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Diesel da Petrobras tem maior defasagem desde 2022 e importador pede reajuste

A Petrobras (PETR3;PETR4) está vendendo seu diesel a distribuidoras com preços cerca de 30% abaixo da referência internacional, configurando a maior defasagem desde 2022, apontou relatório do Goldman Sachs enviado a clientes nesta quinta-feira. O movimento ocorre devido a uma disparada dos preços do combustível fóssil do exterior, com a escalada de conflitos no Oriente Médio, ressaltou o Goldman. Os preços do Brent e do diesel internacional aumentaram em 16% e 33%, respectivamente, desde a última sexta-feira, segundo dados do banco, publicados pela manhã. Nesta quinta-feira, o Brent subia cerca de 5% por volta de 16h (horário de Brasília), enquanto o petróleo nos Estados Unidos (WTI) subia 8%, devido ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio. A Petrobras historicamente evita repassar imediatamente a volatilidade global aos preços locais, segundo reiterou a presidente da petroleira à Reuters, no início da semana. Na ocasião, outras fontes da companhia também disseram à Reuters que a petroleira monitorava de perto os desdobramentos do conflito e previa uma semana de observação no mercado de petróleo antes de uma eventual decisão sobre reajuste. A última vez que a Petrobras mexeu no preço do diesel foi em 6 de maio de 2025, quando ela reduziu o valor médio do combustível vendido a distribuidoras em 4,7%, para R$3,27 por litro, concluindo uma sequência de cortes diante de um recuo dos preços do petróleo no mercado internacional naquela oportunidade. O último aumento do produto pela estatal foi em fevereiro do ano passado. O diesel importado responde por cerca de 25% da oferta do combustível no Brasil, com a parcela restante sendo produzida por refinarias locais, principalmente a Petrobras, lembrou o Goldman. Um cenário sem reajuste, acrescentou o banco, poderia desincentivar distribuidores e importadores independentes a importar o combustível, reduzindo a disponibilidade do produto no país. O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araujo, afirmou que entende a decisão da Petrobras de esperar uma acomodação do mercado antes da realização de reajustes, mas pontuou que já está na hora de elevar os preços internos. eldquo;Considerando que a gente não tem nenhuma sinalização de que esse conflito vai terminar em breve, eu acho que está na hora sim (de ajustar o diesel), porque com essa defasagem tão elevada, isso aumenta substancialmente o risco de novas operações de importaçãoerdquo;, disse Araujo, à Reuters. Do ponto de vista de suprimento, o presidente da Abicom afirmou que não tem visto dificuldade de encontrar diesel no mercado externo, e que os navios que vêm ao Brasil não dependem do Estrito de Ormuz, onde a navegação de petroleiros está prejudicada em função da guerra no Irã. eldquo;A gente tem trazido produtos da Rússia, algum produto da Índia e também dos Estados Unidos. Então é possível, é factível fazer as operações, garantir o abastecimento, mas essa defasagem elevada realmente aumenta muito o riscoerdquo;, afirmou. POSITIVO PARA EXPORTAÇÃO O Goldman Sachs ponderou, entretanto, que os efeitos positivos de preços mais altos do petróleo no segmento de produção devem mais do que compensar qualquer possível impacto negativo no Ebitda do segmento refino da Petrobras, em um cenário de ausência de repasse nos preços de diesel e gasolina. A Petrobras exportou no ano passado um volume equivalente a 32% de sua produção de petróleo. O banco também afirmou acreditar que a governança atualmente em vigor na petroleira eldquo;provavelmenteerdquo; protegeria a empresa de um eventual cenário de ausência de repasse por um longo período. (Reuters)

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Petróleo dispara e WTI toca maior nível desde julho de 2024 por escalada militar

Os contratos futuros de petróleo voltaram a disparar nesta quinta-feira, 5. O WTI subiu mais de 8% e atingiu seu maior valor desde julho de 2024, acima dos US$ 80, e o Brent retomou o nível acima dos US$ 85. As disputas de versões sobre o tráfego pelo Estreito de Ormuz seguem dominando o noticiário, enquanto negociações diplomáticas para o conflito em curso não aparecem em um horizonte próximo, assim como um cessar-fogo. Na escalada, crescem ainda as chances de ações terrestres no Irã. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 8,50% (US$ 6,35), a US$ 81,01 o barril. Já o Brent para maio fechou em alta de 4,93% (US$ 4,01), a US$ 85,41 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). A missão do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que é eldquo;infundada e absurdaerdquo; a alegação de que o país teria fechado o Estreito e acusou os EUA de colocarem em risco a segurança marítima internacional em meio à escalada do conflito. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, pela sigla em inglês) afirmou que o Estreito está fechado apenas a navios dos EUA, de Israel, da Europa e de outros aliados ocidentais. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã não solicitou um cessar-fogo aos EUA ou a Israel e indicou que, no momento, não vê motivo para retomar negociações com Washington em meio à escalada. Araghchi disse que o governo iraniano também não mantém contatos diplomáticos diretos com autoridades americanas desde a última rodada de conversas entre os dois países. Em ligações nesta semana a líderes da minoria curda no Irã e no vizinho Iraque, o presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu eldquo;ampla cobertura aérea dos EUAerdquo; e outros apoios para que os curdos iranianos contrários ao regime assumam partes do oeste iraniano, segundo fontes com conhecimento do assunto disseram ao Washington Post. Segundo o Axios, Trump afirmou que precisa estar pessoalmente envolvido na escolha do próximo líder do Irã endash; assim como, segundo ele, ocorreu na Venezuela. que o retorno aos volumes normais de produção pode levar pelo menos um mês. (Estadão Conteúdo)

