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Lula diz que Brasil está disposto a negociar etanol com os EUA

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o Brasil está disposto a negociar o etanol com os Estados Unidos. A declaração é feita em meio ao tarifaço do presidente Donald Trump. "Não nos recusamos a negociar a questão do etanol. Estamos dispostos a negociar a questão do etanol sem nenhum problema", declarou o presidente dura entrevista à rádio BandNews FM. Como mostrou a CNN, o agronegócio já enxergava o combustível sob ameaça das tarifas impostas pelo governo americano. O etanol foi citado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos entre as eldquo;práticas comerciais injustaserdquo; devido à tarifa de importação brasileira de 18% emdash; o que reduziria a competitividade para os produtores americanos, segundo a Casa Branca. As tarifas sobre produtos brasileiros entraram em vigor no dia 6 de agosto. A relatora do projeto de lei da reciprocidade na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Tereza Cristina (PP-MS), havia afirmado em abril deste ano que o setor do etanol é o que mais preocupa dentro do "tarifaço". Em um relatório publicado em março deste ano, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) citou o combustível e ambos os países como os maiores "produtores e consumidores de etanol do mundo". Tarifaço O presidente da República também comentou as tarifas impostas aos produtos brasileiros vendidos aos EUA. A medida foi oficializada inicialmente no final de julho. "EUA alegaram de forma mentirosa que os EUA tem um déficit com o Brasil. E nós provamos, eles também provam, que se você colocar serviços, bens e comercio nos tivemos um déficit em 15 anos de 400 bilhões de dólares", declarou Lula. "Então não é o Trump que deveria estar taxando o Brasil, é nós que deveríamos estar taxando eles." O petista diz que o governo brasileiro não pretende fazer uma "bravata" em reação, mas que a medida de reciprocidade aos Estados Unidos ainda está sendo pensada com as consequências medidas. Na esteira das declarações, o chefe do Executivo também anunciou que irá assinar na quarta-feira (13) uma MP (medida provisória) para criar uma linha de crédito de inicialmente R$ 30 bilhões para as empresas que venham a ser afetadas pela taxação.

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O combate ao devedor contumaz no setor de combustíveis

