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'Fim da escala 6x1 pode diminuir a rotatividade', diz CEO da Plurix, dona de supermercados

A onda de calor que atingiu o Centro-Sul do país no final de dezembro fez o consumo de cerveja disparar nas redes de supermercados Amigão, Avenida, Superpão, Compre Mais, Boa, Dom Olívio, Paraná e no Paraná Atacadista. São cerca de 180 lojas em 90 cidades, em especial no interior de São Paulo e do Paraná, chegando também ao Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. A bebida recuperou o patamar de vendas do ano, depois de enfrentar uma primavera fria, e engrossou a lista de promoções das oito redes, cujo controle pertence à Plurix. "O brasileiro não gosta de preço [baixo], gosta de promoção", diz o CEO da Plurix, Jorge Faiçal, 51. "O preço pode nem ser o melhor, mas se o consumidor sente que leva alguma vantagem, ele compra", afirma o executivo, que chegou à Plurix em 2023, depois de quase 30 anos no varejo, com Walmart, Carrefour e GPA (Grupo Pão de Açúcar) no currículo. Acredita que algumas redes estrangeiras, como o próprio Walmart, não sobreviveram à dinâmica do varejo local por não se adaptarem às peculiaridades da clientela. Mas a Plurix divide com as grandes redes de varejo do país a mesma dificuldade: contratação e retenção de mão de obra. Metade dos trabalhadores deixa a empresa todo ano endash;um cenário que compromete a produtividade, dizem especialistas. Faiçal atribui a alta rotatividade ao momento de "pleno emprego" do país, com índice de desemprego de 5,2%, um dos menores da história. "Há quadros operacionais bastante desafiadores, como frente de caixa e repositores de gôndola", afirma Faiçal. "A gente estuda bem de perto a eventual mudança da jornada 6x1, que pode trazer custos adicionais para o varejo, mas também uma redução do nosso e#39;turnovere#39; de 50%, que é muito alto." As eleições deste ano também são fonte de preocupação. "Em geral, ano eleitoral é bom [para as vendas] com mais dinheiro em circulação. O consumo é um propulsor da popularidade dos governos e ajuda a eleger", diz. Mas o ambiente político polarizado exige cautela. "Há muita disputa nos estados em que a gente está presente e no próprio governo federal, o que pode trazer efeitos colaterais não tão positivos para a sociedade", diz Faiçal, ressaltando que nenhuma das redes ou a Plurix assume lado na política. Os planos da Plurix para 2026 As ideias e estratégias do CEO Jorge Faiçal Ampliar uso de IA para identificar feedback de clientes e corrigir mix e serviços Investir em preços competitivos e marca própria Nida a partir de melhores negociações com a indústria Estar alerta aos efeitos da polarização política sobre o consumo, impedindo que redes regionais assumam lado Analisar oportunidades de aquisição nos estados onde o grupo atua Entre os 50 maiores supermercadistas do país, nenhum deu um salto tão grande quanto a Plurix. No ranking 2025 da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), a empresa passou do 19º para o 11º lugar, com vendas de R$ 9,4 bilhões em 2024. Em 2025, a previsão é fechar em R$ 10,2 bilhões, o que deve mantê-la na 11ª posição ou fazê-la avançar ao e#39;top 10e#39; do próximo ranking Abras, a ser divulgado em abril. Para o consultor Alberto Serrentino, da Varese Retail, a compra do Amigão, em 2024, ajudou a Plurix a dobrar de tamanho. "Eles não fazem apenas operações de Meamp;A, estão construindo um negócio consistente, com integrações graduais, procurando preservar um alto grau de independência em cada rede", diz o especialista, lembrando que tentativas semelhantes no passado, de criar conglomerados unindo empresas regionais emdash;como Máquina de Vendas e BR Pharmaemdash; não deram certo. Criada em 2021 pela gestora Pátria Investimentos, a Plurix comprou o controle de empresas familiares donas de supermercados, que enfrentavam problemas de sucessão ou financeiros, agravados com a expansão acelerada na pandemia, que comprometeu o negócio quando a taxa Selic atingiu dois dígitos. Faiçal afirma ter duas