Ano:
Mês:
article

Raízen pode aumentar capital em US$ 1,5 bi

O aumento de capital da Raízen, que está em processo de reestruturação, é estimado por fontes de mercado entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão (R$ 5,3 bilhões a R$ 7,9 bilhões). No entanto, as origens dos recursos para se chegar a esse montante ainda não estão claras. Apesar do discurso inicial da Cosan, controladora da Raízen ao lado da Shell, de que os recursos de seu próprio aumento de capital, realizado no ano passado, não seriam utilizados na Raízen, o texto da segunda oferta de ações feita na ocasião tem uma cláusula que permite a destinação de recursos para a subsidiária, o que daria à holding a liberdade de colocar R$ 1,4 bilhão (US$ 265 milhões) na investida. A sócia Shell, porém, não teria apetite para colocar um valor muito superior a este na companhia. A leitura é de que o investimento seria de difícil justificativa para a sede da Shell, em Londres. Além disso, no caso de adquirir uma fatia maior, a empresa britânica poderia passar a consolidar a dívida da Raízen em seu próprio balanço, o que não seria interessante. Nesse caso, se as duas sócias aportassem valores próximos, ainda seria preciso contar com outros investidores para dobrar o valor e chegar à faixa mínima pretendida de US$ 1 bilhão. Etanol de cana vem perdendo vantagem para o de milho A dificuldade para buscar mais investidores, por sua vez, está também na tese de investimentos da companhia, que tem seu negócio fincado no etanol de cana de açúcar. O combustível vem perdendo vantagem para etanol de milho que, por sua vez, avança na região Centro-Oeste, com mais de uma safra no ano e melhores condições de armazenagem, o que torna o preço mais estável. Além disso, a chance de a Petrobras escolher essa região de plantio de milho para entrar no negócio de etanol - pelo qual já manifestou interesse - dificultaria o mercado da Raízen. De todo modo, ainda que a capitalização atinja o valor pretendido, de até US$ 1,5 bilhão, fontes apontam que o processo para equacionar o passivo da Raízen talvez ainda tome todo o ano de 2026. eldquo;É um processo complexo, porque envolve venda de ativos e a questão do aumento de capital, que por sua vez envolve sócios complexos, incluindo um estrangeiro (Shell), [o empresário Rubens] Ometto e o próprio BTG Pactualerdquo;, disse uma das fontes ouvidas. O BTG participou do aumento de capital da Cosan. A venda de ativos na Argentina, no entanto, estaria avançada, praticamente na fase final, com a perspectiva de trazer cerca de R$ 10 bilhões (US$ 1,9 bilhão) para a companhia. Os dois movimentos, de aumento de capital, mais a venda de ativos na Argentina, somariam algo entre R$ 15 bilhões e R$ 17 bilhões (US$ 2,8 bilhões a US$ 2,3 bilhões) para a Raízen, mas a companhia soma uma dívida líquida de mais de R$ 50 bilhões (US$ 9,5 bilhões), com alavancagem de 5,1 vezes (dívida líquida sobre o resultado operacional dos últimos 12 meses). Ou seja, ainda há um trabalho importante a ser feito. Com a palavra A Shell afirmou que a entrada de novos sócios é necessária para que se chegue a uma solução para a Raízen, empresa na qual é sócia junto com a Cosan. Em nota à Coluna, a companhia britânica afirmou que eldquo;continua aberta a avaliar alternativas que sejam balanceadas e equilibradas entre os acionistas, incluindo o necessário esforço de atração de novos investidoreserdquo;. eldquo;Está claro que a entrada de novos investidores é necessária para chegarmos a uma solução que seja robusta e sustentávelerdquo;, diz a Shell. eldquo;Os acionistas têm discutido soluções para a posição de alta alavancagem da Raízen, incluindo potenciais planos de aporte de capital adicional e a possibilidade de se trazer novos investidores para a joint ventureerdquo;, complementa a companhia A nota diz ainda que a Shell eldquo;está ativamente envolvida no apoio ao time executivo da Raízen para endereçar os desafios operacionais e financeiros da companhiaerdquo;. Esse suporte, segundo a acionista europeia, inclui participação ativa em discussões sobre iniciativas de reestruturação, desinvestimento de ativos, programas de redução de custo, desenvolvimento e avaliação de planos de negócio, tanto de curto quanto de longo prazo. Procurada, a Raízen não comentou.

