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Petróleo da Venezuela desperta menos interesse do mercado na transição energética, diz análise

O petróleo da Venezuela deve ser um dos primeiros a serem abandonados pelo mercado de refino na transição energética, disse o sócio da Leggio, Marcus Dersquo;Elia, em análise exclusiva enviada ao estúdio eixos nesta quinta-feira (8/1). Confira a análise na íntegra. Isso porque o petróleo venezuelano é majoritariamente pesado e extra-pesado, com maior custo de extração e refinamento, além de originar uma gama menor de produtos e menor valor agregado. eldquo;Quando você fala de transição energética, você vai estar exigindo um volume menor de petróleo no mundo, então o petróleo que o refinador vai comprar, vai ser o com maior qualidade e menor custo de refinoerdquo;, disse Dersquo;Elia. Qualidade das reservas precisa ser levada em conta Apesar de Caracas repetir há anos que o país detém as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 300 bilhões de barris, não há confirmação independente do número. Com base em critérios técnicos e econômicos, a Rystad estima volumes muito menores: eldquo;4 bilhões de barris de reservas provadas e 23 bilhões de barris de reservas descobertaseldquo;. Além disso, atualmente, mais de 67% da produção é de petróleo pesado. Por isso, Dersquo;Elia defende que a questão das reservas é também associada à qualidade do petróleo extraído. eldquo;O petróleo que é produzido pela Venezuela hoje, que está presente nas principais reservas venezuelanas, é um petróleo de menor valor, é um petróleo que inclusive o mercado tem menor interesseerdquo;, afirmou o especialista.

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Lula sanciona projeto do devedor contumaz com veto a benefícios para bom contribuinte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quinta-feira (8) o projeto de lei do devedor contumaz, com punição a sonegadores que deixam de pagar tributos de forma reiterada e sem justificativa, mas vetou dispositivos que previam benefícios a bons contribuintes. Um dos itens vetados era o desconto de até 70% em multas e juros moratórios em caso de inadimplência para empresas com bom histórico de pagamento de tributos que adquiram dívidas, como parte do programa Sintonia (Programa de Estímulo à Conformidade Tributária). Na justificativa do veto, o governo afirma que a proposta vai de encontro à Lei de Responsabilidade Fiscal ao não prever uma limitação temporal de até cinco anos para o benefício. "A proposição legislativa contraria o interesse público, ao instituir benefícios que ampliariam o gasto tributário da União", diz trecho do texto publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (9). O presidente vetou ainda o prazo de até 120 meses para quitação de tributos, outro benefício previsto no âmbito do programa Sintonia. Segundo o governo, essa proposta também vai na direção contrária do que é determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A lei sancionada nesta quinta, que institui o Código de Defesa do Contribuinte, foi aprovada no fim do ano passado no Congresso, após pressão de membros do governo, entre eles o ministro Fernando Haddad (Fazenda). O texto define o devedor contumaz como pessoas jurídicas com uma dívida mínima de R$ 15 milhões correspondente a mais de 100% de seu patrimônio conhecido, que tenham inadimplência frequente e injustificada. A lei estabelece penalidades às empresas que se enquadram nesse perfil. Essas empresas poderão sofrer uma série de punições, como a suspensão imediata do CNPJ e a paralisação de suas atividades financeiras. Além disso, contribuintes que forem tidos como devedores contumazes terão seus dados divulgados no site da Receita Federal. "O Brasil finalmente se alinha às maiores economias do mundo, que há decadas abandonaram a lógica de autuar e multar automaticamente todos os contribuintes da mesma forma. É uma grande vitória para o Brasil no início de 2026, marcado por mudança definitiva da relação do fisco com os contribuintes", afirmou Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal, sobre a sanção do presidente. A proposta havia sido aprovada em setembro no Senado, após ter sua tramitação impulsionada devido à megaoperação Carbono Oculto, que mirou o envolvimento da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) com postos de gasolina e fintechs. O esquema movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Devido à Operação Carbono Oculto, o texto estabelece novas regras para evitar que empresas do setor de combustível sejam usadas pelo crime organizado para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Uma delas é a previsão de que a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) estabeleça um capital social mínimo para empresas no setor de combustíveis, que vai de R$ 1 milhão emdash;para as que trabalham com revendaemdash; até R$ 200 milhões para as companhias que atuam na produção.

