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Em uma semana, 74 postos de combustíveis foram intimados no Estado do Rio

Uma força-tarefa montada pela Secretaria de Fazenda do estado para combater fraudes no setor de combustível intimou, em num espaço de uma semana, 74 postos da região Metropolitana do Rio de Janeiro. A ação é da Secretaria de Fazenda do Estado, que montou uma força-tarefa para combater fraudes no setor. Na Zona Oeste, auditores fiscais e agentes da Agência Nacional de Petróleo interditaram um dos estabelecimentos fiscalizados, que teve as bombas lacradas e foi multado em R$ 62 mil por funcionar sem inscrição estadual. A fiscalização, que chega a Niterói nos próximos dias, deve notificar no total 700 postos de combustíveis.

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Sanções à Rússia apertam o cerco ao diesel e colocam o Brasil em busca de novos fornecedores

As sanções impostas pelos Estados Unidos ao petróleo da Rússia devem restringir ainda mais o volume de diesel importado pelo Brasil. Atualmente, o combustível russo representa cerca de 15% das importações brasileiras do produto. O país, no entanto, depende do exterior para atender a cerca de 30% do consumo total, já que a produção da Petrobras cobre apenas 70% da demanda nacional. Segundo Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o setor já vinha convivendo com as sanções desde a escalada da invasão russa à Ucrânia. A União Europeia também anunciou uma nova rodada de restrições. emdash; A partir de agora, os importadores brasileiros vão precisar buscar o produto em outros locais não sancionados. A operação fica mais restrita e, por isso, já estamos observando uma alta no preço do petróleo no mercado internacional emdash; afirma Araújo. Para ele, o ambiente comercial tende a se tornar mais limitado. A sanção envolve as petroleiras russas Rosneft e Lukoil, que respondem por grande parte da capacidade de produção do país, além de mais de 110 navios envolvidos no transporte de produtos dessas empresas. Diante desse cenário, os importadores brasileiros devem buscar novas rotas e fornecedores alternativos para garantir o abastecimento de diesel no país. Segundo Araújo e outros especialistas, a nova leva de sanções impostas pelos Estados Unidos pode afetar ainda mais a participação do diesel russo no mercado brasileiro, que já chegou a representar 60% do volume importado pelas empresas. Nos últimos meses, o Brasil vem buscando diversificar suas fontes de abastecimento para reduzir a dependência do produto russo. De acordo com dados da Abicom, a Índia já responde por 45% da origem do diesel importado, seguida pelos Estados Unidos (27%) e pela Arábia Saudita (9%). emdash; A Rússia hoje é um player importante no setor global de combustível, com muita oferta. As novas sanções sofridas pelo país, anunciadas pelos Estados Unidos, restringem a oferta, mas não eliminam sua presença no mercado internacional. Um fator-chave daqui para frente será observar como os preços do combustível e do petróleo russos vão se comportar emdash; afirmou Araújo. Até então, as duas petroleiras estavam sujeitas apenas a restrições financeiras ou tecnológicas, mas agora enfrentam proibições totais de transações, envolvendo intermediários estrangeiros que comercializem, financiem ou transportem suas cargas, dizem os especialistas. Hoje, a Índia é o principal canal que permite à Rússia acessar o mercado global de petróleo. O país importa entre 4,7 e 5,0 milhões de barris de petróleo russo por dia, o que representa cerca de 36% do total de suas importações de petróleo. Para o presidente de uma empresa brasileira, parte dos importadores brasileiros vinha comprando diesel da Índia com origem russa. Agora, segundo ele, esse cenário fica mais restrito. Segundo ele, o principal atrativo do produto russo é o preço. Nos últimos anos, a Rússia chegou a oferecer descontos de até US$ 0,16 por galão de diesel. Porém, nos últimos meses, os valores vinham se mantendo em linha com os praticados pelas companhias americanas, já que a Rússia vem registrando alta na demanda interna e possui muitas refinarias em manutenção. A Petrobras, por sua vez, não compra diesel da Rússia. A restrição, no entanto, pode provocar diversos efeitos nos preços futuros, com alta no curto prazo. Depois, para conseguir escoar sua produção, a Rússia pode reduzir seus preços, como fez durante os primeiros meses da guerra na Ucrânia. Um relatório do Banco Santander ressalta que as duas petroleiras russas respondem por cerca de 50% da produção de petróleo do país. Segundo cálculos do banco, as sanções podem retirar de 1 a 1,5 milhão de barris por dia dos fluxos globais de comércio, o que pode compensar os acréscimos de produção da Opep+, cartel que reúne os maiores produtores do mundo. "Observamos que os preços do diesel e da gasolina nos Estados Unidos também estão em alta, o que, somado às novas sanções contra a Rússia, torna menos atrativa, para importadores e distribuidores brasileiros, a compra de combustíveis no exterior. Isso, em nossa avaliação, tende a favorecer o equilíbrio entre oferta e demanda de diesel e gasolina no mercado doméstico no quarto trimestre de 2025", informou o Santander.