Os combustíveis fósseis e renováveis possuem um papel estratégico na matriz energética nacional. Derivados de petróleo respondem por 37% do suprimento energético brasileiro, e biocombustíveis por 33%. A relevância econômica desses bens, somada à capilaridade da cadeia de distribuição, e sua importância para atingir objetivos constitucionais como desenvolvimento nacional e redução de pobreza, impõem atenção redobrada ao seu regime jurídico. A Constituição disciplina o tema em múltiplos dispositivos. O art. 177 atribui à União o monopólio da produção, refino, importação e transporte de petróleo e derivados. O art. 238 exige lei para regular a venda e revenda de combustíveis. O art. 146-A, introduzido pela EC 42/2003, autoriza eldquo;critérios especiais de tributaçãoerdquo; para coibir desequilíbrios concorrenciais. Apesar de sua importância, o tema do abastecimento de combustíveis recebeu pouca atenção da doutrina, em parte devido à posição historicamente dominante de uma empresa no setor (Petrobras) e à evolução gradual da regulação ao longo do tempo. De fato, houve marcos importantes emdash; como a extinção do antigo Conselho Nacional do Petróleo em 1990 e sua substituição pelo Departamento Nacional de Combustíveis emdash; que contribuíram para o início de uma abertura do mercado, mesmo com o controle de preços, o que dificultava a efetiva concorrência e favorecia práticas como a adulteração de combustíveis. A Lei do Petróleo de 1997 e a criação da Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) representaram avanços significativos, ao prever a liberalização dos preços e instituir uma agência reguladora com foco na garantia do suprimento. Ainda assim, o tema permaneceu marginalizado, talvez pela crença geral de que o abastecimento estaria sempre assegurado, seja por agentes tradicionais do setor como a Petrobras, seja por uma combinação fortuita da ação das forças do mercado e do poder público. No entanto, eventos recentes, como a greve dos caminhoneiros em 2018 e a pandemia de covid-19 em 2020, evidenciaram os riscos de desabastecimento e reacenderam o debate sobre a natureza essencial e os problemas associados a disrupções na cadeia de suprimento de combustíveis. Jogo desigual Nesse contexto, emerge o devedor contumaz: empresa que, de forma deliberada e reiterada, deixa de recolher tributos não por dificuldade financeira, mas como estratégia de negócio. A prática gera quatro efeitos principais. Primeiro, queda substancial na arrecadação: estimam-se passivos superiores a R$ 240 bilhões (ou 3 vezes o orçamento de obras públicas da União) concentrados em pouco mais de mil contribuintes. Segundo, eldquo;dumping fiscalerdquo;: ao vender combustível com tributos sonegados, o infrator oferece preços artificialmente baixos, corroendo margens de competidores adimplentes, expulsando-os do mercado e desestimulando novos investimentos. Terceiro, facilitação da infiltração criminosa: a liquidez do setor converte-se em plataforma para lavagem de dinheiro, aquisição de armamentos e financiamento de ilícitos correlatos, com ganhos a partir da operação de combustíveis que segundo estimativas já superam mais que 3 vezes os auferidos no tráfico de drogas. Quarto, não pagar tributos pode elevar a inflação. O ponto aqui não é defender uma carga tributária ainda mais elevada emdash; que, é claro, gera impactos negativos sobre a formação de preços emdash; e sim que a redução da arrecadação, causada pelo não pagamento intencional de impostos, em situações em que eles seriam devidos, pode causar déficits fiscais e distorções no mercado aptos a aumentar pressões inflacionárias. Nessa linha, Estados-nações que não arrecadam ficam sujeitos a desequilíbrios fiscais, precisando muitas vezes emitir papel moeda para compensá-los (com consequente potencial de espiral inflacionária). Por outro lado, a sonegação cria um ambiente competitivo desleal, pressionando os agentes que cumprem suas obrigações fiscais a reduzir artificialmente os preços para se manterem no mercado. Esse desequilíbrio pode, ao longo do tempo, levar à saída de empresas relevantes, resultando em maior concentração de mercado e favorecendo práticas de manipulação de preços por um número restrito de players. O dano, contudo, transcende números imediatos. Ao deixar de recolher recursos ao Erário, o devedor contumaz acaba, ainda que indiretamente, por contribuir para a limitação da capacidade estatal de fiscalização, impactando o financiamento de entes como a ANP e mecanismos de controle setoriais. Além disso, a percepção de eldquo;jogo desigualerdquo; compromete a segurança energética, provoca descrédito institucional e afugenta capitais produtivos. De fato, quanto a esse último ponto, é essencial considerar que um mercado composto exclusivamente por agentes regulares, que operam de forma transparente e cumprem suas obrigações fiscais, teria condições mais favoráveis para expandir suas atividades. A ausência da concorrência desleal imposta pelos devedores contumazes permitiria maior previsibilidade, um eldquo;level playing fielderdquo;, o que poderia, por sua vez, resultar em mais investimentos e preços médios mais baixos para os combustíveis. Esse cenário beneficiaria diretamente o consumidor final e fortaleceria a confiança no setor. Embora existam instrumentos dispersos emdash; sobretudo sanções administrativas derivadas de normas estaduais, além dos crimes contra a ordem tributária e econômica previstos na Lei 8.137/1990 emdash;, eles se mostram insuficientes diante da sofisticação dos devedores contumazes, que combinam abuso do direito de defesa, sucessão fraudulenta de empresas e morosidade judicial para perpetuar a inadimplência. Diante dessa conjuntura, é bem-vinda a proposta de um arcabouço federal que (i) ajude a articular e expandir as iniciativas estaduais hoje existentes, (ii) fixe critérios claros para enquadramento da prática, e (iii) defina sanções graves para quem delinque. Nesse sentido, o PLP 164/2022, aprovado na CCJ do Senado, tramita atualmente na CAE da mesma casa legislativa. O substitutivo apresentado pelo relator, Senador Veneziano do Rêgo, caracteriza como contumaz o devedor que, cumulativamente: deixar de recolher tributos por quatro períodos consecutivos ou seis alternados em doze meses; (ii) possuir débitos tributários acima de R$15 milhões ou superiores a 30% do faturamento do ano anterior (com valor igual ou superior a R$1 milhão); e não contar com justificativa ou garantia, nos termos do projeto. As sanções incluem exclusão de benefícios fiscais, vedação à contratação com o poder público e, em casos extremos, intervenção, liquidação extrajudicial ou falência. O projeto, que se aplica a setores de risco, como o de combustíveis, institui ainda controle especial do recolhimento do tributo, manutenção de fiscalização ininterrupta no estabelecimento da empresa, admite controle especial na arrecadação e possibilita, via lei própria, a adoção de alíquotas específicas para prevenir desequilíbrios da concorrência. Trata-se de medidas que, se aplicadas adequadamente, podem contribuir para o estabelecimento de um mercado de combustíveis com concorrência justa e, consequentemente, com mais agentes, maior segurança de abastecimento e mais geração de renda, investimentos e recolhimento de tributos emdash; em cumprimento aos ditames e ao conteúdo normativo da Constituição. Este artigo expressa exclusivamente a posição dos autores e não necessariamente da instituição para a qual trabalham ou estão vinculados. Felipe Boechem é sócio de Petróleo e Gás do Lefosse. Marcelo Ribeiro é sócio de Penal Empresarial do Lefosse. Rafael Martins é counsel de Petróleo e Gás do Lefosse.