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O que esperar para a inflação de 2026? IPCA desacelera, mas alimentos e serviços são focos de risco

Apesar de as previsões feitas por economistas e pelo mercado financeiro indicarem que a inflação continuará desacelerando em ritmo lento ao longo de 2026, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) não deve recuar este ano a ponto de atingir o centro da meta de 3%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O último Boletim Focus do Banco Central (BC) aponta que o mercado financeiro espera que o IPCA, a medida oficial de inflação, fique em 4,06% em 2026. E o próprio BC projeta inflação de 3,5% para este ano, conforme comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom). A perspectiva de retomada da alta de preços dos alimentos, fator primordial para que o IPCA de 2025 ficasse em 4,26% e abaixo do teto da meta (4,5%), será um dos focos de pressão inflacionária para 2026, concordam economistas ouvidos pelo Estadão. Além disso, a resistência dos preços de serviços, que continuaram a trajetória de alta ao longo de 2025 mesmo com o choque de juros, põe mais incerteza no quadro inflacionário para este ano. eldquo;Em 2026, poderemos ter uma inflação mais baixa, mas com uma inversão dos atores em relação a 2025erdquo;, prevê o economista André Braz, coordenador de índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). No ano passado, as cotações dos alimentos ajudaram a inflação, mas os preços monitorados e os preços dos serviços, não. Tanto é que esses dois últimos grupos encerraram 2025 acumulando variações acima do intervalo de tolerância da meta. As safras boas em 2025 tiveram mais responsabilidade em levar a inflação para dentro do intervalo de tolerância, do que a política monetária, na avaliação do economista da FGV. eldquo;Aí está a fragilidade para este anoerdquo;, ressalta. Safras Entre os fatores de risco que poderão levar a uma retomada de preços dos alimentos neste ano, ele aponta problemas climáticos, safras menores e a carne bovina ainda sofrendo os impactos do ciclo de baixa oferta da pecuária de corte. Segundo Braz, os preços do grupo alimentação devem voltar a subir um pouco este ano, mas não explodirão. eldquo;Não estou prevendo alta de 8% ao longo do ano, mas pode subir entre 3% e 4% em 2026, a depender das condições climáticas.erdquo; Flávio Serrano, economista-chefe do Bmg, também prevê para este ano uma reversão nos preços dos alimentos em relação a 2025. Para 2026, ele projeta alta de 4,5%. eldquo;Terá um uma subida boa, de três pontos porcentuais.erdquo; Outro ponto de risco para inflação deste ano, segundo Serrano, é o preço dos serviços. A inflação de serviços subiu de 4,70% em 2024 para perto de 6% em 2025 Essa aceleração, segundo o economista-chefe do Bmg, foi impulsionada pela demanda doméstica forte, mercado de trabalho apertado, transferências diretas do governo e o pagamento dos precatórios. Mas, com a desaceleração do ritmo de atividade esperada para 2026 por causa do juros básicos em 15%, a maior marca em 20 anos, a perspectiva é de que o mercado de trabalho arrefeça, o desemprego aumente e os preços dos serviços percam fôlego. Serrano espera que a inflação de serviços volte neste ano para o patamar de 2024, isto é, fique entre 4,% e 5%. eldquo;O cenário é de acomodação da inflação de serviços em função de uma acomodação do mercado de trabalho, mas o risco é não acomodarerdquo;, alerta o economista. Ele lembra que em boa parte de 2025 o mercado de trabalho surpreendeu com números fortes. eldquo;Acho mais fácil a inflação de serviços não desacelerar do que a inflação de alimentos acelerar muito este anoerdquo;, afirma Serrano, destacando a fragilidade do cenário inflacionário de 2026, diante dessas incertezas. Câmbio e eleições Já para a economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, a inflação de serviços deve responder com altas mais moderadas neste ano em razão da subida dos juros básicos nos últimos meses. eldquo;Com taxa de juros subindo, em algum momento o mercado de trabalho e a inflação de serviços vão ter que responder para baixo, a não ser que a gente tenha um evento catastróficoerdquo;, diz Marcela. O fator de risco maior para a inflação deste ano, na opinião da economista, é o preço dos alimentos. Além do clima, ela acrescenta o câmbio como um vetor que pode afetar as cotações das commodities agropecuárias e, por tabela, o preço da comida no prato do consumidor. eldquo;O câmbio pode trazer volatilidade para os preços e, no melhor dos mundos, não ajudar a inflação de alimentos, porque nesse ano certamente ajudouerdquo;, diz Marcela. Ela lembra que 2026 será um ano eleitoral e, portanto, com perspectiva de sobe e desce do dólar, de acordo com o cenário de risco político. Outro problema interno do País que pode pressionar o câmbio, apontado pela economista, é o desajuste das contas públicas. eldquo;Preços de alimentos e de bens industriais são muito dependentes de câmbio. Por isso, tenho um pouco de dúvida em relação ao comportamento desses preços para 2026erdquo;, diz Marcela. Preços administrados Quanto aos preços administrados pelo governo, que junto com os serviços respondem por 55% do IPCA, nas contas de Braz, da FGV, a perspectiva inicial é de que ajudem a inflação deste ano. Serrano, do Bmg, pondera que as tarifas de energia e combustíveis são sensíveis a fatores específicos. No ano passado, por exemplo, a expectativa inicial era de que a tarifa de energia elétrica subisse 4,5%, mas acabou aumentando 12%. Para 2026, Serrano diz que espera reajuste perto de 5% para a energia elétrica. eldquo;Reajustes menores e bandeiras verdes no final do ano devem ajudarerdquo;. Mas há um fator de risco: os reservatórios das hidrelétricas estão abaixo da média histórica, pondera. Quanto aos combustíveis, derivados de petróleo, a mudança geopolítica que o mercado da commodity está passando depois que os Estados Unidos invadiram Venezuela, dona da maior reserva petrolífera do mundo, pode afetar as cotações do diesel e da gasolina, a depender dos desdobramentos. Se o preço do petróleo mantiver e o câmbio também, Serrano acredita que a Petrobras poderá reduzir os preços da gasolina e, assim ajudar, a inflação deste ano.

