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Fecombustíveis destaca atenção com elevação do biodiesel na mistura e Medida Reparadora de Conduta

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) participou, ontem (18), de dois eventos para representar os interesses da revenda do país. O primeiro deles foi a audiência pública promovida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre a atualização da Resolução 688/2017, que trata da Medida Reparadora de Conduta. A consultora jurídica da Fecombustíveis, Simone Marçoni, expôs as principais sugestões de mudanças à minuta de Resolução apresentada, a fim de alinhar as regras à realidade dos postos de combustíveis, evitando autuações desnecessárias. Vale destacar que a MRC foi um dos pleitos da Fecombustíveis, no passado. A resolução visa elencar infrações de menor gravidade, cabendo à fiscalização um papel de caráter orientativo num primeiro momento, com concessão de prazo para correção. Confira a audiência pública na íntegra, que traz a gravação com todos os participantes, clique aqui. A Fecombustíveis também participou de uma reunião do Ministério de Minas e Energia (MME) com os principais representantes do setor de combustíveis, de transporte e da indústria automotiva, para discutir o cronograma de elevação do teor de biodiesel adicionado ao diesel, em teores acima de 15% João Carlos Dalersquo;Aqua, vice-presidente para a Região Sul, que representou a Fecombustíveis no encontro, destacou que os revendedores de combustíveis não são contra os biocombustíveis, mas se preocupam com a qualidade final da mistura, que afeta os consumidores e é um ponto de atenção do mercado. Por isso, o setor defende a realização de testes e ensaios representativos, que comprovem a qualidade do produto final.

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Refit: Diretor da ANP pede mais tempo para análise de suspeição de colegas

