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Fim da 6x1: PEC da redução de jornada de trabalho vem com problema que põe em risco a produtividade

Vivemos um tempo de narrativas sedutoras. Uma delas diz que, quando as pessoas trabalham menos horas, a sua produtividade aumenta. Estaria aí a grande justificativa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n.º 8/2025, da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe a redução da jornada de trabalho semanal de 44 horas para 36 horas, e muda o regime de escala 6x1 para 4 dias de trabalho e 3 de descanso, com o mesmo salário. Trabalhar menos tem seu mérito, mas é viável? E a produtividade? Há várias décadas que a produtividade do trabalho cresce a uma taxa irrisória de 0,4% a 0,6% ao ano. Nos últimos 20 anos, ficou estagnada. Em 2024, cresceu apenas 0,1%. Num regime de 36 horas semanais, cálculos realistas indicam que, para as empresas e a economia manterem o desempenho atual, a produtividade do trabalho terá de passar para um novo patamar de 6,7% de forma imediata e permanente. Irrealista. Nesse campo, nada ocorre de repente. A produtividade depende de fatores de evolução lenta: a melhoria da qualificação dos trabalhadores, o aperfeiçoamento da administração das empresas, a sua modernização tecnológica etc. Nada disso surgirá da mera redução das horas trabalhadas. Será que a referida estagnação da produtividade afeta todas as empresas? É claro que não. Muitas são altamente produtivas porque operam com colaboradores bem qualificados, sob administração moderna e ancoradas em tecnologias que maximizam resultados. Assim se dá também com certos ramos e setores. Nessas condições, é viável trabalhar menos. E isso já ocorre. A jornada média praticada no Brasil é de 38,4 horas por semana. Mas esse resultado é alcançado por meio de negociações coletivas realizadas entre empregados e empregadores. Elas levam em conta as peculiaridades das empresas, trabalhadores, ramos e setores da economia do País. Essa prática já é garantida pela Constituição de 1988, que permite acertar jornadas semanais abaixo de 44 horas (art. 7.º, inciso XIII). Portanto, o problema da PEC n.º 8/2025 e de outras do mesmo tipo é o de promover uma redução de jornada de modo impositivo, sem levar em conta as diferenças apontadas. Conclusão: somos a favor de qualquer redução de jornada de trabalho, desde que negociada entre as partes e com base na realidade das empresas, dos trabalhadores, dos ramos e dos setores. Assim é no mundo inteiro. José Pastore - professor aposentado da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP) André Portela - professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

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Preço do diesel sob pressão

Com o novo repique no preço internacional do barril de petróleo na quinta (29), o preço do diesel vendido no Brasil às distribuidoras ampliou a defasagem em relação ao mercado externo. Segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a média do litro do diesel nos principais polos brasileiros está R$ 0,49 abaixo dos preços internacionais. Se considerados apenas os pontos de venda da Petrobras, a diferença é de R$ 0,50, o que equivale a 15% de diferença em relação às cotações globais. A defasagem vem sendo registrada há semanas e tem gerado no mercado uma expectativa de reajuste nos preços da Petrobras. A estatal aplicou uma redução na gasolina na terça (27), mas optou por manter o preço do diesel inalterado. A Petrobras afirma que evita repassar volatilidades externas aos preços internos. No entanto, desde o último reajuste do diesel emdash; em maio do ano passado emdash; houve importantes alterações no mercado global, assim como no câmbio. O ambiente de sobreoferta levou a cotação do petróleo a uma trajetória de queda desde 2025. Mas os preços têm sofrido variações, com forte influência dos movimentos geopolíticos, em meio ao ambiente de tensão em importantes produtores globais nas últimas semanas. Na quinta (29), o Brent encerrou o dia em alta de 3,29%, a US$ 69,59 o barril, reagindo ao aumento das pressões dos europeus e dos Estados Unidos contra o Irã. O presidente dos EUA Donald Trump ameaçou o Irã com uma resposta militar, caso as negociações por um acordo nuclear fracassem. Vale lembrar que o preço do barril e o câmbio não são as únicas métricas levadas em consideração pela Petrobras ao reajustar os combustíveis. Fatores como a competitividade e o market share também pesam na decisão. E qualquer mudança no combustível vai ter impactos no bolso do consumidor, que está atento à inflação no ano eleitoral. Variações no diesel tendem a ter um eldquo;efeito cascataerdquo; na economia brasileira, por causa da alta dependência do transporte rodoviário para a movimentação de bens pelo país. Segundo a ValeCard, o preço do diesel nos postos brasileiros já teve uma alta de 0,56% entre dezembro e janeiro deste ano. O maior aumento ocorreu no Nordeste. O levantamento considera transações realizadas entre 1º e 26 de janeiro em 25 mil postos credenciados em todo o país. É um reflexo do aumento do imposto estadual. As novas alíquotas de ICMS entraram em vigor em 1º de janeiro.

