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Vendas no varejo do Brasil desaceleram em 2025, indica IBGE

As vendas no varejo no Brasil encerraram 2025 com alta acumulada de 1,6%, forte desaceleração em relação ao ano anterior, e tiveram em dezembro a maior queda do ano diante da antecipação das compras de Natal com a Black Friday. No último mês do ano, as vendas apresentaram retração de 0,4% na comparação com novembro, interrompendo dois meses de ganhos, segundo os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (13). O levantamento mostra ainda que, na comparação com dezembro de 2024, as vendas apresentaram alta de 2,3%. O resultado do acumulado de 2025 ficou bem abaixo do aumento excepcional de 4,1% visto em 2024, voltando aos níveis dos anos anteriores. No quarto trimestre, o setor encerrou com alta de 1% sobre os três meses anteriores, após queda de 0,3% no terceiro. "O que dá para dizer é que em 2025 muita gente aproveitou as promoções da Black Friday e antecipou as compras de Natal, por isso um resultado menor em dezembro", disse o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, à Reuters. Em novembro, as vendas aumentaram 1%. Para Daniel Sakamoto, gerente da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), a tendência está relacionada à mudança de comportamento da Black Friday. "O que era um dia de vendas com desconto se tornou um mês todo de promoção, e o brasileiro se organiza e se prepara para aproveitar", diz. A política monetária restritiva pesou sobre a economia no ano passado, embora o mercado de trabalho forte e a renda em alta tenham ajudado o desempenho das vendas varejistas. Ainda assim, os resultados do setor foram fracos durante a maior parte de 2025, com seis quedas mensais. Daniel acredita que a desaceleração representa a normalização de um crescimento muito alto em 2024. "Isso faz com que a base comparativa seja alta e dificilmente o ano de 2025 conseguiria acompanhar." Segmentos mais sensíveis ao crédito, como veículos, móveis e eletrodomésticos, sentem mais os efeitos da taxa Selic elevada. No mês passado, o Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros em 15%, mas indicou o início de um ciclo de cortes em março. Thiago Carvalho, assessor econômico da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), acredita que a Selic deve continuar segurando o varejo neste ano. "Há uma perspectiva de queda na taxa, mas tem uma defasagem até ela ser sentida pelo mercado de crédito e pelos consumidores, e mesmo com a redução projetada, 12,5% ainda é um juro elevado", afirma. Para Santos, o crescimento de 2025 foi razoavelmente distribuído, "puxado pela farmacêutica (4,5%), por móveis e eletrodomésticos (4,5%), e equipamentos para escritório, informática e comunicação (4,1%), sendo este último segmento fortemente influenciado pela forte desvalorização do dólar frente ao real, que ajudou nas vendas de produtos eletrônicos importados, como celulares e laptops". Em dezembro, entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, seis tiveram resultados negativos na comparação com novembro, com destaque para artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-5,1%), livros, jornais, revistas e papelaria (-2%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,8%). As altas vieram de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (6,0%) e combustíveis e lubrificantes (0,3%). "O dado confirma perda de fôlego ao fim de 2025. Segmentos ligados a bens duráveis e discricionários mostraram maior volatilidade, enquanto parte do consumo essencial perdeu tração na margem, o que pode sinalizar um ambiente de demanda mais contido na virada para 2026", avaliou Leonardo Costa, economista do ASA. No comércio varejista ampliado, que inclui os setores de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, houve recuo de 1,2% nas vendas em dezembro sobre o mês anterior. No acumulado de 2025, o varejo ampliado fechou com ganho de 0,1%, depois de expansão de 3,7% em 2024. "Isso se deve às perdas de setores importantes, como de revenda de veículos, motos, partes e peças e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, que teve queda na distribuição de cereais e leguminosas, produtos ofertados normalmente nos Ceasas", afirmou Santos. Para 2026, Daniel Sakamoto acredita que haverá maior digitalização e uso da inteligência artificial entre os varejistas. "Vale destacar que é ano de Copa do Mundo e Eleições, isso gera uma movimentação atípica em alguns segmentos", diz. O assessor da Fecomercio aponta, porém, que há alguns pontos positivos, como a isenção do Imposto de Renda, que pode aumentar o consumo. (Reuters)

