Ano:
Mês:
article

Produção de petróleo e gás atinge 4,921 milhões de barris em novembro

A produção de petróleo e de gás natural no Brasil atingiu 4,921 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em novembro de 2025. Foram extraídos 3,773 milhões de barris por dia (bbl/d) de petróleo, o que representa uma queda de 6,4% frente ao mês anterior e aumento de 13,9% se comparado ao mesmo mês de 2024. A produção de gás natural ficou em 182,57 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), o que significa recuo de 6,3% em relação a outubro e alta de 15,7% frente novembro de 2024. Os dados - que fazem parte do Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural - foram divulgados nesta segunda-feira (5), no Rio de Janeiro, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Pré-sal Na área do pré-sal, a produção de petróleo e gás natural, no mesmo mês, ficou em 3,913 milhões de boe/d, o que representa 79,6% da quantidade produzida no Brasil. eldquo;A produção teve uma redução de 8,5% em relação ao mês anterior e crescimento de 15,6% na comparação com o mesmo mês de 2024erdquo;, informou a ANP. Do total, 3,024 milhões de bbl/d são de petróleo e 141,27 milhões de m³/d de gás natural por meio de 178 poços. Aproveitamento Segundo a ANP, também em novembro, o aproveitamento de gás natural atingiu 96,9%. Para o mercado foram disponibilizados 61,87 milhões de m³/d e a queima foi de 5,71 milhões de m³/d. eldquo;Houve aumento de 5,0% na queima em relação ao mês anterior, e redução de 8,1% na comparação com novembro de 2024erdquo;, completou. Campos marítimos Ainda conforme a ANP, a maior parte da produção de petróleo (97,7%) e do gás natural (85,7%) foi produzida em campos marítimos. eldquo;Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 89,35% do total produzidoerdquo;, disse a ANP, acrescentando que a origem da produção situa-se em 6.082 poços, sendo 539 marítimos e 5.543 terrestres. Maior produção O campo que mais produziu petróleo em novembro de 2025 foi o de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, que registrou 744,30 mil bbl/d. No gás natural, foi o campo de Mero, também na Bacia de Santos, com 40,80 milhões de m³/d. As instalações com mais produção de petróleo foram o FPSO (sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenagem e transferência de petróleo e gás) Almirante Tamandaré, no Campo de Búzios, com 239.453 bbl/d); e para o gás, o FPSO Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero, com 12,83 milhões de m³/d. Quem quiser ter mais informações sobre o Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural pode acessar o endereço.

article

Petróleo fecha em alta com risco geopolítico na Venezuela se sobrepondo a temor de excesso de oferta

O petróleo fechou em alta nesta segunda-feira, 5, à medida que as tensões geopolíticas seguem gerando apreensões depois da ofensiva ordenada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em território venezuelano resultar na deposição e captura do ditador Nicolás Maduro. Investidores também digeriram a decisão da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), da véspera, de manter a pausa nos incrementos de produção em janeiro, fevereiro e março. O petróleo do tipo WTI para fevereiro negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) avançou 1,74% (US$ 1,00), a US$ 58,32 o barril. Já o de tipo Brent para março, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 1,66% (US$ 1,01), a US$ 61,76 o barril. Os contratos futuros da commodity (matéria-prima cotada em dólar) chegaram a operar em baixa na madrugada em meio a preocupações sobre excesso de oferta, mas ganharam fôlego ao longo do dia com o risco geopolítico apresentado na Venezuela. Maduro fez nesta segunda-feira, 5, sua primeira aparição em um tribunal federal dos EUA após a operação que levou à sua detenção. Durante a audiência, ele e sua mulher se declararam inocentes. A Capital Economics acredita que as implicações econômicas e financeiras de curto prazo são mínimas após o ataque a Caracas. Apesar do desejo óbvio de Trump de que as empresas petrolíferas dos EUA aumentem suas atividades na Venezuela, os preços baixos do petróleo e a incerteza política frustrarão os esforços para explorar seu vasto potencial energético, acrescenta a consultoria. Um aumento significativo na produção de óleo venezuelano provavelmente levará "anos, não meses", dadas as limitações técnicas e a ausência de um clima de investimento estável, adicionam os analistas do Citi Research. Diante do ataque americano, o presidente ucraniano, Volodmir Zelensky, sugeriu que Trump deveria fazer o mesmo com o seu homólogo russo, Vladimir Putin. Às vésperas de conversas em busca de paz em Paris, Moscou e Kiev trocaram ataques durante o fim de semana. (Estadão Conteúdo)

