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IBP debate cooperação internacional e descarbonização do setor de transporte

Acelerar a descarbonização, com base na realidade atual da sociedade para a construção de um processo de transição energética justo e a redução de emissões no setor de transporte foram discutidos pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) nesta terça-feira, 18/11, na COP30, em Belém. O painel eldquo;Assumindo Nossa Responsabilidade Compartilhada: Forjando um Futuro Verde e de Baixo Carbonoerdquo;, realizado na EY House, reuniu especialistas do Brasil e da China para debater caminhos concretos para acelerar a descarbonização, com foco em tecnologia, cooperação internacional e responsabilidade climática no setor de energia. O presidente do IBP, Roberto Ardenghy, destacou que a transição energética precisa ser construída com base na realidade atual e não em expectativas simplificadas. Para Ardenghy eldquo;o grande equívoco que podemos cometer é acreditar em soluções simples para problemas complexoserdquo;. O presidente do IBP destacou também avanços recentes do setor no Brasil eldquo;reduzimos as emissões no setor de óleo e gás em 5,8 por cento de 2022 para 2023, ao mesmo tempo em que aumentamos a produção em 13 por centoerdquo;. Esse dado comprova que é possível avançar na oferta de energia enquanto se reduz a pegada de carbono, desde que se invista em soluções tecnológicas como CCS, florestas costeiras, manejo de manguezais e otimização operacional. O painel contou também com a participação de Yeuhua Huang, presidente Brasil da CNOOC, que destacou o compromisso chinês com o pico de carbono antes de 2030 e a neutralidade até 2060, além de apresentar projetos que combinam captura de carbono, gás natural e energias renováveis. Para Huang, eldquo;o Brasil tem imenso potencial para eólicas offshore e a China está comprometida em cooperar com sua experiência para apoiar as metas nacionaiserdquo;. O consultor sênior da Transpetro, Newton Sobrinho, ressaltou que a transição energética deve preservar a infraestrutura construída nos últimos 170 anos e garantir empregos e crescimento econômico. eldquo;Precisamos preparar pessoas e empresas para a transição, sem destruir o que sustentou nossa economia por décadaserdquo;. Já Rafael Tello, presidente global da Ambipar e moderador do debate, reforçou que eldquo;a confiança pública e a clareza das ações empresariais são fundamentais para consolidar avançoserdquo;. Gerard Gallagher, líder de sustentabilidade da EY para a Europa, Oriente Médio, Índia e África, destacou o estudo do IBP sobre descarbonização, além da necessidade da eldquo;construção de um road map pragmático que coloque em prática todas as ideias já debatidas e mencionou que a integração tecnológica entre países é um pilar fundamental e que nesse sentido, publicações como a do IBP que reúne mais de 50 tecnologias para transição energética e descarbonização são fundamentais em um cenário que precisa considerar a mitigação completa das emissões de metanoerdquo;. Conexão Brasil x Itália Já Brasil e Itália possuem grande potencial para impulsionar ações para a descarbonização do setor de transporte a partir dos biocombustíveis. No painel "The Brazil and Italy Connection through Biofuels for the Descarbonization of Hard-to-Abate Transport Sector", no Pavilhão Italiano da COP 30, o presidente do IBP destacou a oportunidade de alinhar capacidades tecnológicas, produtivas e logísticas entre os dois países. eldquo;O que discutimos aqui é a questão dos biocombustíveis e o papel que Itália e Brasil podem ter nesse setor. O Brasil é um grande produtor. A Itália apoia essa ideia de aumentar a produção de biocombustíveis para descarbonizarmos, especialmente nossa matriz de transporteerdquo;, afirmou Roberto Ardenghy. Representante do governo italiano, Alberto Pella, do Ministério de Meio Ambiente e Segurança Energética, reforçou o compromisso da Itália com o avanço global dos biocombustíveis sustentáveis. eldquo;Para nós, o papel do sistema de biofuels é claro e pragmático. Eles têm função estratégica na aviação, no transporte marítimo e no rodoviárioerdquo;, destacou. Já David Chiaramonti, chair da Biofuture Platform, lembrou que a cooperação mostra resultados concretos por meio de estudos recentes da Agência Internacional de Energia (IEA) indicando que a cadeia global dos biocombustíveis está avançando para emissões negativas, com benefícios adicionais ao solo e ao uso da terra. eldquo;Os biocombustíveis sustentáveis são uma solução disponível agora, aplicável na infraestrutura atual, enquanto tecnologias como hidrogênio e amônia avançam no longo prazo. E o Brasil é o país mais importante do mundo nessa áreaerdquo;, afirmou. A moderadora Helena Gressler, chefe da divisão de energia e mineração do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, destacou que o tema da sustentabilidade precisa ser entendido de forma integrada, considerando economia, meio ambiente e impacto social. eldquo;O biofuel não será solução para todos, mas é uma oportunidade concreta para muitos países. Nosso papel é compartilhar experiências e tornar visíveis os benefícios potenciais dessa agendaerdquo;, afirmou.