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Motta inclui MP que viabiliza programa Gás do Povo na pauta de segunda-feira (2) da Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos/PB), incluiu na pauta de votações da próxima segunda-feira (2/2) a Medida Provisória que viabiliza o programa Gás do Povo, iniciativa do governo federal de distribuição gratuita de botijões de gás de cozinha para 15 milhões de pessoas. A pauta da Câmara para a semana que vem foi publicada na manhã desta quinta-feira (29/1). Também está prevista para a segunda-feira a votação da MP que abre crédito extraordinário de R$ 83,5 milhões para o Ministério da Agricultura. Para a terça-feira (3/2), Motta colocou na pauta a votação de um projeto de criação de cargos nos Ministérios da Educação e da Gestão e Inovação. Conforme mostrou o Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, na quarta-feira (28/1), os líderes partidários decidiram deixar as votações da PEC da Segurança e do PL Antifacção para depois do carnaval. A Câmara está de recesso até domingo, dia 1º de fevereiro. Na segunda, está prevista a sessão do Congresso Nacional para a retomada dos trabalhos legislativos. (Estadão Conteúdo)

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Alta do petróleo faz defasagem do diesel subir a 15% e abre espaço para aumento, diz Abicom

A alta do preço do petróleo no mercado internacional puxou o preço do diesel para cima, aumentando a diferença em relação ao valor praticado nas refinarias brasileiras. Em média, o preço do diesel está 15% acima da paridade de importação (PPI) no país, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Para operar no mesmo patamar do mercado externo emdash; que vê aumentar o preço da commodity enquanto avançam as tensões no Oriente Médio emdash;, a Petrobras poderia aumentar o diesel em R$ 0,50 o litro e a Refinaria de Mataripe, na Bahia, em R$ 0,45 o litro. O último reajuste do diesel pela Petrobras aconteceu em maio do ano passado (269 dias), enquanto Mataripe aumentou o combustível e, R$ 0,05 o litro na quarta-feira da semana passada, mas não alterou os preços ontem (28/1). Já a gasolina, reajustada pela Petrobras nesta semana, registra diferença de apenas 3% na comparação com o mercado internacional, o mesmo patamar registrado por Mataripe. Após a queda de 5,2% do preço da gasolina no Brasil, anunciada pela Petrobras na segunda-feira (26/1), acionistas da estatal temem redução de receita e consequente queda nos dividendos, já que o preço alto da gasolina estava compensando a manutenção do preço mais baixo do diesel no mercado interno. (Estadão Conteúdo)

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Não é possível saber se RenovaBio está contribuindo com metas climáticas, diz TCU

As métricas utilizadas pelo governo brasileiro para certificar a produção de biocombustíveis no RenovaBio são insuficientes para medir a contribuição da política setorial em relação os compromissos do Acordo de Paris, concluiu na quarta (28/1) o Tribunal de Contas da União (TCU). O TCU realizou uma auditoria na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e no Ministério de Minas e Energia (MME) para avaliar o funcionamento do mercado de Créditos de Descarbonização (CBIOs). Os créditos são a parte material do RenovaBio, que define objetivos de descarbonização para distribuidores de combustíveis líquidos derivados de petróleo, com o objetivo de incentivar a produção de renováveis. As distribuidoras de combustíveis precisam adquirir CBIOs que são gerados pelas usinas certificadas para emissão. Cada crédito equivale a uma tonelada de carbono que deixou de ser emitida no ciclo de vida de produção desses biocombustíveis. Segundo o TCU, o problema é o indicador usado para medir os resultados, que não é suficiente para avaliar se os objetivos ambientais e climáticos estão sendo atingidos. eldquo;Não há dados suficientes para avaliar se o programa está realmente reduzindo as emissões de gases de efeito estufa (GEE) ou se está promovendo práticas mais sustentáveis na produção de biocombustíveiserdquo;, diz o parecer do relator, ministro Jorge Oliveira. Outra questão apontada pela auditoria no mercado de CBIOs, que em 2024 movimentou quase R$ 3,2 bilhões, são os preços instáveis e falta de regras claras para a atuação do governo, o que pode gerar insegurança e até processos judiciais. Mesmo com esses problemas, o TCU enfatizou que os créditos ajudaram a transferir recursos do setor de combustíveis fósseis para o setor de biocombustíveis, incentivando investimentos e aumentando a competitividade. O tribunal recomendou ao MME a criação de indicadores e metas específicas para medir os resultados ambientais e climáticos do RenovaBio. Já para a ANP, que regula o mercado de CBIOs, a recomendação foi o desenvolvimento de novos mecanismos para incentivar práticas mais sustentáveis e punir quem não segue as regras. O TCU sugeriu, ainda, que o governo trabalhe com outros órgãos, como o Banco Central e o Cade, para melhorar a regulação do mercado e evitar problemas como a volatilidade dos preços.