article

Relatório sobre transição energética coloca Brasil em posição intermediária

O debate sobre o fim dos combustíveis fósseis está em processo de amadurecimento, apesar dos clamores de cientistas e ambientalistas para que a transição energética para fontes renováveis seja mais rápida. Essa é uma das conclusões do relatório eldquo;Transitioning away from fóssil fuels: a broader perspective do drive implementationerdquo;, elaborado pela consultoria brasileira Catavento, que ouviu 50 instituições internacionais e desenvolveu uma análise entregue à presidência da COP30 antes da conferência em Belém, no mês de novembro. Sem consenso, o tema não avançou em Belém, mas o presidente da COP, o diplomata André Corrêa do Lago, anunciou que irá continuar os esforços para desenhar um eldquo;mapa do caminhoerdquo; em direção ao fim dos combustíveis fósseis até o fim de 2026, quando entregará o cargo ao presidente da COP31. O relatório tende a servir como um ponto de partida para as conversas. Clique aqui para continuar a leitura.

article

Aumento no ICMS deixa combustível mais caro em 2026

Em meio ao início do ano eleitoral, os preços dos combustíveis terão um aumento, ocasionado pela elevação da alíquota de ICMS, que entrou em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026. Estão previstos impactos na inflação do diesel, gasolina e gás de cozinha (GLP), com reflexos no bolso dos consumidores. A mudança ocorreu após o Conselho Nacional de Política Fazendária (Comsefaz) aprovar, em setembro, a atualização do imposto. A gasolina terá uma alíquota de R$ 1,57/l (aumento de R$ 0,10); a do diesel será de R$ 1,17/l (aumento de R$ 0,05) ; e o gás de cozinha teve o imposto atualizado para R$ 1,05 por botijão. Segundo a empresa de tecnologia e gestão de combustíveis Gasola, desde a mudança da metodologia do ICMS, que passou a ser unificado nacionalmente em 2022, o imposto sobre o diesel acumulou uma alta de R$ 0,22 por litro, o que representa 23% de aumento do tributo estadual. Para Vitor Sabag, especialista em combustível do Gasola, a alteração na forma de cálculo foi um avanço sob o ponto de vista de previsibilidade, mas o patamar do imposto passou a ter um peso cada vez maior no custo Brasil. eldquo;A mudança para um valor fixo por litro reduziu distorções entre estados, diminuiu a guerra fiscal e trouxe mais previsibilidade para quem depende do combustível no dia a dia. O ponto de atenção agora não é mais o modelo, mas a frequência com que esse imposto vem sendo reajustado e o nível a que ele chegouerdquo;, disse. Combustíveis estão entre os principais itens que compõem o índice de inflação. A expectativa é que o reajuste do ICMS traga impactos para além do que será percebido nas bombas. Com um modal majoritariamente rodoviário e dependente do diesel, qualquer elevação de preço no combustível no Brasil é transferido para os valores dos fretes, impactando desde insumos industriais a alimentos, conforme aponta Sabag. Questionado se as reduções promovidas pela Petrobras, sobretudo sobre o diesel, ajudariam a absorver o aumento do ICMS, o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), James Throp Neto, ressaltou que o mercado é complexo e dinâmico. eldquo;As baixas nas refinarias da Petrobras vieram acompanhadas por outras dinâmicas de mercado, que passam por alterações e não são condições de custos fixas, como, por exemplo, os biocombustíveis e os CBIOs [créditos do programa RenovaBio]erdquo;, disse eldquo;Deve-se considerar que dentro da composição de preços, o custo das refinarias da Petrobras representa um terço do custo final dos combustíveis. É importante lembrar que os preços dos combustíveis são livres em todos os elos da cadeia. No caso dos postos de combustíveis, o repasse de custos depende das distribuidoras, que incluem outras despesas embutidas para fazer o suprimento de combustíveis no paíserdquo;, acrescentou Throp. Fazendas estaduais criticam modelo Em seu site oficial, o Comsefaz afirma que a