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Magda: Estamos "a postos" para obter 25% na mistura do biodiesel no diesel

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reforçou na manhã desta quinta-feira (23) que a companhia está preparada para atingir, futuramente, o nível de 25% na mistura do biodiesel no diesel. "Estamos a postos. Hoje somos capazes de fornecer um diesel com conteúdo vegetal, estável, perfeito em termos de estrutura", declarou. Ela também argumentou que a empresa já oferta diversos produtos "cada vez mais verdes". Magda Chambriard participou do Fórum CNT de Debates, evento que reúne nesta quinta em Brasília (DF) autoridades públicas, empresários e especialistas em sustentabilidade. A lei do combustível do futuro, sancionada pelo governo no ano passado, prevê que a mistura de biodiesel ao óleo diesel deverá alcançar 20% até 2030 e poderá atingir 25% a partir de 2031. O aumento do mandato é condicionado à análise de viabilidade técnica da mistura, à análise de impacto regulatório e à definição do porcentual da mistura pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). Também pela manhã, a presidente da Petrobras ressaltou que a estatal está trabalhando num acordo para fornecer combustíveis renováveis durante a COP30. (Estadão Conteúdo)

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Petróleo seguirá em alta em meio a sanções contra Rússia? Como Petrobras é afetada?

Após atingir mínima em cinco meses endash; ou desde o início de maio endash; no começo da semana, o barril de petróleo brent mais negociado na Europa saiu da casa dos US$ 61 para US$ 66 nesta quinta-feira (23). Apenas nesta quinta, o brent avançava cerca de 5%. O principal catalisador para isso foi a a imposição pelos EUA de sanções aos principais fornecedores russos, Rosneft e Lukoil, devido à guerra na Ucrânia. As duas companhias respondem por cerca de 5% de toda oferta global de petróleo. E, portanto, novas sanções norte-americanas mirando empresas desse porte, acaba gerando um aumento significativo dos prêmios de risco de oferta no Leste Europeu, que se converte, portanto, nesse suporte às cotações. A alta do petróleo também impacta as ações brasileiras. Na reta final do pregão, Petrobras PN (PETR4) avançava 1,68%, Brava ON (BRAV3) subia 3,58%, Prio ON (PRIO3) valorizava-se 2,13% e PetroRecôncavo ON (RECV3) mostrava elevação de 1,20%. As sanções dos EUA significam que as refinarias da China e da Índia, grandes compradoras do petróleo russo, precisarão buscar fornecedores alternativos para evitar a exclusão do sistema bancário ocidental, de acordo com o analista do Saxo Bank, Ole Hansen. Os EUA disseram que estavam preparados para tomar outras medidas, pois pediram a Moscou que concordasse imediatamente com um cessar-fogo na Ucrânia. eldquo;As últimas sanções dos EUA aos maiores produtores de petróleo da Rússia representam uma escalada significativa e sem precedentes na campanha de pressão de Washington contra Moscouerdquo;, disse Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy. eldquo;Combinadas com a recente onda de ataques à infraestrutura petrolífera russa, essas sanções aumentam a perspectiva de grandes interrupções na produção e exportação de petróleo bruto russo, aumentando o risco de paralisações forçadas da produção.erdquo; A Grã-Bretanha sancionou a Rosneft e a Lukoil na semana passada. Os países da UE aprovaram um 19º pacote de sanções contra a Rússia, que inclui a proibição das importações de GNL russo. Mudança de rumos Os futuros do petróleo bruto Brent mudaram para a situação de mercado conhecida como eldquo;backwardationerdquo;, com o primeiro mês sendo negociado cerca de US$ 2 acima do contrato para entrega em seis meses. Logo após a revelação das sanções dos EUA, os futuros do Brent e do WTI subiram mais de US$ 2 por barril, com o apoio de uma queda surpreendente nos estoques dos EUA. O impacto das sanções sobre os mercados de petróleo também dependerá da reação da Índia e do fato de a Rússia encontrar compradores alternativos, disse Giovanni Staunovo, analista do UBS. A Índia se tornou o maior comprador de petróleo bruto russo transportado por via marítima com desconto após a guerra de Moscou na Ucrânia. É provável que as refinarias indianas reduzam drasticamente as importações de petróleo russo devido às novas sanções, disseram fontes do setor para a Reuters. A empresa privada Reliance Industries, a principal compradora indiana de petróleo bruto russo, planeja reduzir ou interromper completamente essas importações, de acordo com duas