cauteloso em relação ao corte de juros. É difícil ter certeza do que vai acontecer, mas suponho que o efeito seja mais negativo", diz Juliana Trece, do FGV Ibre. O mercado espera que o BC comece a cortar a Selic neste mês, mas a taxa tende a fechar o ano em dois dígitos. A estimativa do Focus está em 12% para o final de dezembro. DESAFIOS PARA 2026 Embora as projeções do setor privado sejam de desaceleração da economia, economistas apontam que as medidas de estímulo do governo federal e o aumento nos gastos estaduais no ano eleitoral podem trazer surpresas. Ainda há dúvidas em relação ao efeito da guerra no Oriente Médio, com analistas avaliando que ele pode ser neutro sobre a atividade. A Fiesp (federação das indústrias de São Paulo) projeta crescimento de 1,9% para o PIB de 2026, mas cita um "viés de alta" a partir de iniciativas como a isenção do Imposto de Renda e a perspectiva de continuidade do aumento do investimento antes das eleições. A projeção é a mesma do Itaú-Unibanco, que também fala em "viés de alta", dada a possibilidade de adoção de medidas fiscais e desempenho mais robusto do crédito. A Fiemg (federação das indústrias de Minas Gerais) avalia que um mercado de trabalho aquecido e o estímulo fiscal podem sustentar parcialmente o consumo, mas o ambiente ainda será desafiador para a indústria. O economista Luiz Otávio Leal, da G5 Partners, afirma que a economia deve crescer novamente acima de 2%, principalmente por conta de impulsos como o novo consignado privado, a isenção do IR e o aumento dos gastos em ano eleitoral. DIVULGAÇÃO APÓS TURBULÊNCIA NO IBGE O IBGE publicou os resultados do PIB após mais um capítulo de sua crise interna, que coloca o presidente Marcio Pochmann e parte dos servidores de lados opostos. O motivo da nova turbulência foi a retirada da pesquisadora Rebeca Palis do cargo de coordenadora de contas nacionais. O departamento é o responsável pelo cálculo do PIB. A direção comunicou a decisão em 19 de janeiro, pegando o corpo técnico de surpresa. Pelo menos três pesquisadores da mesma área entregaram cargos de gerência depois do anúncio. O servidor Ricardo Montes de Moraes foi escolhido como substituto de Rebeca. Ela, contudo, ainda foi a responsável pela apresentação dos dados à imprensa nesta terça. Durante a coletiva, a Folha perguntou sobre os motivos da troca, mas a assessoria do IBGE disse que a entrevista abordaria apenas os resultados do PIB. A mudança na coordenação provocou repercussão porque a equipe chefiada pela pesquisadora conduzia um processo considerado complexo de revisão nas contas nacionais. A atualização é recomendada para captar de tempos em tempos as transformações na economia, como impactos digitais e usos do meio ambiente. Em janeiro, o sindicato dos servidores do IBGE (Assibge) chegou a falar em "caça às bruxas" no instituto. Rebeca foi um dos nomes que haviam assinado manifestações de técnicos com críticas à direção anteriormente. Após a polêmica, Pochmann usou o X (ex-Twitter) para defender a sua gestão. Ele afirmou em postagens que o instituto ia "muito bem" e citou "mentiras patrocinadas por algumas fontes". COMO É FEITO O CÁLCULO DO PIB? O PIB pode ser calculado pela ótica da oferta e pela ótica da demanda. Os métodos devem apresentar o mesmo resultado. Por meio de um exemplo prático é possível utilizar o seguinte cenário: imagine que o IBGE queira calcular a produção gerada por um artesão que cobra R$ 30 por uma escultura de mármore. Para fazer a escultura, ele usou mármore e martelo e teve que adquiri-los da indústria. O preço de R$ 30 traz embutidos os custos das matérias-primas utilizadas. Se o mármore e o martelo custaram R$ 20, a contribuição do artesão para o PIB foi de R$ 10. Esse valor representa a produção gerada ao transformar um pedaço de mármore em uma escultura. O IBGE faz esse cálculo para toda a cadeia produtiva brasileira. Ou seja, ele precisa excluir da produção total de cada setor as matérias-primas que ele adquiriu de outros setores. Depois de fazer esses cálculos, o instituto soma a produção gerada por cada setor, agropecuária, indústria e serviços, chegando à contribuição de cada um para a geração de produção e para o crescimento econômico. O cálculo pela ótica da demanda soma tudo o que é gasto no país endash;e, portanto, dá uma ideia do poder de compra naquele período.

