Ano:
Mês:
article

Centro-Sul amplia moagem de cana e vendas de etanol em janeiro, aponta Unica

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) divulgou que as unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 608,93 mil toneladas de cana-de-açúcar na segunda quinzena de janeiro da safra 2025/26 (abril a março). O volume representa alta de 154,39% em comparação ao mesmo período do ciclo anterior, quando foram moídas 239 mil toneladas. Durante o período, 22 usinas estavam em operação, sendo quatro dedicadas exclusivamente à cana, dez voltadas ao etanol de milho e oito unidades flex. No mesmo intervalo da safra 2024/25, 19 unidades estavam ativas. Produção de açúcar recua mais de 36% Mesmo com o avanço da moagem, a produção de açúcar apresentou retração na quinzena. Foram produzidas 5 mil toneladas, uma queda de 36,31% em relação às 7 mil toneladas registradas no mesmo período da safra anterior. A redução é reflexo da maior destinação da cana para o etanol, comportamento típico do período de entressafra da cana-de-açúcar. Etanol mantém ritmo de alta com destaque para o hidratado A fabricação total de etanol no Centro-Sul atingiu 439,44 milhões de litros na segunda metade de janeiro. Desse total, 255,83 milhões de litros foram de etanol hidratado, crescimento de 7,59%, e 183,61 milhões de litros de etanol anidro, avanço de 11,81% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. As vendas internas de etanol hidratado alcançaram 1,60 bilhão de litros, reforçando o bom desempenho do biocombustível no mercado doméstico. Etanol de milho ganha espaço e responde por mais de 90% da produção A produção a partir do milho segue em expansão e representou 90,67% do total de etanol fabricado na segunda quinzena de janeiro. Foram 398,45 milhões de litros, frente aos 387,67 milhões registrados no mesmo intervalo da safra 2024/25 emdash; um aumento de 2,78%. O dado confirma o avanço do modelo híbrido de produção (cana e milho), que tem garantido maior regularidade na oferta de etanol ao longo do ano. Qualidade da cana registra leve queda no ATR O Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador de qualidade da cana, foi de 121,18 kg por tonelada na segunda quinzena de janeiro, inferior aos 136,25 kg/t observados no mesmo período da safra passada emdash; uma redução de 11,06%. Na quinzena, 93,37% da cana processada teve como destino a produção de etanol, reforçando o foco do setor no biocombustível neste início de temporada.

article

Etanol amplia perdas e encerra semana com nova queda nos indicadores Cepea

Os preços do etanol registraram novo enfraquecimento na semana de 16 a 20 de fevereiro, conforme dados do Indicador Cepea/Esalq, da USP, refletindo um mercado ainda pressionado. No mercado semanal, o etanol hidratado foi negociado pelas usinas paulistas a R$ 2,9442 por litro, desvalorização de 2,52% em relação à semana anterior, quando o valor médio foi de R$ 3,0203 por litro. É a terceira semana consecutiva de retração. O etanol anidro também apresentou queda. O preço médio apurado pelo Cepea ficou em R$ 3,3544 por litro, recuo de 1,69% frente aos R$ 3,4120 registrados na semana anterior. Indicador Diário Paulínia Pelo Indicador Diário de Paulínia (SP), o movimento seguiu negativo ao longo da semana. Na sexta-feira (20), o metro cúbico do hidratado foi negociado a R$ 3.009,00, desvalorização de 2,40% no dia, a maior queda da semana. No acumulado de fevereiro, o indicador aponta retração de 2,36%.

article

Redução da jornada de trabalho não garante maior produtividade, diz economista da CNC