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Vendas no varejo do Brasil recuam pelo terceiro mês seguido e vêm abaixo do previsto

As vendas no varejo brasileiro encerraram o segundo trimestre com queda em junho, sendo o terceiro mês seguido de recuo. As vendas tiveram redução de 0,1% na comparação com o mês anterior, ficando abaixo da expectativa feita em pesquisa da Reuters, que esperava avanço de 0,7%. O resultado divulgado nesta quarta-feira (13) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou ainda que, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve alta de 0,3% nas vendas. Com isso, o segundo trimestre registrou alta de 0,1% sobre os três meses anteriores, desacelerando ante os ganhos de 0,7% no primeiro trimestre. A expectativa entre analistas é de desaceleração gradual no ritmo do comércio ao longo do ano sob o impacto do aperto monetário realizado pelo Banco Central, que começa a aparecer de forma mais clara e afeta o crédito. A taxa básica de juros está atualmente em 15% e o BC já indicou que ela seguirá em patamar elevado por tempo prolongado. "O que ainda há de positivo para o comércio é o crescimento e melhora do mercado de trabalho com mais ocupação, mais renda e avanço da massa salarial. Isso ajuda no poder de compra", avaliou Cristiano Santos, gerente da pesquisa no IBGE. Entre as oito atividades na pesquisa do IBGE sobre o varejo, cinco apresentaram perdas: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,7%); Livros, jornais, revistas e papelaria (-1,5%); Móveis e eletrodomésticos (-1,2%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,9%); e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,5%). Já três setores tiveram resultados positivos em junho: Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,0%), Tecidos, vestuário e calçados (0,5%) e Combustíveis e lubrificantes (0,3%). (Reuters)

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Distribuidoras aceitam vender GLP a preço de atacado e programa Gás para Todos deve sair em agosto

Um dos impasses para o anúncio do programa do governo Gás para Todos foi ultrapassado esta semana, segundo apurou o Estadão/Broadcast, com a aceitação, pelas distribuidoras, da venda do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) ao preço de atacado, e não a varejo como pretendiam. Segundo pessoas ligadas ao tema, o programa deve ser anunciado ainda em agosto e um pouco menor do que o previsto inicialmente. Antes seriam 20,5 milhões de famílias com seis cargas de GLP por ano, ou seja, 120 milhões de cargas. Agora a previsão é de que sejam 68,5 milhões de cargas inseridas no programa. Só terão o benefício famílias com duas pessoas ou mais. A família com duas pessoas receberá, por ano, carga correspondente a três botijões de 13 quilos por ano; a com três pessoas, quatro; e, com quatro ou mais pessoas, seis. Cada botijão dura, em média, dois meses para uma família de quatro pessoas. Outro impasse continua na mesa, o da obrigação de as distribuidoras aumentarem o número de botijões disponíveis. Cada botijão de 13 quilos representa um custo de R$ 200, o que demandaria investimentos elevados das distribuidoras. Segundo indivíduos a par do assunto, a entrada da Petrobras no mercado de distribuição de GLP atropelou o lançamento do programa, um movimento visto com cautela pelo setor, depois que a presidente da empresa, Magda Chambriard, atribuir a volta ao segmento ao aumento da margem do negócio, que, segundo ela, teria evoluído 188% entre 2020 e 2023. A Petrobras atuava no mercado de gás de cozinha por meio da Liquigás, vendida em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro, por R$ 4 bilhões para um consórcio formado pela Copagaz, Itaúsa e Nacional Gás. Segundo operadores do setor, com a saída da estatal do mercado, o GLP ficou mais competitivo, mas observam que a rentabilidade não é eterna, e que os acionistas da estatal podem acabar sendo punidos.

