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Como funciona o novo laboratório que produzirá combustível verde em SP

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, inaugurou na quinta-feira, 9, o Laboratório de Hidrogênio, LabH². No local, será produzido hidrogênio para pesquisar como baratear seu preço, tornar seu uso mais eficiente e como armazená-lo de forma segura, além de como automóveis ou indústrias podem utilizá-lo. O objetivo do laboratório é acelerar o uso de hidrogênio no Brasil e facilitar a implementação dessa tecnologia, com potencial para reduzir significativamente as emissões de gás carbônico, o principal causador do efeito estufa. O LabH² vai ainda formar mão de obra especializada por meio de cursos de pós-graduação e realizar projetos de pesquisa, em parceria com empresas, prefeituras e instituições de outros países, como a Alemanha e Portugal. O laboratório fica na Cidade Universitária da USP, na zona oeste de São Paulo. São 1 mil m² de área construída, com dois pontos para abastecimento com hidrogênio, que permitirão atender tanto automóveis quanto ônibus e caminhões, e 30 técnicos especializados em energia renovável. O governo investiu R$ 50 milhões no local. eldquo;Automóveis movidos a hidrogênio vão ser uma grande revoluçãoerdquo;, afirmou Anderson Correia, diretor-presidente do IPT. eldquo;Além de não fazer barulho, a energia gerada pelo hidrogênio é limpa, enquanto a que vem do petróleo e do carvão é suja, polui.erdquo; O LabH² é um exemplo de parceria entre a administração pública, o mundo acadêmico e a iniciativa privada, um modelo que pode alavancar projetos ligados à inovação. Na década de 1970, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), por exemplo, colocou o Brasil na dianteira do desenvolvimento de bioenergia graças ao esforço conjunto de cientistas, empresas e poder público. Modelos de automóveis a hidrogênio A inauguração do LabH² ocorre em meio às negociações com quatro empresas emdash; Toyota, Hyundai, GWM e Tupi emdash;, além de parceria já assinada com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU). Com as montadoras, Correia conta que a ideia é estimular a fabricação no Brasil de modelos de automóveis a hidrogênio, como os carros Hyundai Nexo e Toyota Mirai e o caminhão GWM Hydrogen Truck. Esses modelos marcaram a abertura do LabH2. eldquo;Estamos testando como armazenar o hidrogênio dentro do motor para ficar o mais seguro possível, estudando qual o melhor metal a ser usado, como garantir a segurança em caso de acidente para que o hidrogênio não escapeerdquo;, afirma o presidente do IPT. A ausência de postos no País emdash; devido à dificuldade e ao alto custo de armazenamento do hidrogênio emdash; é um dos grandes gargalos para o uso de automóveis movidos pela substância. Por isso, o IPT já testa alternativas para esse armazenamento. eldquo;Vamos testar ônibus movidos a hidrogênio com a EMTU. A empresa gerencia 5 mil coletivos na Grande São Paulo. O governo do Estado pode criar postos de abastecimento com hidrogênio para esses ônibus, porque precisa ter uma demanda para funcionar. É isso que tentamos incentivarerdquo;, disse o presidente do IPT. Como funciona Com o LabH², o IPT passa a ter estrutura para produção, compressão, armazenamento e fornecimento de hidrogênio. A produção pode envolver processos que utilizam exclusivamente energia renovável ou também com baixa emissão, por exemplo, a partir do aproveitamento de resíduos. O hidrogênio é vantajoso tanto em usos de mobilidade quanto em processos de aquecimento na indústria, a exemplo da cerâmica e de metais. No carro a hidrogênio, a energia usada para mover o veículo é produzida no motor, de forma constante, o que torna o veículo mais eficiente. Assinado em 2015, o Acordo de Paris prevê esforços para limitar alta da temperatura global a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais (meados do século 19). Tecnologias que permitam uma transição energética são essenciais para evitar a queima de combustíveis fósseis.

