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Menor oferta de cana impulsiona alta do etanol

Os preços do etanol subiram na última semana em São Paulo, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/ESALQ-USP). A alta está ligada principalmente ao período de entressafra, quando a produção de cana-de-açúcar é menor e reduz a oferta do biocombustível. Ao mesmo tempo, a procura pelo etanol seguiu firme. De acordo com o Cepea, as distribuidoras continuam comprando etanol, tanto novos volumes quanto produtos adquiridos anteriormente. Com isso, os valores negociados permaneceram mais elevados. Entre os dias 12 e 16 de janeiro, o preço médio do etanol hidratado no estado de São Paulo ficou em R$ 3,07 por litro, já sem a incidência de impostos, o que representa um aumento de 1,6% em relação à semana anterior. O etanol anidro, que é misturado à gasolina, teve alta de 2,17% no mesmo período, com preço médio de R$ 3,49 por litro. Açúcar No mercado de açúcar, os preços apresentaram queda pela terceira semana seguida. Entre 12 e 19 de janeiro, o valor médio do açúcar cristal branco ficou em R$ 105,94 por saca de 50 quilos, uma redução de 1,44% em comparação com o período anterior. Segundo o Cepea, essa queda está relacionada principalmente ao tipo de açúcar que foi mais negociado. Houve maior presença de lotes com coloração mais escura, que são considerados de qualidade inferior em relação ao padrão mais claro. Essa mudança no perfil do produto vendido influenciou os preços, sem indicar diminuição da procura. No cenário internacional, as cotações do açúcar também foram impactadas por expectativas de maior oferta global na próxima safra, o que pressionou os preços. Por outro lado, estimativas iniciais apontam para uma possível redução na produção brasileira nos próximos anos, fator que ajudou a evitar quedas mais intensas no mercado externo.

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"É preciso democratizar o consumo de etanol no país", alerta Martinho Ono