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Preço do etanol sobe 0,22% e registra alta em 15 estados

O preço médio do etanol subiu 0,22% no dado mais recente divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo a agência, os preços médios do etanol subiram em 15 estados, caíram em quatro estados e no Distrito Federal e ficaram estáveis em seis estados. A elevação começou a ser sentida ainda em dezembro, quando o litro do etanol fechou, em média, a R$ 4,56, uma alta de 6,82% na comparação com dezembro de 2024. No acumulado, o etanol foi o combustível que mais encareceu em 2025, de acordo com dados da ValeCard. O preço médio subiu 4,92%, encerrando dezembro no maior patamar médio do período. A alta continuou nesta primeira semana de janeiro e, segundo especialistas, não está relacionada ao reajuste do ICMS, que entrou em vigor neste mês e atingiu a gasolina, o diesel e o gás de cozinha. O especialista em combustíveis, Vitor Sabag, explica que o aumento está ligado à sazonalidade do setor sucroenergético, com a entrada no período de entressafra da cana-de-açúcar. "Em dezembro, a gente teve o fim da safra no Centro-Sul do país, o que de certa forma diminui significativamente a oferta de etanol no mercado. De certa forma, o aumento na demanda no final do ano, causado pelos períodos de férias, ele também é um fator que ajuda a ter um aumento nos preços do combustível. Ainda mais em um momento que a gente tem esse descasamento de queda na oferta e aumento na demanda, o que, diante do racional econômico, leva a aumento nos preços." Em São Paulo, apesar do preço médio aparecer como estável, na faixa de R$ 4,19, a variação é grande. A CBN percorreu mais de dez postos de combustíveis entre as zonas oeste e central da capital e encontrou valores que chegam a R$ 4,89 o litro, principalmente em áreas nobres. Esse aumento já pesa no bolso de quem depende do carro para trabalhar. O motorista de aplicativo Ricardo Leite conta que tem buscado alternativas para abastecer mais barato. "Só estou pondo etanol, ultimamente, porque as vezes eu estou achando caro. Você não acha etanol hoje em dia por menos de 4 reais, poucos postos. A maioria está R$ 4,09, 4,19, 4,20. Ontem eu pus 4,49. No Pix, muitos dão um descontinho no Pix. Aí vale a pena, porque você paga no Pix, é 20 centavos. Esse posto aqui dá 30 centavos, quando paga no Pix." No Norte do país, estão os maiores preços do etanol. No Acre, o valor médio subiu para R$ 6,08. No Amazonas, o litro é vendido, em média, a R$ 5,49. No Centro-Oeste, o destaque é Goiás. Em Goiânia, nove postos de combustíveis foram autuados pelo Procon por aumento sem justificativa. Em alguns casos, o reajuste chegou a quase 50 centavos por litro, com preços de até R$ 5,57. Morador de Goiânia, Calvin Paixão diz que o aumento do etanol já impacta o orçamento mensal. "O aumento que teve impacta bastante, porque tem muitas coisas que a gente faz em Goiânia, eu por exemplo, demando utilizar bastante o carro. Então volta e meia eu tenho que estar abastecendo, e o aumento de R$ 4,30, que era o preço que foi praticamente durante o ano todo de 2025, com poucas oscilações, para R$ 5,25, R$ 5,30 em alguns postos, é complicado." Especialistas alertam ainda que a alta do etanol pode influenciar o preço da gasolina, já que o aumento do percentual de etanol anidro na mistura, para 30%, amplia a demanda pelo biocombustível.

