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Preço do etanol sobe 0,22% e registra alta em 15 estados

O preço médio do etanol subiu 0,22% no dado mais recente divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo a agência, os preços médios do etanol subiram em 15 estados, caíram em quatro estados e no Distrito Federal e ficaram estáveis em seis estados. A elevação começou a ser sentida ainda em dezembro, quando o litro do etanol fechou, em média, a R$ 4,56, uma alta de 6,82% na comparação com dezembro de 2024. No acumulado, o etanol foi o combustível que mais encareceu em 2025, de acordo com dados da ValeCard. O preço médio subiu 4,92%, encerrando dezembro no maior patamar médio do período. A alta continuou nesta primeira semana de janeiro e, segundo especialistas, não está relacionada ao reajuste do ICMS, que entrou em vigor neste mês e atingiu a gasolina, o diesel e o gás de cozinha. O especialista em combustíveis, Vitor Sabag, explica que o aumento está ligado à sazonalidade do setor sucroenergético, com a entrada no período de entressafra da cana-de-açúcar. "Em dezembro, a gente teve o fim da safra no Centro-Sul do país, o que de certa forma diminui significativamente a oferta de etanol no mercado. De certa forma, o aumento na demanda no final do ano, causado pelos períodos de férias, ele também é um fator que ajuda a ter um aumento nos preços do combustível. Ainda mais em um momento que a gente tem esse descasamento de queda na oferta e aumento na demanda, o que, diante do racional econômico, leva a aumento nos preços." Em São Paulo, apesar do preço médio aparecer como estável, na faixa de R$ 4,19, a variação é grande. A CBN percorreu mais de dez postos de combustíveis entre as zonas oeste e central da capital e encontrou valores que chegam a R$ 4,89 o litro, principalmente em áreas nobres. Esse aumento já pesa no bolso de quem depende do carro para trabalhar. O motorista de aplicativo Ricardo Leite conta que tem buscado alternativas para abastecer mais barato. "Só estou pondo etanol, ultimamente, porque as vezes eu estou achando caro. Você não acha etanol hoje em dia por menos de 4 reais, poucos postos. A maioria está R$ 4,09, 4,19, 4,20. Ontem eu pus 4,49. No Pix, muitos dão um descontinho no Pix. Aí vale a pena, porque você paga no Pix, é 20 centavos. Esse posto aqui dá 30 centavos, quando paga no Pix." No Norte do país, estão os maiores preços do etanol. No Acre, o valor médio subiu para R$ 6,08. No Amazonas, o litro é vendido, em média, a R$ 5,49. No Centro-Oeste, o destaque é Goiás. Em Goiânia, nove postos de combustíveis foram autuados pelo Procon por aumento sem justificativa. Em alguns casos, o reajuste chegou a quase 50 centavos por litro, com preços de até R$ 5,57. Morador de Goiânia, Calvin Paixão diz que o aumento do etanol já impacta o orçamento mensal. "O aumento que teve impacta bastante, porque tem muitas coisas que a gente faz em Goiânia, eu por exemplo, demando utilizar bastante o carro. Então volta e meia eu tenho que estar abastecendo, e o aumento de R$ 4,30, que era o preço que foi praticamente durante o ano todo de 2025, com poucas oscilações, para R$ 5,25, R$ 5,30 em alguns postos, é complicado." Especialistas alertam ainda que a alta do etanol pode influenciar o preço da gasolina, já que o aumento do percentual de etanol anidro na mistura, para 30%, amplia a demanda pelo biocombustível.