Impulsionado por investimentos bilionários de Norte a Sul do país, o etanol de milho já representa mais de 20% da produção nacional do biocombustível e tende a assumir a liderança desse mercado nos próximos anos, consolidando uma eldquo;revoluçãoerdquo; que movimenta o segmento de grãos, tem reflexos importantes para a pecuária e fortalece a posição do Brasil no processo de transição energética global. Mas esse caminho não está livre de percalços, e, no curto prazo, um dos mais importantes será garantir o crescimento da demanda doméstica endash; que, no cenário atual, dá sinais de que logo poderá se tornar um eldquo;gargaloerdquo; para a continuidade da expansão dessa nova e pujante indústria. O alerta é de Martinho Ono, CEO da SCA Brasil, empresa especializada na comercialização de etanol e biodiesel, em inteligência de mercado e na aquisição de insumos e serviços logísticos para empresas do agronegócio. Um dos executivos mais experientes do ramo no país, ele defende uma urgente eldquo;democratizaçãoerdquo; do consumo interno de etanol em geral, de milho e de cana, com a abertura de novas fronteiras de negócios para as usinas. eldquo;Entre 70% e 80% do consumo é concentrado em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso. Temos que democratizar essa demanda e incentivar as vendas em outros Estadoserdquo;, afirmou Ono ao NPAgro. Para isso, observou, uma das medidas mais importantes é que os Estados interessados em dar vazão à oferta adicional concordem em oferecer incentivos capazes de conferir competitividade ao etanol em relação à gasolina, como há nos mercados estaduais onde o consumo está consolidado. Ono lembrou que conversas nesse sentido estão em curso na Bahia, no Maranhão e no Piauí, que, não por acaso, estão recebendo investimentos vultosos em novas usinas de etanol de milho. A partir desses eventuais incentivos, também será preciso atrair aportes para uma logística de distribuição eficiente para o biocombustível, além de campanhas de promoção. eldquo;As fronteiras da cana são mais limitadas que as do milho, e as usinas que produzem o etanol a partir do cereal estão chegando a lugares que não têm tradição de consumo. Há Estados com consumo zero. Portanto, é necessário um trabalho forte na cadeia de distribuição de combustíveis para que essa democratização seja viávelerdquo; disse ele. Como se trata de um produto renovável com claras vantagens ambientais em relação à gasolina, esse pode ser até o menor dos problemas, mas mesmo em São Paulo, que lidera com folga o consumo de etanol no país, volta e meia campanhas de promoção ganham força para preservar consumidores contumazes e atrair novos públicos. A matemática está a favor da argumentação de Martinho Ono, levando-se em conta que, entre altos e baixos conjunturais, a resultante estrutural indica uma certa estabilidade no consumo dos combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol) no Brasil na última década. Para as usinas sucroalcooleiras, até recentemente esse era um problema menor, já que os canaviais e o parque industrial do segmento também permaneceram relativamente estáveis no período. Contudo, o etanol de milho, que também vem recebendo aportes de grupos tradicionais de açúcar e álcool em usinas eldquo;flexerdquo; ou projetos independentes, já começou a pesar na balança. Levantamento divulgado pelo Itaú BBA em agosto apontou que, naquele momento, os investimentos em usinas de etanol produzido a partir de cereais, sobretudo milho, somavam R$ 23 bilhões, com capacidade conjunta de produção de 6,1 bilhões de litros, e que R$ 15 bilhões deveriam ser desembolsados até 2027, com forte impacto no Matopiba (confluência de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). O próprio também já chamava a atenção para a necessidade de uma descentralização do consumo, com foco no Norte e no Nordeste, e de lá para cá novos projetos e investimentos foram anunciados endash; os mais recentes vieram pelas mãos da Inpasa, que já lidera a fabricação de etanol de milho no Brasil. eldquo;Em 2025, a produção de etanol de milho alcançou cerca de 10 bilhões de litros no país e auxiliou as usinas a darem uma resposta ao mercado após o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina [de 27% para 30%]. Até agora, é boa a relação entre o etanol de cana e o de milho, mas, a partir da safra 2026/27, isso deverá mudar. A disputa não será mais apenas de complementaridadeerdquo;, disse Ono. eldquo;Vale lembrar, ainda, que, da pandemia para cá, as montadoras começaram a vender menos carros, e que os híbridos e eletrificados, que consomem menos combustíveis, ganharam terreno, o que torna ainda mais importante a abertura de novos mercados para o etanolerdquo;. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), do início desta safra 2025/26, em abril do ano passado, até 16 de dezembro, a produção de etanol pelas usinas do Centro-Sul do país totalizou 30,3 bilhões de litros, em queda de 5,4% na comparação com igual intervalo da temporada 2024/25, e que o etanol de milho representou 6,4 bilhões de litros, com aumento de 14,5% em igual comparação. Em toda a safra atual, que terminará em março, o consumo poderá atingir algo em torno de 35 bilhões a 36 bilhões de litros, de acordo com estimativa da SCA Brasil. Com o marco legal vindo do programa eldquo;Combustível do Futuroerdquo;, que tem por objetivo promover a mobilidade com foco em biocombustíveis, Ono concorda que o consumo poderá subir para entre 48 bilhões e 50 bilhões de litros até 2035, aliviando o eldquo;gargaloerdquo; à vista no curto prazo. E que combustíveis avançados, como os que ganharão terreno na aviação e na navegação, também tendem a jogar a favor do etanol. O fato é que temos um longo percurso pela frente, e é difícil prever o que vai acontecer nos próximos três anos com o consumo ainda concentrado como é atualmenteerdquo;, concluiu o executivo. Fonte: NPAgro

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Brasil sofre um dos maiores cortes nas previsões de PIB do FMI