O fim da jornada 6x1 precisa ser acompanhado por um aumento da produtividade no Brasil para gerar maior bem-estar aos trabalhadores sem gerar efeitos colaterais. É o que afirma Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que lançou estudo sobre possíveis impactos da redução da jornada de trabalho no comércio do país. O estudo, feito com base em dados do IBGE, estimou que, caso seja implementado o novo teto de 40 horas semanais de trabalho, o custo contábil total de adequação poderia ser de R$ 122,4 bilhões mensais. Esse valor é o que recai apenas sobre os empregadores, mas que pode ser repassado para os consumidores. Segundo a análise, esse movimento poderia implicar em aumento estimado de 13% nos preços ao consumidor final. Isso porque, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), divulgados pelo IBGE, cerca de 93% dos trabalhadores do comércio possuem jornada de mais de 40 horas semanais no país. Segundo os cálculos do economista, os empregadores teriam que contratar mais 986 mil trabalhadores para não reduzir os dias e horários de funcionamento dos estabelecimentos comerciais. No entanto, a escassez de mão de obra e o maior custo dos empregadores preocupam. emdash; Se eu dou um choque no custo do comerciante, ele vai repassar para o preço emdash; disse ele. emdash; Seria uma geração de empregos a um custo maior num ambiente de escassez de mão de obra no comércio. Bentes citou ainda dados do Banco Mundial segundo os quais a quantidade média de horas trabalhadas em países desenvolvidos é menor que a do Brasil, mas argumentou que esses países conseguem garantir um maior bem-estar para os trabalhadores, pois sua produtividade é maior. Na sua visão, é necessário buscar uma mão de obra mais qualificada no país, que gere maior produtividade, para que a redução da escala 6x1 não tenha grandes efeitos colaterais. O estudo foi divulgado durante o debate eldquo;Jornada de trabalho e estabilidade do ambiente de negócioserdquo;, realizado pela CNC nesta segunda-feira. Atualmente, tramita no Congresso Nacional a proposta da PEC 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que reduz a jornada semanal para 36 horas, distribuídas em quatro dias da semana, sem redução salarial. Também está sendo discutida uma proposta de redução gradual para 40 horas semanais, com período de transição e mecanismos de compensação econômica, apresentada pelo deputado Luís Gastão (PSD-CE).

article

Gás do Povo está disponível para 4,5 milhões de famílias a partir desta segunda (23)

A Caixa Econômica Federal começou, nesta segunda-feira (23), a terceira fase do programa Gás do Povo, que disponibiliza vouchers para a recarga de quatro ou seis botijões de gás por ano. Ao todo, cerca de 4,5 milhões de famílias brasileiras têm direito ao benefício. Para ter direito à recarga e conseguir acesso ao botijão, o responsável familiar cadastrado no governo deve ir até uma empresa revendedora credenciada pelo programa e apresentar cartão com chip do Bolsa Família, cartão de débito da Caixa ou CPF com código de validação enviado ao celular. O Gás do Povo substitui o antigo Auxílio Gás, que funcionava com o repasse direto de dinheiro aos beneficiários. Em fevereiro, o investimento do governo no programa é de R$ 449 milhões. A primeira fase começou em novembro do ano passado, disponível no início em dez capitais para 1 milhão de famílias. Na segunda fase, em janeiro, o programa chegou a 17 cidades e, no mesmo mês, alcançou todas as capitais. A fase final deve acontecer no mês de março para 15,5 milhões de famílias. A ideia do governo é contemplar todo o país, conforme disponibilidade orçamentária. "O objetivo da política é ampliar o acesso à energia limpa e segura, reduzindo o uso de alternativas como lenha e carvão, que expõem principalmente mulheres e crianças a riscos à saúde", afirma o MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome). Um dos obstáculos atuais é ampliar a quantidade de revendedoras credenciadas no programa. Atualmente, são 10 mil pontos de comercialização, sendo que uma em cada seis revendas de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo ou gás de cozinha) aderiu à iniciativa. A artesã Ana Júlia Torres, 26, de Brasília (DF), recebeu o voucher no prazo informado, mas teve dificuldades para encontrar uma empresa que o aceitasse. "Muitas ainda não se credenciaram, o que acaba limitando as opções de compra", afirma. Empresas podem aderir ao programa desde 23 de outubro do ano passado, por meio do site www.gasdopovo.caixa.gov.br. É preciso estar cadastrada na ANP (Agência Nacional de Petróleo), em situação regular na Receita Federal, ter uma conta corrente na Caixa e utilizar a maquininha de cartões Azulzinha. Quem tem direito ao Gás do Povo? Famílias que desejam aderir ao programa precisam ser credenciadas no Bolsa Família, ter ao menos duas pessoas integrantes, ganhar até meio salário-mínimo por pessoa e manter o Cadastro Único atualizado nos útilmos 24 meses. O responsável familiar também não pode ter pendências ou irregularidades no CPF. Para consultar se tem direito e encontrar revendas credenciadas, é possível instalar o aplicativo "Meu Social - Gás do Povo" no celular. Como posso retirar os botijões? O responsável familiar cadastrado deverá se dirigir a uma revendedora de gás credenciada pelo programa. Será necessário apresentar um documento que comprove o benefício, como o cartão do Bolsa Família ou um cartão da Caixa Econômica Federal vinculado ao programa. Como identificar uma revenda participante? As revendas que aderirem ao Gás do Povo deverão seguir regras específicas de identidade visual, que estarão presentes em portarias, botijões, veículos e materiais de comunicação. Além disso, os beneficiários poderão consultar os pontos de venda credenciados mais próximos de suas casas diretamente pelo aplicativo oficial do programa. A previsão é beneficiar cerca de 15,5 milhões de famílias em situação de vulnerabilidade, o que representa cerca de 50 milhões de pessoas. A iniciativa, que triplica o alcance do antigo Auxílio Gás, representa um investimento de R$ 3,57 bilhões em 2025, com previsão de subir para R$ 5,1 bilhões no ano seguinte. A estimativa é que 65 milhões de botijões sejam distribuídos anualmente. Quantos botijões posso retirar por ano? Famílias com duas ou três pessoas: direito a quatro botijões por ano Famílias com quatro ou mais integrantes: direito a seis botijões por ano Os benefícios não são cumulativos. Ou seja, se um voucher não for usado dentro do prazo, ele não será transferido para o próximo ciclo. Qual é a validade do benefício? Cada voucher terá um prazo de validade a contar da data em que ficar disponível Para famílias de duas ou três pessoas: validade de três meses Para famílias de quatro ou mais pessoas: validade de dois meses