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Petróleo desaba 4% e toca mínimas em 5 meses, após Trump ameaçar tarifa à China

Os contratos futuros do petróleo fecharam em forte queda nesta sexta-feira, 10, acelerando perdas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou elevar as tarifas contra a China. A commodity já apresentava baixa de cerca de 2% pela manhã, com a confirmação de Israel de que o acordo de cessar-fogo em Gaza havia entrado em vigor. O petróleo WTI para novembro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em baixa de 4,24% (US$ 2,61), a US$ 58 90 o barril. Já o Brent para dezembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 3,82% (US$ 2 49), a US$ 62,73 o barril. Na semana, o WTI e Brent cederam 3 25% e 2,78%, respectivamente. Com a forte a deterioração do sentimento de risco dos mercados, os contratos do petróleo atingiram os menores níveis entre 4 e 5 meses. De acordo com o presidente dos EUA, o governo eldquo;está calculando um grande aumento das tarifas sobre produtos da Chinaerdquo;, em resposta ao que classificou como um movimento eldquo;hostilerdquo; de Pequim para restringir exportações de terras raras. Sobre o Oriente Médio, o republicano planeja realizar uma cúpula de líderes mundiais sobre a situação em Gaza durante sua visita ao Egito na próxima semana, segundo a Axios. eldquo;É um golpe triplo hoje para o petróleoerdquo;, diz Rebecca Babin, da CIBC Private Wealth US. O reacendimento das tensões tarifárias prejudicará a demanda, o cessar-fogo em Gaza levou a uma redução do risco geopolítico, e os investidores ainda têm espaço para aumentar suas posições vendidas, diz ela. Embora um fluxo regular de manchetes da Rússia/Ucrânia esteja incentivando a entrada e saída de capital especulativo nos mercados de petróleo até o final deste mês, a Ritterbusch também observa uma deterioração nos balanços globais da commodity. (Estadão Conteúdo)

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Impedir a indústria de petróleo é lesa-pátria, diz gerente da Petrobras

O gerente-executivo de Programas Estratégicos da Petrobras, Wagner Victer, disse nesta quinta-feira (9) que a ideia interromper a produção de petróleo por conta da transição energética eldquo;é um trabalho de lesa-pátriaerdquo; que atende aos interesses estrangeiros. eldquo;É inaceitável que o Brasil hoje caia em pautas internacionais que estão criando obstáculos à produtividade e desenvolvimento da indústria e do petróleo brasileiro. Impedir a continuidade e o fomento da indústria de petróleo do Brasil é um trabalho de lesa-pátria e fundamentalmente que vai contra o meio-ambiente, porque o Brasil hoje é o país que produz petróleo com menos carbono associado entre os grandes do mundoerdquo;, afirmou. A declaração foi feita durante o último dia da Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia, evento promovido pelo Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) e realizado em Serra, no Espírito Santo. eldquo;Não produzir petróleo no Brasil fará com que esse mercado seja ocupado por outros países. Quer dizer que não teremos recursos para pesquisa e desenvolvimento. Representa fechar futuramente a Bacia de Campos, do Espírito Santo e de Santos, porque ela não são eternaserdquo;, destacou Victer, nomeado ano passado como um eldquo;supergerenteerdquo; da estatal. O executivo salientou não ser contra a transição energética e a promoção da sustentabilidade durante os processos de produção, mas afirmou que o tema não pode minar a produtividade e os recursos provenientes do petróleo ao país. eldquo;Não há meio-ambiente se você não tem emprego e desenvolvimento econômico. Não podemos nos abster de discutir isso. O Brasil é responsável por 1% só das emissões fósseis do mundo. Fazer movimento e discurso contra a produção de petróleo atende a interesses estrangeiroserdquo;, concluiu.

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Mesmo com queda do petróleo, Petrobras mantém preço da gasolina e lucro de distribuidoras cresce

