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Novo salário mínimo injetará R$ 81,7 bi na economia, estima Dieese

Previsto para entrar em vigor em 1º de janeiro e começar a ser pago em fevereiro, o novo salário mínimo de R$ 1.621 injetará R$ 81,7 bilhões na economia, estima o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O cálculo considera os efeitos sobre a renda, o consumo e a arrecadação, ainda que em um cenário de restrições fiscais mais rígidas. Segundo o Dieese, cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão rendimentos diretamente influenciados pelo piso salarial. Desse total, 29,3 milhões são aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); 17,7 milhões, empregados, 10,7 milhões, trabalhadores autônomos; 3,9 milhões, empregados domésticos; e 383 mil empregadores. O novo valor representa um reajuste nominal de 6,79% em relação ao mínimo atual, conforme as regras estabelecidas pela política permanente de valorização do salário mínimo. Contas do governo Segundo o Dieese, o reajuste do mínimo afeta diretamente benefícios e despesas indexados ao piso nacional, com reflexos relevantes sobre o orçamento público. Veja os principais impactos: R$ 39,1 bilhões de aumento estimado nas despesas da Previdência Social em 2026; R$ 380,5 milhões de custo adicional para cada R$ 1 de aumento no salário mínimo; 46% dos gastos previdenciários são impactados diretamente pelo reajuste; 70,8% dos beneficiários da Previdência recebem benefícios atrelados ao salário mínimo. O desafio do governo será equilibrar os efeitos positivos do aumento do salário mínimo sobre a renda da população com o controle das despesas obrigatórias, especialmente em um contexto de busca pelo cumprimento das metas fiscais. Como foi calculado o reajuste O reajuste do salário mínimo segue a Lei 14.663, de agosto de 2023, que define a correção anual com base em dois fatores: a variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano anterior; o crescimento do PIB de dois anos antes. No entanto, o cálculo para 2026 será parcialmente limitado pelo novo arcabouço fiscal, definido pela Lei Complementar 200/2023, que impõe um teto para o crescimento real das despesas da União. Com isso: será considerada integralmente a inflação medida pelo INPC, de 4,18% (acumulado de dezembro do ano passado a novembro deste ano); o crescimento do PIB, de 3,4%, será limitado a 2,5%, percentual máximo permitido pelo novo regime fiscal. A combinação desses fatores resulta em um aumento nominal de R$ 103 no salário mínimo.

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Petrobras lidera ranking das empresas que mais encolheram na B3 em 2025

A Petrobras foi a empresa que mais perdeu valor de mercado em 2025. Entre 31 de dezembro de 2024 e 23 de dezembro deste ano, a estatal brasileira se desvalorizou em mais de R$ 87 bilhões, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. Na sequência do ranking geral das desvalorizações aparecem a Ambipar, com retração de R$ 21,2 bilhões. A Weg completa o grupo das três maiores perdas do ano, com redução de R$ 18,8 bilhões em valor de mercado. No TOP 10 das maiores perdas do ano, uma outra estatal chama a atenção. O Banco do Brasil figura entre as dez maiores quedas, com perda de R$ 13,8 bilhões no período. A leitura dessas perdas ganha ainda mais peso quando se observa a concentração do impacto. Somadas, Petrobras e Banco do Brasil acumulam redução de R$ 100,8 bilhões em valor de mercado em 2025 até 23 de dezembro, montante superior à soma das perdas das outras oito empresas que compõem a lista das maiores desvalorizações do ano. Segundo a consultoria, o dado ajuda a dimensionar o efeito dessas duas companhias sobre a destruição de valor no período e evidencia como empresas de controle estatal, por sua escala, liquidez e participação relevante nos índices da bolsa, tendem a exercer influência desproporcional sobre os números agregados do mercado. Para Einar Rivero, CEO da consultoria, mais do que acompanhar o sobe e desce das cotações, o valor de mercado traduz, em cifras absolutas, a percepção do mercado sobre cada empresa ao longo do tempo. eldquo;É importante destacar que o valor de mercado funciona como uma fotografia tirada em uma data específica. Assim, enquanto o preço da ação reflete melhor a rentabilidade percentual ao acionista, o valor de mercado evidencia o volume de riqueza criado ou destruído ao longo do período analisadoerdquo;, afirma. Entre as empresas que mais ganharam valor de mercado este ano, o setor bancário se destaca. Entre as cinco companhias com maior crescimento, três são bancos, sinalizando uma valorização consistente do setor aos olhos dos investidores. O BTG Pactual liderou o ranking, com aumento de R$ 150,4 bilhões em valor de mercado até 23 de dezembro. Na sequência aparece o Itaú Unibanco, com avanço de R$ 131,1 bilhões, enquanto a Vale completa o pódio das maiores valorizações, adicionando R$ 78,3 bilhões ao seu valor de mercado no período. eldquo;Os dados reforçam que, ao longo de 2025, a criação, ou destruição, de valor na Bolsa brasileira foi tudo menos homogênea. Mais do que acompanhar índices, o comportamento do valor de mercado expõe, em números absolutos, como diferentes modelos de negócio, estruturas de capital e percepções de risco foram precificados pelos investidores ao longo do anoerdquo;, diz a consultoria.