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Guerra no Irã pode redirecionar investimentos para petróleo no Brasil, diz Shell

O presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, disse nesta terça-feira (3) que ainda é cedo para dimensionar os impactos da guerra no Irã, mas que a percepção de maior instabilidade no Oriente Médio pode redirecionar investimentos para a exploração de petróleo no Brasil. "É plausível se esperar que a decisão de alocação de capital global de grandes companhias de petróleo redirecione fluxos de uma região para outra", disse ele, em café da manhã com jornalistas no Rio de Janeiro. "O Brasil tem histórico de não ter problemas geopolíticos de grande magnitude, é um produtor confiável, tem produção com menor intensidade de carbono no pré-sal. Se mantiver estabilidade regulatória, competitividade fiscal e celeridade no licenciamento ambiental, tem chance de atrair mais investimentos", completou. O encontro com a imprensa havia sido agendado antes dos primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Aos jornalistas o presidente da Shell disse que a prioridade da companhia neste momento é garantir segurança a funcionários e ativos na região. Na sua opinião, ainda é prematuro prever impactos sobre o setor e sobre a economia global, apesar da escalada das cotações internacionais do petróleo nos primeiros dias após o conflito. A magnitude dos impactos, afirmou, dependerá da duração do evento. "A expectativa é de preço de petróleo um pouco mais alto ns próximas semanas. O fechamento do Estreito de Hormuz afeta a indústria como um todo. Todo grande operador, comercializador tem produtos em navios passando pela região." O Brasil não depende da rota em seu comércio exterior de petróleo e combustíveis. A maior parte das exportações de óleo da Petrobras e da própria Shell vão para a China. Pinto da Costa diz que o aumento no custo do frete pode ser um impacto de curto prazo. "Estamos um pouco fora da rota do conflito, porém podemos ter impactos de segunda ou terceira ordens, como, por exemplo, o frete pode ter um impacto na comercialização do petróleo brasileiro", afirmou. A Shell é segunda maior produtora e segunda maior exportadora de petróleo do país. É sócia da Petrobras nos maiores campos do pré-sal. Nos últimos anos, ampliou sua presença também na exploração de petróleo, com a aquisição de 44 novos blocos em leilões do governo. Em 2025, realizou investimento recorde no país, com R$ 12,5 bilhões, aportados no desenvolvimento da produção de campos do pré-sal, que a levaram ao seu recorde de produção no país no fim de fevereiro, com 496 mil barris de óleo e gás. A empresa finaliza uma campanha de pesquisa sísmica (espécie de ultrassonografia do subsolo) na porção sul da bacia de Santos, sua principal aposta no país, e estuda perfurar o primeiro poço em busca de reservas em até 48 meses. A Shell se prepara também para colocar em operação, até 2029, de uma nova plataforma de produção de petróleo, em um campo batizado de Orca, na Bacia de Campos. Recentemente, anuncio a venda de 20% do projeto para uma empresa do Kuwait.