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Motores flex a diesel e etanol começam a surgir: entenda como funcionam

Uma nova geração de motores flex que misturam diesel e etanol está começando a sair dos laboratórios e oficinas de testes para se aproximar do mercado, com potencial de transformar o transporte de cargas e o setor agrícola. Diferentemente dos motores flex tradicionais, que alternam entre gasolina e etanol em veículos com motor ciclo Otto, essa nova tecnologia visa adaptar o motor a diesel, que funciona por compressão, para operar com uma mistura que inclui o combustível vegetal. A inovação, apresentada pela Bosch em parceria com centros de pesquisa e montadoras brasileiras, utiliza uma proporção variável que pode atingir até 70% de substituição do diesel por etanol, e já está sendo testada em veículos comerciais leves e caminhões. Segundo a empresa, a solução permite manter o torque elevado característico dos motores a diesel, com uma expressiva redução de COe#8322;. Mistura química e ignição controlada Mas como é possível que dois combustíveis com propriedades tão diferentes convivam dentro do mesmo motor? eldquo;Os principais desafios técnicos estão nas diferenças de propriedades físico-químicas entre o diesel e o etanolerdquo;, explica Filipe Buscariolo, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. O etanol tem baixa inflamabilidade, alto calor de vaporização e número de cetano muito inferior ao do diesel, o que dificulta sua ignição em motores a compressão. Para contornar isso, a Bosch adotou o sistema chamado dual-fuel. Nele, uma pequena quantidade de diesel é injetada diretamente na câmara como eldquo;combustível pilotoerdquo;, iniciando a combustão. Em paralelo, o etanol é injetado no coletor de admissão ou diretamente na câmara, sendo inflamado pelo calor do diesel. eldquo;É como usar o diesel como uma vela [de ignição] líquidaerdquo;, resume Renato Romio, chefe da divisão de motores do Instituto Mauá de Tecnologia. Essa queima controlada permite que o motor funcione com alta proporção de etanol sem comprometer a eficiência nem exigir ignição por vela, como nos motores ciclo Otto. Motor diesel que queima etanol A adaptação de um motor diesel tradicional para esse tipo de operação exige uma série de modificações. eldquo;São necessários dois sistemas de injeção independentes, uma ECU [central eletrônica] reprogramada para controlar o tempo e a quantidade de cada combustível, e componentes compatíveis com o etanol, que é corrosivo e tem baixa lubricidadeerdquo;, detalha Buscariolo. O sistema da Bosch opera com injeção direta de alta pressão (até 200 bar), turbocompressor e sensores para monitorar temperatura e carga em tempo real. Também há um sistema auxiliar de aquecimento do etanol para garantir partidas a frio, algo crítico já que o etanol não vaporiza facilmente em temperaturas baixas. Embora a empresa trabalhe com uma proporção variável entre diesel e etanol (conforme o regime de carga), uma versão simplificada com mistura fixa de 50/50 também está em avaliação para aplicações específicas, como ônibus urbanos e veículos agrícolas. Ganhos ambientais e desafios mecânicos O maior benefício da tecnologia está na redução de emissões. Por ser um combustível renovável, o etanol pode reduzir as emissões de COe#8322; em até 70%, considerando o ciclo completo do combustível, do campo à roda. Além disso, por ser oxigenado e livre de enxofre, contribui para diminuir a emissão de material particulado, hidrocarbonetos não queimados e monóxido de carbono. eldquo;O etanol melhora a combustão e reduz a formação