article

PF conclui investigação sobre fraudes em combustíveis no Paraná

A Polícia Federal concluiu as investigações relativas à prática de crimes contra a ordem econômica e estelionato em dezenas de postos de combustíveis em Curitiba/PR e na região metropolitana. O inquérito policial é um desdobramento da Operação Tank e tem como foco a apuração de fraudes e a identificação dos responsáveis diretos pela administração de uma rede de postos de combustíveis controlada por uma organização criminosa. As perícias realizadas em 50 postos sob domínio do grupo confirmaram a existência de um esquema fraudulento estruturado em duas frentes principais: a chamada eldquo;bomba baixaerdquo;, executada por meio de um aplicativo que manipulava remotamente os volumes efetivamente fornecidos ao consumidor, e a comercialização de gasolina adulterada com até 79% de etanol. Além de configurar crime, essa prática causava danos aos veículos. Ressalte-se que o percentual máximo de etanol permitido na gasolina é de 27%. As investigações demonstraram que as fraudes praticadas nos postos constituíam o principal mecanismo de geração de recursos para um amplo esquema de lavagem de dinheiro. Os valores obtidos com a lesão aos consumidores eram reinseridos no sistema financeiro por meio de empresas de fachada e do uso de eldquo;laranjaserdquo;, com o objetivo de ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos, movimentando cifras bilionárias. Ao final das apurações, a Polícia Federal indiciou oito pessoas apontadas como integrantes do núcleo de comando e gestão da rede de postos.

article

ONGs pedem prazo para fim de leilões de petróleo e exclusão da margem equatorial

Organizações ambientalistas pedem ao governo um calendário para encerrar os leilões de áreas de petróleo no Brasil, o fim progressivo dos subsídios aos combustíveis fósseis e a criação de zonas de exclusão para a atividade petrolífera, incluindo a margem equatorial. As medidas são parte de uma proposta da sociedade civil para o mapa do caminho para o fim do uso de combustíveis fósseis que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se comprometeu a apresentar após a COP30, em Belém. Segundo despacho assinado por Lula em dezembro, os primeiros mecanismos para a elaboração desse mapa devem ser apresentados ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) até o início do próximo mês. Não há, porém, notícias sobre o andamento dos trabalhos no governo. A proposta das organizações que são parte do Observatório do Clima, rede com mais de uma centena de entidades socioambientais, defende que a política petrolífera brasileira deixe de perseguir a maximização da produção e passe a operar sob o princípio da produção mínima necessária, utilizando campos já existentes para atender à demanda doméstica. Hoje, o país exporta cerca de metade da sua produção, o que levou o petróleo a ser o principal item da pauta de exportações brasileiras nos dois últimos anos. Ainda assim, o setor defende a abertura de novas fronteiras para evitar o declínio esperado na produção a partir de 2030. O Observatório do Clima sugere que o governo realize um cálculo oficial da produção mínima de petróleo necessária para atender à demanda nacional, considerando apenas atividades que não consigam substituir integralmente os derivados fósseis no curto e médio prazo. Questiona ainda o argumento de que as reservas tendem a se esgotar, tornando o Brasil novamente importador de petróleo, como defendem parte do governo e petroleiras. "Temos visto a Petrobras descobrir novas reservas todos os anos. Então, o pré-sal não está em declínio, ele vai crescer", disse Nicole Oliveira, diretora do Instituto Arayara. As organizações defendem a criação de zonas de exclusão permanente para petróleo e gás em áreas socioambientalmente sensíveis, com menção direta à margem equatorial, especialmente na bacia Foz do Amazonas. A região é a principal aposta do governo e das petroleiras para a renovação das reservas brasileiras. Em 2025, após anos de resistência da área ambiental, o governo Lula aprovou a primeira licença para perfuração de um poço em águas profundas na costa do Amapá. O processo foi iniciado pela Petrobras em outubro, mas interrompido no início de janeiro de 2026 após um vazamento de fluido de perfuração. A estatal disse ao Ibama na semana passada que está reparando as linhas responsáveis pelo vazamento, mas ainda não deu data para o reinício da operação. O documento questiona ainda incentivos fiscais à indústria do petróleo. Em 2024, segundo as entidades, os subsídios federais aos combustíveis fósseis somaram R$ 47 bilhões, valor classificado como desalinhado com a transição energética e com o esforço fiscal do governo. E pede o fim de contratação de térmicas a carvão e nucleares, outro tema que também é divergente no governo: o MME (Ministério de Minas e Energia) inclui no leilão de reservas de capacidade previsto para março a possiblidade de participação de usinas a carvão. "O Brasil precisa de progressos reais para se engajar de vez na eliminação dos combustíveis fósseis. Se o governo se limitar à esfera narrativa não sairemos do lugar, e no setor de energia isso tem ocorrido", afirmou, em nota, Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima. As propostas foram entregues oficialmente ao governo nesta terça-feira (28). Em entrevista no fim da manhã, representantes das organizações disseram ainda não ver clareza sobre os rumos que o trabalho do governo vem tomando na elaboração do mapa do caminho. Reconhecem, ainda, que algumas medidas propostas dependem de prazos de adaptação. "As sugestões preveem cronogramas e temos que fazer isso da forma mais responsável possível. Mas as mudanças têm que ser efetivas", disse Suely.