imposição da alíquota por unidade emdash; no caso, por litro do combustível emdash; não observa a autonomia dos estados para escolher entre o modelo de incidência sobre o valor ou por unidade. eldquo;Ao fixar o imposto em valor nominal por unidade de medida, a alíquota ad rem (por unidade) altera de maneira significativa o funcionamento econômico do tributo. Embora o valor absoluto permaneça constante ao longo do ano, em termos percentuais, passa a oscilar automaticamente conforme a variação dos preços: quando os preços sobem, o percentual do imposto incidente sobre a operação se reduz; quando os preços caem, esse percentual se elevaerdquo;, diz o comunicado do conselho. Segundo o Comsefaz, esse mecanismo desloca a tributação da realidade econômica e compromete a previsibilidade fiscal. A entidade alega que, na prática, o modelo gera defasagens que se acumulam com o tempo. eldquo;Além disso, a adoção de um valor único em todo o território nacional desconsidera as diferenças regionais de preços, custos logísticos e estruturas de mercado, resultando em distorções que fragilizam ainda mais o equilíbrio federativo e a aderência do ICMS às realidades econômicas locaiserdquo;, concluiu. A Fecombustíveis defende a monofasia do ICMS e o modelo de cobrança por litro para os combustíveis, sob a ótica de que pode ajudar a coibir fraudes. eldquo;Por ser um modelo mais justo e equilibrado, acaba com as brechas que incentivavam as fraudes pelas diferenças de alíquotas nas fronteiras entre os estados. A nossa expectativa para este ano é de que a monofasia tributária seja também implementada para o etanol hidratado e o GNVerdquo;, frisou o presidente da federação. Como o mercado fechou 2025? O preço médio do diesel S-10 ficou praticamente estável em dezembro, com um pequeno recuo, de 0,25%, conforme levantamento da ValeCard a partir de dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O preço médio praticado no país foi de R$ 6,30. A gasolina também apresentou certo grau de estabilidade, com aumento de 1,08% no comparativo entre dezembro de 2024 e 2025. A média nacional indicou um combustível comercializado a R$ 6,37. O etanol foi o combustível que apresentou a maior variação. O preço médio aumentou em 22 estados, fechando o ano a R$ 4,56, o que representa um acréscimo de 6,82% no comparativo com 2024. eldquo;Os dados de dezembro mostram um mercado de combustíveis mais estável, com reajustes pontuais e variações contidas na maior parte do país. O etanol foi o combustível que concentrou a maior pressão de alta no mês, enquanto gasolina e diesel apresentaram movimentos mais moderados, refletindo um cenário de menor volatilidade no fechamento do anoerdquo;, afirmou Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard. Segundo o executivo, a elevação do preço do etanol em dezembro está diretamente relacionada à dinâmica sazonal do setor sucroenergético e ao encerramento da safra de cana-de-açúcar. Aumento em ano eleitoral Embora diga respeito à espera estadual, e não federal, o aumento do preço provocado pela elevação de imposto pode impactar a popularidade do presidente Lula (PT), que concorre à reeleição em outro deste ano. Para Leonardo Barreto, doutor em Ciências Políticas pela Universidade de Brasília (UnB), a política fiscal do terceira mandato de Lula tem sido percebida pela população como um modelo que aumenta impostos. eldquo;A oposição certamente vai explorar esse aumento. É um tema muito sensível, com potencial para abalar a popularidade do presidente Lula, que já está delicadaerdquo;, disse Barreto. Em 2022, em busca de reeleição, Jair Bolsonaro (PL) travou uma disputa com governadores, prometendo zerar impostos federais em troca de isenção do ICMS para baratear os combustíveis. Ainda que não tenha conseguido emplacar uma política de preços nesses moldes, uma lei aprovada a poucos meses da eleição daquele ano limitou cobrança do ICMS e zerou a cobrança de PIS e Cofins, de modo a reduzir o preço dos combustíveis.