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Shell confirma R$ 3,5 bi para salvar Raízen, mas quer compromisso igual da Cosan

O presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, confirmou nesta terça-feira (3) que a empresa se comprometeu a aportar até R$ 3,5 bilhões em um processo de capitalização da Raízen, empresa de etanol e combustíveis em que é parceira da Cosan. Ele afirmou, no entanto, esperar o mesmo comprometimento da sócia, já que não tem interesse em ampliar sua participação e trazer a dívida da controlada para dentro de seu balanço. "Nossa expectativa é que o outro acionista possa contribuir de maneira proporcional", disse. Uma das maiores produtoras globais de açúcar e etanol, além de um dos maiores distribuidores de combustíveis do Brasil, a Raízen enfrenta prejuízos e dívidas crescentes. Em dezembro, tinha uma dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, salto de 43,3% em relação ao mesmo período de 2024. No fim de 2024, os sócios mudaram sua gestão e iniciaram um plano de venda de ativos não relacionados ao negócio principal para tentar resolver o problema. Agora, negociam com credores uma saída para injetar dinheiro no negócio. Pinto da Costa diz que a Shell chegou a tentar encontrar um novo sócio para a empresa, mas não obteve sucesso. "Por isso que as conversas hoje estão muito ligadas aos sócios atuais", destacou, em café da manhã com jornalistas no Rio de Janeiro. Ele afirmou que a Shell prefere uma solução que mantenha a empresa integrada, sem a separação do negócio de distribuição de combustíveis do negócio de produção de açúcar e etanol, uma das alternativas à mesa. "A Shell não se opõe a uma eventual quebra dos negócios. A gente só acredita que a sequência correta... era você tentar recapitalizar a companhia de uma forma integrada primeiro e, depois que a companhia estiver estabilizada, você eventualmente considerar uma separação", disse. A Raízen foi criada em 2011 justamente sob o argumento de aproveitar vantagens da integração entre as duas operações. A Shell entrou com sua infraestrutura e experiência na distribuição de combustíveis, e a Cosan, com a parte relativa ao agronegócio. O presidente da Shell diz que a crise é fruto de uma conjunção de fatores. "Expansão acelerada, fatores macroeconômicos desfavoráveis, [com baixo] preço de açúcar e etanol, desaceleração da transição energética e uma alavancagem que coincidiu com um ciclo de alta de juros." No quarto trimestre de 2024 (terceiro trimestre do ano fiscal da empresa), a Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões, número seis vezes maior do que no mesmo período de 2023. Pinto da Costa confirmou reunião com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar da solução para a crise, mas não quis comentar se a Petrobras estava presente ou se há negociações com a estatal. "É de interesse do governo brasileiro, a Raízen sendo uma das principais companhias do país, que ela consiga achar um caminho para se reestruturar", afirmou.

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Fim da escala 6x1: Entidades do setor produtivo querem preservação do emprego como base para debate