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Greve na Petrobras: Justiça determina manutenção de 80% dos funcionários

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou, neste sábado (27), a manutenção de 80% dos trabalhadores da Petrobras em atividade em cada uma das unidades da empresa. A decisão veio após um pedido de tutela de urgência ajuizado pela Petrobras por conta de uma greve nacional por prazo indeterminado que teve início no último dia 15. Além do porcentual mínimo, também ficou definido que entidades sindicais não poderão impedir o livre acesso aos equipamentos ou ao escoamento da produção. A multa, em caso de descumprimento, foi fixada em R$ 200 mil reais por dia. "Tal medida encontra amparo, especialmente, no fato de que o processo de negociação coletiva ainda se encontra em curso, bem como na circunstância de que treze entidades sindicais aprovaram a proposta apresentada, com ampla maioria em suas assembleias, permanecendo o movimento paredista restrito a determinados segmentos", consta na decisão do ministro Vieira de Mello Filho, presidente do TST. Ele ainda marcou uma audiência de conciliação entre a Petrobras e entidades representativas dos trabalhadores na sede do próprio TST no próximo dia 2 de janeiro, às 14h. Caso ainda assim não haja acordo, será feita uma sessão extraordinária na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST, em 6 de janeiro, às 13h30. Após a decisão, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que "está analisando, conjuntamente com o Sindipetro-NF, os passos jurídicos que serão tomados em proteção ao direito de greve dos trabalhadores e à garantia das conquistas do Acordo Coletivo de Trabalho)". O Estadão buscou contato com a Frente Nacional dos Petroleiros (FNP) e a Petrobras por posicionamento a respeito do fato, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Greve na Petrobras Os funcionários da Petrobras entraram em greve à 0h do último dia 15 de dezembro, uma segunda-feira, após três propostas para Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) apresentadas pela empresa terem sido rejeitadas. No último domingo (21), a FUP considerou "avanços significativos" nas negociações, mas a greve se manteve. A paralisação engloba 14 sindicatos filiados à FUP, que conta com 32 mil afiliados e 101 mil trabalhadores, e quatro filiados à FNP, que representa por volta de 26 mil trabalhadores do Sistema Petrobras, que envolve Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Amazonas e Paraná. As entidades não aprovaram o aumento real proposto pela empresa, de 0,5%, no mesmo ano em que a Petrobras desembolsou R$ 37,3 bilhões em dividendos (números entre janeiro e setembro). "A oferta é um desrespeito frente aos lucros recordes da companhia", disse a FNP, que considerou as propostas "indignas" em comunicado. Os sindicatos também pedem uma solução para os Planos de Equacionamento dos Déficits (PEDs) da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), fundo de pensão que administra os planos de previdência complementar aos funcionários. Os PEDs buscam equilibrar um plano de previdência que registra déficit atuarial (quando os compromissos de pagamentos futuros superam os recursos disponíveis), o que faz com que haja cobrança de contribuições extraordinárias de seus participantes para cobrir o valor do déficit. À época, a Petrobras afirmou, em nota enviada ao Estadão, que adotou medidas de contingência para assegurar a continuidade das operações, que o abastecimento ao mercado estaria garantido e que não haveria impacto na produção de petróleo e derivados. "A empresa respeita o direito de manifestação dos empregados e mantém um canal permanente de diálogo com as entidades sindicais, independentemente de agendas externas ou manifestações públicas", informou a nota.