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Com pico do petróleo em 2032, governo coloca planos de expansão de energia em consulta

O Ministério de Minas e Energia (MME) lançou nesta quinta (12/2) as consultas públicas do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035) e do Plano Nacional de Energia (PNE 2055), com pico de produção de petróleo previsto para 2032. Os documentos chegam em meio à elaboração pelo governo federal de diretrizes para o mapa do caminho para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. A expectativa é que a proposta fosse apresentada até 8 de fevereiro. Na semana passada, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) publicou uma nota informando que o documento está em fase final e sua divulgação ocorrerá após deliberação pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A primeira reunião do colegiado em 2026 chegou a ser marcada para esta quinta (12/2), mas foi cancelada. Ainda não há previsão de data e nem de que o mapa do caminho entre na pauta. Elaborados em parceria com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o PDE e o PNE são instrumentos de planejamento, indicando as necessidades energéticas nos horizontes decenal e de longo prazo. No PDE 2035, o governo estima uma expansão de 100 GW no sistema elétrico, que alcança 359 GW no período. Isso deve demandar 29 mil km de linhas de transmissão e 6 GW para baterias emdash; projeção mais ambiciosa para o armazenamento de energia que a do Plano Clima. No setor de transportes, MME e EPE estimam que o mercado de etanol pode chegar a 50 bilhões de litros e o de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, em inglês) a 2,8 bilhões de litros. R$ 2 tri na expansão da matriz elétrica Com seis cenários de longo prazo para a matriz brasileira, o PNE 2055 projeta que a demanda de energia pode ser até duas vezes maior que em 2025, com crescimento em todos os setores, especialmente o de transportes. No geral, o consumo de eletricidade pode crescer até 4,2 vezes no período, mas é possível alcançar até 99% de renováveis no setor, mostra um dos cenários. Um mercado que deve impactar essa demanda é o de data centers, cujo consumo é estimado em até 300 TWh. Para atender este cenário, R$ 2 trilhões em investimentos serão necessários na expansão da matriz, dos quais R$ 600 bilhões serão para triplicar a infraestrutura de transmissão.

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PL 1482: passo decisivo para acabar com o crime de roubo de cargas de combustíveis e lubrificantes