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Impacto econômico da guerra do Irã ainda é incerto, mas pode afetar inflação, diz Fed

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Richmond, Tom Barkin, afirmou que ainda não tem clareza sobre os impactos econômicos da guerra envolvendo o Irã, mas destacou que choques nos preços de energia podem afetar a inflação e o comportamento do consumidor nos Estados Unidos. Em entrevista à Bloomberg TV nesta quinta-feira (5/3), Barkin disse que aumentos nos preços da gasolina continuam sendo um fator relevante para o sentimento das famílias e podem reduzir outros gastos. eldquo;Os preços da gasolina ainda importam para o sentimento e podem deslocar outros tipos de consumoerdquo;, afirmou. Barkin ressaltou que, em tese, choques de curto prazo nos preços de energia tendem a ser temporários. eldquo;Os manuais diriam para olhar além de choques de curto prazoerdquo;, disse. Ainda assim, destacou que o Fed acompanhará a evolução desses efeitos antes de definir qualquer resposta. eldquo;O Fed seguirá decidindo juros reunião a reunião. Se os preços da gasolina estiverem mais altos, isso é inflacionário e teremos de decidir por quanto tempo isso vai durar.erdquo; O dirigente também avaliou que os dados recentes de inflação trouxeram alguma incerteza sobre o progresso do processo desinflacionário. Ele argumentou que os números recentes eldquo;levantam dúvidas sobre se o Fed já terminou sua luta contra a inflaçãoerdquo;. Por outro lado, Barkin apontou sinais positivos na economia. Segundo ele, empresas têm ampliado investimentos em produtividade, o que ajuda a sustentar margens corporativas mesmo diante de pressões como tarifas. eldquo;Estamos vendo empresas investirem em produtividadeerdquo;, disse, observando que um crescimento de produtividade de 2,8% eldquo;ainda é um número bastante bomerdquo;. Barkin reiterou que a política monetária segue em território modestamente restritivo, embora a demanda permaneça sólida. O dirigente também defendeu que o banco central tenha eldquo;uma presença menor nos mercadoserdquo;. (Estadão Conteúdo)

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ANP autua Petrobras por falhas em sonda da Foz do Amazonas; multa pode chegar a R$ 2 milhões

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) emitiu auto de infração contra a Petrobras por falhas na operação da sonda ODN-2, que perfura o primeiro poço em águas profundas na bacia da Foz do Amazonas. Alvo de um dos mais conturbados processos de licenciamento ambiental do país, a perfuração do poço foi interrompida no início de janeiro após derramamento de fluido no mar. A ANP, porém, diz que a autuação não tem relação com o incidente. Ela ocorreu porque vistoria na embarcação identificou desvios em planos e procedimentos para teste de inspeção e manutenção de bombas de combate a incêndio. "Tal desvio foi classificado como não conformidade crítica", disse, em nota, a agência. A falha foi identificada em fiscalização realizada na sonda na primeira semana de fevereiro, com o objetivo de verificar o sistema de gerenciamento de segurança da embarcação. A vistoria detectou outras não conformidades e deu prazo para que a Petrobras as corrija. Com relação ao auto de infração, diz a ANP, a Petrobras tem um prazo para apresentação de defesa e, depois, o processo será julgado pela diretoria do órgão regulador. Se condenada, a Petrobras pode pagar multa entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões. A estatal disse em nota que a decisão da agência se baseia em registros documentais, não em testes práticos. "A Petrobras atuará junto à ANP para aprimorar os processos de documentação e registro, e entende que não há fundamento para aplicação de multa à companhia", afirmou. Em fevereiro, a Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), pela descarga de 18,44m³ de fluido de perfuração de base não aquosa (mistura oleosa) no mar, oriunda do NS-42. O fluido de perfuração é uma mistura de produtos utilizada durante o processo de perfuração de poços nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás. De acordo com o Ibama, o líquido descarregado acidentalmente no mar pela Petrobras contém componentes classificados na categoria de risco B, o que representa risco médio tanto para a saúde humana quanto para o ecossistema aquático. Após o acidente, a petroleira, por sua vez, afirmou que o material é biodegradável e não causa impactos ambientais. Batizado de Morpho, o primeiro poço em águas profundas da bacia da Foz do Amazonas é acompanhado de perto pelo setor de petróleo, que vê na região perspectivas de renovação das reservas brasileiras de petróleo após o declínio do pré-sal. Organizações ambientalistas, por outro lado, acusam o governo de incoerência ao permitir a busca por mais combustíveis fósseis ao mesmo tempo em que apresenta o país como liderança na transição energética.