article

'Fim da escala 6x1 pode diminuir a rotatividade', diz CEO da Plurix, dona de supermercados

A onda de calor que atingiu o Centro-Sul do país no final de dezembro fez o consumo de cerveja disparar nas redes de supermercados Amigão, Avenida, Superpão, Compre Mais, Boa, Dom Olívio, Paraná e no Paraná Atacadista. São cerca de 180 lojas em 90 cidades, em especial no interior de São Paulo e do Paraná, chegando também ao Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. A bebida recuperou o patamar de vendas do ano, depois de enfrentar uma primavera fria, e engrossou a lista de promoções das oito redes, cujo controle pertence à Plurix. "O brasileiro não gosta de preço [baixo], gosta de promoção", diz o CEO da Plurix, Jorge Faiçal, 51. "O preço pode nem ser o melhor, mas se o consumidor sente que leva alguma vantagem, ele compra", afirma o executivo, que chegou à Plurix em 2023, depois de quase 30 anos no varejo, com Walmart, Carrefour e GPA (Grupo Pão de Açúcar) no currículo. Acredita que algumas redes estrangeiras, como o próprio Walmart, não sobreviveram à dinâmica do varejo local por não se adaptarem às peculiaridades da clientela. Mas a Plurix divide com as grandes redes de varejo do país a mesma dificuldade: contratação e retenção de mão de obra. Metade dos trabalhadores deixa a empresa todo ano endash;um cenário que compromete a produtividade, dizem especialistas. Faiçal atribui a alta rotatividade ao momento de "pleno emprego" do país, com índice de desemprego de 5,2%, um dos menores da história. "Há quadros operacionais bastante desafiadores, como frente de caixa e repositores de gôndola", afirma Faiçal. "A gente estuda bem de perto a eventual mudança da jornada 6x1, que pode trazer custos adicionais para o varejo, mas também uma redução do nosso e#39;turnovere#39; de 50%, que é muito alto." As eleições deste ano também são fonte de preocupação. "Em geral, ano eleitoral é bom [para as vendas] com mais dinheiro em circulação. O consumo é um propulsor da popularidade dos governos e ajuda a eleger", diz. Mas o ambiente político polarizado exige cautela. "Há muita disputa nos estados em que a gente está presente e no próprio governo federal, o que pode trazer efeitos colaterais não tão positivos para a sociedade", diz Faiçal, ressaltando que nenhuma das redes ou a Plurix assume lado na política. Os planos da Plurix para 2026 As ideias e estratégias do CEO Jorge Faiçal Ampliar uso de IA para identificar feedback de clientes e corrigir mix e serviços Investir em preços competitivos e marca própria Nida a partir de melhores negociações com a indústria Estar alerta aos efeitos da polarização política sobre o consumo, impedindo que redes regionais assumam lado Analisar oportunidades de aquisição nos estados onde o grupo atua Entre os 50 maiores supermercadistas do país, nenhum deu um salto tão grande quanto a Plurix. No ranking 2025 da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), a empresa passou do 19º para o 11º lugar, com vendas de R$ 9,4 bilhões em 2024. Em 2025, a previsão é fechar em R$ 10,2 bilhões, o que deve mantê-la na 11ª posição ou fazê-la avançar ao e#39;top 10e#39; do próximo ranking Abras, a ser divulgado em abril. Para o consultor Alberto Serrentino, da Varese Retail, a compra do Amigão, em 2024, ajudou a Plurix a dobrar de tamanho. "Eles não fazem apenas operações de Meamp;A, estão construindo um negócio consistente, com integrações graduais, procurando preservar um alto grau de independência em cada rede", diz o especialista, lembrando que tentativas semelhantes no passado, de criar conglomerados unindo empresas regionais emdash;como Máquina de Vendas e BR Pharmaemdash; não deram certo. Criada em 2021 pela gestora Pátria Investimentos, a Plurix comprou o controle de empresas familiares donas de supermercados, que enfrentavam problemas de sucessão ou financeiros, agravados com a expansão acelerada na pandemia, que comprometeu o negócio quando a taxa Selic atingiu dois dígitos. Faiçal afirma ter duas novas aquisições no horizonte, que podem ser concluídas em 2026. "Temos muitas conversas no forno, onde preço [do negócio] sempre é uma parte importante da discussão." Em 2025, a empresa abriu 12 lojas e avançou no comércio eletrônico, criando uma operação digital para cada uma das bandeiras. "O percentual das vendas on-line ainda é baixo, 2%, mas tem crescido rápido". Também criou uma marca própria, Nida, presente em todas as bandeiras. Para além do investimento no digital e na expansão, o