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Beto Louco e Primo, alvos da Carbono Oculto, negociam delação premiada, diz Ministério Público de SP

Os empresários foragidos Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, ambos alvos da Operação Carbono Oculto, estão em fase avançada de negociação de um acordo de delação premiada com o MP-SP (Ministério Público de São Paulo). A operação investigou a infiltração do crime organizado na economia formal. Segundo o procurador-geral de Justiça do Estado de SP, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, com a delação a investigação vai chegar "não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos". A informação foi adiantada pelo G1 e confirmada pela Folha. Investigadores afirmam que os empresários prometeram mostrar mensagens de WhatsApp sobre encontros presenciais para a entrega de propinas milionárias em troca de favorecimentos e alívio regulatório no setor de combustíveis. As negociações para um eventual acordo de delação ainda estão sob análise dos promotores responsáveis pela Operação Carbono Oculto. Informações sobre possíveis delações premiadas dos dois foragidos circulam desde que a operação foi deflagrada, em agosto de 2025. Eles são procurados pela polícia desde essa época. Em dezembro, uma proposta de delação foi rejeitada pela PGR (Procuradoria-Geral da República), segundo informações do UOL. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, à época, considerou que Beto Louco ainda não havia apresentado provas concretas sobre pessoas com foro privilegiado e devolveu o processo à primeira instância. Ainda segundo o UOL, Beto Louco também presenteou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com canetas de Mounjaro, indicado para tratamento de diabetes e que é comumente utilizado para perda de peso. Ao saber do interesse do senador no medicamento, sob o relato de dificuldades para acessar o produto no Brasil, Beto Louco teria prometido a Alcolumbre arrumar algumas canetas com um contato em São Paulo e entregá-las rapidamente em Brasília. À Folha Celso Villardi, advogado de Roberto Augusto Leme da Silva, nega um acordo de delação. A defesa de Mourad não foi localizada.

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Lula reafirma combate ao crime organizado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na segunda-feira (2) que o governo federal tem o compromisso de combater o crime organizado e enfatizou ações que, segundo ele, atingem os eldquo;magnatas do crimeerdquo;. A declaração foi feita no Supremo Tribunal Federal (STF), durante a cerimônia de abertura dos trabalhos da Corte em 2026. Lula citou em sua fala a Operação Carbono Oculto, deflagrada no ano passado para investigar o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Segundo o presidente, todos os responsáveis serão punidos, eldquo;não importa o tamanho das contas bancáriaserdquo;. Para continuar a leitura, clique aqui.

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Vistoria veicular: entenda polêmicas e por que limite para carros de mais de 5 anos pode cair

A aprovação do Projeto de Lei 3507/25, que traz de volta a obrigatoriedade da vistoria veicular, na Comissão de Viação e Transportes (CVT), marcou um passo histórico para a segurança viária no Brasil. Mas o texto atual gerou um racha no setor. Embora apoie a espinha dorsal da proposta, a Confederação Nacional de Vistorias Veiculares (CNVV), iniciou um movimento para suprimir o critério de idade defendido no PL de autoria do deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP). A proposta determina inspeção periódica a veículos com mais de cinco anos de fabricação. Os argumentos contra o prazo de 5 anos para a vistoria veicular Para Rodrigo Amorim, presidente da CNVV, a inclusão de um prazo rígido no PL é um erro estratégico. A entidade argumenta que o papel da lei deve ser o de conferir segurança jurídica aos Detrans e uniformizar os procedimentos de checklist, deixando a definição de prazos para o Conselho Nacional de Trânsito (Contran). eldquo;Vamos pedir a supressão do item da periodicidade porque isso não muda nada para a gente. Isso depende do Contran e o órgão pode fazer essa definição sem que o projeto de lei engesse o critérioerdquo;, explica Amorim. Com o PL seguindo para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a CNVV planeja realizar consultas públicas após o recesso parlamentar para ajustar o texto. A meta, diz Amorim, é transformar a inspeção em um instrumento de segurança pública que respeite o patrimônio histórico automotivo, focando na funcionalidade real do veículo. A preocupação central, alega a CNVV, reside na fragmentação atual. Com regras pulverizadas em resoluções e legislações estaduais, o Brasil sofre com a falta de padronização, o que facilita fraudes e dificulta o combate a crimes como a clonagem de veículos. Amorim destaca que, das 1,6 milhão de vistorias realizadas mensalmente por empresas terceirizadas, cerca de 27% apresentam reprovações ou apontamentos, evidenciando a necessidade de um crivo rigoroso e uniforme. O fator eldquo;degradação críticaerdquo; O embasamento técnico para a inspeção encontra eco nas análises de Everton Lopes, conselheiro da SAE Brasil. Do ponto de vista da engenharia, a frota brasileira, com média superior aos 11 anos, vive um cenário de risco invisível. Lopes alerta que, embora a manutenção preventiva seja individual, existem marcos estatísticos de degradação que não podem ser ignorados. eldquo;A partir do sexto ano já vemos modificações não homologadas e degradação de componentes. Ao atingir o décimo ano, os veículos entram em um nível de degradação supercrítico, geralmente acumulando cerca de 200 mil quilômetroserdquo;, pontua Lopes.