article

Etanol ou gasolina? Entenda como a "regra dos 70%" pode fazer você perder dinheiro

A chamada eldquo;regra dos 70%erdquo; emdash; segundo a qual o etanol só compensa se custar até 70% do preço da gasolina emdash; nunca foi uma ciência exata. E, com a chegada da gasolina E30 em agosto do ano passado (com 30% de etanol anidro na mistura) e motores cada vez mais eficientes, a conta ficou ainda mais complexa. eldquo;A regra dos 70% não faz sentido como algo fixo. Nunca foi exata. Varia de acordo com o carro e conforme o modo de conduçãoerdquo;, aponta Vitor Sabag, especialista em combustíveis. eldquo;É um direcionamento, mas se você quer realmente gastar menos, precisa medir o consumo real do seu veículo.erdquo; Segundo Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), a regra sempre foi baseada em um princípio físico claro: o poder calorífico. eldquo;A relação 70% é bem aproximada para facilitar a vida dos motoristas. Ela é baseada no poder calorífico dos combustíveis, que é basicamente a quantidade de energia que cada combustível carrega. Essa densidade energética do etanol hidratado era aproximadamente 70% da gasolina Cerdquo;, explica. No entanto, desde agosto de 2025, o aumento do percentual de etanol anidro na gasolina reduziu levemente a densidade energética do combustível fóssil. Isso ocorre porque o etanol tem cerca de 30% menos energia por volume que a gasolina pura. Conta para escolher entre gasolina ou etanol é referência, não regra eldquo;Assim que adiciono mais etanol anidro na gasolina, ela passa a ter menos energia por litro. Hoje o carro anda um pouco menos com um litro de gasolina do que antigamenteerdquo;, salienta Sabag. Com o avanço da mistura de E27 para E30, essa relação energética também mudou marginalmente. eldquo;Com o aumento, esse número vai subir ligeiramente, e podemos considerar algo próximo de 71%erdquo;, salienta Gonçalves. eldquo;Ou seja, essa regra dos 70%, agora 71%, é só uma referência aproximadaerdquo;, completa. Na prática, isso significa que o etanol hidratado, o que você encontra na bomba, perdeu menos eficiência relativa em comparação à gasolina. Mas não porque ficou mais energético, mas sim porque a gasolina passou a carregar pouco menos energia por litro. Impacto nos preços dos combustíveis Além disso, o aumento da mistura também afeta a formação de preços. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP) mostram que o litro do etanol anidro subiu de R$ 2,99 no início de agosto de 2025, quando a gasolina passou a E30, para R$ 3,41 na semana de 13/2. Como o biocombustível é componente obrigatório da gasolina, sua cotação influencia diretamente o preço final nas bombas. eldquo;As pessoas olham só o reajuste da Petrobras, mas a variação do etanol também afeta o preço da gasolina, ainda que de forma menos visívelerdquo;, diz Sabag. O preço do etanol anidro é determinado principalmente pelo ciclo da cana-de-açúcar e pela decisão das usinas sobre o destino da matéria-prima. Durante a safra, há maior oferta e os preços tendem a se estabilizar ou cair. Já na entressafra, a produção diminui e os estoques são reduzidos, pressionando as cotações. Além disso, as usinas podem optar por produzir mais açúcar, especialmente quando o produto está valorizado no mercado internacional ou quando o dólar sobe. Dessa forma a oferta de etanol cai, o que eleva o preço do biocombustível no mercado interno. Outro fator relevante é a própria demanda por gasolina, já que o etanol anidro compõe atualmente 30% da mistura vendida nos postos. Quando o consumo de gasolina aumenta, a demanda pelo biocombustível cresce automaticamente, influenciando seu preço. Condições climáticas adversas também afetam a produtividade da cana, enquanto limitações logísticas e níveis de estoque podem intensificar oscilações. Motores modernos ampliam as variações A evolução tecnológica dos motores flex é outro fator que reduz a precisão da regra. Componentes acabam por influenciar diretamente a eficiência com cada combustível. eldquo;São vários os fatores tecnológicos que podem influenciar nessa relação: taxa