Um grupo de 93 entidades do setor produtivo defende que a preservação do emprego e a diferenciação por setor sejam premissas do debate da redução da jornada de trabalho, proposta em tramitação na Câmara dos Deputados batizada de fim da escala 6x1 - aposta eleitoral do presidente Lula. eldquo;O debate sobre a modernização da jornada de trabalho é legítimo e relevante para o bem-estar dos trabalhadores e para a dinâmica econômica do país. O objetivo social é claro: saúde e qualidade de vida. Para tanto, é necessário colocar também como aspecto central os impactos em competitividade, produtividade e a precarização dos empregos no Brasilerdquo;, dizem em manifesto conjunto, intitulado de eldquo;Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasilerdquo;. As entidades defendem que a discussão da redução da jornada seja baseada em quatro princípios: preservação do emprego formal e mitigação de incentivos à informalidade; produtividade como base para sustentabilidade e desenvolvimento social e econômico; diferenciação por setor e uso de negociação coletiva; discussão técnica aprofundada e governança de diálogo social. Para elas, a eldquo;dimensão do contingente formalerdquo; de trabalhadores deve estar no centro de qualquer mudança, citando dados do IBGE de 38,9 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado ao fim de 2025 e números do Ministério do Trabalho e Emprego, que mostram que o Brasil registrou estoque de 48,45 milhões de vínculos celetistas em dezembro de 2025. As entidades querem o aprofundamento da pauta fora do período eleitoral. O documento, obtido pelo Estadão/Broadcast é assinado por 93 entidades do setor produtivo (veja lista abaixo), incluindo representantes de setores do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes. O manifesto é avalizado pelas confederações dos setores econômicos: Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e Confederação Nacional do Transporte (CNT). O manifesto foi apresentado nesta terça-feira,3, em reunião da Coalizão das Frentes Parlamentares do Setor Produtivo na Frente Parlamentar da Agropecuária e encaminhado ao presidente da Câmara, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). No manifesto, as entidades alegam que cerca de 40% da população economicamente ativa encontra-se na informalidade. eldquo;A redução de incentivos à informalidade, direcionando estratégias e políticas que observem diferenças setoriais e por porte de empresa, é essencial ao crescimento econômico e ao desenvolvimento social sustentável do Paíserdquo;, argumentam. Para elas, também é eldquo;urgenteerdquo; a adoção de medidas concretas para aumentar a produtividade, como qualificação e difusão tecnológicas. As entidades defendem ainda o reconhecimento da heterogeneidade do mercado de trabalho e o foco em ajustes setoriais, eldquo;seja por atividade ou por meio da negociação coletiva, ao permitir ajustar escalas, turnos e limites de trabalho de forma adaptada ao contexto do setor e da regiãoerdquo;. Outro ponto defendido por elas é um debate aprofundado sobre o tema. eldquo;Mudanças estruturais, dos limites constitucionais da jornada de trabalho devem ser fundamentadas em debates técnicos aprofundados, que considerem impactos e alternativas, com governança por meio de diálogo social centrado no consenso entre trabalhadores, empregadores e poder públicoerdquo;, destacam. As entidades empresariais mencionam ainda a experiência internacional quanto ao tema, afirmando que, nos países onde ocorreu a redução do número de horas trabalhadas, o debate estava vinculado ao processo de ganhos de produtividade. eldquo;Quando a produção por hora trabalhada cresce, a sociedade consegue reduzir o volume de trabalho e preservar renda e preços. Isto torna o processo sustentávelerdquo;, afirmam. eldquo;No entanto, quando a mudança ocorre sem esse equilíbrio, o resultado pode ser o aumento de custos, a redução de contratações formais e/ou o repasse de preços para o consumidor. Nenhum desses cenários favorece o País, seus trabalhadores e suas empresaserdquo;, ponderam. Nesse contexto, para as entidades de classe, o Brasil precisa acelerar a qualificação e viabilizar adoção de tecnologia e inovação, sustentando produtividade. As entidades afirmam ainda que o ordenamento jurídico nacional já dispõe de mecanismos de ajuste por meio de negociação. eldquo;O desafio, portanto, não é apenas eldquo;mudar a regraerdquo;, mas calibrar a implementação para que diferentes realidades produtivas - operações contínuas, serviços essenciais, picos sazonais e distintos portes empresariais - possam se adaptar sem rupturaserdquo;, defendem. As entidades refutam ainda a dicotomia entre qualidade de vida e desenvolvimento econômico. eldquo;Modernizar a jornada não significa escolher entre qualidade de vida e atividade econômica. Significa construir um caminho em que o trabalhador possa viver melhor sem que o emprego formal se torne mais escasso ou mais instávelerdquo;, argumentam. Por fim, as entidades setoriais pregam por um diálogo com maturidade sobre o tema, considerando os impactos em custos de produção e reflexos em preços de bens e serviços essenciais. eldquo;Nesse sentido, considera-se recomendável que o aprofundamento desta pauta ocorra fora do ambiente de disputas eleitorais, em momento mais propício à construção de consensos duradouros e de soluções equilibradas, evitando que decisões pressionadas possam comprometer a qualidade de políticas públicas e seus efeitos sobre o paíserdquo;, defendem. Veja abaixo as entidades signatárias do manifesto: Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (Abcs) Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (Abcz) Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (Abiogás) Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor) Associação Brasileira dos Produtos Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass) Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado do Goiás (Adial) Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda) Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA Brasil) Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (AMPA) Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) Associação dos Produtores de Sementes de MT (Aprosmat) Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja MS) Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja BR) Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja MT) Bioenergia Brasil Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul) Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (Citrusbr) Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) Croplife Brasil Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato) Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) Federação das Indústrias do Estado de MT (Fiemt) Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ) Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) Organização de Associações de Plantadores de Cana do Brasil (Orplana) Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) Sociedade Rural Brasileira (SRB) Associação Brasileira das Indústrias de Suco Integral (Sucosbr) União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única) Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos) Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto (Abag/RP) Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (Aberc) Associação Brasileira das Indústrias Ópticas (Abióptica) Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (ABIR) Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shoppings (Ablos) Associação Brasileira de Supermercados (Abras) Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) Associação Brasileira de Academias (Acad Brasil) Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO) Associação Nacional de Restaurantes (ANR) Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse) Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) Confederação Nacional da Indústria (CNI) Confederação Nacional das Seguradoras (Cnseg) Confederação Nacional do Transporte (CNT) Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) Federação Brasileira de Hotéis e Alimentação (FBHA) Federação do Comércio de Bens de São Paulo (Fecomercio/SP) Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) Federação de Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) Federação Nacional das Empresas de Refeições Coletivas (Fenerc) Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) Instituto Brasileiro para Inovação e Sustentabilidade do Agronegócio (Ibisa) Instituto Brasil Logística (IBL) Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) Instituto Livre Mercado Movimento Brasil Competitivo (MCB) Associação Brasileira dos Refinadores Privados (Refina Brasil) Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi/SP)