No mais recente capítulo da divergência na diretoria da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) sobre os julgamentos dos processos de suspeição e impedimento dos diretores Pietro Mendes e Symone Araújo para questões relativas à Refit (Refinaria de Manguinhos), um outro membro do colegiado da agência pediu mais tempo para analisar os processos dentro do pedido de vista. Isso levou ao cancelamento da reunião de diretoria prevista para segunda-feira (17), que trataria exclusivamente desses processos. Na prática, o adiamento do julgamento trava os demais processos relacionados à Refit, mesmo que a diretoria já tenha formado uma maioria de votos adiantados para negar o pleito relacionado à suspeição dos diretores. Essa paralisia, dizem funcionários da ANP e agentes de mercado, favorece à Refit, que segue operando com formulação e combustíveis temporariamente livre do crivo da diretoria da ANP. Procurada, a Refit não respondeu até o fechamento desta edição. Fontes com conhecimento do assunto disseram à Agência iNFRA que o diretor Daniel Maia enviou ofício ao diretor-geral da ANP, Artur Watt, na sexta-feira (14), solicitando o tempo integral do pedido de vista, 30 dias, para analisar a questão. No mesmo dia, o diretor Fernando Moura, que também tem vista do caso, teria oficiado a diretoria-geral em acolhimento ao pedido do colega. No documento, Moura argumentaria que, como outro diretor ainda analisa o processo, não haveria que se falar em devolução antecipada do mesmo, em linha com o regimento interno da agência (artigo 44 da instrução normativa ANP 19/2024). Questionada a respeito, a ANP informou que os dois ofícios foram classificados como restritos. O prazo de 30 dias pedido por Daniel e respeitado por Moura, o primeiro a pedir vista do processo, conta a partir da intervenção de ambos, feita durante a reunião do dia 6 de novembro. Sendo assim, a diretoria da ANP só vai voltar a tratar do assunto na segunda semana de dezembro. Pelo regimento da agência, é possível postergar o julgamento por novos 30 dias a pedido de um dos diretores que retêm o processo e com a anuência do colegiado, o que é improvável neste caso em específico, haja vista que Watt, Pietro e Symone (estes dois de forma cruzada), já adiantaram seus votos e manifestaram contrariedade aos questionamentos de Maia e Moura na última sessão. Ambiente na ANP Embora respeitado por Watt, o pedido não foi bem recebido dentro da agência. Primeiro porque, em 10 de novembro, quatro dias após a primeira reunião que marcou o racha do colegiado, teria havido uma reunião interna em que os diretores consentiram a data de segunda-feira (17) para a reunião extraordinária, o que não aconteceu. Depois porque, ainda que não dependesse só dele, a reviravolta contraria promessa feita por Moura de que liberaria os dois processos para decisão eldquo;em poucos diaserdquo;. E, por último, em função da trava que a situação impõe a outros processos envolvendo a Refit. Funcionários da ANP e outros agentes de mercado temem que a empresa use o impasse da agência para reivindicar na Justiça uma decisão liminar capaz de liberar instalações que hoje seguem interditadas, caso da torre de destilação da refinaria fluminense. Ainda que isso não aconteça, a paralisia da agência com relação a qualquer nova decisão sobre a Refit até que a questão da suspeição seja formalmente superada evitaria novas punições administrativas. Sobre isso, a ANP confirmou que, seguindo o regimento da agência, o processo referente à interdição cautelar e autos de infração aplicados à Refit encontra-se eldquo;sobrestadoerdquo; (suspenso) até o julgamento das arguições dos diretores Pietro e Symone. Em 25 de outubro, um mês depois de interditada por irregularidades operacionais e no meio de uma investigação da Receita Federal, a Refit conseguiu que a ANP liberasse as áreas de movimentação, tancagem, expedição e carregamento de produtos, o que lhe permite formular gasolina com base em nafta importada. Mas, pelo regramento da agência, essa atividade só é permitida de maneira auxiliar ao refino. Se, eventualmente, a Refit perder a autorização para atuar como refinaria, cairia com ela o aval para formular combustíveis, o que inviabilizaria o negócio do grupo. Histórico Os dois processos em questão são fruto de um recurso da Refit, em que a empresa acusa Mendes e Symone de perseguirem a companhia com a suposta finalidade, ao menos no caso do primeiro, de favorecer a Petrobras por ter presidido o Conselho de Administração da estatal antes de ser alçado à diretoria da ANP. A Refit já havia apresentado queixa-crime à Polícia Federal contra os dois diretores, movimento que subsidiou o pedido no âmbito da agência reguladora. Para que o pedido da refinaria prosperasse, seriam necessários ao menos três votos favoráveis, o que já não é mais possível. Nos dois processos, votaram contra o recurso o diretor-geral da agência, Artur Watt, e, de forma adiantada, um dos arguidos (Mendes e Symone). Isso porque, na sessão que tratou do caso, prevaleceu o entendimento de que, mesmo sendo alvo de processo similar, eles poderiam votar no processo do colega também arguido. Pomo da discórdia na discussão, a questão dos votos cruzados de Pietro e Symone foi resolvida de forma unilateral por Watt, que se apoiou em prerrogativa do cargo de diretor-geral para rechaçar uma questão de ordem levantada por Daniel Maia. Na visão de Maia, se Pietro e Symone participassem das votações, estariam influindo, mesmo que indiretamente, em seus próprios julgamentos. Na ocasião, a argumentação foi definida como eldquo;chicana jurídicaerdquo; por Pietro e desprezada por Watt, para quem a Refit tem envidado esforços para limitar os julgadores de seus casos a uma ala da diretoria potencialmente mais condescendente com a empresa.

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MME abre consulta pública sobre regras de produção e uso do biodiesel

O MME (Ministério de Minas e Energia) abriu consulta pública para implementar as recomendações do Relatório de Análise de Impacto Regulatório elaborado pelo grupo interministerial criado pela Resolução CNPE nº 9/2023. A proposta de nova resolução do Conselho Nacional de Política Energética estabelece que todo o biodiesel usado na mistura obrigatória com o diesel B seja produzido exclusivamente por unidades autorizadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). O texto também determina que ao menos 80% do volume destinado à mistura venha de produtoras com Selo Biocombustível Social, mecanismo que estimula a inclusão da agricultura familiar no PNPB. A minuta ainda prevê melhorias na gestão de dados do selo, com foco em mais rastreabilidade, transparência e efetividade social. As contribuições podem ser enviadas até 12 de janeiro de 2026 pelo Portal de Consultas Públicas do MME e pelo Participa+ Brasil, onde também estão disponíveis os documentos de referência.