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Motores flex a diesel e etanol começam a surgir: entenda como funcionam

Uma nova geração de motores flex que misturam diesel e etanol está começando a sair dos laboratórios e oficinas de testes para se aproximar do mercado, com potencial de transformar o transporte de cargas e o setor agrícola. Diferentemente dos motores flex tradicionais, que alternam entre gasolina e etanol em veículos com motor ciclo Otto, essa nova tecnologia visa adaptar o motor a diesel, que funciona por compressão, para operar com uma mistura que inclui o combustível vegetal. A inovação, apresentada pela Bosch em parceria com centros de pesquisa e montadoras brasileiras, utiliza uma proporção variável que pode atingir até 70% de substituição do diesel por etanol, e já está sendo testada em veículos comerciais leves e caminhões. Segundo a empresa, a solução permite manter o torque elevado característico dos motores a diesel, com uma expressiva redução de COe#8322;. Mistura química e ignição controlada Mas como é possível que dois combustíveis com propriedades tão diferentes convivam dentro do mesmo motor? eldquo;Os principais desafios técnicos estão nas diferenças de propriedades físico-químicas entre o diesel e o etanolerdquo;, explica Filipe Buscariolo, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. O etanol tem baixa inflamabilidade, alto calor de vaporização e número de cetano muito inferior ao do diesel, o que dificulta sua ignição em motores a compressão. Para contornar isso, a Bosch adotou o sistema chamado dual-fuel. Nele, uma pequena quantidade de diesel é injetada diretamente na câmara como eldquo;combustível pilotoerdquo;, iniciando a combustão. Em paralelo, o etanol é injetado no coletor de admissão ou diretamente na câmara, sendo inflamado pelo calor do diesel. eldquo;É como usar o diesel como uma vela [de ignição] líquidaerdquo;, resume Renato Romio, chefe da divisão de motores do Instituto Mauá de Tecnologia. Essa queima controlada permite que o motor funcione com alta proporção de etanol sem comprometer a eficiência nem exigir ignição por vela, como nos motores ciclo Otto. Motor diesel que queima etanol A adaptação de um motor diesel tradicional para esse tipo de operação exige uma série de modificações. eldquo;São necessários dois sistemas de injeção independentes, uma ECU [central eletrônica] reprogramada para controlar o tempo e a quantidade de cada combustível, e componentes compatíveis com o etanol, que é corrosivo e tem baixa lubricidadeerdquo;, detalha Buscariolo. O sistema da Bosch opera com injeção direta de alta pressão (até 200 bar), turbocompressor e sensores para monitorar temperatura e carga em tempo real. Também há um sistema auxiliar de aquecimento do etanol para garantir partidas a frio, algo crítico já que o etanol não vaporiza facilmente em temperaturas baixas. Embora a empresa trabalhe com uma proporção variável entre diesel e etanol (conforme o regime de carga), uma versão simplificada com mistura fixa de 50/50 também está em avaliação para aplicações específicas, como ônibus urbanos e veículos agrícolas. Ganhos ambientais e desafios mecânicos O maior benefício da tecnologia está na redução de emissões. Por ser um combustível renovável, o etanol pode reduzir as emissões de COe#8322; em até 70%, considerando o ciclo completo do combustível, do campo à roda. Além disso, por ser oxigenado e livre de enxofre, contribui para diminuir a emissão de material particulado, hidrocarbonetos não queimados e monóxido de carbono. eldquo;O etanol melhora a combustão e reduz a formação de fuligem. Isso pode ajudar inclusive a prolongar a vida útil de sistemas de pós-tratamento, como filtros de partículaserdquo;, comenta Romio. Mas há desafios. A baixa lubricidade do etanol pode causar desgaste prematuro em bicos injetores e bombas de alta pressão. O risco de diluição do óleo lubrificante também é uma preocupação, já que parte do etanol pode escorrer pelas paredes do cilindro e contaminar o óleo. eldquo;É fundamental usar materiais resistentes à corrosão, aditivos específicos e um sistema de gestão térmica eficazerdquo;, reforça Buscariolo. Uma ponte tecnológica Apesar das limitações, a tecnologia é promissora como solução intermediária para setores onde a eletrificação ainda é difícil, como o transporte rodoviário de longa distância, máquinas agrícolas e caminhões fora de estrada. eldquo;A eletrificação é muito cara e ainda tem barreiras técnicas em veículos pesados. O etanol, por outro lado, já está disponível, tem logística conhecida e pode ser usado com motores que o Brasil domina tecnologicamenteerdquo;, argumenta Romio. O país também possui vantagens competitivas únicas: é um dos maiores produtores de etanol do mundo, tem uma rede de distribuição consolidada e um histórico bem-sucedido no uso automotivo do biocombustível. Caminho complementar à eletrificação Para os especialistas, o uso do etanol em motores diesel não substitui a eletrificação, mas a complementa. Em regiões urbanas e veículos leves, motores elétricos tendem a dominar. Mas em longas distâncias, áreas remotas ou no agronegócio, a nova tecnologia eldquo;flexerdquo; com etanol pode representar uma solução prática, escalável e com retorno ambiental rápido. eldquo;A transição energética será múltipla. Etanol, eletricidade, biogás e até hidrogênio terão papéis diferentes. A vantagem do Brasil é poder escolher entre várias rotas e usar o que tem de melhorerdquo;, conclui Buscariolo. Com isso, a ideia de um eldquo;motor flex diesel-etanolerdquo; passa a fazer sentido não apenas como curiosidade de engenharia, mas como uma peça central no quebra-cabeça da descarbonização do transporte pesado, especialmente em um país diverso como o Brasil.