O cenário para a economia brasileira foi na contramão da previsão para o PIB global, e o país foi um dos que sofreram maiores cortes nas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o desempenho em 2026. Segundo o relatório eldquo;Perspectivas Econômicas Mundiaiserdquo; (WEO), divulgado pelo Fundo nesta segunda-feira (19), o PIB do país crescerá 1,6% neste ano - abaixo do 1,9% estimado em outubro - e 2,1% no próximo - alta de 0,1 ponto percentual ante a projeção anterior. O corte de 0,3 ponto percentual em relação às projeções de outubro do ano passado foi o terceiro maior em uma lista de 30 economias que tiveram suas estimativas atualizadas pelo FMI. Só Cazaquistão e Paquistão tiveram reduções maiores (ambos de 0,4 ponto percentual cada). Além desses três países, o organismo multilateral só ampliou o pessimismo para Itália, Rússia e Filipinas. Para ler esta notícia, clique aqui.

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Clientes relatam problemas com Pix nesta segunda (19); BC diz que sistema foi normalizado

O sistema de pagamentos Pix enfrentou instabilidade nesta segunda-feira (19), de acordo com relatos nas redes sociais de clientes de diferentes instituições financeiras, como Inter, Itaú, Bradesco, Caixa, Santander, Nubank e Banco do Brasil. O Downdetector, site que monitora o funcionamento de serviços online, registrou 7.104 reclamações sobre o serviço por volta das 14h42. Em nota, o BC (Banco Central) informou que das 14h31 às 15h10, o serviço do DICT (Diretório de Identificadores de Contas Transacionais) apresentou indisponibilidade decorrente de problemas internos. "As equipes técnicas atuaram na identificação e resolução da causa e o Pix já está operando normalmente", diz o órgão. Entre as principais reclamações dos usuários estava a impossibilidade de realizar pagamentos. Em outubro do ano passado, o sistema passou por uma instabilidade em meio à pane global na AWS, nuvem da Amazon. Já em setembro, uma falha semelhante afetou diferentes instituições financeiras. Na ocasião, o Banco Central afirmou que o problema ocorreu por questões técnicas no mecanismo de consulta às chaves. Em nota, o Santander disse que a instabilidade pontual ocorrida nesta tarde foi externa ao seu sistema. "A questão foi solucionada e o Pix opera normalmente para os clientes." O Inter afirmou que após intermitências no Pix que afetaram todo o mercado, o serviço já foi restabelecido para seus clientes. Em resposta a um cliente nas redes sociais, o Bradesco pedia para que novas tentativas de pagamento fossem feitas mais tarde. Também nas redes socias, o Itaú disse que verificou uma indisponibilidade nas transações de Pix e afirmou a um usuário que sua equipe técnica já estava atuando para restabelecer a funcionalidade o mais rápido possível.

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Petrobras e Transpetro assinam contratos de R$ 2,8 bi para ampliar frota

O presidente Lula (PT) desembarca, na terça-feira (20/1), em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, para oficializar a contratação de cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores dentro do Programa Mar Aberto, plano de renovação e expansão da frota do Sistema Petrobras. O pacote, orçado em R$ 2,8 bilhões, envolve três estaleiros emdash; Rio Grande (RS), Bertolini, em Manaus (AM), e Indústria Naval Catarinense (SC) emdash; e prevê a geração de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos. Todas as embarcações serão operadas pela Transpetro, o que reduzirá a dependência de afretamentos e dará maior flexibilidade à logística de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e outros produtos. Só o Estaleiro Rio Grande receberá R$ 2,2 bilhões para entregar cinco gaseiros pressurizados: três com capacidade para 7 mil m3 e dois de 14 mil m3. Após a entrega, a frota de gaseiros saltará de seis para 14 unidades, mais que duplicando a atual capacidade de transporte da subsidiária. Os novos navios vão consumir 20% menos energia e emitir 30% menos gases de efeito estufa, com a primeira entrega prevista para até 33 meses após o início das obras, informou a Petrobras. As próximas entregas serão a cada seis meses. Além de Lula, estarão no evento o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci. eldquo;Com essas contratações, estamos deixando a Petrobras preparada para o crescimento da nossa produção nos próximos anos e alavancando a retomada da indústria naval nacional. Para nós, quando a Petrobras está mais forte, o Brasil também está mais forteerdquo;, disse Magda em nota. Lula, Alexandre Silveira, Magda Chambriard e Sergio Bacci durante cerimoe#770;nia de retomada da indue#769;stria naval e offshore brasileira, no Tebig, Angra dos Reis (RJ), em 17/2/2025 (Foto Ricardo Stuckert/PR) Retomada naval Quais foram os estaleiros contratados na retomada das encomendas da Petrobras à indústria naval? Segundo a Petrobras, ao reforçar a frota própria, a empresa e a Transpetro também se preparam para o avanço da produção de gás natural previsto para os próximos anos emdash; tanto no litoral quanto nas vias fluviais, caso da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, e da Amazônia.

