Lula sanciona último projeto de regulamentação da reforma tributária e lança nova plataforma
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira, 13, o projeto de lei complementar (PLP) 108/2024, que cria o comitê gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) - órgão responsável por gerir e coordenar o novo imposto de Estados e municípios - e conclui a regulamentação da reforma tributária. O Palácio do Planalto não informou se houve vetos ao texto, aprovado pelo Congresso em dezembro.
Lula agradeceu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pela sua eldquo;competência e paciênciaerdquo; na construção da reforma tributária. Aproveitou, também, para agradecer a técnicos da pasta. Ele participou de uma cerimônia de lançamento da plataforma digital da reforma tributária, na sede do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) em Brasília.
O portal da Reforma Tributária será acessado por meio do Gov.br e concentrará funcionalidades como calculadora de tributos, apuração assistida e monitoramento em tempo real de valores a pagar e créditos a receber pelas empresas.
Segundo o Ministério da Fazenda, o portal, desenvolvido pelo Serpro em parceria com a Receita Federal, tem capacidade estimada para processar cerca de 200 milhões de operações por dia e movimentar aproximadamente cinco petabytes de dados por ano, tendo sido testado por quase 500 empresas nos últimos seis meses.
O ano de 2026 marca o início da fase de testes da reforma tributária de impostos sobre o consumo. As empresas terão até o quarto mês após o regulamento para testar os novos sistemas e se adaptarem, com a garantia de que não serão penalizadas.
Depois desse período de adaptação, as companhias de maior porte terão de informar nas notas fiscais os valores correspondentes às alíquotas-teste da CBS - o novo imposto federal - (0,9%) e de IBS - novo imposto de Estados e municípios - (0,1%), sem que haja recolhimento. eldquo;O objetivo é testar sistemas, validar processos e subsidiar o cálculo das alíquotas definitivas que manterão a carga tributária atualerdquo;, diz a nota da Fazenda.
O presidente disse que o governo tem de trabalhar para construir previsibilidade e estabilidade no País, tanto fiscal quanto jurídica. Ele afirmou que essas qualidades são necessárias para que as pessoas confiem umas nas outras.
eldquo;A gente tem que garantir à sociedade estabilidade fiscal, a gente tem que garantir a estabilidade social e a gente tem que garantir previsibilidade nesse País, e tudo é possível ser feito quando a gente aprende a conviver democraticamente na diversidadeerdquo;, disse Lula.
elsquo;Banho de água fria nos chamados mercadosersquo;, diz Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o anúncio da reforma tributária como uma prioridade do terceiro governo Lula foi um eldquo;banho de água friaerdquo; para atores do mercado que duvidavam da aprovação das mudanças.
eldquo;Aquilo foi um banho de água fria nos chamados mercados. Quer dizer que invés de cortar direitos trabalhistas, de cortar direitos sociais, de encolher o Orçamento, de encolher o Estado, de vender empresa estatal, o ministro anuncia que vai fazer uma reforma tributária que já foi tentada dez vezes e não foi bem sucedida? Ouvi até de colegas dizendo que estava contratando um desgaste para o governo Lulaerdquo;, declarou Haddad.
Haddad disse ainda que a reforma tributária estava no plano de governo de Lula para as eleições de 2018, onde o atual presidente foi impedido de concorrer devido às condenações da Operação Lava Jato. Segundo o ministro, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não procurou conduzir o tema por eldquo;total desconhecimentoerdquo; e o ex-ministro da Economia Paulo Guedes por ter eldquo;outras pretenções de tributaçãoerdquo;.
eldquo;Infelizmente quem ganhou a eleição em 2018 tenha sido o único que não se sensibilizou com aquela proposta, talvez por total desconhecimento ou porque tinha um ministro da Economia que tinha outras pretensões de tributação, ao invés dessa que foi aprovada no Congresso Nacionalerdquo;, afirmou o ministro da Fazenda.
O ministro disse ainda que o sistema tributário brasileiro vai eldquo;sair da lanterninhaerdquo;, com a possibilidade de se colocar entre as dez melhores do mundo. Ele também elogiou o potencial de progressividade, com cashback - devolução de parte dos tributos pagos pela baixa renda.