fontes familiarizadas com o assunto. Embora a oferta abundante recente de petróleo possa amortecer o impacto dessas sanções, elas não devem ser subestimadas. Reorganizar as importações da Índia emdash; das quais mais de um terço vêm da Rússia emdash; seria uma tarefa gigantesca. Já a indústria petrolífera chinesa, que importa até 20% de seu petróleo bruto da Rússia. A Rússia tem bastante experiência em contornar sanções e seu impacto final ainda não está claro. Os embarques de petróleo bruto do país por via marítima atingiram recentemente o maior nível em 29 meses, apesar de uma série de restrições ocidentais. A refinaria indiana Nayara Energy, apoiada pela Rosneft, por exemplo, pode continuar sendo uma saída para os barris do país. Mas a pressão sobre o país aumentou significativamente. eldquo;A Índia está sob pressão para buscar petróleo em outros lugares, o que provavelmente aumentará a demanda por petróleo não russo, reduzirá o excesso de oferta no mercado de petróleo e, assim, levará a preços mais altoserdquo;, disse Carsten Fritsch, analista de commodities do Commerzbank AG. A China poderia comprar mais petróleo russo e, eldquo;nesse caso, o impacto das sanções no mercado de petróleo seria menos severoerdquo;, acrescentou. Alta do petróleo vai durar? Contudo, o mercado ainda se questiona sobre se as sanções dos EUA resultariam em uma mudança fundamental na oferta e na demanda. eldquo;Até agora, quase todas as sanções contra a Rússia nos últimos três anos e meio não conseguiram afetar os volumes produzidos pelo país ou as receitas do petróleoerdquo;, disse o analista da Rystad Energy, Claudio Galimberti. As preocupações com o excesso de oferta após os aumentos de produção da Opep+ limitaram os ganhos do petróleo na quinta-feira. O UBS espera que o Brent permaneça entre US$ 60 e US$ 70. eldquo;Embora os participantes do mercado estejam transferindo suas preocupações de mercados com excesso de oferta para preocupações com interrupções no fornecimento, ainda vemos um crescimento sólido da oferta nas Américas, e a OPEP+ pode reduzir ainda mais seus cortes em caso de necessidade.erdquo; Analista da Bloomberg, Nour Al Ali aponta que o brent conseguiu se recuperar do nível de US$ 60/barril, mostrando o quão instável esse piso é. Contudo, com um superávit iminente se acumulando no inverno e o sentimento para a economia global ainda de bastante cautela, é mais provável que essa alta recente diminua do que sinalize o início de uma tendência de alta sustentada. Bruna Pacheco, especialista em investimentos e sócia da GT Capital, também avalia que as sanções dos EUA criaram um choque de risco de oferta, o que tende a manter um viés de alta e volatilidade no curto prazo, mas não garante uma alta no longo prazo. Assim, num primeiro momento, a Petrobras se beneficia diretamente de preços mais altos do brent, avalia a analista. Contudo, ela vê como os principais catalisadores para as ações da estatal o cenário político, os dividendos e o plano de investimentos endash; em vez dos movimentos de curto prazo do petróleo. O Santander, por sua vez, avalia que, mesmo que todos os barris das duas empresas de petróleo não sejam removidos do mercado e mesmo que o impacto seja momentâneo, isso poderia compensar (i) a recente volta das exportações da OPEP+ e (ii) a expectativa de excesso de oferta de 1,7 milhão de barris ao dia esperado para o 4T25. eldquo;Como resultado, esse movimento pode sustentar os preços do Brent e provavelmente deve melhorar o sentimento dos investidores em relação às ações brasileiras do setorerdquo;, avalia. Cabe destacar que, na véspera, o banco havia destacado que os preços do petróleo o impediam de ter uma visão mais positiva sobre a Petrobras. eldquo;Além disso, observamos que os preços do diesel e da gasolina nos EUA também estão subindo, o que, juntamente com o aumento das sanções à Rússia, torna menos atraente para importadores e distribuidores de combustíveis brasileiros importar combustível, contribuindo, assim, para o equilíbrio entre oferta e demanda de diesel e gasolina no 4T25, em nossa opiniãoerdquo;, aponta. Tal movimento, segundo o Bradesco BBI, seria especialmente benéfico para as três grandes empresas com participação no segmento de distribuição de combustíveis endash; Ultrapar (UGPA3), Vibra (VBBR3) e Raízen (RAIZ4) -, já que elas são menos dependentes do diesel importado da Rússia em comparação com seus concorrentes menores. O Brasil importa cerca de 10 bilhões de litros de diesel da Rússia por ano. (com Reuters, Bloomberg e Estadão Conteúdo)