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Varejo de energia entra em 2026 sob pressão e força revisão de modelos de negócio

O mercado varejista de energia elétrica no Brasil se aproxima de 2026 diante de um dos períodos mais desafiadores desde a ampliação do mercado livre. A combinação entre preços elevados da energia, o fim de subsídios relevantes e a desaceleração no ritmo de migrações têm pressionado margens e colocado em xeque modelos de negócio baseados em estruturas comerciais e operacionais bastante custosas. Nos últimos anos, a estratégia predominante no varejo de energia esteve fortemente ancorada na promessa de economia ao consumidor sem nenhum tipo de investimento. No entanto, esse diferencial vem perdendo força. Com a redução dos descontos, a capacidade de fechar novos contratos apenas com base na redução da tarifa de energia tornou-se cada vez mais limitada. Esse movimento ocorre em paralelo a uma mudança no comportamento dos consumidores. Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicam uma queda consistente no número de migrações para o mercado livre. Muitos consumidores passaram a postergar decisões relacionadas à contratação de energia, seja por priorização de outras agendas corporativas, seja pela percepção de menor atratividade econômica. Além disso, empresas que não renovaram contratos quando o preço da energia ainda estava em um patamar interessante ou optaram por permanecer descontratadas começam a sentir os efeitos dessa escolha, especialmente em um ambiente de preços mais voláteis. O cenário reforça um traço histórico do setor elétrico: decisões adiadas tendem a gerar custos mais elevados no futuro. Diante desse contexto, o desafio para as comercializadoras varejistas deixa de ser apenas comercial e passa a ser estrutural. A eficiência operacional, antes tratada como vantagem competitiva, passa a ser um fator de sobrevivência. Especialistas do setor avaliam que o próximo período funcionará como um filtro natural do mercado. Empresas que conseguirem atravessar essa fase investindo em digitalização, automação de processos e construção de produtos que entreguem valor além da economia direta tendem a sair fortalecidas no médio e longo prazo. Essa nova proposta de valor inclui serviços mais consultivos, soluções que tragam previsibilidade, gestão de risco, inteligência de dados e uma experiência mais simples para o consumidor final. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que a escalabilidade do varejo de energia estará cada vez mais associada ao uso de tecnologia e à redução da dependência de estruturas humanas extensas. Embora o curto prazo imponha obstáculos relevantes, a expectativa para a abertura total do mercado em 2027 segue como um vetor estratégico importante. Empresas que utilizarem o atual ciclo para ajustar seus modelos, fortalecer processos e repensar a relação com o cliente devem estar melhor posicionadas quando o ambiente voltar a se mostrar mais favorável. No varejo de energia, como em outros setores regulados e de capital intensivo, o longo prazo continua sendo determinante. Em um momento de transição, a combinação entre resiliência financeira, eficiência operacional e visão estratégica tende a definir os vencedores do próximo ciclo de crescimento. Raphael Ruffato é fundador e CEO da Lead Energy.

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