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Brasil atinge recorde na produção de petróleo em 2025

A produção nacional de petróleo bateu recorde em 2025, chegando a 3,77 milhões de barris por dia. O volume é 12,3% superior ao recorde anterior, de 2023, segundo informou nesta segunda-feira (2) a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). O desempenho reflete a entrada em operação de grandes plataformas do pré-sal. Também houve recorde na produção de gás natural, que chegou a 179 milhões de metros cúbicos por dia. Nem todo esse gás, porém, chega ao continente. O crescimento acelerado da produção de petróleo permitiu que a commodity liderasse a pauta de exportações brasileiras pelo segundo ano consecutivo em 2025, com vendas de US$ 44,6 bilhões durante o ano. Segundo a ANP, o pré-sal respondeu por 79,63% da produção nacional de petróleo e gás em 2025. Apenas três campos emdash;Tupi, Búzios e Meroemdash; responderam por 56,27% da produção de petróleo. Os três estão localizados no litoral do Rio de Janeiro, o que leva a grande concentração da renda do setor. Em dezembro, segundo a ANP, a Petrobras ficou com pouco menos de dois terços da produção total. A segunda maior produtora foi a Shell, com pouco mais de 10%. Sócia compulsória em campos do pré-sal, a estatal PPSA (Pré-Sal Petróleo SA) aparece na quarta posição. A corrida por maior produção de petróleo é questionada por organizações ambientalistas, que pedem que o governo estabeleça patamares mínimos de produção em sua proposta de mapa do caminho para reduzir o uso de combustíveis fósseis. Eles argumentam que o Brasil pode evitar a abertura de novas fronteiras exploratórias, como a bacia da Foz do Amazonas, se usar as reservas já descobertas de forma menos acelerada. A ideia seria manter essas reservas apenas para garantir o consumo interno de setores de difícil descarbonização. Mantendo o ritmo atual de produção, a Petrobras tem reservas de petróleo para quase 13 anos. A estatal tem conseguido repor suas reservas com folga nos últimos anos, mesmo sem abrir novas fronteiras: em 2025, descobriu 1,7 barril novo para cada barril que produziu. A área energética do governo e a indústria do petróleo, por outro lado, argumentam que o país não pode abrir mão da riqueza do petróleo e precisa buscar novas áreas de exploração para suprir o declínio das reservas do pré-sal, esperado para a primeira metade da próxima década.

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Câmara aprova Gás do Povo, programa que troca vale por botijões