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EUA impõem sanções às maiores petrolíferas russas e pedem que Moscou aceite cessar-fogo na Ucrânia

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou nesta quarta-feira, 22, sanções contra duas das maiores empresas petrolíferas russas, Rosneft e Lukoil, com o argumento de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, se recusa eldquo;a pôr fimerdquo; à guerra na Ucrânia. O anúncio das sanções ocorre depois que o presidente americano Donald Trump adiou uma reunião com Putin em Budapeste devido à falta de progresso para deter a invasão russa da Ucrânia. eldquo;Diante da negativa do presidente Putin a interromper esta guerra sem sentido, o Departamento do Tesouro impõe sanções a duas das mais importantes companhias petrolíferas que financiam a máquina de guerra do Kremlinerdquo;, disse Bessent em comunicado. Segundo a nota do Tesouro, também há a possibilidade de sanções secundárias a instituições financeiras estrangeiras que participam de transações com as empresas russas. eldquo;O OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA) pode proibir ou impor condições rigorosas à abertura ou manutenção, nos Estados Unidos, de uma conta correspondente ou de uma conta pagável de uma instituição financeira estrangeira que, conscientemente, conduza ou facilite qualquer transação significativa em nome de uma pessoa designada de acordo com a autoridade competenteerdquo;, afirma. eldquo;O objetivo final das sanções não é punir, mas sim promover uma mudança positiva de comportamentoerdquo; acrescenta o departamento em nota. Edward Fishman, pesquisador da Universidade Columbia, explica que de acordo com o texto do Tesouro, cabe ao governo americano decidir se vale a pena ou não aplicar as sanções secundárias previstas e afetar alianças importantes, como Índia, Emirados Árabes, Hungria e Brasil endash; que importa diesel da Rússia. eldquo;Isso ainda não está resolvidoerdquo;, ele afirmou. A Rússia disse na quinta-feira que as novas sanções dos EUA à sua indústria petrolífera colocam em risco os esforços diplomáticos para acabar com a guerra na Ucrânia e afirmou que é imune a elas. eldquo;Consideramos esta medida totalmente contraproducenteerdquo;, disse Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, durante sua coletiva de imprensa semanal. eldquo;Nosso país desenvolveu uma forte imunidade às restrições ocidentais e continuará a desenvolver com confiança seu potencial econômico, incluindo seu potencial energéticoerdquo;, acrescentou. Até hoje, o governo Trump não havia emitido nenhuma nova sanção à Rússia relacionada à invasão em larga escala da Ucrânia. É um forte contraste com os anos Biden, quando os Estados Unidos tiveram uma média de mais de 170 novas sanções por mês entre 2022 e 2024, visando a produção de armas, aquisição de tecnologia e serviços bancários. O governo Biden acabou bloqueando mais de 6.200 indivíduos, empresas, embarcações e aeronaves ligadas à Rússia, de acordo com uma análise de dados do Departamento do Tesouro. Trump expressou esperança de que as medidas ajudem a encerrar o conflito na Ucrânia: eldquo;Estas são sanções enormes (...) e esperamos que não durem muito. Esperamos que a guerra seja resolvida.erdquo; Quase ao mesmo tempo, um porta-voz da presidência da União Europeia informou que o bloco havia concordado em impor um novo pacote de medidas, o 19º desde o início da invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, com o objetivo de cortar o financiamento de petróleo e gás de Moscou. Sanções da UE sobre petróleo e gás Uma das medidas do pacote de sanções do bloco europeu é a proibição de um ano das importações de gás natural liquefeito da Rússia. Eles também colocarão na lista negra mais de 100 petroleiros da frota fantasma, um exército de navios que ajudam a Rússia a driblar as restrições à exportação de petróleo.

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Postos, pelúcias, motéis e fintechs: onde a polícia já identificou lavagem de dinheiro do PCC