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Etanol sobe em seis estados e não é competitivo em nenhum

Os preços médios do etanol hidratado subiram em seis estados, caíram em outros 13 e no Distrito Federal e ficaram estáveis em seis na semana encerrada no dia 28 de fevereiro. No Amapá não houve medição. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE-Taxas. Nos postos pesquisados pela ANP em todo o país, o preço médio do etanol recuou 0,43% na comparação com a semana anterior, de R$ 4,65 para R$ 4,63 o litro. Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço ficou estável em R$ 4,46 o litro. A maior alta porcentual na semana, de 14,75%, foi registrada no Acre, de R$ 5,22 para R$ 5,99 o litro. A maior queda, de 1,61%, ocorreu no Pará, de R$ 4,97 para R$ 4,89 o litro. O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,69 o litro, em São Paulo. O maior preço, de R$ 6,83, foi observado no Rio Grande do Sul. Já o menor preço médio estadual, de R$ 4,26, foi registrado em Mato Grosso do Sul, enquanto o maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 5,99 o litro. Competitividade O etanol não era competitivo em relação à gasolina em nenhum estado na semana encerrada em 28 fevereiro. Na média dos postos pesquisados no país, o etanol tinha paridade de 73,73% ante a gasolina, portanto desfavorável em comparação com o derivado do petróleo, conforme levantamento da ANP. Executivos do setor observam que o etanol pode ser competitivo mesmo com paridade maior do que 70%, a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado. (Estadão Conteúdo)

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Indústria pressiona por aumento da mistura do biodiesel para 16%