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De postos de gasolina a fintechs: como o crime se infiltrou no dia a dia dos negócios no Brasil

Chegou ao cidadão comum. Foi essa a sensação que os brasileiros tiveram ao se deparar com operações de Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal e outras autoridades, que colocaram no centro de grandes investigações o posto de gasolina, a padaria da esquina, motéis, pequenos varejos e até mesmo aplicações financeiras e gestoras de investimento. Mais do que uma impressão, o fato de que o crime está mais próximo do mundo dos negócios pode ser visto nas tabelas abaixo. eldquo;Foi um ano de viradaerdquo;, diz Paulo Henrique Carnaúba, professor do programa avançado de finanças do Insper. Até pouco tempo atrás, as grandes investigações voltavam-se mais a tráfico de drogas, corrupção e sonegação. eldquo;Agora, elas estão mais próximas do cotidiano do grande público.erdquo; Para os especialistas, há alguns motivos por trás desse movimento. Um deles, diz Cleveland Prates, professor de economia da FGVLaw, é a necessidade de arrecadação federal, que tem investido em combate a brechas de evasão fiscal com mais afinco. Na lista dos inquéritos policiais da PF em andamento por tipos de crime, há mais de 3 mil que envolvem sonegação, supressão de tributos por meio de fraude, omissão ou declarações falsas. Outro fator, afirma Carnaúba, é o período de aprendizagem das autoridades, entre o mergulho nas investigações e o entendimento dos crimes, necessário para detonar então buscas, prisões e apreensões. eldquo;Todo fraudador tem de ter oportunidade e sensação de impunidade para praticar a fraudeerdquo;, afirma. eldquo;Como há um delay de aprendizado das autoridades, esses crimes ganharam proporção muito grande." Até o dia 15 de dezembro, foram feitas 3.310 operações da Polícia Federal, com R$ 9,6 bilhões em ativos apreendidos, quase 60% a mais do que em 2024. Mas é nas maiores operações detonadas este ano que os padrões como os descritos por Carnaúba se repetem. No caso das operações Carbono Oculto, Quasar e Tank, que foram deflagradas simultaneamente, por exemplo, havia 268 empresas ligadas diretamente ao esquema. Os alvos das operações eram sócios em pelo menos 251 postos de combustíveis, em quatro Estados. Foram usados 60 motéis para lavar R$ 450 milhões, entre 2020 e 2024. Apenas o eldquo;cabeçaerdquo; da organização tinha ligação com cerca de 100 companhias diferentes. Outro contador investigado representava 941 empresas junto à Receita Federal. A organização criminosa controlava mais de 40 fundos de investimento (com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões). Embora cada operação tenha revelado movimentações bilionárias em suas respectivas frentes, a soma dos valores e a extensão do esquema indicam que os grupos criminosos movimentaram, no total, aproximadamente R$ 140 bilhões de forma ilícita. A segunda operação em termos de volume financeiro, a Compliance Zero, investigou a fraude praticada pelo Banco Master, segundo denúncia do Banco Central (BC), que movimentou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes. Também envolveu pelo menos 1,6 milhão de pequenos investidores. Esse é o número de pessoas que receberá de volta os recursos aplicados na instituição, por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O desembolso total será de cerca de R$ 41 bilhões. As outras operações que não se tornaram tão famosas, mas que estão entre as maiores em movimentação financeira, envolveram varejistas, atacadistas e distribuidoras. Também outras frentes do setor financeiro. Em outubro, a Operação Bóreas mirou um esquema de