novas aquisições no horizonte, que podem ser concluídas em 2026. "Temos muitas conversas no forno, onde preço [do negócio] sempre é uma parte importante da discussão." Em 2025, a empresa abriu 12 lojas e avançou no comércio eletrônico, criando uma operação digital para cada uma das bandeiras. "O percentual das vendas on-line ainda é baixo, 2%, mas tem crescido rápido". Também criou uma marca própria, Nida, presente em todas as bandeiras. Para além do investimento no digital e na expansão, o modelo de negócio da Plurix envolve a conquista de escala na negociação com a indústria. "Hoje usamos o poder de compra de uma empresa de R$ 10 bilhões, o que nos garante melhores condições e acesso a grandes fornecedores". O Pátria mantém os antigos donos das redes como sócios, que participam da gestão como presidente ou membros do conselho. As oito bandeiras integram cinco conselhos, em cidades diferentes: Avenida (Cândito Mota-SP); Boa e Dom Olívio (Jundiaí-SP); Paraná e Paraná Atacadista (Campo Mourão- PR); Superpão e Compre Mais (Guarapuava-PR); e Amigão 1 e 2 (Paiçandu-PR e Penápolis-SP). Os fundadores apoiam as tomadas de decisão, como a escolha dos pontos, a prospecção de terrenos, a cidade para qual expandir, além da adoção de práticas comerciais. "Tentamos manter o poder de decisão na ponta, para não repetir os erros das grandes redes, que têm dificuldade em captar nuances regionais." No sul do Paraná, onde a colônia alemã e italiana é mais forte, por exemplo, a preferência é pelo consumo de carne suína. Já no norte do estado, na divisa com São Paulo, a maior demanda é pelo churrasco bovino. Há cidades no interior paulista onde o que mais sai é o bife na bandeja, mas em outras a maioria prefere carne fatiada na hora. "Também existe o apelo de marcas locais, de arroz, açúcar e café, em apresentações variadas, de 1kg a 5kg", afirma. e#39;2026, modo de usare#39; Série entrevista CEOs de varejo, consumo e serviços sobre expectativas e desafios do novo ano e#39;O maior diferencial sou eu à frente do negócioe#39;, diz Pedrinho, dono do Supermercados BH e do Cruzeiro Depois de cortar gastos e reduzir gôndolas, Americanas quer mudar relação com fornecedor e#39;O Brasil empurrou a gente para o Paraguaie#39;, diz a última CEO da família Lupo no poder e#39;É mais fácil ver o que o outro faz e adaptare#39;, diz novo CEO do Carrefour Brasil que já copiou McDonalde#39;s Daikin, que produz ar-condicionado e#39;de luxoe#39;, planeja assinatura do aparelho no Brasil e#39;Sei fazer um sapato inteiro com as próprias mãose#39;, diz Alexandre Birman, CEO do Azzas 2154 e#39;Ninguém acreditava em uma menina vendendo consórcioe#39;, diz CEO da Ademicon que ultrapassou Itaú Mais caro, celular 5G e#39;encalhae#39; e Vivo lança crediário para vender aparelho Visa investe em IA que compra no lugar do cliente, diz CEO da empresa no Brasil Série da Folha entrevista líderes de varejo, consumo e serviços sobre o que esperar de 2026 Na Plurix, a missão de Faiçal é identificar os hábitos e costumes dos consumidores do interior do país e oferecer preços e promoções sob medida, após negociações intensas com a indústria. "Estamos aumentando o nosso nível de promoção, especialmente aquela que acontece do dia 1º ao dia 10, quando as redes travam uma guerra de folhetos, inclusive na TV, em busca do salário que cai na conta do cliente". A iniciativa se mostra fundamental, à medida que o consumidor está cada vez mais cauteloso na hora das compras. "Ele faz muita pesquisa, busca promoção, procura a melhor relação custo-benefício. Como bom brasileiro, dá seus pulos." Em 2026, a Plurix entra no seu quinto ano de atividade. "As teses do Pátria duram entre 5 e 8 anos", afirma o executivo. Isso significa que a gestora deve vender a Plurix ou fazer a sua oferta pública inicial (IPO). "Estamos planejando a saída para daqui dois ou três anos, quando prevemos a retomada da janela do mercado de capitais", diz ele, referindo-se à atual "seca" de IPOs no Brasil, desde setembro de 2021. Os fundadores sabem que seu capital será