A escalada dos roubos de combustíveis nas hidrovias da região amazônica do País não é um fenômeno isolado, mas o resultado de uma combinação perigosa entre fatores climáticos, fragilidades estruturais e brechas legais. A crise hídrica que se intensificou a partir de 2023 estreitou canais de navegação na Amazônia, obrigando embarcações a transitar por trechos mais lentos e previsíveis. Esse verdadeiro eldquo;efeito quebra-molaserdquo; criou condições ideais para ações rápidas e planejadas de pirataria fluvial, elevando de forma significativa o risco de furtos e roubos, comprometendo o abastecimento regional e criando risco adicional ambiental. Nesse contexto, a aprovação do Projeto de Lei 1.482 pela Câmara representa um avanço concreto e necessário. O texto ampliou de forma decisiva o escopo da legislação ao tipificar crimes como furto, roubo, descaminho e receptação, passando a abranger todos os modais logísticos emdash; rodoviário, ferroviário, dutoviário e aquaviário. Um ponto central foi a inclusão explícita de combustíveis e lubrificantes a granel, corrigindo lacunas históricas que dificultavam o enfrentamento e a repressão. Ao também enquadrar esses delitos como crimes contra a ordem econômica, o projeto fortalece a atuação do Estado e reduz a margem de interpretação que, na prática, favorecia o crime organizado. A pirataria fluvial é uma prática recorrente em trechos da Amazônia, especialmente nos Estados do Amazonas, Pará e Rondônia, onde há longas extensões sem cobertura adequada de segurança. Em 2024, a adoção da segurança embarcada emdash; modelo apoiado pelo Instituto Combustível Legal emdash; demonstrou que é possível mudar esse cenário: não houve roubos consumados, apenas tentativas frustradas. O resultado comprovou a eficácia da estratégia para proteger cargas essenciais e garantir o abastecimento de comunidades inteiras. No entanto, em 2025, a reação do crime organizado foi clara: grupos organizados passaram a operar com armamento mais pesado, melhor planejamento e foco em áreas descobertas. Das 11 tentativas registradas, cinco tiveram sucesso, resultando no roubo de cerca de 1,2 milhão de litros. Esse retrocesso está diretamente ligado à redução de investimentos federais e à desarticulação do sistema integrado de segurança. O enfraquecimento de bases estratégicas, como as chamadas bases eldquo;arpãoerdquo;, e a falta de coordenação entre União, estados e forças de segurança criaram brechas exploradas rapidamente pelas quadrilhas. O combustível roubado não fica restrito a pequenos desvios: ele alimenta mercados paralelos e clandestinos em regiões ribeirinhas, sustenta atividades como mineração ilegal, exploração madeireira e geração irregular de energia, além de financiar outras cadeias criminosas. Há registros, inclusive, de uso desse combustível na logística do narcotráfico, por vias fluviais e aéreas, e até de ocultação de drogas dentro do próprio produto transportado nas embarcações para burlar a fiscalização. O problema se estende ainda mais sobre a logística de transporte por dutos e ferrovias, presentes nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde os roubos exigem estruturas sofisticadas, investimento em tancagens e acesso a informações operacionais e, muitas vezes, corrupção. No caso do modal ferroviário, além de combustíveis, o desvio recorrente de grãos como soja e milho afeta diretamente a cadeia de biocombustíveis. Soma-se a isso um risco ambiental elevado: vazamentos na proximidade de mananciais e em hidrovias amazônicas podem provocar desastres de grandes proporções, com repercussão internacional. Um episódio dessa natureza após a COP-30 teria impactos severos para a imagem do Brasil. Por isso, o cerne do PL 1.482 está em atacar o coração do problema: a baixa penalização e, sobretudo, a receptação. Enquanto quem compra combustível roubado não for efetivamente punido, o crime seguirá sendo de eldquo;baixo risco e alta recompensaerdquo;. Todo furto e roubo é ganho total e margem cheia emdash; não há custo do produto nem recolhimento de tributos. Uma lei dura, abrangente e aplicada de forma coordenada é essencial para desestimular essa lógica perversa. O PL 1.482 não trata apenas de segurança pública; ele é fundamental para garantir abastecimento, proteger o meio ambiente, preservar a arrecadação e assegurar a concorrência leal. Sem esse marco legal, o crime organizado continuará explorando brechas com retorno elevado e risco mínimo emdash; algo que o País não pode mais aceitar. Por Carlo Faccio - diretor do Instituto Combustível Legal (ICL)

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Petróleo fecha em queda após progresso de negociações entre EUA e Irã

O petróleo fechou em queda nesta terça-feira, 17, em meio a sinais de redução nas tensões entre Estados Unidos e Irã, após comentários do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, nesta manhã. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para março fechou em baixa de 0,89% (US$ 0,56), a US$ 62,33 o barril. Já o Brent para abril recuou 1,79% (US$ 1,23), a US$ 67,42 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). O petróleo operava em alta no começo do dia, mas logo inverteu sinal e passou a amargar perdas de pelo menos 1% após Araghchi afirmar que a segunda rodada de negociações indiretas com os EUA em Genebra foi marcada por eldquo;conversas sérias e construtivaserdquo;, representando avanço em relação ao encontro anterior. Segundo o ministro, as partes conseguiram eldquo;chegar a um acordo geral sobre alguns princípios orientadoreserdquo;, que servirão de base para a elaboração do texto de um possível entendimento. Em paralelo, houve relatos de que partes do Estreito de Ormuz foram fechadas por várias horas nesta terça-feira devido a precauções de segurança. Para Scott Shelton, da TP ICAP, o fechamento do estreito, contudo, foi apenas um lembrete dos eldquo;riscoserdquo; caso os EUA ataquem, sendo o efeito líquido sobre o fornecimento de petróleo basicamente nulo. O ING ainda relembra que a liquidez reduzida devido aos feriados do Ano Novo Lunar limita nesta semana movimentos de preços mais amplos das commodities. Na Europa, acontecem também negociações trilaterais entre Ucrânia, EUA e Rússia em Genebra. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ontem que relatórios da inteligência do país indicam que Moscou está preparando novos ataques massivos à infraestrutura energética do país. *Com informações da Dow Jones Newswires (Estadão Conteúdo)