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Brasil tem superávit comercial de US$ 4,2 bi em fevereiro, em linha com o esperado

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,2 bilhões (R$ 22,1 bi) em fevereiro, ante um resultado negativo de US$ 467 milhões (R$ 2,3 bi) observado no mesmo mês de 2025, segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) divulgados nesta quinta-feira (5). Pesquisa da Reuters com economistas apontava para uma expectativa de resultado similar, um saldo positivo de US$ 4,2 bilhões para o período. O resultado das trocas comerciais do país no mês passado é fruto de US$ 26,3 bilhões (R$ 138,5 bi) em exportações, que cresceram 15,6% na comparação com fevereiro de 2025, e US$ 22,1 bilhões (R$116,4 bi) em importações, que recuaram 4,8% no período. Nas exportações, houve alta dos embarques de todos os setores, com destaque para a indústria extrativa, com aumento de 55,5%, puxada por altas expressivas nas vendas de petróleo e minério de ferro. Os ganhos foram de 6,3% na indústria de transformação, com vendas maiores de carnes, e de 6,1% na agropecuária, sob impulso das vendas de soja. Do lado das importações, houve queda na chegada ao país de bens intermediários e bens de capital, recuo mais relevante do que as elevações observadas em bens de consumo e combustíveis. (Reuters)

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Petrobras lucra R$ 110 bilhões em 2025 e anuncia mais R$ 8,1 bilhões em dividendos

A Petrobras registrou lucro de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 201% em relação ao ano anterior, que havia sido fortemente impactado por efeitos contábeis da desvalorização do real. A companhia anunciou ainda mais R$ 8,1 bilhões em dividendos a seus acionistas. Com os novos dividendos, previstos para maio e junho, a estatal terá distribuído um total de R$ 45,2 bilhões aos investidores pelo resultado de 2025. O grupo de controle, governo federal e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ficou com R$ 17,6 bilhões. No quarto trimestre de 2025, a empresa teve lucro de R$ 15,5 bilhões, contra prejuízo de R$ 17 bilhões no mesmo período do ano anterior, quando contabilizou os efeitos cambiais em seu balanço. "Os resultados de 2025 comprovam a consistência da nossa estratégia, baseada em disciplina de capital, aumento de produção e eficiência operacional. Mesmo em um cenário de forte queda do Brent, geramos R$ 200 bilhões de caixa operacional no ano", disse o diretor Financeiro da companhia, Fernando Melgarejo. Em 2025, a estatal bateu recorde de produção e de exportações, com 3 milhões de barris de petróleo e gás produzidos e 765 mil barris de petróleo exportados por dia. O grande volume de vendas e o dólar mais alto compensaram a queda de 14,5% no preço do petróleo entre um ano e outro. A receita da companhia subiu 1,4%, para R$ 497,5 bilhões. O Ebitda, indicador que mede a geração de caixa, subiu 10%, para R$ 237,1 bilhões. O lucro da área de Exploração e Produção, responsável por produzir petróleo e gás, caiu 1,4% no ano, para R$ 96,5 bilhões. Já a área de Refino, Transporte e Comercialização teve lucro 44% maior, de R$ 9,6 bilhões. Essa área é responsável por vender combustíveis e exportar petróleo. Desconsiderando os efeitos extraordinários dos dois anos, o lucro de 2025 teria sido de R$ 100,9 bilhões, queda de 2% com relação aos R$ 103 bilhões do ano anterior, informou a companhia em documento entregue à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta quinta-feira (5). Motivo de preocupação entre investidores, o volume de investimentos da estatal cresceu 22,2% no ano, para US$ 20,3 bilhões (R$ 113,4 bilhões pelo câmbio médio do ano), com foco em perfuração de poços e pagamentos por obras em plataformas de produção. Analistas se preocupavam com efeitos do crescimento dos investimentos sobre a remuneração ao acionista, principalmente em um cenário de petróleo baixo vigente até o começo da guerra no Irã. Após o início do conflito, porém, o Brent é negociado perto dos US$ 85 por barril. A Petrobras se beneficia do petróleo mais caro em suas exportações, mas fica pressionada a realizar reajustes nos preços internos dos combustíveis, que já começam a subir devido a aumentos em produtos importados por empresas privadas. A estatal diz que ainda analisa o cenário antes de decidir por reajustes nos preços dos combustíveis, mas afirma que, até o momento, não há risco para o abastecimento interno, já que a companhia não utiliza rotas hoje afetadas pelo conflito. A dívida líquida da companhia terminou 2025 em US$ 60,5 bilhões (R$ 338 bilhões), alta de 15% em relação ao fim de 2024. A empresa afirmou que os valores de dividendos estão alinhados com sua política de remuneração de acionistas, que prevê a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre quando o endividamento estiver abaixo da meta. "Esta distribuição é compatível com a sustentabilidade financeira da companhia", disse.

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