diluído quando deixarem de ser sócios apenas do próprio empreendimento para se tornarem sócios da Plurix, a partir do IPO. "Serão acionistas de uma companhia bem maior", diz. Questionado se existe certo desconforto dos antigos donos com o atual modelo emdash;em que são consultados, mas não dão as cartasemdash;, Faiçal afirma que as discussões são do jogo. "Aqui todos estão orientados para o norte comum. Discutimos qual caminho seguir, mas todos olham na mesma direção", diz. "Mas quando existem sócios que divergem na essência do negócio, é muito mais complicado", afirma o executivo que, em parte dos 15 anos de GPA, vivenciou as brigas entre Abilio Diniz e o francês Casino. Na opinião de Faiçal, a gestão das empresas familiares costuma ser muito mais intuitiva, e a Plurix não pretende perder essa essência. "Mas o fundo de investimentos traz métricas, aumenta o controle", diz. "Aqui a gente mistura a experiência com a ciência e dá um bom caldo."

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Como foi 2025 para o setor de combustíveis e o que esperar em 2026

O setor de combustíveis no Brasil teve avanços importantes em 2025. Após um período prolongado de volatilidade regulatória e incertezas, o setor encontrou maior estabilidade, sustentada por mudanças legislativas concretas, maior rigor fiscal e um cenário de preços do petróleo positivo. A materialização das mudanças trazidas pela Lei do Combustível do Futuro foi o marco mais relevante do setor, ao aumentar a mistura de etanol e biodiesel na gasolina e no diesel. Vale destacar a importância da consolidação da monofasia tributária. O setor, historicamente, conviveu com uma cadeia de tributação fragmentada e opaca, propícia à sonegação estruturada e distorções competitivas. Agora, a unificação da cobrança na origem, refinaria ou importação, trouxe rastreabilidade, reduziu pontos de fuga e aumentou a previsibilidade fiscal. Esse movimento foi reforçado pela Operação Carbono Oculto, que expôs a profundidade das distorções do mercado. A ação conjunta da Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e forças policiais desarticulou redes especializadas em fraudes tributárias, uso de notas frias e adulterações, evidenciando como a opacidade e a complexidade tributária do setor permitiam que grupos organizados operassem. A operação expôs uma das maiores vulnerabilidades da cadeia, fortalecendo ainda mais o debate sobre o Projeto de Lei Complementar (PLP) do Devedor Contumaz, aprovado às vésperas do recesso legislativo. O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) também teve um bom 2025. A previsibilidade regulatória garantiu o avanço das discussões sobre abertura comercial, sem elevar o risco para o consumidor. Para além, a reformulação do programa Gás do Povo, que agora oferece o botijão de forma direta às famílias de baixa renda, consolidou o papel social do combustível. No cenário internacional, o preço do barril de petróleo se manteve baixo e com volatilidade moderada. Para 2026, as projeções sugerem continuidade de baixos níveis, com preços inferiores a US$ 60/barril. Apesar do cenário desafiante para as grandes petroleiras, o reflexo na precificação dos combustíveis é positivo. O câmbio pode ser o principal fator de pressão no mercado interno. Em ano eleitoral, variações cambiais podem neutralizar os efeitos positivos do barril barato e afetar toda a cadeia. O resultado das eleições também poderá ter reflexo na política de preços da Petrobras, na evolução da transição energética e na continuidade das reformas setoriais. Ou seja, 2026 tende a ser um ano em que a política terá tanta influência quanto os fundamentos de mercado. Em síntese, 2025 entregou avanços regulatórios, maior fiscalização e um ambiente internacional favorável. A consolidação desses ganhos dependerá da capacidade de transformá-los em políticas permanentes e consistentes. Por Adriano Pires Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)

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PIB e juro menores, inflação fora da meta e vagas em alta