A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (2) a medida provisória (MP) que cria o Gás do Povo, programa que troca o pagamento do Auxílio-Gás pela retirada de botijões diretamente nos revendedores. Uma das vitrines eleitorais da gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a proposta foi aprovada com votos favoráveis de 415 deputados federais, garantindo uma vitória ao governo na primeira sessão deliberativa do ano. O texto será analisado no Senado nesta terça (3). Até agora, o programa está rodando em todas as capitais e o governo prevê chegar a todos os municípios até o mês de março. A adesão voluntária tem preocupados integrantes o governo, como mostrou a Folha, mas a expectativa do setor é que mais comércios decidam participar conforme o programa avança. Levantamento do Sindigas (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo) aponta que, na média, a adesão em todas as capitais está em 35%. Nas cidades incluídas na primeira fase do programa, a entidade calcula que 52% das revendas estejam cadastradas. Nas 17 que começaram em 26 de janeiro, a adesão está entre 25% e 30%. Até dezembro, os beneficiários recebiam o valor equivalente ao preço médio do botijão na região em que moram. Agora, passam a retirar o botijão diretamente nas revendedoras participantes. Esses comerciantes receberão o pagamento em até dois dias. O texto aprovado na Câmara prevê um prazo máximo de sete dias úteis para as lojas receberem. Têm direito ao botijão as famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda mensal igual ou inferior a meio salário mínimo. A prioridade será para as famílias beneficiárias do Bolsa Família. Até que todos tenham acesso ao botijão gratuito, o pagamento do valor será mantido. O relatório aprovado pela Câmara nesta segunda amplia o escopo do programa e inclui a possibilidade de instalação de biodigestores e outros sistemas de cocção de baixa emissão de carbono. O deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ), relator do texto na comissão mista que analisou a MP, diz que a inclusão busca atender regiões rurais onde falta acesso ao botijão. Junto à essa possibilidade, Leal também incluiu como público-alvo do programa as cozinhas solidárias e comunitárias, que poderão, segundo o texto aprovado, ser financiadas pelo Ministério de Minas e Energia, por entes subnacionais (estados e municípios) ou por recursos decorrentes de multas e termos de ajustamento de conduta (TACs) em infrações ambinetais. "Os biodigestores são uma inovação que já existe, pode usar desejos para produzir o gás, já existe em alguns lugares. A ideia é espalhar um pouco mais e incluir um forma de financiamento, abrir a possibilidade de os biodigestores serem financiados", diz Hugo Leal. A lei que trata de crimes contra a ordem econômica também foi alterada por meio da MP, no trecho que se refere ao uso do GLP em motores, saunas, caldeiras e para o aquecimento de piscina. Esses usos deixam de ser enquadrados na legislação, mantido apenas o veto para fins automotivos. O relator incluiu no relatório final dois jabutis, como são chamadas propostas sem relação com o projeto original, que, segundo ele, foram acordados com integrantes do governo e na comissão. "Só ficaram temas que tinha acordo. Biometano, gasoduto, tinha mais coisa [em anális na comissão], mas não teve consenso." Os dois tratam de mudanças que chegaram a ser propostas pelo governo em MPs que não chegaram a ser votadas. O primeiro, na frente de energia, permite que agentes anteriormente desligados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e que ainda possuam débitos relacionados à repactuação do risco hidrológico (chamado de GSF) possam participar do chamado mecanismo concorrencial previsto no novo marco do setor elétrico. O outro incorpora o texto de uma outra medida provisória, a 1.315/2025, que amplia a renúncia fiscal do Executivo em R$ 800 milhões por meio da depreciação acelerada para indústria naval e de petróleo. A medida original também foi apresentada em setembro do ano passado, mas a comissão mista que a analisaria sequer foi instalada e perderia a validade em nos próximos dias. MP que abriu crédito para combate à gripe aviária é aprovada Na primeira sessão deliberativa do ano, os deputados federais aprovaram também uma medida provisória de abertura de crédito extraordinário de R$ 83,5 milhões liberados no ano passado pelo governo Lula para que o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) reforçasse ações de vigilância. Em setembro, quando a medida provisória foi enviada, a pasta atuava no combate à gripe aviária (identificada no país alguns meses antes) e a outras pragas como a mosca-da-carambola, vassoura-de-bruxa da mandioca e monilíase do cacaueiro. A preocupação, à época, era com o risco de dispersão dessas pragas, que poderiam reduzir a disponibilidade de frutas, cacau e mandioca, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

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Petrobras aumenta seu poder na Braskem. O que isso significa para a empresa e o mercado?