modelo de negócio da Plurix envolve a conquista de escala na negociação com a indústria. "Hoje usamos o poder de compra de uma empresa de R$ 10 bilhões, o que nos garante melhores condições e acesso a grandes fornecedores". O Pátria mantém os antigos donos das redes como sócios, que participam da gestão como presidente ou membros do conselho. As oito bandeiras integram cinco conselhos, em cidades diferentes: Avenida (Cândito Mota-SP); Boa e Dom Olívio (Jundiaí-SP); Paraná e Paraná Atacadista (Campo Mourão- PR); Superpão e Compre Mais (Guarapuava-PR); e Amigão 1 e 2 (Paiçandu-PR e Penápolis-SP). Os fundadores apoiam as tomadas de decisão, como a escolha dos pontos, a prospecção de terrenos, a cidade para qual expandir, além da adoção de práticas comerciais. "Tentamos manter o poder de decisão na ponta, para não repetir os erros das grandes redes, que têm dificuldade em captar nuances regionais." No sul do Paraná, onde a colônia alemã e italiana é mais forte, por exemplo, a preferência é pelo consumo de carne suína. Já no norte do estado, na divisa com São Paulo, a maior demanda é pelo churrasco bovino. Há cidades no interior paulista onde o que mais sai é o bife na bandeja, mas em outras a maioria prefere carne fatiada na hora. "Também existe o apelo de marcas locais, de arroz, açúcar e café, em apresentações variadas, de 1kg a 5kg", afirma. e#39;2026, modo de usare#39; Série entrevista CEOs de varejo, consumo e serviços sobre expectativas e desafios do novo ano e#39;O maior diferencial sou eu à frente do negócioe#39;, diz Pedrinho, dono do Supermercados BH e do Cruzeiro Depois de cortar gastos e reduzir gôndolas, Americanas quer mudar relação com fornecedor e#39;O Brasil empurrou a gente para o Paraguaie#39;, diz a última CEO da família Lupo no poder e#39;É mais fácil ver o que o outro faz e adaptare#39;, diz novo CEO do Carrefour Brasil que já copiou McDonalde#39;s Daikin, que produz ar-condicionado e#39;de luxoe#39;, planeja assinatura do aparelho no Brasil e#39;Sei fazer um sapato inteiro com as próprias mãose#39;, diz Alexandre Birman, CEO do Azzas 2154 e#39;Ninguém acreditava em uma menina vendendo consórcioe#39;, diz CEO da Ademicon que ultrapassou Itaú Mais caro, celular 5G e#39;encalhae#39; e Vivo lança crediário para vender aparelho Visa investe em IA que compra no lugar do cliente, diz CEO da empresa no Brasil Série da Folha entrevista líderes de varejo, consumo e serviços sobre o que esperar de 2026 Na Plurix, a missão de Faiçal é identificar os hábitos e costumes dos consumidores do interior do país e oferecer preços e promoções sob medida, após negociações intensas com a indústria. "Estamos aumentando o nosso nível de promoção, especialmente aquela que acontece do dia 1º ao dia 10, quando as redes travam uma guerra de folhetos, inclusive na TV, em busca do salário que cai na conta do cliente". A iniciativa se mostra fundamental, à medida que o consumidor está cada vez mais cauteloso na hora das compras. "Ele faz muita pesquisa, busca promoção, procura a melhor relação custo-benefício. Como bom brasileiro, dá seus pulos." Em 2026, a Plurix entra no seu quinto ano de atividade. "As teses do Pátria duram entre 5 e 8 anos", afirma o executivo. Isso significa que a gestora deve vender a Plurix ou fazer a sua oferta pública inicial (IPO). "Estamos planejando a saída para daqui dois ou três anos, quando prevemos a retomada da janela do mercado de capitais", diz ele, referindo-se à atual "seca" de IPOs no Brasil, desde setembro de 2021. Os fundadores sabem que seu capital será diluído quando deixarem de ser sócios apenas do próprio empreendimento para se tornarem sócios da Plurix, a partir do IPO. "Serão acionistas de uma companhia bem maior", diz. Questionado se existe certo desconforto dos antigos donos com o atual modelo emdash;em que são consultados, mas não dão as cartasemdash;, Faiçal afirma que as discussões são do jogo. "Aqui todos estão orientados para o norte comum. Discutimos qual caminho seguir, mas todos olham na mesma direção", diz. "Mas quando existem sócios que divergem na essência do negócio, é muito mais complicado", afirma o executivo que, em parte dos 15 anos de GPA, vivenciou as brigas entre Abilio Diniz e o francês Casino. Na opinião de Faiçal, a gestão das empresas familiares costuma ser muito mais intuitiva, e a Plurix não pretende perder essa essência. "Mas o fundo de investimentos traz métricas, aumenta o controle", diz. "Aqui a gente mistura a experiência com a ciência e dá um bom caldo."