O preço da gasolina segue elevado no Brasil, apesar da queda no valor do petróleo no mercado internacional e da valorização do real frente ao dólar. Segundo dados do Boletim de Preços do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), referentes ao mês de setembro, a Petrobras manteve o preço da gasolina em suas refinarias 12% acima do Preço de Paridade de Importação (PPI) endash; índice que serve como referência internacional para o setor. Essa diferença foi a maior registrada ao longo do ano. O cenário indica que haveria margem para uma nova redução no valor cobrado pela estatal, eldquo;especialmente da gasolina, sem comprometer de forma significativa seus resultados operacionaiserdquo;, segundo análise técnica do Ineep. Mesmo diante desse espaço técnico, o preço médio da gasolina nos postos de combustível manteve-se em R$ 6,19 por litro em setembro emdash; patamar superior à média dos últimos cinco anos para o período. A região Norte continua com os preços mais altos do país. Em estados como Acre e Amazonas, os valores chegaram a R$ 7,53 e R$ 7,02, respectivamente. Outro fator que contribui para a manutenção de preços elevados é o crescimento da margem de lucro das distribuidoras e revendedoras. O boletim mostra que essa margem passou de R$ 0,96 por litro em janeiro (15,5% do preço final) para R$ 1,30 em setembro (21%). A alta representa um crescimento de mais de 35% no ano. Pressão por controle de preços reacende debate sobre distribuição Diante do cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem cobrado fiscalização mais efetiva. Em discurso realizado em julho, ele criticou a falta de repasse das reduções feitas pela Petrobras. eldquo;Não é possível que a Petrobras anuncie um desconto e esse desconto não chegue para o consumidorerdquo;, afirmou, destacando o papel de órgãos como a ANP, os Procons e o Cade. A diferença entre os preços cobrados pela Petrobras e os valores pagos nas bombas também reacendeu o debate sobre o papel da estatal na distribuição. A empresa abandonou esse segmento após a privatização da BR Distribuidora (atualmente Vibra) em 2019, durante o governo Bolsonaro. Desde então, os elos intermediários da cadeia ampliaram sua margem de lucro. Segundo o Ineep, o retorno da Petrobras à distribuição seria estratégico para eldquo;conter práticas abusivas nas margenserdquo; e enfrentar a infiltração de redes criminosas no setor. A proposta encontra apoio de entidades como a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que denuncia a existência de eldquo;uma anomalia no mercado de combustíveis do Brasilerdquo;. Ainda que a Petrobras tenha negado oficialmente a existência de um plano para retomar a distribuição, o tema tem sido debatido internamente e conta com defensores dentro do Conselho de Administração da empresa. Para além da gasolina, o boletim aponta que a margem de revenda também cresceu significativamente no gás de cozinha (GLP), ultrapassando os 51% do preço final do botijão. Já no caso do diesel, a margem oscilou ao longo do ano e fechou setembro em patamar semelhante ao de janeiro. A combinação entre a resistência da Petrobras em reduzir preços e o aumento das margens privadas ajuda a explicar por que, mesmo com petróleo barato e dólar em queda, o combustível continua pesando no bolso do consumidor brasileiro. Projeto quer obrigar postos a revelar lucros e pressionar redução nos preços Diante da resistência dos postos em repassar as reduções feitas pela Petrobras nas refinarias, o deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) protocolou no final de setembro um projeto de lei que busca dar mais transparência à formação de preços dos combustíveis. A proposta altera a Lei nº 12.741, que hoje exige apenas a discriminação dos tributos na nota fiscal, e obriga que a composição completa dos preços seja informada ao consumidor. O texto exige que os estabelecimentos exibam, na nota fiscal, o preço cobrado pela Petrobras ou importador; o custo dos biocombustíveis adicionados (etanol anidro ou biodiesel); os tributos federais (Cide, PIS/Pasep e Cofins) e estaduais (ICMS); e as margens brutas de comercialização, incluindo os ganhos de distribuidoras e postos. Na avaliação do parlamentar, a medida é uma forma de enfrentar o que chamou de eldquo;caixa-pretaerdquo; da cadeia de preços. eldquo;O consumidor paga o valor na bomba sem saber o que corresponde à margem de lucro ou ao custo de produçãoerdquo;, afirma Boulos no projeto. Para ele, a proposta também pode inibir aumentos abusivos e pressionar pela redução quando houver cortes anunciados nas refinarias. Em caso de descumprimento, o projeto prevê sanções que vão de advertência e multa até a cassação da autorização de funcionamento pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A proposta também tem apoio dentro do governo, que vê na transparência uma forma de reduzir os efeitos das margens privadas no preço final dos combustíveis. Norte sempre mais caro A região Norte registrou mais uma vez, em setembro, os preços médios mais altos do país para todos os combustíveis: gasolina, diesel, gás de cozinha (GLP) e etanol. Segundo o boletim do Ineep, o litro da gasolina foi vendido a R$ 6,58, enquanto o botijão de gás de 13 kg chegou a R$ 121,87 emdash; ambos os valores acima das médias nacionais. O Amazonas lidera o ranking com R$ 7,02 por litro de gasolina e R$ 5,49 pelo litro do etanol, mesmo sendo um estado produtor de petróleo. A margem de revenda na região também supera a média brasileira. No caso da gasolina, a margem foi de 21% no Norte, contra 19% no restante do país. No diesel, a diferença é ainda maior: 19% no Norte contra 16% na média nacional. Já no gás de cozinha, a margem alcançou 52% no Norte, três pontos percentuais acima da média nacional. Especialistas atribuem os preços elevados a um conjunto de fatores estruturais: privatização da refinaria local, concentração de mercado, verticalização das operações e alta dependência da importação. A Refinaria Isaac Sabbá (Ream), localizada em Manaus, foi vendida ao Grupo Atem no fim de 2022. Desde então, sua operação caiu para apenas 20% da capacidade, e a empresa passou a importar derivados em vez de refinar petróleo nacional. Embora a refinaria opere dentro da Zona Franca de Manaus e conte com benefícios fiscais, esses incentivos não têm sido repassados ao consumidor. O Ineep defende que o modelo atual emdash; baseado em importação e concentração privada emdash; amplia a desigualdade no acesso aos combustíveis e compromete a soberania energética da região.