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Distribuidoras de combustíveis apuram alta em volumes comercializados após Carbono Oculto

As três distribuidoras de combustíveis de empresas listadas na B3 relataram melhora do ambiente concorrencial no mês de setembro, após a Operação Carbono Oculto, realizada em agosto pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio da Polícia Federal. A iniciativa, que mirou 18 distribuidoras com cerca de 4% do mercado, já mostrou diferença em volumes comercializados pelos postos BR, da Vibra; Ipiranga, da Ultrapar; e Shell, da Raízen. A expectativa é de que o quarto trimestre dê continuidade a um movimento de alta de volumes para essas companhias, conforme o que era comercializado de forma irregular passe para essas empresas. Ao avaliar o ganho de volume no terceiro trimestre, o desempenho narrado pelas distribuidoras não fica tão claro. Na Vibra, a distribuição de combustíveis apresentou queda de 1,4% no terceiro trimestre frente ao mesmo período de 2024. Na Ipiranga, houve ganho de 1%, enquanto na Raízen a distribuição cresceu 6,5%. O que as administrações das companhias deixam claro é que a tendência dos volumes mudou desde setembro e deve se manter daqui para frente. Em conversas com investidores nesta segunda-feira, 17, a Raízen sinalizou que projeta um cenário mais favorável para volumes no segmento Mobilidade Brasil a partir do avanço das investigações sobre irregularidades no mercado de combustíveis, que ganharam força com a Carbono Oculto. Segundo o CEO Nelson Gomes, a normalização competitiva deve devolver parte da demanda que havia migrado para os irregulares nos últimos anos. eldquo;A Carbono Oculto devolveu uma dinâmica mais séria e mais justa para o mercado de combustíveis brasileiroerdquo;, afirmou. Ele destacou que os volumes tomados por práticas irregulares tendem a voltar ao longo dos próximos meses. eldquo;Estamos bastante construtivos daqui para frente, no sentido de começar a recuperar parte desse volume que foi para o mercado irregular ao longo desses anoserdquo;, disse o executivo. Ambiente tem nítidas melhoras O CEO da Vibra, Ernesto Pousada, por sua vez, disse na última semana que o ambiente regulatório tem nítidas melhoras no setor e que a empresa deve capturar as oportunidades que surgem com essa evolução. eldquo;Estamos vendo um mercado forte em volume no último trimestre. Esperamos um quarto trimestre com volumes bons comparados com os números de outros quartos trimestres. Esperamos também melhoria de margem em relação ao terceiro trimestreerdquo;, afirmou o executivo. Para ele, com mudanças na regulamentação dos Cbios (créditos de descarbonização do RenovaBio, programa que foi endurecido nesse ano), monofasia do etanol e operação Carbono Oculto, o Brasil atingiu um ponto sem retorno do ponto de vista da regulamentação. eldquo;O País se posicionou de maneira diferenciada contra irregularidades que aconteciam nesse setorerdquo;, disse. Monofasia é a concentração da cobrança de impostos em uma única etapa da cadeia produtiva, geralmente na usina. No mesmo sentido, o CEO da Ipiranga, subsidiária da Ultrapar, Leonardo Linden, disse que a Operação Carbono Oculto tem sido um movimento muito positivo para o setor. Ele pondera, no entanto, que a questão ainda não se encerrou: eldquo;Investigações precisam seguirerdquo;, disse. Para ele, projetos de lei como os do Devedor Contumaz e da Monofasia da Nafta precisam avançar no Congresso, para que o ambiente concorrencial siga avançando. eldquo;O cenário é positivo, mas não encerra a contaerdquo;, disse. Ele afirma que desde a segunda quinzena de agosto, quando foi deflagrada a Carbono Oculto, a empresa tem visto uma reação rápida de volume. eldquo;Volume tem reagido rapidamente, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo, mercados em que a Carbono Oculto atuou. As margens estão em recuperação naturalerdquo;, disse. Com a palavra, os analistas A Ativa avaliou que tanto a sazonalidade como efeitos da Carbono Oculto podem ter apoiado os resultados da Ultrapar nesse último trimestre. Enquanto a XP considerou encorajadoras as sinalizações para o quarto trimestre da Vibra, com destaque para os efeitos da Carbono Oculto, além do avanço do projeto de lei do Devedor Contumaz e da extensão de leis de responsabilidade tributária solidária a São Paulo, Bahia e Minas Gerais, que também fortalecem as grandes distribuidoras no ambiente concorrencial.