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Déficit sobe a R$ 61,7 bi em 2025, e meta fiscal é cumprida com despesas fora da conta

As contas do governo central tiveram um déficit de R$ 61,7 bilhões em 2025, terceiro ano da atual gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (29). O resultado é pior do que o saldo negativo de R$ 42,9 bilhões observado em 2024, mas ainda indica o cumprimento da meta fiscal traçada pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda), graças a valores retirados da conta. O alvo era obter um saldo zero, com margem de tolerância até déficit de R$ 31 bilhões. No entanto, parte dos gastos com sentenças judiciais e ações de saúde, educação e defesa nacional e as devoluções de descontos indevidos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ficam fora da meta fiscal. Para efeitos da regra, portanto, o resultado ficou negativo em R$ 13 bilhões emdash;daí o cumprimento da meta dentro da margem de tolerância. As contas do governo central incluem Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social. "Considero o resultado do ano muito satisfatório, com todos os desafios apresentados", disse o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, em entrevista coletiva. Segundo ele, não houve uma piora das contas, dado que os resultados de 2024 ficaram menos negativos porque o pagamento de parte das sentenças judiciais foi antecipado para 2023. Ele também argumentou que o saldo que conta para a meta fiscal de 2025 ficou muito próximo do observado no ano anterior, que foi um déficit de R$ 11 bilhões. A exclusão de gastos das regras fiscais tem sido criticada por economistas, para quem a meta deixa de representar um parâmetro fidedigno da trajetória das contas públicas. Afinal, o resultado efetivo é o que dita a tendência da dívida bruta do país, um importante indicador observado pelos investidores. Ceron, porém, criticou o que ele classificou de "tentativa de desqualificar o processo de recuperação fiscal". "O ideal seria ter um limite sem tantas exceções, mas as exceções foram sendo criadas, e temos que cumprir", disse o secretário. "Mesmo com as exceções, a dinâmica do crescimento da despesa, considerando o histórico do Brasil, está de ótimo tamanho", acrescentou. Para ele, não há perda de credibilidade das regras. Projeções do próprio Tesouro Nacional mostram que, mesmo com o cumprimento da meta fiscal nos próximos anos, a dívida bruta do governo geral continuará subindo até alcançar 88,6% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2032, quase 10 pontos a mais do que os 79,3% do PIB estimados para 2025. A trajetória é influenciada pelas exceções e também pelo custo de financiamento da dívida, com juros elevados. Segundo o órgão, o total de despesas fora da meta fiscal ficou em R$ 48,7 bilhões em 2025. O valor inclui R$ 41,15 bilhões em precatórios excluídos da regra por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), R$ 2,8 bilhões em desembolsos para ressarcir aposentados do INSS, R$ 2,5 bilhões em gastos em defesa nacional e R$ 2,2 bilhões em despesas temporárias de saúde e educação. No último caso, as despesas foram excluídas após o Congresso Nacional aprovar uma mudança na legislação. Já em relação aos gastos em defesa nacional, a medida foi defendida pelo próprio Poder Executivo. Ao todo, o déficit foi equivalente a 0,48% do PIB, número que já havia sido antecipado por Haddad. As despesas fora da meta representaram 0,38% do PIB, enquanto o resultado que conta para o alvo ficou negativo em 0,10% do PIB. Neste ano, o volume total de gastos fora da meta deve ser ainda maior e ficar em torno de R$ 62 bilhões, sendo a maior parte de sentenças judiciais. Com tantas exclusões, a despesa total do governo também acaba crescendo acima do limite do próprio arcabouço fiscal. Em 2025, o gasto total do governo subiu 3,4% acima da inflação, segundo o Tesouro, enquanto o teto seria de 2,5%. Não houve violação à regra, a diferença se dá justamente porque há ações fora do alcance do limite. Uma das despesas que mais cresceram foi a complementação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), com alta de 19,7% acima da inflação em relação a 2024. O valor ficou em R$ 60,7 bilhões. Em 2020, o Congresso aprovou uma emenda constitucional que prevê o aumento gradual desses repasses, feitos a estados e municípios fora dos limites do arcabouço. Outro gasto que pressionou as contas, agora dentro dos limites, foi o BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. O desembolso somou R$ 129 bilhões, alta real de 9,1% em relação a 2024. O crescimento do BPC está no radar da equipe econômica como um ponto de atenção. O Executivo tentou, no fim de 2024, apertar as regras do programa, mas apenas parte das medidas foram aprovadas pelo Congresso. O governo tem apostado na revisão desses benefícios para tentar controlar sua trajetória de expansão. Segundo Ceron, o aumento do BPC ainda foi significativo, embora em ritmo inferior ao que vinha prevalecendo nos últimos anos, o que demanda atenção. "Alta de 9% é sustentável? Não, precisa ter acomodação", disse. Também aumentaram os gastos com pessoal, para R$ 407,9 bilhões (alta real de 4,3%), e com benefícios previdenciários, que alcançaram R$ 1,04 trilhão (alta real de 4,1%). Do lado das receitas, o governo conseguiu reforçar o caixa com o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que rendeu R$ 87,5 bilhões no ano passado, aumento real de 21,3%. A arrecadação com royalties e participações de petróleo também gerou um incremento importante, de 11,7% acima da inflação. Ao todo, essa receita gerou R$ 141,4 bilhões para o governo. Outros tributos também exibiram melhora ao longo de 2025. Ao todo, a receita líquida do governo subiu 2,8% em termos reais, demonstrando um vigor menor do que na passagem de 2023 para 2024, quando o aumento foi de 8,9% acima da inflação.

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