Analistas econômicos projetam que Lula deve ter de lidar com crescimento mais baixo do seu terceiro mandato. Estímulos do governo se manterão relevantes. Em 2026, ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve colher o crescimento mais baixo de seu terceiro mandato. O desempenho da economia só não será mais fraco por causa dos estímulos vindos de políticas adotadas pelo governo. Pré-candidato à reeleição para um quarto mandato, Lula, apesar de toda a incerteza em relação ao desempenho das contas públicas, também deve lidar com uma combinação de desemprego baixo, inflação controlada, embora acima da meta de 3%, e taxa básica de juros (Selic) num patamar muito alto, mas em queda. eldquo;A economia não deve ser um problema para o governo. Vai haver uma desaceleração, mas ainda vai estar bem okerdquo;, afirma Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria. eldquo;Os juros estarão um pouco mais baixos, e a massa de renda ainda estará crescendo bem.erdquo; Por ora, as projeções dos analistas apontam que o PIB deve crescer entre 1,5% e 2% no ano que vem, o que, se confirmado, vai representar uma desaceleração em relação a 2025, quando se espera que a economia tenha avançado pouco mais de 2% endash; o número será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Despesas Analistas acompanham de perto as políticas de incentivo à economia em um cenário fiscal delicado Geografia e Estatística (IBGE) em março. Nos dois primeiros anos da atual gestão de Lula, a alta do PIB superou os 3%. O cardápio de medidas adotado pelo governo para evitar a desaceleração no ano de disputa eleitoral é amplo e vem sendo desenhado desde 2025. Envolve isenção do pagamento do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, ampliação do crédito consignado e do Minha Casa, Minha Vida, abertura de linha de crédito direcionada para reformas, desconto de 100% na conta de luz para famílias de baixa renda que consomem até 80 quilowatts-hora (kWh) e gratuidade do botijão de gás para brasileiros em situação de vulnerabilidade, entre outras medidas. Nos cálculos do banco Itaú, a isenção do Imposto de Renda deve injetar R$ 35 bilhões na economia, por exemplo. eldquo;São várias coisas, entre consignado, extensão do Imposto de Renda, Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos, Gás para Todos, compulsório e crédito para reformas. Tudo isso soma 0,7 ponto de contribuição para o PIBerdquo;, diz Pedro Schneider, economista do Itaú. O banco estima que as medidas de estímulo anunciadas até agora devem contribuir para um avanço do PIB de 1,7% em 2026. Sem elas, portanto, o crescimento seria mais próximo de 1%. Os economistas monitoram de perto as políticas de estímulo que o governo traçou e que eventualmente poderá traçar, dado o cenário fiscal bastante delicado endash; há um consenso de que o País precisará de um ajuste das contas públicas em 2027. Em 2026, a dívida bruta do Brasil deve alcançar um patamar próximo de 84% do PIB, o que é considerado elevado para uma economia emergente. ebull;

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De fintechs a postos de combustíveis, crime avança sobre a economia

Chegou ao cidadão comum. Foi essa a sensação que os brasileiros tiveram ao se deparar com operações de Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal e outras autoridades que colocaram no centro de grandes investigações o posto de gasolina, a padaria da esquina, motéis, pequenos varejos e até mesmo aplicações financeiras e gestoras de investimento. Mais do que uma impressão, é fato que o crime está mais próximo do mundo dos negócios. eldquo;Foi um ano de viradaerdquo;, diz Paulo Henrique Carnaúba, professor do programa avançado de finanças do Insper. Até pouco tempo, as grandes investigações se voltavam mais a tráfico de drogas, corrupção e sonegação. eldquo;Agora, elas estão mais próximas do cotidiano do grande público.erdquo; Para os especialistas, há alguns motivos por trás desse movimento. Um deles, diz Cleveland Prates, professor de economia da