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AIE eleva previsões para oferta global do petróleo, indicando superávit maior

Os mercados globais de petróleo deverão apresentar superávit maior do que se calculava anteriormente este ano, com a oferta crescendo em ritmo mais de três vezes superior ao da demanda, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). Em relatório mensal divulgado nesta quarta-feira, 13, a AIE prevê que a oferta mundial de petróleo expandirá 2,5 milhões de barris por dia (bpd) em 2025 e 1,9 milhão de bpd no próximo ano. As previsões anteriores eram de altas de 2,1 milhões de bpd neste ano e de 1,3 milhão de bpd em 2026. A revisão veio após a Opep+ decidir por um novo forte acréscimo de sua produção, embora países fora da aliança tenham sido os principais responsáveis pelo aumento da oferta. Em relação à oferta de petróleo fora da Opep+, a AIE reduziu sua projeção de avanço neste ano em 100 mil bpd, para 1,3 milhão de bpd, mas elevou a de 2026 em 60 mil bpd, para 1 milhão de bpd. Ainda no relatório, a AIE reduziu suas previsões para o aumento da demanda global por petróleo em 2025, de 704 mil bpd para 685 mil bpd, e para o ano que vem, de 722 mil bpd para 699 mil bpd. As projeções continuam substancialmente abaixo das da Opep. Fonte: Dow Jones Newswires. (Estadão Conteúdo)

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Petróleo cai, ampliando perda após AIE apontar superávit de oferta e estoques dos EUA

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta quarta-feira, 13, ampliando perdas em meio a preocupações com a demanda depois que a Agência Internacional de Energia (AIE) previu um maior superávit de oferta à frente e os estoques de óleo bruto dos Estados Unidos aumentaram inesperadamente. Além disso, as discussões sobre a guerra da Ucrânia seguem no radar. Nesta quarta, líderes europeus descreveram como positiva o encontro que tiveram com presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que antecedeu a reunião que o americano terá com o homólogo russo, Vladimir Putin, na sexta-feira. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para setembro fechou em queda de 0,82% (US$ 0,52), a US$ 62,65 o barril. Já o Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), recuou 0,74% (US$ 0,49), a US$ 65,63 o barril. eldquo;Enquanto o mercado Brent aguarda orientação, o mercado WTI está se movendo de forma diferente, à medida que os fundamentos do petróleo dos EUA evoluem após o verãoerdquo;, dizem analistas da Rystad Energy. Os mercados globais de petróleo deverão apresentar superávit maior do que se calculava anteriormente este ano, com a oferta crescendo em ritmo mais de três vezes superior ao da demanda, segundo a AIE. Em relatório mensal, a AIE prevê que a oferta mundial de petróleo expandirá 2,5 milhões de barris por dia (bpd) em 2025 e 1,9 milhão de bpd no próximo ano. As previsões anteriores eram de altas de 2,1 milhões de bpd neste ano e de 1,3 milhão de bpd em 2026. Já os estoques de petróleo nos Estados Unidos subiram 3,036 milhões de barris na semana passada, informou o Departamento de Energia (DoE). O resultado contrariou a previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que projetavam queda de 1 milhão de barris. eldquo;Acredito que o petróleo bruto americano não deve cair abaixo de US$ 60 por barril (pb) de forma sustentável se o dólar continuar a se desvalorizar endash; um ajuste positivo em relação à minha previsão anterior de queda a US$ 50pberdquo;, afirma Ipek Ozkardeskaya analista sênior do Swissquote Bank. eldquo;Os riscos geopolíticos permanecem inclinados para cima: a próxima reunião entre Trump e Putin dificilmente produzirá qualquer progresso significativo na questão da Ucrânia. Qualquer falta de progresso deve levar a uma recuperação nos preços do petróleo em direção ou acima de US$ 65 pberdquo;, avalia. *Com informações Dow Jones Newswires. (Estadão Conteúdo)

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