article

Sonda da Petrobras na Foz do Amazonas passará por auditorias da ANP após vazamento

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) agendou para fevereiro duas auditorias na sonda de perfuração contratada pela Petrobras para o primeiro poço em águas ultraprofundas na bacia Foz do Amazonas. A unidade está parada desde o dia 4 de janeiro, quando a estatal detectou um vazamento de fluido de perfuração durante as operações, que foram alvo de um dos processos de licenciamento ambiental mais conturbados do país. As auditorias da ANP foram agendadas para a primeira e a segunda semanas de fevereiro e são fundamentais para a retomada da perfuração do poço, chamado Morpho, considerado pela área energética do governo e pelo setor um marco na busca por novas fronteiras petrolíferas no país. A primeira auditoria, diz a agência, vai focar o sistema de gerenciamento da segurança operacional da estatal. Além disso, técnicos do órgão regulador vão coletar informações sobre o vazamento e acompanhar os trabalhos de investigação das causas e eventuais adequações da sonda. Na semana seguinte, a ANP fará uma auditoria remota. A agência não informou, porém, o teor dessa segunda atividade. Na sexta-feira (23) a Petrobras afirmou ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) que as causas do vazamento ainda estão sendo investigadas. Disse também que havia iniciado reparo em duas linhas que levam fluido de perfuração da sonda ao poço. Trata-se de um dos poços mais profundos do país, com lâmina de#39;água (distância entre a superfície e o fundo do mar) de 2.900 metros. As fortes correntes na região eram apontadas por organizações ambientalistas e pelo próprio Ibama como um desafio adicional à atividade. A Petrobras chegou a perfurar 95 poços na bacia, que teve seu pico de exploração na década de 1970. Destes, 31 foram abandonados por dificuldades operacionais. Na última tentativa, em 2011, por exemplo, a Petrobras suspendeu a perfuração devido a fortes correntezas. Nenhum destes poços encontrou volumes significativos de petróleo e gás. A única descoberta na bacia foi feita em 1976, mas abandonada por dificuldades logísticas, segundo dados da ANP. A bacia foi deixada de lado pela Petrobras nos anos 1980, depois da descoberta da bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro. A região voltou a atrair o interesse da indústria do petróleo após a descoberta de reservas gigantes na Guiana, cujo subsolo guarda semelhanças geológicas com a margem equatorial brasileira, que vai do litoral potiguar à fronteira com a Guiana Francesa. Procurada, a Petrobras ainda não comentou o agendamento das auditorias da ANP. Na carta enviada ao Ibama na sexta, diz que "não há qualquer problema com a sonda ou com o poço, ambos permanecem em total condição de segurança". "A ocorrência não oferece riscos à segurança da operação de perfuração, tampouco ao meio ambiente", completou. Afirmou ainda que a atividade de perfuração do poço seria retomada após a conclusão do reparo das linhas.