Ainda em compasso de espera pelo plano da Petrobras para a Braskem, o mercado vê na reestruturação da petroquímica uma janela relevante de recuperação dos fundamentos da companhia. Entretanto, a perspectiva de maior poder de governança e sinergias que podem levar a mais investimentos por parte da petroleira desagrada investidores quando acompanhada da possibilidade de dividendos mais modestos por parte da estatal, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast. Nesta semana, o Conselho de Administração da Petrobras se reuniu para mais uma apresentação sobre as medidas relacionadas à petroquímica. Para o analista da Levante Inside Corp, João Abdouni, a condução do processo pela Petrobras ao lado do fundo IG4 não apenas diminui o risco de crédito e torna menos custosa a rolagem de passivos, como também abre espaço para que outros entes da União, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), atuem na retaguarda do processo. eldquo;Se o IG4 liderar o processo, a reestruturação tende a ser mais orientada ao mercado, com decisões mais duras, como a convocação de credores e a conversão de dívida em equityerdquo;, comenta. Sinergias Pelo novo contrato de acionistas entre as duas companhias emdash; Petrobras e IG4 emdash;, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ocupará, nos dois primeiros anos, a principal cadeira do Conselho de Administração da Braskem, posto que será alternado com a IG4, responsável, no primeiro mandato, pela presidência executiva da empresa. O aumento do poder da estatal também tende a gerar projetos de integração entre refino e petroquímica, expansão e modernização de polos industriais, avanço da petroquímica verde e estímulo à substituição de importações, enumera o especialista em investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, Marcos Bassani. eldquo;Existe sinergia industrial e logística, especialmente pela proximidade entre refinarias da Petrobras e polos petroquímicos da Braskem, o que reduz custos e melhora a eficiência do sistema como um todoerdquo;, pontua. eldquo;A Petrobras se beneficia com maior margem, diversificação do negócio e estabilidade de fluxo de caixa. A Braskem ganha escala, previsibilidade de insumos e competitividade, além de aprimorar sua narrativa de crescimento no longo prazo.erdquo; Para ele, o impacto para o investidor da Petrobras tende a ser neutro no curto prazo, mas positivo no médio e no longo prazo, com mais resiliência e criação de valor estrutural para a estatal. Dividendos O gestor de investimentos da Warren, Frederico Nobre, também ressalta que a parceria já existente justifica o movimento estratégico de longo prazo. eldquo;Faz sentido no portfólioerdquo;, diz. Porém, além dos fundamentos frágeis da petroquímica emdash; caixa apertado, spreads negativos e limitação para honrar dívidas emdash;, o ambiente macroeconômico é desafiante, com juros elevados e incerteza fiscal até a sucessão presidencial de 2026, acrescenta o líder da área de renda variável na Fami Capital, Gustavo Bertotti. Nesse cenário, ainda que a recuperação judicial seja considerada relativamente remota pelo mercado, a Braskem precisa de aportes, o que pode levar a estatal a uma decisão impopular entre seus acionistas. eldquo;A tese da Petrobras está muito focada na questão dos dividendos. Um investimento maior na Braskem, possivelmente, aumentaria a dívida da estatal, implicando que a companhia pague menos dividendoserdquo;, afirma Nobre, da Warren. Para o BTG, cada US$ 1 bilhão alocados pela Petrobras em fusões e aquisições fora do core de exploração e produção emdash; como projetos de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), etanol, fertilizantes ou eventual apoio à Braskem emdash; reduziria o retorno de dividendos em 0,5 ponto porcentual. O mercado projeta que o apoio à Braskem demande valores entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões, a depender do foco: fortalecer o balanço ou também financiar crescimento. Ainda assim, na avaliação de Bassani, da Boa Brasil Capital, o impacto para o investidor tende a ser positivo diante da criação de valor estrutural para a Petrobras. eldquo;Para o investidor, um aporte bem estruturado tende a ser positivo no médio prazo, mesmo com possível diluição no curto prazoerdquo;, sustenta. Governança Se, por um lado, a estatal passa a influenciar os investimentos da Braskem, concentrando-se em projetos de maior valor agregado, por outro, a discussão sobre a ingerência política da União também aparece no radar e impacta a decisão dos investidores, comenta Bertotti. Em sua avaliação, até que o desenho final da operação seja divulgado, a ação da Braskem permanecerá influenciada mais por manchetes do que por balanços. Segundo ele, a alta de cerca de 18% das ações neste mês se deveu mais à especulação do que a melhorias concretas.

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