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ANP propõe uso inédito da Lei do Gás para avanço de projeto essencial para a garantia do suprimento

A ANP propôs pela primeira vez o uso do dispositivo de contestação introduzido pela Lei do Gás de 2021 para garantir que a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) inicie imediatamente a construção da Estação de Compressão (Ecomp) de Japeri (RJ), projeto considerado importante para compensar o declínio da importação da Bolívia e garantir o suprimento de gás natural no país. Na reunião de diretoria de terça (18/11), a agência determinou o início imediato das obras. Caso contrário, vai abrir processo seletivo público para que outro agente assuma o investimento. É a primeira vez que é usado o instrumento da contestação, que permite que outras transportadoras possam manifestar interesse na implantação de ativos com a mesma finalidade. Entretanto, o instrumento ainda não foi regulamentado. A NTS trava com a ANP um longo impasse sobre as condições de remuneração do ativo. A companhia começou o processo de aprovação do projeto em 2022 e obteve a autorização para construção em janeiro deste ano. O empreendimento ainda não saiu do papel porque a transportadora e a ANP divergem sobre os parâmetros da remuneração do investimento. A Ecomp de Japeri visa ampliar a disponibilidade de gás do pré-sal no mercado nacional, em meio à queda na importação do produto boliviano. Essa não foi a única decisão dos diretores da ANP na reunião de ontem com repercussões no mercado. Em outro processo, a agência determinou que a Petrobras precisa apresentar em até três meses um plano para adequar às especificações a Unidade de Tratamento de Caraguatatuba (SP), a UTGCA. O perfil de composição do gás processado na unidade mudou a partir de 2020, com a ampliação do uso de volumes do pré-sal. Com isso, a UTGCA passou a ofertar ao mercado gás com teor mínimo de metano de 80% endash; abaixo do limite regulatório de 85%. Desde então, a unidade vem operando com base em autorizações especiais. A Petrobras cancelou em 2020 o projeto de modernização da UTGCA, alegando, na ocasião, inviabilidade econômica financeira. Agora, a apresentação do plano de ação passa a ser condicionante à renovação da autorização especial.

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Para produzir combustível limpo de avião, Brasil terá de apostar em óleos e etanol, diz estudo