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Vale testa biodiesel B30 e B50 em caminhões fora de estrada

A Vale iniciou testes de campo em Mariana (MG) com caminhões fora de estrada usando o combustível B30 (diesel com 30% de biodiesel) e o B50 (50%), que podem reduzir as emissões em até 35% na comparação com o consumo atual de diesel pela mineradora no País. Também começou uma nova etapa de avaliações de um caminhão fora de estrada elétrico, informou a companhia. A empresa busca viabilizar o aumento da mistura de biodiesel dos atuais 15%, fixado pela legislação brasileira, para 30% a 50%. Ensaios em laboratório, realizados desde 2023, demonstraram que a alternativa é promissora, o que levou a Vale a avançar, em novembro, para os testes em campo no Complexo de Mariana, com veículos com capacidade de 190 toneladas. O objetivo dos testes é monitorar o desempenho dos caminhões por pelo menos seis meses e avaliar quais adaptações serão necessárias no veículo ou no combustível para que possam rodar com a mistura de biodiesel mais elevada, mantendo rendimento próximo ao atual. eldquo;Para mitigar o consumo de diesel fóssil na frota de caminhões fora de estrada, estão sendo priorizados investimentos em biocombustíveis e etanol, além da adoção de eletrificação em aplicações específicas, onde a análise de viabilidade técnica e econômica demonstra maior eficiênciaerdquo;, disse o vice-presidente executivo de Operações da empresa, Carlos Medeiros. eldquo;O biodiesel, após validação dos parâmetros de desempenho, tem potencial para promover ganhos ambientais relevantes e servir de referência para a adoção em larga escala no setor.erdquo; Empresa assinou acordos com dois fornecedores A Vale assinou acordos com dois fornecedores de caminhões fora de estrada para desenvolver motores bicombustíveis movidos a etanol e diesel. Tanto o biodiesel, produzido principalmente a partir de óleo de soja, como o etanol são produtos nos quais o Brasil oferece uma grande vantagem competitiva, enfatiza a Vale. A companhia estabeleceu a meta de reduzir suas emissões de carbono de escopos 1 e 2 (diretas e indiretas) em 33% até 2030 e de zerar suas emissões líquidas até 2050. Até 2024, a empresa já investiu R$ 7,4 bilhões para atingir suas metas. A Vale iniciou também uma nova etapa de testes de um caminhão fora de estrada elétrico movido à bateria, com capacidade de carga de 72 toneladas, avaliado pela primeira vez em 2022. Após a fase inicial, o veículo passou por ajustes e, neste mês, voltou à Vale para nova rodada de avaliações. O veículo será usado por pelo menos seis meses na mina de Capão Xavier, em Minas Gerais. Os caminhões elétricos oferecem emissão zero de dióxido de carbono e redução de ruído. eldquo;Vemos a eletrificação como uma solução com potencial para reduzir emissões de carbono a longo prazoerdquo;, afirma João Turchetti, diretor de Descarbonização.