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Pesquisa indica resultados positivos do óleo de cozinha usado na produção de biodiesel

A produção de biodiesel a partir de óleo de cozinha usado é tema de um estudo realizado entre pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, Universidad Tecnológica del Uruguay (UTEC) e Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em Minas Gerais. O trabalho avaliou os custos de produção em uma biorrefinaria piloto com capacidade de 475 toneladas anuais e demonstrou que o reaproveitamento do óleo residual pode reduzir significativamente os custos do biodiesel. Nesse caso, a matéria-prima representou apenas 21% do custo total de produção, percentual inferior aos 78% observados quando se utilizam óleo de soja ou sebo bovino. eldquo;Além de contribuir para a sustentabilidade dos biocombustíveis no Brasil, os resultados indicam que pequenas biorrefinarias podem ser economicamente viáveis, especialmente quando integradas a sistemas locais de coleta de óleo usado, criando oportunidades para cooperativas e empresas públicas e privadaserdquo;, diz o estudo. A pesquisa completa foi publicada na Revista Agropampa, periódico científico coordenado por pesquisadores do Campus Dom Pedrito da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). A publicação, que completou dez anos em 2025, tem acesso gratuito neste link.

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Petróleo fecha dia em alta e sobe na semana com tensões geopolíticas e dados dos EUA

Os contratos futuros de petróleo fecharam novamente em forte alta nesta sexta-feira, 9, em meio a tensões geopolíticas elevadas. Investidores também digeriram o principal relatório de emprego dos EUA, o payroll. O petróleo WTI para fevereiro negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) fechou em alta de 2,35% (US$ 1,36), a US$ 59,12 o barril. Já o Brent para março, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), subiu 2,18% (US$ 1,35), a US$ 63,34 o barril. Na semana o WTI e Brent tiveram alta de 3,14% e 4,06%, respectivamente. No campo geopolítico, o presidente norte-americano, Donald Trump, reforçou seu desejo de que os EUA assumam o controle da Groenlândia e alegou que a posse da ilha autônoma que pertence à Dinamarca é eldquo;psicologicamente importanteerdquo; para ele, em trecho de entrevista ao The New York Times. Enquanto um acordo de paz segue em negociação mediada por Washington, a Rússia atacou a Ucrânia com drones e mísseis na madrugada desta sexta-feira. Como esperado, os preços futuros globais de petróleo, em particular do WTI, ficaram voláteis na semana, conforme surgem notícias sobre um possível plano de reintrodução do petróleo venezuelano no mercado global, diz Gustavo Vasquez, responsável por precificação de petróleo e GLP nas Américas da Argus. eldquo;Notícias de que o governo dos EUA está suspendendo restrições às vendas de petróleo venezuelano não se refletiram até agora nos preços, mas podem adicionar pressão caso o mercado interprete que esse movimento efetivamente resultará em maior ofertaerdquo;, acrescenta Vasquez. Na visão da instituição financeira ASA, o repique nos preços será passageiro e servirá apenas para ajustar distorções de hedge diante de uma oferta futura muito mais robusta. (Estadão Conteúdo)