de compressão, mapeamento da injeção e ignição, pressão de injeção, ângulo de injeção e formato da câmara de combustãoerdquo;, explica Gonçalves. eldquo;Por isso um motor pode ser mais otimizado para gasolina e outro para etanol. Vai depender da estratégia de projeto da montadora.erdquo; A própria elevação da octanagem da gasolina (para 94 RON) com maior teor de etanol também adiciona complexidade à equação. Vale frisar que o índice mede a resistência do combustível à detonação prematura dentro do motor. Ou seja, quanto maior a octanagem, maior a capacidade da gasolina de suportar compressões mais elevadas sem detonar antes do momento correto. Dessa forma, temos uma combustão mais eficiente e melhor desempenho do veículo. eldquo;Com o aumento da octanagem da gasolina, isso [a elsquo;Regra dos 70%ersquo;] se confunde ainda mais, pois alguns motores podem ser ainda mais eficientes com gasolinaerdquo;, salienta o diretor da AEA. Isso ocorre porque combustíveis com maior resistência à detonação permitem estratégias mais agressivas de ignição e compressão. Tem melhora no quesito eficiência térmica em motores projetados para explorar esse benefício, especialmente os turbinados e com injeção direta. Ao mesmo tempo, propulsores modernos estão cada vez mais eficientes. eldquo;Você vê veículos rodando cada vez melhor, com maior eficiência. Já temos carros que passam de 20 km/l em determinadas condiçõeserdquo;, destaca Sabag. Em outras palavras, se antes o etanol rendia cerca de 70% da autonomia da gasolina, em motores mais recentes essa proporção pode variar dependendo da calibração e do uso. Consumo de etanol ou gasolina varia conforme ambiente e condução Mesmo quando o consumidor tenta medir o próprio consumo, o resultado pode variar significativamente devido a fatores externos. eldquo;A conta que o consumidor pode fazer é comparando o consumo com os dois combustíveis, mas isso ainda é muito impreciso, pois são muitos fatores que influenciam: temperatura, umidade, vento, pressão de pneus, trajeto realizado e trânsitoerdquo;, pontua Gonçalves. eldquo;Isso sem falar no elsquo;espírito do motoristaersquo;, que um dia pode estar mais calmo e outro mais agressivo.erdquo; Condições ambientais, estilo de condução e ciclos urbanos com aceleração frequente influenciam diretamente a eficiência energética do veículo. E, em muitas vezes, mais até do que o próprio combustível. eldquo;Na medida em que os veículos têm uma performance de consumo melhor, o impacto relativo do combustível mudaerdquo;, complementa Sabag. O especialista aponta, inclusive, que a eldquo;regraerdquo; é um mero direcionamento. eldquo;Se o consumidor visa gastar menos, tem de rodar da forma que sempre roda, zerar o tanque, abastecer com etanol ou gasolina e checar o que mais vale.erdquo; Mesmo assim, Sabag considera que muita gente vai apenas no eldquo;visualerdquo;. eldquo;Boa parte das pessoas acaba olhando o preço da gasolina e do etanol no posto e indo no mais barato, o etanol, mesmo sem considerar autonomia ou até mesmo a regra dos 70%erdquo;, analisa. ESG, tecnologia e decisão baseada em dados No universo corporativo, a decisão já não depende de regras genéricas. Muitas empresas utilizam dados operacionais em tempo real para determinar qual combustível utilizar. eldquo;Frotistas usam etanol sob o ponto de vista ambiental, especialmente grandes empresas com foco em ESGerdquo;, afirma Sabag, citando a busca por governança ambiental, social e corporativa. Segundo o especialista, plataformas, como a Gasola, permitem monitorar consumo por combustível, cruzar com preços e identificar oportunidades de economia. eldquo;O gestor acompanha a performance e consegue quantificar em Reais o impacto da condução. Isso permite tomar decisões baseadas em dados, não em estimativas.erdquo; Motores dedicados exclusivamente ao etanol Do ponto de vista técnico, motores projetados especificamente para um único combustível tendem a ser mais eficientes do que motores flex, que precisam operar em uma faixa ampla de condições. eldquo;Um motor dedicado ao etanol com certeza seria mais