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Setor de combustíveis acumula R$ 207 bilhões em dívidas ativas

Em um cenário em que o crime organizado se reinventa e amplia suas fontes de financiamento, o combate às práticas ilícitas no campo econômico torna-se tão estratégico quanto as ações tradicionais de segurança pública. Nesse contexto, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 125/2022 ganha relevância na Câmara dos Deputados ao preencher uma lacuna na legislação tributária brasileira: a definição clara do que é um devedor contumaz endash; aquele que faz da inadimplência um modelo de negócio para obter vantagem competitiva indevida. Atualmente, o texto aguarda indicação de relator e votação no plenário da Câmara dos Deputados. O avanço no processo depende de uma ação do presidente da Casa, deputado Hugo Motta. Mais do que uma questão fiscal, a proposta ataca um dos elos que sustentam esquemas fraudulentos e desequilibram o mercado, contribuindo indiretamente para o financiamento de atividades criminosas. De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Combustível Legal (ICL), a partir de dados públicos, somente a dívida de PIS-COFINS acumulada pelos devedores contumazes com a União em 2024, de R$ 86 bilhões, seria suficiente para financiar quatro anos de todas as despesas registradas pelo governo federal com segurança pública, uma vez que no ano passado esse investimento foi de R$ 21,08 bilhões. O levantamento do ICL mostra que os devedores contumazes acumulam hoje R$ 207 bilhões em dívidas ativas federais e estaduais, valor que poderia ser investido em policiamento, defesa civil, inteligência e operações contra o crime organizado. Em 2024, a dívida contumaz no setor de combustíveis, somando débitos da União e dos Estados (ICMS), atingiu R$ 174,18 bilhões. Com o projeto de lei, estão previstos mecanismos de recuperação anual de até R$ 14 bilhões, além de propor regras mais rigorosas para novos agentes do setor de combustíveis. "O PLP 125/2022 cria um marco legal nacional para todos os setores produtivos, e, em especial, àqueles com elevada tributação. Bebidas, cigarros, telecom, dentre outras, são exemplos de setores que também serão beneficiados. Existe um motivador especial para escolha do setor de combustíveis, trata-se da robustez do segmento. Mais de R$ 1 trilhão de faturamento, arrecadação tributária na ordem de R$ 245 bilhões, cadeia complexa e diversas fragilidades regulatórias, legislativas, executivas e, principalmente, judiciária" - Emerson Kapaz, presidente do ICL O executivo defende que o projeto é decisivo para interromper um ciclo de impunidade que alimenta a criminalidade e compromete a arrecadação. eldquo;Estamos falando de um volume de recursos capaz de revolucionar o financiamento da segurança pública no Brasil. O dinheiro que poderia salvar vidas e fortalecer o Estado está sendo desviado por grupos que transformaram a sonegação e inadimplência em modelo de negócio. O PLP 125 é uma vacina contra a corrupção fiscal e o crime organizadoerdquo;, acrescenta. Kapaz comenta ainda que o PLP 125/2022 não foi concebido para punir o empresário que enfrenta dificuldades pontuais ou conjunturais. Na prática, o objetivo é separar o contribuinte eventual daquele que estrutura deliberadamente um modelo de negócios baseado na sonegação e inadimplência. eldquo;As empresas médias e regulares, que pagam seus impostos e competem de forma leal, serão as grandes beneficiadas, pois o projeto corrige uma distorção histórica do mercadoerdquo;, ressalta. De acordo com a Receita Federal, cerca de 1.200 CNPJs respondem por R$ 200 bilhões em dívidas federais apenas no setor de combustíveis, um cenário que distorce a concorrência, prejudica empresas regulares e drena recursos públicos essenciais. Robinson Barreirinhas, secretário do órgão, destaca a importância da aprovação na Câmara do projeto de lei que combate o devedor contumaz, ressaltando que ele busca diferenciar os maus pagadores daqueles que enfrentam dificuldades pontuais. Segundo ele, a nova legislação corrige uma distorção histórica na qual grandes devedores se beneficiam de mecanismos de parcelamento para escapar de sanções. eldquo;A gente sempre fala que o Al Capone foi pego lá nos Estados Unidos por não pagar tributo. Aqui no Brasil isso não aconteceria nunca, antes dessa lei. Se o Al Capone estivesse no Brasil, ele ia parcelar em cinco anos o débito dele e não seria