Preço do petróleo cai após prisão de Maduro pelo governo dos EUA
Os preços do petróleo caíam até 1,2% na abertura das bolsas asiáticas na manhã de segunda, domingo à noite (4) no Brasil. Havia expectativa quanto aos efeitos da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, no sábado (3), pelo governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, sobre as cotações. A Venezuela é dona da maior reserva de petróleo no mundo e é do grupo fundador da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), mas sua indústria foi sucateada nos últimos anos e hoje produz menos de 1% do volume global. No início das negociações na Ásia, o petróleo Brent caía 0,63% e era cotado a US$ 60,37 por barril, enquanto o WTI (West Texas Intermediate) estava pouco abaixo de US$ 57.O brent é a principal referência de precificação para os mercados europeus e asiátivos. O WTI é usado pelos EUA. Horas depois, os preços se recuperaram. O Brent se aproximou dos US$ 61, enquanto o WTI superou os US$ 57. Mais cedo no domingo, membros da Opep+ decidiram manter estável a produção de petróleo, apesar de tensões políticas entre dois dos principais membros do grupo, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, e do ataque feito pelos Estados Unidos à Venezuela. A reunião ocorre após os preços do petróleo terem caído mais de 18% em 2025 emdash;a maior queda anual desde 2020emdash;, em meio a crescentes preocupações com o excesso de oferta. Esse excedente pode ajudar a controlar o choque disparado pela crise entre Estados Unidos e Venezuela. Para o ex-diretor-geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo) David Zylbersztajn, caso haja uma alta na cotação do óleo, ela não deve se sustentar. "Vai ter gente tocando o terror para jogar o preço lá em cima e ganhar dinheiro. Mas são comportamentos circunstanciais, não estruturais. Não acredito que qualquer alta no preço do petróleo se justifique", diz o especialista, hoje professor no Instituto de Energia da PUC (Pontifícia Universidade Católica) Rio e sócio da consultoria DZ Negócios com Energia. De acordo com Zylbersztajn, a expectativa é que haja aumento da oferta da commodity. Até porque, conforme afirmou Trump no sábado, o petróleo "voltará a fluir" com petroleiras dos EUA à frente das operações e da infraestrutura da Venezuela. No domingo, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que país usará a influência sobre o petróleo para forçar mais mudanças na Venezuela. A infraestrutura petrolífera do país não foi afetada pela série de ataques americanos em Caracas e outros estados, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. "O petróleo já caiu mais de 20% no ano passado. Não há um crescimento exuberante da economia mundial para justificar o aumento expressivo da demanda. Pelo contrário: há uma participação crescente de fontes renováveis, embora o ritmo ainda seja lento", diz Zylbersztajn, ressaltando que, se a cotação cair muito, isso pode prejudicar as próprias petrolíferas americanas. O consultor destaca que, em termos relativos, o petróleo vem perdendo participação na matriz energética mundial, embora continue crescendo em volume. "Mas o crescimento das fontes renováveis é maior do que a de combustíveis fósseis", diz. "Hoje a cotação do barril de petróleo [tipo Brent] está por volta de US$ 60. Se voltarmos 20 anos e aplicarmos o indexador [de preços] em dólar, o preço atual está muito mais barato". A exportação de petróleo da Venezuela representa cerca de 90% das exportações do país, tendo a China como a grande compradora. "Mas para a China, o petróleo venezuelano não é tão importante porque representava muito pouco do seu consumo. O país pode suprir essa falta sem dificuldade", afirma. (Com Bloomberg, AFP e Reuters)