sonegação tributária estruturada no setor de ar condicionados, com empresas de fachada e subfaturamento em importações. Exótico, mas com estimativa de sonegação de R$ 400 milhões e bloqueio de R$ 800 milhões. Deflagrada em 16 de dezembro, a Operação Opções Binárias, da PF, investiga a operação de plataformas digitais falsas, com promessas de lucros garantidos no mercado de eldquo;opções bináriaserdquo; e criptoativos para atrair pequenos investidores. A movimentação investigada ultrapassa R$ 1,2 bilhão. Em menor escala, também há diferentes operações que envolvem o varejo. Num dos casos, em âmbito estadual, a Operação Ambiente 186 investigou supermercados e atacadistas utilizavam eldquo;empresas noteiraserdquo; (companhias de papel que existem apenas para emitir notas fiscais) que simulam créditos de imposto e reduzem ilegalmente o valor a pagar ao Estado de Minas Gerais. O nome faz referência ao prejuízo estimado de R$ 186 milhões causado ao erário mineiro. Gato e rato Essa avalanche de operações permitiu identificar diferentes falhas em legislações e regramentos e algumas iniciativas já foram adotadas para corrigi-las. Entre elas, a aprovação da legislação do devedor contumaz, que estava parada no Congresso havia oito anos. Também a instrução normativa publicada pela Receita Federal que obriga todos os fundos de investimento a identificar o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) dos cotistas finais, a partir de janeiro. Apenas a Receita Federal e autoridades com respaldo legal (como o Ministério Público e a Polícia Federal em investigações) terão acesso a esses dados. Ainda é preciso repensar, dizem eles, mecanismos de incentivos a eventuais fraudes, como a que aconteceu no Banco Master. Como os concedidos a plataformas para venderem investimentos que têm por garantia o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Para Prates, que estuda lavagem de dinheiro há mais de 20 anos, é preciso ter cuidado para não criminalizar as fintechs, que permitiram a universalização dos serviços bancários e trouxeram competição ao setor. Porém, havia brechas que os malfeitores são especialistas em encontrar emdash; e o importante é fechá-las. Os especialistas afirmam que, historicamente, sempre que as falhas na legislação são combatidas, outras brechas são encontradas pelos criminosos. Por isso, dizem, é importante fortalecer sistemas de controle, como Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que cuidam do mercado financeiro e de capitais, respectivamente, entre outras. Também desenvolver expertise em combate a fraudes no judiciário. eldquo;Vejo boa vontade em apurar e aplicar lei de forma rigorosa, mas não é possível depender de advogados dos lesados para as denúnciaserdquo;, diz Carnaúba. eldquo;É preciso ter um amplo movimento de treinamento no combate às fraudes, principalmente financeiras, na Justiça.erdquo; Além disso, dizem eles, não cabe apenas ao poder público combater fraudes e crimes. eldquo;Vimos fundos de pensão públicos investindo em CDBs do Banco Master que tinham zero governança, apesar de haver regras específicas da autoridade reguladora para issoerdquo;, diz Prates. Carnaúba, que atua em investigação de fraudes (conhecido no jargão como forensics), diz ser comum que os departamentos especializados em governança e compliance (conformidade com o cumprimento de regras) não tenham especialistas nessa área. É algo que dificilmente encontra demanda, dentro das próprias empresas. eldquo;Os criminosos avançam no Brasil pela falta de governança e de expertise em contrainteligência no combate às fraudeserdquo;, afirma. eldquo;No fundo, o brasileiro é ingênuo.erdquo;