FGVLaw, é a necessidade de arrecadação federal, que tem investido em combate a brechas de evasão fiscal com mais afinco. Na lista dos inquéritos policiais da PF em andamento por tipos de crime, há mais de 3 mil que envolvem sonegação, supressão de tributos por meio de fraude, omissão ou declarações falsas. Outro fator, afirma Carnaúba, é o período de aprendizagem das autoridades, entre o mergulho nas investigações e o entendimento dos crimes, necessário para detonar então buscas, prisões e apreensões. eldquo;Todo fraudador tem de ter oportunidade e sensação de impunidade para praticar a fraudeerdquo;, afirma. eldquo;Como há um delay de aprendizado das autoridades, esses crimes ganharam proporção muito grande.erdquo; De janeiro até o dia 15 de dezembro do ano passado, foram feitas 3.310 operações da Polícia Federal, com R$ 9,6 bilhões em ativos apreendidos, quase 60% a mais do que em 2024. Mas é nas maiores operações detonadas em 2025 que os padrões como os descritos por Carnaúba se repetem. No caso das operações Carbono Oculto, Quasar e Tank, deflagradas simultaneamente, havia 268 empresas ligadas diretamente ao esquema. Os alvos das operações eram sócios em pelo menos 251 postos de combustíveis, em quatro Estados. Foram usados 60 motéis para lavar R$ 450 milhões, entre 2020 e 2024. Apenas o eldquo;cabeçaerdquo; da organização tinha ligação com cerca de cem companhias diferentes. Outro contador investigado representava 941 empresas junto à Receita Federal. A organização criminosa controlava mais de 40 fundos de investimento (com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões). Embora cada operação tenha revelado movimentações bilionárias em suas respectivas frentes, a soma dos valores e a extensão do esquema indicam que os grupos criminosos movimentaram, no total, aproximadamente R$ 140 bilhões de forma ilícita. A segunda operação em termos de volume financeiro, a Compliance Zero, investigou a fraude praticada pelo Banco Master, segundo denúncia do Banco Central (BC), que movimentou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes. Também envolveu pelo menos 1,6 milhão de pequenos investidores. Esse é o número de pessoas que receberão de volta os recursos aplicados na instituição, por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O desembolso total será de cerca de R$ 41 bilhões. As outras operações que não se tornaram tão famosas, mas que estão entre as maiores em movimentação financeira, envolveram varejistas, atacadistas e distribuidoras. Também outras frentes do setor financeiro. Em outubro, a Operação Bóreas mirou um esquema de sonegação tributária estruturada no setor de ar-condicionado, com empresas de fachada e subfaturamento em importa-- eldquo;Todo fraudador tem de ter oportunidade e sensação de impunidade para praticar a fraudeerdquo; Paulo Henrique Carnaúba Insper eldquo;Vimos fundos de pensão públicos investindo em CDBs do Banco Master que tinham zero governançaerdquo; Cleveland Prates FGV ções. Exótico, mas com estimativa de sonegação de R$ 400 milhões e bloqueio de R$ 800 milhões. Deflagrada em 16 de dezembro, a Operação Opções Binárias, da PF, investiga a operação de plataformas digitais falsas, com promessas de lucros garantidos no mercado de eldquo;opções bináriaserdquo; e criptoativos para atrair pequenos investidores. A movimentação investigada ultrapassa R$ 1,2 bilhão. Em menor escala, também há diferentes operações que envolvem o varejo. Num dos casos, em âmbito estadual, a Operação Ambiente 186 investigou supermercados e atacadistas utilizavam eldquo;empresas noteiraserdquo; (companhias de papel que existem apenas para emitir notas fiscais) que simulam créditos de imposto e reduzem ilegalmente o valor a pagar ao Estado de Minas Gerais. O nome faz referência ao prejuízo estimado de R$ 186 milhões causado ao erário mineiro. GATO E RATO. Essa avalanche de operações permitiu identificar diferentes falhas em legislações e regramentos e algumas iniciativas já foram adotadas para corrigi-las. Entre elas, a aprovação da legislação do devedor