preso. E, no final desse parcelamento, seria extinta a punibilidade dele. Isso acaba com o devedor contumazerdquo;, afirma. O caso de Al Capone, mencionado por Barreirinhas, é um dos exemplos mais famosos sobre como o crime organizado pode ser punido por meio da tributação. Alphonse eldquo;Alerdquo; Capone foi um dos mais notórios gângsteres dos Estados Unidos durante a década de 1920, atuando principalmente em Chicago. Ele comandava uma rede criminosa envolvida com contrabando de bebidas alcoólicas, jogos ilegais, extorsão e assassinatos. Ainda que amplamente conhecido por esses crimes, as autoridades apenas conseguiram condená-lo devido às ausências de declarar e de pagamentos de impostos endash; e não por homicídios ou contrabandos. O secretário frisou ainda que a mudança mantém os benefícios para 99,9% dos bons contribuintes, mas retira privilégios daqueles que se utilizam da inadimplência como estratégia de negócio. Para ele, o combate ao devedor contumaz é essencial para liberar setores da economia hoje dominados por organizações criminosas e garantir um ambiente mais justo e competitivo para os empresários que cumprem suas obrigações fiscais. Setor de combustíveis em risco Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), alerta que o setor de combustíveis tem sido um dos principais canais de financiamento indireto da criminalidade organizada no país. Segundo o executivo, a sonegação em larga escala e a inadimplência deliberada praticada por grupos que importam, operam refinarias, distribuidoras e rede de postos de fachada, geram bilhões de reais em caixa paralelo. "Na prática, a sonegação e a inadimplência estruturada viraram um braço financeiro do crime organizado. Ao drenar recursos do Estado e desequilibrar o mercado, elas fragilizam a capacidade de investimento público em segurança e cria um ambiente propício à corrupção e à informalidade", explica. Para ele, trata-se de um problema de segurança nacional. Kapaz ressalta que, quando se menciona mais de R$ 200 bilhões de dívidas ativas acumuladas apenas no setor de combustíveis, trata-se de um volume que supera o orçamento federal de áreas essenciais, como segurança pública e educação. "Esses recursos, que deveriam financiar o Estado, estão sendo desviados por redes criminosas altamente sofisticadas, muitas delas com atuação transnacional. Combater o devedor contumaz, portanto, é uma forma de combater o crime organizado e proteger a soberania fiscal e institucional do país", completa. Implementação do PLP 125/2022 Para que o PLP 125/2022 produza efeitos concretos e não se transforme em mais uma norma de difícil execução, Kapaz indica que o primeiro passo após a caracterização e tipificação do devedor contumaz será a coordenação entre os fiscos federal e estaduais, criando cadastros integrados de devedores contumazes e sistemas de alerta em tempo real para movimentações suspeitas. "Em paralelo, será preciso regulamentar prazos, sanções e critérios de reincidência, garantindo segurança jurídica e previsibilidade. O ICL defende que a aplicação seja acompanhada de transparência e indicadores de desempenho público para que a sociedade veja o impacto direto na arrecadação e na competitividade", contextualiza. Acompanhando a pauta de perto, Kapaz afirma que o ICL monitora o impacto do PLP na arrecadação e na segurança pública. Atualmente, a entidade trabalha com um modelo de indicadores de impacto que integra variáveis de arrecadação, cumprimento fiscal, concorrência e segurança pública. Nesse âmbito, o executivo destaca que o objetivo é medir resultados concretos, como o aumento da arrecadação efetiva dos setores de maior risco; a redução do número de empresas reincidentes; a queda no volume de dívidas ativas; e a correlação com investimentos em segurança e fiscalização. "Os dados permitirão avaliar a eficácia do PLP 125/2022 de forma transparente e embasar futuras políticas públicas de combate à sonegação e ao crime econômico organizado", diz. Para o presidente do ICL, o PLP 125/2022 é uma vacina contra a corrupção fiscal e o crime organizado, que transformou a sonegação e a inadimplência em um modelo de negócio. "A sociedade brasileira não pode mais aceitar que o crime compense. O PLP 125 é um instrumento de proteção ao mercado, à segurança e à própria democracia. Ou o Brasil acaba com o crime, ou o crime acaba com o Brasil", reforça Kapaz.

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