Segundo Haddad, o Brasil vive um eldquo;inferno do ponto de vista tributárioerdquo;, necessitando de aumento de produtividade. eldquo;A gente [precisa] alocar as pessoas para aquilo que mais interessa, a geração de bem-estar. O nosso sistema tributário atual gera mal-estar, nós temos que mudar issoerdquo;, disse o ministro.
De acordo com Haddad, o PIB brasileiro está crescendo no dobro da média do período anterior ao governo petista. O ministro petista exortou que o País tem potencial para alcançar melhores resultados.
O ministro da Fazenda disse ainda que os dados da reforma tributária estarão armazenadas em um data center seguro, ao elogiar as instalações do Serpro. O ministro disse ainda que o novo sistema tributário vai permitir uma radiografia completa economia.
Erros de preenchimento serão elsquo;praticamente eliminadosersquo;, diz secretário
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse que todos ficarão impressionados com o novo sistema de tributação sobre o consumo. eldquo;Inauguramos a fase de implementação da maior revolução já feita na relação entre os contribuintes brasileiros e o governo do Brasilerdquo;, comentou.
eldquo;Assim como as pessoas de outros países ficam maravilhadas com a nossa declaração pré-preenchida do Imposto de Renda, que é motivo de orgulho da Receita Federal para o Brasil, todos ficarão ainda mais impressionados com esse novo sistema da tributação sobre o consumoerdquo;, apontou Barreirinhas.
O secretário afirmou que erros de preenchimento de documentos fiscais serão eldquo;praticamente eliminadoserdquo;. eldquo;E mesmo assim, se mesmo com essa cooperação toda, o contribuinte cometer algum erro de preenchimento da nota fiscal, o sistema vai avisar, vai sempre orientar o bom contribuinte e o bom contribuinte brasileiro, dando oportunidade para correçãoerdquo;. E completou dizendo que empresário não precisará se preocupar em eldquo;tentar adivinhar qual é o entendimento da Receita Federalerdquo;.
Barreirinhas ainda fez menção à sanção do projeto que endurece as regras contra o devedor contumaz, na semana passada, dizendo que ele eldquo;finalmente separou o joio do trigoerdquo;. eldquo;Não basta alcançarmos devedores contumazes, é preciso mudar a relação com os bons contribuintes, facilitar a vida do empresário brasileiroerdquo;, completou.
Lula fez poucos vetos ao projeto, diz Durigan
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, disse que o presidente Lula fez poucos vetos ao Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 108/2024, que cria o Comitê Gestor do IBS, órgão responsável por gerir e coordenar operacionalmente o novo imposto que será compartilhado entre Estados, Distrito Federal e municípios.
eldquo;O presidente fez alguns poucos vetos que já tinham sido antecipados nos diálogos com o Congresso, mas são poucos vetoserdquo;, disse Durigan em coletiva de imprensa.
Segundo o assessor da pasta João Nobre, a maioria dos vetos ao PLP 108 foram na parte que mudava a lei complementar anterior, nº 214/2025, que criou o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo (IS).
Um dos vetos é ao dispositivo que permitia a postergação do cashback quando houvesse tributação monofásica, por interpretação de que isso poderia gerar incompatibilidade com outras formas de cashback na modalidade de desconto.
Projeto do Imposto Seletivo deve ser apresentado a líderes dia 2
Sobre o projeto de lei do Imposto Seletivo (IS) - que incidirá sobre os bens e serviços considerados nocivos à saúde e ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e combustíveis, com objetivo de desestimular seu consumo -, Durigan afirmou que ele está eldquo;redondoerdquo; e deverá ser apresentado aos líderes partidários na volta do recesso parlamentar, a partir de 2 de fevereiro.
eldquo;O próximo passo é apresentar ao Congresso a medida do Imposto Seletivo. Do ponto de vista das equipes, acho que o processo está pronto, está redondo. Assim que o Congresso tomar as atividades, a gente deve comparecer ao Congresso para fazer a explicação aos líderes e iniciar desde logo, desde fevereiro mesmo, a tramitação do projeto de lei. Não tenho data, essa data depende um pouco da gente, mas como isso tá pronto na equipe econômica, assim que o Congresso retomar as atividades, a gente deve ir até o Congresso para apresentar issoerdquo;, disse o secretário-executivo.