O caminho do Brasil para a produção de SAF (combustível sustentável de aviação) em larga escala terá de mirar, inicialmente, o uso de óleos e gorduras residuais como matéria-prima. No entanto, a grande aposta a longo prazo é uma tecnologia que produz o combustível a partir de etanol e outros álcoois, combinada a outras rotas. Essa é a conclusão de um estudo elaborado pelo Instituto E+ Transição Energética, think tank brasileiro independente que promove debates sobre transição energética e transformação verde da indústria. Uma das saídas para a descarbonização do setor, o SAF polui até 80% menos do que o querosene tradicionalmente usado pelas companhias aéreas. No entanto, ainda é caro e possui volumes insuficientes para dar conta de toda a demanda. Segundo o estudo, com base na produção agrícola do país em 2021, o Brasil teria potencial para a instalação de 934 plantas de SAF, número quase oito vezes maior do que a capacidade do México e 33 vezes maior do que o potencial da Colômbia. Essas plantas serviriam a duas tecnologias: a HEFA (querosene parafínico sintetizado por ácidos graxos e ésteres hidroprocessados) e a ATJ (Alcohol-to-Jet, querosene parafínico sintetizado por álcool). A HEFA é atualmente a tecnologia mais madura nesse segmento. Numa escala de prontidão tecnológica elaborada pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e enumerada de 1 a 10, alcançou o patamar 9, sendo que o número aumenta proporcionalmente à maturidade do projeto. A produção do SAF por meio da HEFA se dá a partir do uso de óleos e gorduras residuais. Antes da obtenção do biocombustível, as matérias-primas passam por processos químicos para remoção de insaturações, oxigênio e compostos indesejáveis e encurtamento e ramificação das cadeias de hidrocarbonetos (compostos orgânicos formados por átomos de carbono e hidrogênio). De acordo com o Instituto E+, a HEFA é uma tecnologia madura e compatível com a infraestrutura de refino existente e permite o processamento em refinarias convencionais e requer menos investimentos. A Petrobras já investe na tecnologia. Segundo a estatal, a Reduc (Refinaria Duque de Caxias), no Rio de Janeiro, é a primeira refinaria no Brasil certificada para produzir e comercializar SAF pela rota HEFA. Ainda de acordo com a empresa, a Reduc possui autorização da ANP para incorporar até 1,2% de matéria-prima renovável na produção de SAF por essa rota. A previsão da Petrobras é de que a refinaria inicie nos próximos meses a produção para comercializar até 50 mil metros cúbicos do combustível por mês. Apesar da maturidade da rota HEFA, o Instituto E+ Transição Energética aponta a rota ATJ (Alcohol to Jet), que produz SAF a partir do etanol ou outros álcoois, como a tecnologia mais consistente para ampliar a produção do combustível no Brasil. "Diferentemente do HEFA, o AtJ se baseia na indústria nacional de etanol, que já opera em larga escala e utiliza uma matéria-prima com uma das menores emissões de ciclo de vida do mundo. À medida que a eletrificação dos veículos transforma o mercado do etanol, o Brasil tem uma oportunidade estratégica de antecipar essa transição e direcionar parte de sua produção de etanol para produtos de maior valor agregado, como o SAF", diz o estudo. A Raízen recebeu, em 2023, a certificação ISCC Corsia Plus, que comprova que o etanol produzido pela empresa na planta de Costa Pinto, em Piracicaba (SP), cumpre os requisitos internacionais para a produção de SAF. "Com um potencial estimado de produção de mais de 6,5 bilhões de litros por ano, o AtJ é viável. Resta saber se o país o adotará como estratégia nacional ou se o deixará se tornar uma oportunidade industrial perdida", escreve o Instituto E+ Transição Energética. Na visão de Pedro Guedes, analista de transição energética para biocombustíveis do Instituto E+ Transição Energética, no futuro, as duas tecnologias terão de estar associadas a outras rotas de produção do combustível. Uma delas é a Fischer-Tropsch, um processo chamado de "gas-to-liquid" ("gás para líquido", na tradução), por meio do qual há a conversão do gás de síntese (hidrogênio e monóxido de carbono) em hidrocarbonetos, que, após o refino, viram combustível. Matérias-primas incluem eucalipto e cana-de-açúcar. De acordo com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), essa rota já tem um bom nível de prontidão tecnológica, mas ainda aquém da HEFA. O estudo cita ainda uma última alternativa para o futuro: o PtL ("Power-to-Liquid"), que utiliza eletricidade para converter água e gás carbônico em biocombustível. A tecnologia, porém, é cara e não é produzida em grande escala. "O PtL se alinha bem às vantagens estruturais do Brasil: mais de 80% de sua eletricidade já vem de fontes renováveis, e o país possui um vasto e ainda inexplorado potencial para a produção eletrolítica de hidrogênio de baixo carbono. Essas condições fazem do Brasil um candidato natural para projetos-piloto de PtL, especialmente em zonas industriais e portuárias", conclui o estudo.

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Lula diz confiar em acordo para fim dos combustíveis fósseis

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (19) o mapa do caminho (roadmap) para o fim da dependência dos combustíveis fósseis e disse acreditar que os negociadores brasileiros chegarão a um bom-termo sobre a questão, respeitando a soberania de cada país. Esse vem sendo um dos principais temas negociados na agenda paralela da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), em Belém. eldquo;É por isso que nós colocamos a questão do mapa do caminho [para o fim dos combustíveis fósseis]. É preciso que a gente diminua a emissão de gás de efeito estufa. E se o combustível fóssil é uma coisa que emite muitos gases, nós precisamos começar a pensar como viver sem combustível fóssil", defendeu. Clique aqui para continuar a leitura.