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FGTS: Com novas regras, antecipação do saque-aniversário despenca

A restrição imposta pelo Ministério do Trabalho à antecipação do saque-aniversário do FGTS, aprovada pelo Conselho Curador do Fundo em outubro e em vigor desde novembro, derrubou as operações de crédito desse tipo, principalmente para trabalhadores de baixa renda. Os empréstimos, que chegaram à casa de R$ 3 bilhões por mês, devem cair drasticamente, para R$ 150 milhões, segundo estimativas do setor financeiro. Dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) também corroboram essa previsão. Houve uma queda de 31% na concessão de crédito pessoal não consignado em novembro, na comparação com o mês anterior, refletindo a mudança no FGTS. Limite anual Nesse tipo de operação, o trabalhador toma um empréstimo de um banco, que adianta valores que ele tem a receber do Fundo no futuro, com o acréscimo de juros. As mudanças criaram um teto para os valores adiantados e impuseram um limite no número de parcelas futuras que podem ser contratadas, entre outros pontos. Desde 1º de novembro, os trabalhadores com saldo na conta vinculada ao FGTS podem antecipar o saque-aniversário somente para fazer empréstimo com prestação mínima de R$ 100 e valor máximo de R$ 500. Além disso, só é permitida uma operação ativa a cada ano. As novas regras para antecipação do saque-aniversário do FGTS incluem também uma carência de 90 dias entre a adesão ao saque-aniversário e a contratação da antecipação, a limitação do valor ao equivalente a cinco anos de parcelas do FGTS até outubro de 2026, passando a três anos a partir de novembro de 2026. Antes, os trabalhadores podiam ter acesso a todo o saldo da conta e cabia ao banco definir o limite. Pesquisa da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) com um grupo de bancos que responde por 70% das contratações na modalidade aponta que as operações caíram 82% em novembro. A queda deve chegar a 87% em dezembro. emdash; O mais grave é que 90% da queda ocorrida em novembro se deve à parcela mínima de R$ 100. Apenas 0,5% se deve ao teto da parcela de R$ 500 emdash; disse Alex Sander Gonçalves, diretor de Crédito Consignado da ABBC. Ele destacou que há 134 milhões de trabalhadores com saldo na conta vinculada do FGTS, mas só 49 milhões com carteira assinada. A maioria ficou sem acesso a uma linha de juros mais barata, com teto de 1,79% ao mês, fixado pelo Conselho Curador do FGTS para as operações de antecipação do saque-aniversário. Procurado, o Ministério do Trabalho não se manifestou. Um dos argumentos defendidos pelo titular da pasta,e#59400; Luiz Marinho, é que o novo consignado para CLT, chamado eldquo;Crédito do Trabalhadorerdquo;, vai substituir as antecipações do saque-aniversário. O consignado para trabalhadores do setor privado, em vigor desde julho, permite tomar crédito via aplicativo, sem necessidade de convênio entre o empregador do trabalhador e o banco. Contudo, a taxa média de juros na modalidade está em 3,61% ao mês. Só quem está empregado pode acessar. Quem tem pouco tempo na empresa ou está negativado paga juro mais alto devido ao risco de inadimplência mais elevado. emdash; Isso não ocorre na antecipação do saque-aniversário. Além disso, o valor emprestado não compromete a renda mensal do trabalhador emdash; destaca Gonçalves. Segundo levantamento da Dataprev, estatal de processamento de dados do governo, o consignado CLT atingiu volume de R$ 96 bilhões, mas R$ 35 bilhões foram convênios antigos com bancos que migraram para a modalidade. Para um técnico do governo, a proposta de oferecer ao trabalhador uma opção de crédito mais barata em relação ao empréstimo pessoal dos bancos está funcionando, mas quem está desempregado fica sem atendimento, admitiu. A ABBC já levou o problema ao Ministério da Fazenda e agora busca uma audiência com o ministro do Trabalho, segundo Gonçalves. A entidade defende um piso de R$ 50 para a prestação na antecipação do saque-aniversário e a derrubada da restrição de apenas uma operação ativa por trabalhador.