article

Petrobras descobre 1,7 barril para cada um produzido e expande reservas em 6%

A Petrobras ampliou em 6% suas reservas de petróleo e gás em 2025, atingindo a marca de 12,1 bilhões de barris de óleo equivalente. O aumento, de 1,7 bilhão de barris em relação ao ano anterior, mais do que compensou a produção de um bilhão de barris no ano. Isso significa que, para cada barril produzido, a Petrobras descobriu novos 1,7 barril de petróleo e gás. A adição de novas reservas ocorreu principalmente em campos gigantes já em produção no pré-sal, como Tupi, Itapu e Mero. Mas também há reflexos do avanço de projetos na bacia de Sergipe-Alagoas, que foram descobertos nos anos 2010 mas até hoje não iniciaram operações. Em nota, a estatal afirmou que a adição significativa de novas reservas é reflexo do foco na geração de valor para a sociedade e acionistas, e da busca por "garantir a segurança energética necessária para o desenvolvimento sustentável do país e para uma transição energética justa". A companhia defendeu, porém, que "é essencial seguir investindo na maximização do fator de recuperação dos ativos já descobertos, na exploração de novas fronteiras e diversificação do portfólio exploratório no Brasil e no exterior para repor as reservas de petróleo e gás". A estatal e área energética do governo venceram em 2025 uma disputa com técnicos do Ibama (Instituto do Meio Mabiente e Recursos Naturais Renováveis) pela autorização do primeiro poço exploratório em águas profundas na bacia da Foz do Amazonas. Como argumento principal, alegaram que a produção do pré-sal tende a entrar em declínio a partir da próxima década, o que poderia levar o Brasil novamente à condição de importador de petróleo. Hoje, o país exporta mais de metade da sua produção. O argumento é questionado por organizações ambientalistas, que na manhã desta quarta-feira (28) entregaram documento ao governo propondo cronograma para o fim dos leilões de petróleo no país e a criação de zonas de exclusão para a atividade. "Temos visto a Petrobras descobrir novas reservas todos os anos. Então, o pré-sal não está em declínio, ele vai crescer", disse em entrevista Nicole Oliveira, diretora do Instituto Arayara. Para as organizações, a Petrobras deveria deixar de perseguir a maximização da produção e passe a operar sob o princípio da produção mínima necessária, utilizando campos já existentes para atender à demanda doméstica. Na nota divulgada nesta quarta, a Petrobras diz que, ao fim de 2025, a relação entre reservas provadas e produção estava em 12,5 anos. Isto é, mantendo o ritmo de produção atual e sem nenhuma nova descoberta, o país tem petróleo até 2038. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou em dezembro a elaboração de diretrizes para um mapa do caminho para o fim do consumo de combustíveis fósseis no país. O trablaho deve ser concluído até o início de fevereiro.

article

Carro elétrico foi sabotado? Entenda a ação que acusa petrolíferas de cartel nos EUA

A procuradora-geral do Estado de Michigan (EUA), Dana Nessel, ingressou com uma ação antitruste contra diversos representantes da indústria petrolífera no país. O processo aponta que as empresas fizeram cartel para conter o avanço de carros elétricos. Trata-se de ação coordenada entre empresas concorrentes para fixar preços, dividir fatias de mercado ou combinar estratégias. A postura anticoncorrencial, no caso, teria como objetivo limitar a oferta de energia para recarga dos veículos. A resposta da indústria de petróleo Por um lado, a American Petroleum Institute classificou o processo como infundado. Segundo a empresa, a decisão sobre a política energética deveria ser tomada pelo congresso, não por tribunais. Já a Chevron disse que ações semelhantes foram rejeitadas em outros estados e que Michigan ainda é dependente de combustíveis fósseis, tanto para locomoção, como para geração de emprego e renda. Atraso na oferta de recarga para carros elétricos Em um documento de mais de 100 páginas, Nessel descreve uma suposta estratégia para conter o avanço de tecnologias limpas. Dentre as ações, ela destaca o atraso proposital na instalação de carregadores em postos de combustíveis, a postergação de projetos de eletrificação e até mesmo a disseminação das famosas eldquo;fake newserdquo;, ou seja, campanhas de desinformação sobre veículos elétricos e energia renovável. O texto afirma ainda que essas práticas afetam o mercado de energia primária como um todo e, sem essa intervenção, os carros elétricos já teriam alcançado novos patamares, ajudando inclusive na redução de custos para os consumidores e para o governo. Apesar de outras iniciativas que já tentam relacionar a indústria do petróleo à crise climáticas, essa é uma das únicas que visa aplicar a lei antitruste nesse contexto. O que é antitruste Também conhecido como direito de concorrência, a lei eldquo;antitrusteerdquo; visa evitar que grandes conglomerados obtenham o monopólio de um determinado setor. Ela proíbe práticas anticompetitivas na intenção de promover a concorrência leal, evitar abuso de poder no mercado e garantir melhorias competitivas em preço e inovação. Sendo assim, a ação protocolada por Nessel supõe que as grandes empresas de energia estão manipulando o mercado em conjunto e prejudicando a livre-concorrência. O que dizem as montadoras O mercado parece dar alguns passos para trás. Depois de anos de acelerada expansão dos elétricos, agora, as montadoras indicam que voltarão a investir em veículos à combustão. General Motors, Stellantis e Ford afirmam que o movimento é apoiado nas escolhas dos consumidores e que a demanda dos veículos elétricos foi abaixo da esperada. Contexto político trava evolução do carro elétrico Apesar de parecer um contrassenso, o recuo da aposta nos elétricos não é - necessariamente - uma surpresa. Desde o início do novo mandato federal nos Estados Unidos, foram realizadas várias ações que desfavorecem a expansão de novas tecnologias, como: a reversão das regras de eficiência energética, corte de subsídios à infraestrutura de recarga e eliminação de créditos fiscais para carros elétricos.

Como posso te ajudar?