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Lula sanciona lei do devedor contumaz, com cinco vetos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com cinco vetos, a Lei Complementar 225, que cria o Código de Defesa do Consumidor e tem como destaque a tipificação do devedor contumaz. O texto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU). A nova lei, aprovada pelo Congresso em dezembro, caracteriza devedor contumaz como eldquo;o sujeito passivo, na condição de devedor principal ou de corresponsável, cujo comportamento fiscal se caracteriza pela inadimplência substancial, reiterada e injustificada de tributoserdquo;. O enquadramento deverá ser notificado com antecedência às empresas, que terão 30 dias para regularizar sua situação ou apresentar defesa. As empresas classificadas como devedoras contumazes terão o CNPJ baixado em determinadas hipóteses, como quando a empresa tiver sido constituída para a prática de fraude, conluio ou sonegação fiscal; ou for fraudulentamente constituída, gerida, dirigida ou administrada por interpostas pessoas emdash; eldquo;laranjaserdquo;. Também não poderão usar benefícios fiscais, participar de licitações, ter vínculo com a administração pública ou propor recuperação judicial. Além disso, poderá ser considerado inapto no cadastro de contribuintes, restringindo a atuação da empresa. A lei determina que o devedor contumaz não possa escapar da responsabilização penal apenas quitando os débitos tributários. Ou seja, a extinção da punibilidade pelo pagamento do tributo não valerá para o devedor contumaz. Há ainda incentivos para estimular as empresas a serem boas pagadoras: Programa de Conformidade Cooperativa Fiscal (Confia); Programa de Estímulo à Conformidade Tributária (Sintonia); e Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado (Programa OEA). Os benefícios incluem tratamento diferenciado e facilitado, redução de juros e possibilidade de autorregularização quando a capacidade de pagamento estiver reduzida momentaneamente. O texto também visa reduzir o litígio, propondo formas alternativas de resolução de conflitos e facilitando o cumprimento das obrigações dos contribuintes. Entre os direitos do contribuinte, está o de receber tratamento facilitado caso não tenha recursos para pagar taxas e custos. Já entre os deveres dos contribuintes, estão a declaração das operações consideradas relevantes pela legislação e a guarda dos documentos fiscais pelo prazo determinado pela lei. Vetos Lula vetou o trecho da lei que previa a flexibilização das regras para aceitação ou para substituição de garantias, inclusive a possibilidade de substituição de depósito judicial por seguro-garantia ou por outras garantias baseadas na capacidade de geração de resultados dos contribuintes. Segundo o Planalto, eldquo;o dispositivo contraria o interesse público, ao prever regra de flexibilização de garantias sem a definição legal precisa, o que atrai risco à Uniãoerdquo;. Já no Programa Sintonia, que permite a autorregularização para os sujeitos passivos com bom histórico de pagamento tributário, mas com capacidade de pagamento reduzida momentaneamente, Lula vetou o desconto de até 70% de multas e juros moratórios. Também foi vetado o trecho que permitia a utilização de créditos de prejuízo fiscal e de base e cálculo negativa da CSLL para a quitação de até 30% do saldo devedor. eldquo;A proposição legislativa contraria o interesse público, ao instituir benefícios que ampliariam o gasto tributário da Uniãoerdquo;, alegou. Outro veto no Programa Sintonia foi em relação ao prazo de até 120 meses para quitação de tributos. eldquo;Em que pese a boa intenção do legislador, a proposição legislativa contraria o interesse público ao instituir concessão de diferimento tributário por prazo superior a 60 meses sem atender aos requisitos estabelecidos no art. 14-A da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000.erdquo;

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ANP cobra Petrobras sobre vazamento na Foz

Dois dias depois de a Petrobras comunicar o vazamento na Bacia da Foz do Amazonas, que é parte da Margem Equatorial, os órgãos reguladores seguem acompanhando de perto os desdobramentos do caso e as medidas tomadas pela petroleira. Nesta quinta-feira (8), a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) informou que estabelecerá condicionantes para que a Petrobras retome a perfuração. O reinício da atividade só será autorizado após constatadas as causas imediatas do incidente, segundo a agência, e depois de tomadas as devidas ações para a mitigação do ocorrido. Clique aqui para continuar a leitura.

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