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Custo para encher tanque chega a R$ 354 com gasolina e R$ 262 com etanol

Quem pretende viajar de carro deve preparar o bolso para os gastos com combustível. Levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) indica que encher um tanque médio de 55 litros com gasolina custará cerca de R$ 354,75, enquanto o abastecimento com etanol ficará em torno de R$ 262,35. O cálculo considera o preço médio nacional dos combustíveis registrados nos postos. A gasolina está sendo vendida, em média, a R$ 6,45 por litro emdash; valor 0,62% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Já o etanol, com preço médio de R$ 4,77 por litro, acumula alta de 5,76% na comparação anual. Apesar do aumento no preço do biocombustível, especialistas apontam que a escolha entre etanol e gasolina deve levar em conta não apenas o custo imediato. eldquo;Neste carnaval, com o preço do etanol em alta, a gasolina se apresenta como uma alternativa mais interessante financeiramente para quem for completar o tanque, atraindo os motoristas em busca de economia. Entretanto, é sempre importante lembrar que o etanol traz mais vantagens ambientais, emitindo menos poluentes na atmosfera, contribuindo para uma mobilidade de baixo carbonoerdquo;, afirma Renato Mascarenhas, diretor de Rede Abastecimento da Edenred Mobilidade. Movimento nas estradas A expectativa é de aumento significativo no fluxo de veículos durante o feriado de carnaval. Segundo enquete realizada pela Edenred, 41% dos participantes pretendem pegar a estrada no Carnaval. Entre os viajantes, 18% planejam percorrer mais de 200 quilômetros, 12% devem rodar entre 100 e 200 quilômetros, e 11% pretendem fazer trajetos de até 100 quilômetros. O custo também pesa para o transporte rodoviário de cargas. Caminhoneiros devem desembolsar, em média, R$ 3.364,20 para encher um tanque padrão de 540 litros com diesel comum, considerando preço médio de R$ 6,23 por litro emdash; queda de 4,45% em relação ao mesmo período de 2025. Já o diesel S-10, com valor médio de R$ 6,26 por litro (recuo de 5,15% na comparação anual), deve gerar um gasto aproximado de R$ 3.380,40 para completar o tanque de caminhões do mesmo porte.

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Resolução da ANP atualiza capital social mínimo de agentes econômicos do abastecimento

A Diretoria da ANP aprovou hoje (13/2) resolução que altera normativos anteriores (Resoluções ANP nº 937, 938, 941, 942, 943, 950 e 957, todas de 5 de outubro de 2023), atualizando-os em relação ao o valor do capital social mínimo integralizado, para as seguintes atividades: transportador-revendedor-retalhista (TRR); distribuição de combustíveis; distribuição de GLP (gás de cozinha); distribuição de solventes; produção de óleo lubrificante acabado (OLAC); coleta e rerrefino de óleo lubrificante usado ou contaminado (OLUC). As atualizações monetárias do valor do capital social mínimo integralizado visam recompor a proporcionalidade das exigências, de acordo com os objetivos das resoluções relativas a essas atividades. A nova resolução prevê ainda a atualização monetária anual do capital social mínimo integralizado. O valor do capital social mínimo integralizado, comprovado por meio da apresentação da Certidão da Junta Comercial, é um dos requisitos para a concessão de autorização da ANP para o exercício de algumas atividades reguladas pela Agência O capital social integralizado representa a saúde financeira da empresa ou a sua capacidade de arcar com os riscos do negócio. Essas atividades reguladas envolvem o armazenamento, o transporte e a comercialização de produtos inflamáveis e de grande potencial de contaminação, porém essenciais para e economia do País.

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