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Investigações sobre máfia dos combustíveis podem atingir do Centrão ao governo

Quem acompanha de perto as investigações das diversas operações (Carbono Oculto, Square, Tank e Quasar) relacionando a máfia dos combustíveis, PCC e mercado financeiro prevê que o meio político será fortemente atingido. Do Centrão ao governo. A possibilidade de uma delação premiada de Roberto Leme da Silva, o Beto Louco, um dos líderes das bilionárias fraudes do setor de combustíveis, não está afastada. Uma força-tarefa do Judiciário está cuidando do rolo. Seis juízes no total, três federais e três da Justiça de São Paulo.

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ANP recebe mais um equipamento que detecta teor de biodiesel e metanol em campo

A ANP recebeu ontem (9/10), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), por meio da Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos do Consumidor (PRODECON/DF), a doação de um espectrofotômetro, modelo FTIR, equipamento portátil que permite a identificação em campo da presença de metanol na gasolina e no etanol e do percentual de biodiesel adicionado ao óleo diesel. O equipamento foi entregue pelo Promotor da 1a Procuradoria de Defesa do Consumidor (Prodecon) do MPDFT, Paulo Binicheski, em cerimônia no edifício-sede do MPDTF, em Brasília, com a presença do Diretor-Geral da ANP, Artur Watt, da Diretora Symone Araújo e do Diretor Pietro Mendes. Artur Watt, em seu discurso no evento, falou sobre a importância da parceria com o MPDFT, que irá beneficiar a sociedade. "A ANP já realiza suas fiscalizações com bastante empenho, mas esse é um equipamento moderno, um equipamento novo, que tem como principal característica fazer a verificação eletrônica no local do teor de metanol, eventualmente misturado no etanol ou na gasolina - porque é para ter zero - e do teor de biodiesel misturado ao diesel - que é para ter 15%, atualmente. Menos do que esse percentual de biodiesel irá prejudicar a produção nacional. Misturas diferentes disso representam fraudes tanto ao nosso consumidor quanto o produtor nacional", afirmou. Trata-se do sétimo espectrofotômetro FTIR recebido pela ANP. A doação foi realizada por intermédio da Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos do Consumidor, que celebrou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com uma rede de supermercados prevendo, como forma de compensação por danos coletivos, a doação do equipamento à ANP. O primeiro equipamento foi doado à ANP pelo Ministério Público do Estado do Sergipe (MPSE) e os outros cinco, pela iniciativa privada. No caso do metanol, a Agência já utilizava outro tipo de teste para detecção em campo, e os FTIRs vieram se somar para ampliar ainda mais esse controle. Com relação ao percentual de biodiesel, sem esse equipamento, somente é possível identificar o teor incorreto em laboratório, ou seja, após o final da ação fiscal. Com o dispositivo, o agente de fiscalização da ANP consegue detectar em campo se a mistura obrigatória de biodiesel no óleo diesel está sendo cumprida e se há presença de metanol na gasolina e no etanol, aplicando imediatamente medida cautelar de interdição em casos de irregularidades e impedindo que o produto não conforme chegue ao consumidor. Tanto no caso da detecção de irregularidades em campo quanto em laboratório, a ANP aplica um auto de infração e instaura processo administrativo, no qual é garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório, garantido por lei. Em caso de condenação, o agente está sujeito às penalidades previstas em lei, como multas (que podem chegar a R$ 5 milhões), suspensão e revogação da autorização.

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