Produtores de biodiesel e os parlamentares ligados ao agronegócio iniciaram uma pressão para que o governo federal aprove o aumento da mistura do biocombustível ao diesel fóssil nas próximas semanas. Apesar de a legislação prever a elevação de 15% para 16% a partir de 1º de março de 2026, na prática, isso só ocorre se for aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), comandado pelo Ministério de Minas e Energia (MME). A expectativa do setor é que o tema seja avaliado em reunião do colegiado no dia 12 de março, disseram fontes em Brasília. No governo, há a intenção de realizar testes para validar a mistura mais elevada, que ficariam prontos só na metade do ano. Os testes realizados até agora, contratados pelo MME, foram feitos com misturas de 15% de biodiesel ao diesel. Os novos testes já seriam realizados com a mistura de 20%. Já a indústria automotiva defende a posição do governo, de garantir a realização dos testes antes de aprovar a nova mistura. eldquo;Aumentar [a mistura] sem ter uma referência se vai dar problema ou não [nos motores], não concordamoserdquo;, afirmou Henry Joseph, assessor especial da presidência da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). eldquo;Se os testes mostrarem que houve algum problema, como faria com o [produto] que está na rua?erdquo;, questionou. Além de atender ao cronograma previsto na Lei do Combustível do Futuro, com aumento anual de 1 ponto percentual, a nova mistura é defendida pelas usinas como forma de aliviar custos com combustíveis fósseis ante a escalada do conflito no Irã e os impactos no preço do diesel. A instabilidade se deve a uma eldquo;fragilidade estrutural relevanteerdquo;, que é a dependência de diesel importado para atender à demanda nacional. Com a guerra, esse combustível fica mais caro. Por isso, os produtores de biodiesel defendem a urgente aprovação do novo percentual de mistura, o B16, como forma de eldquo;blindarerdquo; o país frente a esses cenários mais voláteis. eldquo;Importamos aproximadamente 25% do diesel que consumimos. Isso significa que, mesmo sendo exportadores de petróleo bruto, permanecemos expostos às oscilações externas no abastecimento e no preço do diesel refinadoerdquo;, afirmou em nota a Coalizão pelos Biocombustíveis e as frentes parlamentares do Biodiesel (FPBio) e da Agropecuária (FPA). eldquo;A elevação da mistura para o B16 é absolutamente necessária neste momento de instabilidade internacional. Cada ponto percentual adicional de biodiesel reduz a necessidade de importação de diesel fóssil, diminui a exposição cambial, amplia a segurança energética e fortalece a produção nacionalerdquo;, defendeu o grupo parlamentar. Previsibilidade O diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, disse que a elevação da mistura é uma decisão de previsibilidade e segurança jurídica. eldquo;Quando o cronograma é cumprido, a indústria planeja, investe e entrega com qualidade. Quando a decisão fica em aberto, o país perde eficiência e segue mais exposto ao diesel importado. O Brasil não precisa esperar uma nova crise para agir. O biodiesel já é uma solução disponível, com cadeia estruturada e capacidade instaladaerdquo;, afirmou, em nota. Segundo ele, o debate não é sobre um ponto percentual a mais na mistura, mas sobre proteger a economia real, que depende do diesel para transportar produção. eldquo;Com petróleo em alta e risco externo maior, acelerar o B16 é uma medida de responsabilidade econômica. A Lei do Combustível do Futuro deu direção e o CNPE tem o papel de dar a sinalizaçãoerdquo;, concluiu Tokarski. Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial e vice-presidente de Relações Associativas e Institucionais da Ubrabio, disse que o setor está preparado para cumprir a nova mistura e que há oferta de matéria-prima, capacidade instalada e segurança técnica para avançar. eldquo;O que precisamos agora é de decisão no tempo correto. Adiar a implementação compromete investimentos, trava planejamento industrial e mantém o Brasil desnecessariamente vulnerávelerdquo;, disse, em comunicado. eldquo;Cada 1 ponto percentual adicional de biodiesel na mistura evita a emissão de cerca de 3 milhões de toneladas de CO2, o equivalente ao plantio de mais de 60 milhões de árvores, preserva aproximadamente 300 vidas por ano com a melhoria da qualidade do ar e inclui até 25 mil agricultores familiares no Selo Biocombustível Social. No campo econômico, significa reduzir em 800 milhões de litros a necessidade de importação de dieselerdquo;, acrescentou André Lavor, CEO da Binatural.

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