contumaz, que estava parada no Congresso havia oito anos. Também a instrução normativa publicada pela Receita Federal que obriga todos os fundos de investimento a identificar o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) dos cotistas finais, a partir de janeiro. Apenas a Receita Federal e autoridades com respaldo legal (como o Ministério Público e a Polícia Federal em investigações) terão acesso a esses dados. Ainda é preciso repensar, dizem eles, mecanismos de incentivos a eventuais fraudes, como a que aconteceu no Banco Master. Como os concedidos a plataformas para venderem investimentos que têm por garantia o uso do FGC. Para Prates, que estuda lavagem de dinheiro há mais de 20 anos, é preciso ter cuidado para não criminalizar as fintechs, que permitiram a universalização dos serviços bancários e trouxeram competição ao setor. Porém, havia brechas que os malfeitores são especialistas em encontrar endash; e o importante é fechá-las. Os especialistas afirmam que, historicamente, sempre que as falhas na legislação são combatidas, outras brechas são encontradas pelos criminosos. Por isso, dizem, é importante fortalecer sistemas de controle, como Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que cuidam do mercado financeiro e de capitais, respectivamente, entre outras. Também desenvolver expertise em combate a fraudes no judiciário. eldquo;Vejo boa vontade em apurar e aplicar lei de forma rigorosa, mas não é possível depender de advogados dos lesados para as denúnciaserdquo;, diz Carnaúba. eldquo;É preciso ter um amplo movimento de treinamento no combate às fraudes, principalmente financeiras, na Justiça.erdquo; Além disso, dizem eles, não cabe apenas ao poder público combater fraudes e crimes. eldquo;Vimos fundos de pensão públicos investindo em CDBs do Banco Master que tinham zero governança, apesar de haver regras específicas da autoridade reguladora para issoerdquo;, diz Prates. Carnaúba, que atua em investigação de fraudes (conhecido no jargão como forensics), diz ser comum que os departamentos especializados em governança e compliance (conformidade com o cumprimento de regras) não tenham especialistas nessa área. É algo que dificilmente encontra demanda dentro das próprias empresas. eldquo;Os criminosos avançam no Brasil pela falta de governança e de expertise em contrainteligência no combate às fraudeserdquo;, afirma. eldquo;No fundo, o brasileiro é ingênuo.erdquo;

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Trump quer o petróleo venezuelano para conseguir controlar os preços internacionais do produto

O presidente americano Donald Trump não citou por acaso o setor de petróleo, ao comentar a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro no último sábado. Com a maior reserva de petróleo no mundo nas mãos, os Estados Unidos poderão ter forte influência - para não dizer algum tipo de controle - sobre os preços internacionais do produto. Hoje, os americanos já são os maiores produtores de petróleo do mundo, com uma produção de cerca de 13 milhões de barris por dia. Mas possuem apenas a 10ª maior reserva provada, com 48 bilhões de barris de estoque. Os venezuelanos, por sua vez, possuem a maior reserva, com cerca de 303 bilhões de barris, mas são apenas 20º produtor mundial, com menos de 1 milhão de barris por dia. No melhor momento, nos anos 90, os venezuelanos chegaram a produzir mais de 3 milhões de barris por dia. Ou seja, se a indústria venezuelana de petróleo se recuperar com os investimentos americanos, e operar de acordo com os seus interesses, os EUA terão um grande controle da oferta mundial do produto, o que também significa um controle indireto sobre sobre os preços. De acordo com Vitor Sousa, analista de petróleo da Genial Investimentos, em um cenário de recuperação da indústria petrolífera venezuelana, se os americanos entenderem que os preços do petróleo estão muito elevados, eles poderão rapidamente elevar a produção, com a ajuda da Venezuela, ampliando oferta e reduzindo pressões sobre os preços. E o contrário também