As novas estratégias para lavagem de dinheiro do crime pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) vão desde exploração de postos de combustíveis até lojas de brinquedo, passando por motéis, fintechs e lojas de rede de perfumaria. É o que revelam as mais recentes operações policiais que miram a operação financeira do crime organizado. Nessa quarta-feira, o Ministério Público de São Paulo, a Polícia Civil e a Secretaria da Fazenda deflagraram a Operação Plush, que investiga a viúva e a cunhada de Cláudio Marcos de Almeida, o eldquo;Djangoerdquo;, ex-chefe da facção assassinado em 2022. As duas, Natália Stefani Vitória e Priscila Carolina Vitória Rodrigues, são suspeitas de abrir lojas de brinquedos em shoppings da capital, Guarulhos e Santo André para ocultar recursos provenientes do tráfico e de outras atividades ilícitas do grupo. De acordo com o MP, as irmãs investiram milhões de reais em quatro lojas da rede Criamigos Oficinas de Ursos, embora não tivessem ocupação lícita declarada. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 4,3 milhões em bens das investigadas. O nome da operação, Plush, que significa eldquo;pelúciaerdquo; em inglês, foi escolhido em alusão ao ramo de atividade usado para mascarar o dinheiro do crime. Django, morto em circunstâncias violentas há três anos, era apontado como um dos principais articuladores do comércio de drogas e armas da facção. Ele já havia aparecido nas investigações da Operação Fim da Linha, que mirou a empresa de ônibus UPBus, suspeita de servir à lavagem de recursos do grupo criminoso. A Operação Plush se soma a uma sequência de ações recentes que vêm revelando o raio de alcance do PCC dentro da economia formal, envolvendo motéis, franquias de beleza e fintechs da Faria Lima, além de redes de postos de combustíveis em dez estados. Em agosto, a megaoperação Carbono Oculto desvendou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraudes tributárias no setor de combustíveis. Segundo o Ministério Público de São Paulo, a facção chegou a controlar cerca de 1.560 postos e 40 fundos de investimento, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões. O grupo utilizava fintechs e instituições de pagamento, como a BK Bank e a Bankrow, para movimentar e ocultar valores de origem ilícita, usando o mecanismo das chamadas eldquo;contas-bolsãoerdquo;, em que o dinheiro de vários clientes é misturado em uma única conta, dificultando o rastreamento. As investigações apontam que, entre 2020 e 2024, os postos ligados ao PCC movimentaram R$ 52 bilhões. O dinheiro era reinvestido em fazendas, usinas, imóveis de luxo e frotas de caminhões. Entre os bens apreendidos estavam uma mansão de R$ 13 milhões em Trancoso (BA), 1.600 caminhões, quatro usinas de álcool e um terminal portuário. O caso escancarou o uso de fintechs como eldquo;bancos paraleloserdquo;, que operavam à margem da regulação do Banco Central. Parte dessas instituições não era obrigada a reportar movimentações suspeitas ao Coaf, o que facilitava a ação do crime organizado. Um mês depois, em setembro, o Gaeco e a Receita Federal voltaram à carga com a Operação Spare, um desdobramento da Carbono Oculto. A investigação revelou que o PCC diversificou as frentes de lavagem: além dos combustíveis, usava franquias de beleza, motéis e empreendimentos imobiliários para dar aparência legal aos lucros ilícitos. O principal alvo era Flávio Silvério Siqueira, o eldquo;Flavinhoerdquo;, suspeito de chefiar uma rede de 400 postos e 60 motéis. Só entre 2020 e 2024, o grupo teria movimentado R$ 4,5 bilhões, pagando apenas 0,1% em impostos. Outra figura central era Maurício Soares de Oliveira, dono de quase 100 lojas da rede O Boticário, que não tem relação com o esquema. Suas franquias operavam com 100% dos depósitos em espécie, um clássico indício de lavagem. As investigações também identificaram empresas de fachada e laranjas usados para movimentar os recursos, além da participação da fintech BK Bank, a mesma já citada na Carbono Oculto. Parte do dinheiro também era escoado por casas de jogos clandestinos no litoral paulista. Os promotores apontam conexões diretas entre empresários e lideranças do PCC. Nomes de alto escalão da facção, como Wagner Ferreira da Silva, o eldquo;Cabelo Duroerdquo;, José Carlos Gonçalves, eldquo;o Alemãoerdquo; e Rafael Maeda Pires, eldquo;o Japonêserdquo;, assassinados em anos anteriores, eram frequentadores das residências de alvos da operação. Poucos dias depois da Spare, a Polícia Civil da Bahia deflagrou uma operação que revelou outra ramificação do mesmo esquema, com lavagem de até R$ 6 bilhões por meio de 200 postos de combustíveis espalhados entre Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro. Sete pessoas foram presas, e R$ 6,5 bilhões em bens foram bloqueados. Essa estrutura varejista foi novamente alvo de uma nova fase da investigação, batizada de Operação Octanagem, deflagrada em São Paulo na terça-feira (21). A ação mirou postos ligados ao empresário Mohamad Hussein Mourad, suspeito de ser um dos operadores financeiros do grupo. Em um dos estabelecimentos, os policiais encontraram fraudes nas bombas e combustível adulterado. Segundo a Receita Federal, mais de mil postos em dez estados integravam a engrenagem que lavava dinheiro do PCC, reinserindo os valores no sistema financeiro por meio de fintechs e fundos de investimento.

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