article

Como foi 2025 para o setor de combustíveis e o que esperar em 2026

O setor de combustíveis no Brasil teve avanços importantes em 2025. Após um período prolongado de volatilidade regulatória e incertezas, o setor encontrou maior estabilidade, sustentada por mudanças legislativas concretas, maior rigor fiscal e um cenário de preços do petróleo positivo. A materialização das mudanças trazidas pela Lei do Combustível do Futuro foi o marco mais relevante do setor, ao aumentar a mistura de etanol e biodiesel na gasolina e no diesel. Vale destacar a importância da consolidação da monofasia tributária. O setor, historicamente, conviveu com uma cadeia de tributação fragmentada e opaca, propícia à sonegação estruturada e distorções competitivas. Agora, a unificação da cobrança na origem, refinaria ou importação, trouxe rastreabilidade, reduziu pontos de fuga e aumentou a previsibilidade fiscal. Esse movimento foi reforçado pela Operação Carbono Oculto, que expôs a profundidade das distorções do mercado. A ação conjunta da Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e forças policiais desarticulou redes especializadas em fraudes tributárias, uso de notas frias e adulterações, evidenciando como a opacidade e a complexidade tributária do setor permitiam que grupos organizados operassem. A operação expôs uma das maiores vulnerabilidades da cadeia, fortalecendo ainda mais o debate sobre o Projeto de Lei Complementar (PLP) do Devedor Contumaz, aprovado às vésperas do recesso legislativo. O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) também teve um bom 2025. A previsibilidade regulatória garantiu o avanço das discussões sobre abertura comercial, sem elevar o risco para o consumidor. Para além, a reformulação do programa Gás do Povo, que agora oferece o botijão de forma direta às famílias de baixa renda, consolidou o papel social do combustível. No cenário internacional, o preço do barril de petróleo se manteve baixo e com volatilidade moderada. Para 2026, as projeções sugerem continuidade de baixos níveis, com preços inferiores a US$ 60/barril. Apesar do cenário desafiante para as grandes petroleiras, o reflexo na precificação dos combustíveis é positivo. O câmbio pode ser o principal fator de pressão no mercado interno. Em ano eleitoral, variações cambiais podem neutralizar os efeitos positivos do barril barato e afetar toda a cadeia. O resultado das eleições também poderá ter reflexo na política de preços da Petrobras, na evolução da transição energética e na continuidade das reformas setoriais. Ou seja, 2026 tende a ser um ano em que a política terá tanta influência quanto os fundamentos de mercado. Em síntese, 2025 entregou avanços regulatórios, maior fiscalização e um ambiente internacional favorável. A consolidação desses ganhos dependerá da capacidade de transformá-los em políticas permanentes e consistentes. Por Adriano Pires Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)

Como posso te ajudar?