eficienteerdquo;, comenta Gonçalves. eldquo;Isso acontece com propulsores dedicados à gasolina que ainda existem no mercado, principalmente os turbinados, que são bastante eficientes.erdquo; Esse princípio é especialmente relevante no contexto brasileiro, onde o etanol possui alto potencial como combustível de baixo carbono e pode ganhar protagonismo com a evolução tecnológica impulsionada por políticas como o Mover. eldquo;Regra dos 70%erdquo; ainda é útil? Apesar de todas as mudanças, a eldquo;regra dos 70%erdquo; (ou 71%) ainda pode servir de referência prática para o consumidor médio. No entanto, tecnicamente, ela deixou de representar um ponto fixo universal. Na prática, o limite real depende do veículo, da tecnologia do motor, da composição do combustível e das condições de uso. Com gasolina E30, motores mais eficientes e uma matriz energética cada vez mais diversificada, a decisão sobre qual combustível usar depende cada vez menos de uma regra fixa emdash; e cada vez mais das características específicas de cada veículo e de seu uso real. Posto de confiança também é fator decisivo A escolha do posto também tem impacto direto no custo real por quilômetro rodado. Isso porque pequenas variações na qualidade e na composição do combustível podem afetar consumo, desempenho e até a durabilidade de componentes. Para Vitor Sabag, especialista em combustíveis e CEO da Gasola, o preço isoladamente não deve ser o único critério na hora de abastecer. eldquo;Abastecer num posto de confiança é fundamental. Às vezes, os 10 centavos mais baratos não representam economia realerdquo;, dispara. eldquo;Se o combustível tiver qualidade inferior ou composição irregular, o consumo pode aumentar e anular completamente essa diferença.erdquo; Segundo o especialista, em um cenário de precificação cada vez mais dinâmica, com influência de safra, logística e composição do combustível, a procedência é tão relevante quanto o preço nominal na bomba. eldquo;Abastecimento eficiente exige análise do consumo real do veículo, mas também depende da qualidade do combustível. O consumidor precisa estar atento não só ao preço, mas à confiabilidade do postoerdquo;, diz. Essa preocupação se torna ainda mais relevante diante do histórico de irregularidades identificadas no mercado brasileiro. De acordo com Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), uma das fraudes mais recorrentes envolve o excesso de etanol na gasolina acima do limite legal. eldquo;Uma de nossas principais preocupações é quando o volume de etanol adicionado à gasolina ultrapassa o limite de 30% estabelecido. Esse percentual existe justamente para garantir uma padronização nacionalerdquo;, comenta. Segundo Kapaz, fiscalizações já identificaram casos extremos. eldquo;Nas adulterações verificadas em todo o Brasil, já encontramos gasolina com 40%, 50% e até 70% de etanol. Como os carros são flex, o consumidor muitas vezes não percebe e acaba pagando etanol a preço de gasolina.erdquo; Além do prejuízo financeiro direto, o impacto também aparece no consumo. Como o etanol possui menor densidade energética, misturas com percentual acima do permitido reduzem a autonomia do veículo sem que o consumidor tenha ciência da causa. eldquo;Essa é uma preocupação constante. As autuações têm sido feitas sempre que isso é verificado, e temos ajudado a ANP a ser mais assertiva na fiscalizaçãoerdquo;, ressalta o presidente do ICL. O problema ganha maior relevância com a gasolina E30, já que o consumidor tende a perceber menos diferenças de comportamento entre combustíveis com diferentes proporções de etanol. Isso reduz a capacidade de identificar irregularidades apenas pela dirigibilidade ou pelo consumo imediato. Nesse contexto, a recomendação de especialistas é priorizar postos com histórico confiável e bandeiras conhecidas, além de acompanhar o consumo real do veículo ao longo do tempo. Em um ambiente em que a composição do combustível, a eficiência do motor e a qualidade do produto influenciam diretamente o custo operacional, a confiança no fornecedor se torna parte essencial da equação.

