Iconic adota corredor a biometano entre Rio e São Paulo
A Iconic, joint-venture entre Ipiranga e Chevron no segmento de lubrificantes, graxas e fluídos, deu início a um projeto-piloto para descarbonizar a logística rodoviária com a adoção do chamado corredor azul, a biometano, entre Rio de Janeiro e São Paulo. Atualmente, 28% das viagens realizadas entre a região metropolitana de São Paulo e Duque de Caxias (RJ) já são feitas com carretas movidas ao combustível renovável. A iniciativa marca o primeiro passo da companhia para reduzir as emissões associadas ao transporte, um dos principais componentes da sua pegada de carbono. Segundo o gerente de logística da Iconic, Márcio Ouchi, a escolha do biometano foi resultado de um processo de avaliação técnica e estratégica. eldquo;A logística é uma parte muito relevante aqui na pegada de carbono da empresa e, com isso, nós fomos ao mercado para buscar soluções para a trabalhar nesse assuntoerdquo;, afirmou. A decisão de partir diretamente do diesel para o biometano, sem uma etapa intermediária com o gás natural veicular (GNV), está relacionada ao potencial de redução de emissões. eldquo;O biometano tem uma capacidade calorífica tão eficiente quanto o GNV. Porém, a redução de emissões de carbônicas do biometano é muito mais eficiente. Pode chegar a 99% se for num trecho full. No caso do GNV, isso é menor, em torno de 15%erdquo;, afirmou Ouchi eldquo;Identificamos que o biometano era a melhor solução para começarmos a nossa descarbonização do mundo de logísticaerdquo;, acrescentou. Embora ainda represente uma parcela pequena do total de viagens contratadas, o biometano também é visto como uma alternativa estratégica diante da dependência histórica do diesel. eldquo;Hoje, o Brasil inteiro depende do transporte rodoviário movido a diesel, sujeitos a oscilações. Tendo mais opções pode ajudar economicamente, mas também na redução de poluentes para o meio ambienteerdquo;, disse. Rota estruturada O projeto começou em novembro, inicialmente com dois veículos, em parceria com a transportadora Jomed, que já tinha experiência com esse tipo de operação. Pouco tempo depois, a frota foi ampliada. A rota principal liga a fábrica da Iconic em Duque de Caxias à unidade de Americana (SP), passando pela Via Dutra, com apoio logístico em Guarulhos. Os caminhões utilizados são modelos de fábrica preparados para operar com biometano, sem necessidade de adaptações. eldquo;É importante citar que todos esses veículos já são de fábrica preparados para utilizar biometano. Ou seja, não é necessária nenhuma adaptação que torne o processo mais seguroerdquo;, destacou o executivo. A autonomia média gira em torno de 650 quilômetros, suficiente para cobrir grande parte do trajeto. Apesar do foco no biometano, o projeto prevê flexibilidade operacional. Em situações pontuais, o abastecimento pode ser complementado com gás natural veicular (GNV), utilizando a infraestrutura já existente ao longo da rota. eldquo;Para emergências nós utilizamos o GNV como uma possibilidadeerdquo;, explicou Ouchi, ressaltando que há postos disponíveis em Duque de Caxias, Americana e na região de Guarulhos. A expectativa é aproveitar justamente os corredores já estruturados no Sudeste, onde a oferta de abastecimento é maior. O gerente também avalia que políticas públicas recentes podem acelerar esse movimento. eldquo;Essas políticas auxiliam muito para incentivar cada vez mais a produção, a distribuição também com a implantação de novos pontos de abastecimentoerdquo;, disse, citando ainda incentivos fiscais e benefícios na aquisição de veículos. O fornecimento do biometano é feito com apoio da Ultragaz, parceira do mesmo grupo econômico, que também já abastece a fábrica da Iconic em Duque de Caxias para uso industrial. A operação logística, no entanto, utiliza postos de mercado e parceiros ao longo da cadeia. eldquo;Não é uma negociação direta. É uma parceria, onde ele é o fornecedor, nós somos usuários e utilizamos parceiros ao longo da cadeiaerdquo;, explicou Ouchi.