pode acontecer. Caso os preços estejam muito baixos, afetando a rentabilidade do setor, ambos os países poderão atuar em conjunto - sempre sob os interesses americanos - reduzindo produção e oferta. Com os campos de petróleo de ambos os países nas mãos, o poder de controle dos americanos sobre os preços aumenta consideravelmente, e reduz, por outro lado, o poder de influência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A chance de isso acontecer, contudo, ainda é bastante incerta. Tirar Maduro do poder - e violar as leis internacionais com uma agressão sem precedentes na América do Sul - não significa controle direto sobre a Venezuela. Não está claro se a presidente interina Delcy Rodríguez vai cooperar com os americanos, se novas ações militares acontecerão no país ou se haverá, em um cenário mais extremo, o início de uma guerra civil que a oposição tente voltar ao poder. Qualquer que seja o desfecho, as ações de Trump têm como interesse o petróleo venezuelano, e não o discurso de combate ao narcotráfico e muito menos a defesa da democracia, já que ele próprio tem pouco apreço por esse tema. (Opinião por Alvaro Gribel)

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Opep+ decide manter produção de petróleo estável, apesar da turbulência na Venezuela

A Opep+ concordou em manter a produção estável de petróleo em sua reunião neste domingo (4), disse o grupo em um comunicado, apesar das tensões políticas entre dois dos principais membros do grupo, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, e da prisão, pelos EUA, do presidente da Venezuela, um produtor menor. A reunião de domingo entre oito membros da OPEP+, que produzem cerca de metade do petróleo mundial, ocorre após os preços do petróleo terem caído mais de 18% em 2025 emdash;a maior queda anual desde 2020emdash;, em meio a crescentes preocupações com o excesso de oferta. Os oito países endash;Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omãendash; aumentaram as metas de produção de petróleo em cerca de 2,9 milhões de barris por dia, de abril a dezembro de 2025, o que equivale a quase 3% da demanda mundial de petróleo. Em novembro, eles concordaram em suspender os aumentos de produção em janeiro, fevereiro e março. A breve reunião online deste domingo não discutiu a Venezuela, disse um delegado da Opep+, grupo que reúne os membros da Opep mais grandes produtores aliados, como o Brasil. Os oito países se reunirão novamente em 1º de fevereiro, segundo o comunicado. OPEP ENFRENTA INÚMERAS CRISES As tensões entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos aumentaram no mês passado devido a um conflito de uma década no Iémen, quando um grupo alinhado com os Emirados Árabes Unidos tomou território do governo apoiado pela Arábia Saudita. A crise desencadeou a maior cisão em décadas entre os antigos aliados, à medida que anos de divergência em questões cruciais chegaram a um ponto crítico. A Opep conseguiu, no passado, superar sérias divisões internas, como a relacionada à guerra Irã-Iraque, priorizando a gestão do mercado em detrimento de disputas políticas. No entanto, o grupo enfrenta diversas crises, com as exportações de petróleo da Rússia pressionadas pelas sanções americanas impostas devido à guerra na Ucrânia, e o Irã enfrentando protestos e ameaças de intervenção dos EUA. No sábado (3), os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e o presidente americano Donald Trump afirmou que Washington assumiria o controle do país até que uma transição para um novo governo fosse possível, sem especificar como isso seria realizado. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, maiores até mesmo que as da Arábia Saudita, líder da Opep, mas sua produção petrolífera despencou devido a anos de má gestão e sanções. Analistas afirmam que é improvável que haja um aumento significativo na produção de petróleo bruto por anos, mesmo que as grandes petrolíferas americanas invistam os bilhões de dólares prometidos por Trump no país.

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