de fuligem. Isso pode ajudar inclusive a prolongar a vida útil de sistemas de pós-tratamento, como filtros de partículaserdquo;, comenta Romio. Mas há desafios. A baixa lubricidade do etanol pode causar desgaste prematuro em bicos injetores e bombas de alta pressão. O risco de diluição do óleo lubrificante também é uma preocupação, já que parte do etanol pode escorrer pelas paredes do cilindro e contaminar o óleo. eldquo;É fundamental usar materiais resistentes à corrosão, aditivos específicos e um sistema de gestão térmica eficazerdquo;, reforça Buscariolo. Uma ponte tecnológica Apesar das limitações, a tecnologia é promissora como solução intermediária para setores onde a eletrificação ainda é difícil, como o transporte rodoviário de longa distância, máquinas agrícolas e caminhões fora de estrada. eldquo;A eletrificação é muito cara e ainda tem barreiras técnicas em veículos pesados. O etanol, por outro lado, já está disponível, tem logística conhecida e pode ser usado com motores que o Brasil domina tecnologicamenteerdquo;, argumenta Romio. O país também possui vantagens competitivas únicas: é um dos maiores produtores de etanol do mundo, tem uma rede de distribuição consolidada e um histórico bem-sucedido no uso automotivo do biocombustível. Caminho complementar à eletrificação Para os especialistas, o uso do etanol em motores diesel não substitui a eletrificação, mas a complementa. Em regiões urbanas e veículos leves, motores elétricos tendem a dominar. Mas em longas distâncias, áreas remotas ou no agronegócio, a nova tecnologia eldquo;flexerdquo; com etanol pode representar uma solução prática, escalável e com retorno ambiental rápido. eldquo;A transição energética será múltipla. Etanol, eletricidade, biogás e até hidrogênio terão papéis diferentes. A vantagem do Brasil é poder escolher entre várias rotas e usar o que tem de melhorerdquo;, conclui Buscariolo. Com isso, a ideia de um eldquo;motor flex diesel-etanolerdquo; passa a fazer sentido não apenas como curiosidade de engenharia, mas como uma peça central no quebra-cabeça da descarbonização do transporte pesado, especialmente em um país diverso como o Brasil.

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Pesquisa indica resultados positivos do óleo de cozinha usado na produção de biodiesel

A produção de biodiesel a partir de óleo de cozinha usado é tema de um estudo realizado entre pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, Universidad Tecnológica del Uruguay (UTEC) e Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em Minas Gerais. O trabalho avaliou os custos de produção em uma biorrefinaria piloto com capacidade de 475 toneladas anuais e demonstrou que o reaproveitamento do óleo residual pode reduzir significativamente os custos do biodiesel. Nesse caso, a matéria-prima representou apenas 21% do custo total de produção, percentual inferior aos 78% observados quando se utilizam óleo de soja ou sebo bovino. eldquo;Além de contribuir para a sustentabilidade dos biocombustíveis no Brasil, os resultados indicam que pequenas biorrefinarias podem ser economicamente viáveis, especialmente quando integradas a sistemas locais de coleta de óleo usado, criando oportunidades para cooperativas e empresas públicas e privadaserdquo;, diz o estudo. A pesquisa completa foi publicada na Revista Agropampa, periódico científico coordenado por pesquisadores do Campus Dom Pedrito da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). A publicação, que completou dez anos em 2025, tem acesso gratuito neste link.

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