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Além do consumo, alto endividamento das famílias freia até mesmo a concessão de novos empréstimos

As famílias brasileiras estão mais endividadas e pagando mais caro para tomar crédito, o que tem reduzido a disposição para contratar novos empréstimos, mostram dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). Em outubro, o endividamento das famílias chegou a 49,3% da renda anual e o comprometimento com o pagamento de dívidas subiu para 29,4% do rendimento médio mensal. Já as concessões de novos empréstimos caíram 6,6% em novembro ante outubro, com a taxa média de juros do crédito total, para famílias e empresas, em 31,9% ao ano, a maior desde 2017. O nível de endividamento é o mais alto desde novembro de 2022, quando a economia ainda estava na retomada em meio à pandemia de Covid-19. Mesmo com os orçamentos domésticos ocupados por dívidas, o volume total de crédito às famílias continuou crescendo. Em novembro, o crédito ampliado às pessoas físicas somou R$ 4,7 trilhões, o equivalente a 37,2% do Produto Interno Bruto (PIB), uma alta de 11,4% em 12 meses. O avanço indica que as famílias seguem recorrendo ao crédito, seja para manter o consumo, seja para reorganizar dívidas antigas. O problema é que esse crescimento vem perdendo intensidade. O estoque total de crédito avançou 9,5% em 12 meses em novembro, abaixo do ritmo de outubro (10,2%). A desaceleração mostra que tanto consumidores quanto empresas estão mais cautelosos na hora de assumir novos compromissos financeiros. Entre as empresas, o crédito ampliado somou R$ 6,8 trilhões, o equivalente a 53,8% do PIB, uma alta de 4,8% em 12 meses, puxada pela emissão de títulos de dívida, o que sugere que muitas empresas têm buscado alternativas fora dos empréstimos bancários. Efeito dos juros Outra forma de constatar a desaceleração é olhar para as concessões de novos empréstimos. Em novembro, houve uma queda de 6,6% frente a outubro, quando se considera o crédito total, para empresas e famílias. Na comparação com novembro de 2024, houve alta de 8,3%. emdash; A desaceleração no consumo das famílias já reflete o efeito do comprometimento da renda com pagamento de dívidas. Nossa métrica de impulso de crédito, que estima o fluxo de pagamentos entre os bancos e as famílias, entrou em zona restritiva no início de 2025 e atingiu o nível mais baixo desde junho de 2023 em novembro emdash; disse o economista sênior Bruno Martins, do banco BTG Pactual. A situação do gerente de supermercado Jean Carlos Pereira, de 30 anos, ilustra os efeitos do endividamento elevado das famílias na economia. Inadimplente desde 2022 com um empréstimo bancário, ele não consegue novas ofertas de crédito. Mesmo assim, Pereira não deixou o problema afetar o Natal da família e disse estar esperançoso de que conseguirá pagar a dívida, contou: emdash; É claro que essa situação é ruim, mas é uma coisa que infelizmente é suscetível de acontecer em um país onde economicamente é desafiador de se viver. Não se pode perder o sono por isso e se deixar abalar emocionalmente, mas cabe ter paciência e na hora certa solucionar o problema. Segundo especialistas, o quadro reflete o efeito prolongado dos juros elevados. O BC elevou a taxa básica Selic de setembro de 2024 a julho passado, para 15% ao ano, o maior nível desde 2006. A taxa básica serve como um piso para todo o sistema financeiro, como se fosse o preço no atacado dos juros. E leva um tempo até que as elevações eldquo;no atacadoerdquo; cheguem às taxas ao consumidor. Para além do crédito total, a taxa média de juros para as pessoas físicas ficou em 37% ao ano em novembro emdash; 59,4% ao ano, quando se considera apenas o crédito livre, que não é regulado pelo governo. Em outubro, as médias foram de 36,4% ao ano e 58,5% ao ano, respectivamente. Conforme o professor Alexandre Jorge Chaia, do Insper, o aumento do endividamento das famílias é afetado também pelo formato das dívidas, que costumam ter prazos curtos e são frequentemente renovadas: emdash; Como muitos dos empréstimos vão sendo renovados, eles são renovados em patamares mais altos de juros, então isso está impactando. Quanto mais tempo ficar com juros altos, maior será o comprometimento e o aumento do valor da dívida totalizada sobre a renda das famílias. Na avaliação de Katherine Henings, pesquisadora associada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e analista da BRCG Consultoria, mais importante do que o elevado endividamento das famílias, é o comprometimento da renda mensal, que chegou a 29,4%. emdash; Quase 30% da renda mensal é utilizada para pagar dívidas com o sistema financeiro nacional emdash; afirmou Katherine. emdash; As famílias ainda têm outros compromissos mensais, como mensalidades escolares, planos de saúde, alimentação e transporte. Atrasos sob controle Apesar do cenário mais difícil, a inadimplência permaneceu relativamente estável. Os atrasos superiores a 90 dias ficaram em 3,8% do total da carteira de crédito em novembro, mesmo nível de outubro, mas acima dos 3% de novembro de 2024. Para as pessoas físicas, o indicador ficou em 4,7%, ante 3,7% no ano anterior. emdash; Por enquanto, o crescimento da renda tem sustentado a inadimplência em um patamar baixo em relação ao nível de endividamento corrente emdash; disse Martins, do banco BTG Pactual. Segundo Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a dinâmica da inadimplência é um sinal de que o pior momento do cenário de crédito começa a ficar para trás. A Peic emdash; pesquisa mensal da CNC sobre o tema, mais ampla do que os dados do BC, pois considera também dívidas não financeiras, como contas de consumo emdash; já mostrou algum alívio em novembro. O percentual de entrevistados com contas em atraso atingiu em setembro a máxima da série histórica, iniciada em 2010, com 30,5%. Esse nível se repetiu em outubro, mas teve uma ligeira queda, para 30%, em novembro. emdash; É um movimento inicial, embrionário, de uma expectativa de melhora emdash; disse Bentes, acrescentando que, o fato de que o mercado de trabalho segue aquecido, com o desemprego nas mínimas, permitirá um recuo mais rápido da inadimplência e dos juros ao consumidor quando o BC começar a cortar a taxa básica Selic. Diante do cenário mais positivo, a CNC projeta um crescimento das vendas do varejo entre 3% e 3,5% em 2026, ante um avanço em torno de 2%, estimado para este ano, mas, segundo Bentes, ainda há incertezas sobre até quanto o BC poderá reduzir os juros. Se a demanda voltar a se aquecer demais, com pressões inflacionárias, a queda ficará limitada. emdash; Ano eleitoral sempre traz surpresas. A preocupação é com o quadro das contas públicas. Se o governo não conseguir sinalizar que vai perseguir a meta, não será possível o juro cair muito. O quadro fiscal vai dar o tom da velocidade do afrouxamento da política de juros emdash; disse Bentes.

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