article

Brasil acelera produção e reforça papel de exportador de petróleo bruto, mas importador de derivados

A expansão acelerada da produção de petróleo e gás no Brasil em 2025 consolida o País como exportador de petróleo bruto e mantém a dependência da importação de derivados. A análise do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), divulgada nesta segunda-feira, 23, chama atenção para os riscos dessa eldquo;contradição estruturalerdquo; em um ano de recorde da produção. Em 2025, a produção alcançou média de 4,89 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), crescimento de 13,2% em relação a 2024, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O crescimento da produção diária foi de 12% frente ao ano anterior e atingiu 3,7 milhões de barris por dia (bpd), enquanto o volume de exportação foi equivalente a 51% da produção de petróleo. eldquo;O Brasil amplia sua produção e consolida-se como exportador de petróleo bruto, mas segue dependente da importação de derivados. A ampliação da capacidade de refino torna-se elemento estratégico, tanto para assegurar maior autossuficiência no abastecimento interno quanto para agregar valor ao petróleo produzido no paíserdquo;, destaca o 9º Boletim de Produção e Exploração de Petróleo e Gás da entidade. As exportações alcançaram 28 destinos ao longo do ano, com destaque para a China, que absorveu 45% do volume exportado, seguida por Estados Unidos (10,8%), Espanha (7,4%), Holanda (7%) e Índia (4,4%). Considerando que a produção média de petróleo do quarto trimestre foi de 3,94 milhões/bpd e que, desse volume, 2,07 milhões foram exportados, 52,4% do petróleo produzido no Brasil no período foi destinado ao mercado externo. Foi o segundo ano consecutivo em que o petróleo bruto liderou a pauta de exportações brasileiras, superando produtos tradicionais como soja e minério de ferro. Aumento da produção Além do petróleo, a produção de gás natural registrou expansão de 16,9%, chegando a 1,1 milhão de boe/d. O desempenho do setor foi impulsionado, sobretudo, pela entrada em operação de novas plataformas e pela ampliação da produção em unidades já existentes. O pré-sal manteve-se como o principal vetor do crescimento, com aumento de 15,1% e participação de aproximadamente 79,6% da produção nacional de petróleo e gás. Cresceu 7%, respondendo por 15,4% do total, enquanto a produção onshore avançou 4,1%,ou 4,9% da produção nacional. A Bacia de Santos respondeu por 78,2% da produção nacional no quarto trimestre de 2025, com média próxima de 4 milhões de boe/d, sendo o principal polo produtor do país. No consolidado de 2025, a Petrobras, na condição de operadora, foi responsável por 89,9% da produção nacional de petróleo e gás. Já na posição de concessionária, a estatal concentrou 63,4% da produção nacional.

Como posso te ajudar?