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Mapa para redução de combustíveis fósseis divide até delegação brasileira

Com as negociações da COP30 no Brasil em reta final, altos funcionários do governo estão divididos sobre uma das principais prioridades do encontro. Enquanto alguns esperam aprovar um roteiro para que o mundo deixe de usar combustíveis fósseis, outros argumentam que os esforços devem se concentrar em melhorar o financiamento para a adaptação climática, de acordo com pessoas ouvidas pela Bloomberg. Cerca de 80 países apoiam o chamado mapa do caminho para redução de combustíveis fósseis. O assunto não está na agenda formal da COP, mas é uma prioridade do governo Lula e ganhou ainda mais atenção com a ida do presidente à Belém, sede da COP, nesta quarta-feira. A ambição original da presidência brasileira era sair da conferência com a criação de um grupo de trabalho para estabelecer um calendário de dois anos para inciar a redução da dependência de fontes fósseis, como petróleo e carvão. Mas há poucos sinais de que esse objetivo será atingido. Alguns integrantes do governo envolvidos nas negocaições temem que, se houver avanço no roadmap, isso possa comprometer o progresso que vinha sendo feito na área de financiamento para adaptação, disseram as fontes. Um acordo feito na COP2021 para dobrar esse financiamento para cerca de US$ 40 bilhões expira no final deste ano. E há discussões sobre como os países--membros da conferência do clima farão a partir do ano que vem. As visões divergentes não passaram despercebidas entre os observadores da COP. Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, afirmou que a divisão se dá entre eldquo;aqueles que querem salvar o mundo e aqueles que querem salvar o sistemaerdquo;. Obsevadores cobram ações concretas tanto na questão dos combustíveis fósseis como na do desmatamento ilegal. eldquo;Queremos mapas do caminho que sejam efetivamente planos de ação, tanto para superar os fósseis quanto para zerar o desmatamento. Precisamos mobilizar recursos para isso, e queremos que a defesa feita por Lula para que as petroleiras, mineradoras e os superricos ajudem a pagar a conta da transição energética seja de fato incorporada. Ou seja, precisamos ver tudo isso no texto final acordado por todos os países. Aí sim teremos motivos para celebrar. Belém de fato está entregando uma linda COP, mas ela é feita também do texto final, e esse ainda não veioerdquo;, disse em nota a diretora executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali.

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Mesmo com queda do petróleo, gasolina e gás de cozinha não recuam em 2025, mostra levantamento

A trajetória de queda no preço internacional do petróleo ao longo de 2025 ainda não se traduziu em alívio para o consumidor final, especialmente gasolina e GLP (gás de cozinha). A constatação é do Boletim de Preços dos Combustíveis do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), que analisou a evolução dos valores entre janeiro e outubro. Segundo o relatório, o barril de petróleo recuou 18,6% em dólar no período. A gasolina A comum, considerando a média de todas as refinarias, incluindo a Petrobras, registrou queda de 21,3%. Apesar disso, o preço final ao consumidor praticamente não se mexeu: passou de R$ 6,18, em janeiro, para R$ 6,20, em outubro, alta de 0,3%. O boletim aponta como principal motivo a disparada da margem de distribuição e revenda, que subiu 31,3%, de R$ 0,96 para R$ 1,26. Segundo o IPCA de outubro, os combustíveis tiveram alta de 0,32%. Somente o óleo diesel que caiu 0,46%, Os demais combustíveis tiveram variações positivas: etanol (0,85%), gás veicular (0,42%) e gasolina (0,29%). O GLP também reagiu à queda do petróleo no mercado externo. O Preço de Paridade de Importação (PPI) do produto recuou 6,6% em outubro, após meses de estabilidade. Mesmo assim, não houve redução nas refinarias nem nos valores cobrados do consumidor. Ao contrário: o boletim salienta que o preço do gás de cozinha acumulou sucessivos aumentos ao longo do ano e, em outubro, ultrapassou pela primeira vez o maior patamar dos últimos cinco anos. O movimento foi puxado pelo avanço de 8,3% na margem de distribuição e revenda entre janeiro e outubro.

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