Refinaria de Manaus mantém os preços mais altos de gasolina, diesel e GLP no país
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Na hora de abastecer, o valor exibido na placa do posto parece um número único. Na prática, porém, o preço final é resultado de uma cadeia longa e regulada, que começa na produção ou importação do combustível e termina na bomba. Ao longo do caminho entram tributos federais e estaduais, despesas com mistura obrigatória de biocombustíveis, custos logísticos e a margem de distribuição e revenda.
Como a precificação é livre em cada etapa emdash; dentro das regras do setor emdash; a participação de cada parcela varia por região e ao longo do tempo. Ainda assim, dados públicos consolidados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil (ANP) permitem entender a lógica da formação e visualizar percentuais médios do que o consumidor paga na hora de comprar gasolina, etanol ou diesel.
Como o preço do litro da gasolina é definido?
Na gasolina comum, o preço médio nacional costuma se dividir da seguinte forma:
Combustível na refinaria ou importado (cerca de 30%): essa parcela reflete o custo do derivado antes de impostos e logística. Ela é influenciada principalmente pelos preços internacionais de derivados de petróleo, pela cotação do dólar e pelas condições de oferta e demanda.
Etanol anidro (entre 15% a 17%): aqui não se trata da composição física, mas da fatia do preço final correspondente ao etanol anidro misturado à gasolina. Pela regra atual, a gasolina brasileira contém 27% de etanol anidro em volume, mas essa parcela representa cerca de 15% a 17% do valor pago pelo consumidor, dependendo do preço do etanol no período.
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS (aproximadamente 25%): tributo estadual cobrado por litro, com valor fixo definido de R$ 1,57 em todo o Brasil.
Tributos federais endash; PIS/Cofins e Cide (em torno de 11%): são impostos definidos pelo governo federal e aplicados de forma uniforme em todo o país.
Distribuição e margem do posto (cerca de 18%): inclui custos de transporte, armazenamento, operação do posto, funcionários, energia, aluguel e lucro. A concorrência local influencia diretamente essa parcela.
Atualmente, de acordo com a Petrobras, o preço médio do litro da gasolina é de R$ 6,31 no Brasil. Na prática, a composição de preços está dividida da seguinte forma:
Distribuicão e Revenda - R$ 1,21 (19,2%)
Custo do Etanol Anidro - R$ 1,05 (16,6%)
Imposto Estadual - R$ 1,57 (24,9%)
Impostos Federais - R$ 0,68 (10,8%)
Parcela Petrobras - R$ 1,80 (28,5%)
Como o preço do litro do diesel é definido?
Regras do preço do diesel são distintas; saiba quais são emdash; Foto: Murilo Góes/Autoesporte
Regras do preço do diesel são distintas; saiba quais são emdash; Foto: Murilo Góes/Autoesporte
No diesel, a estrutura média é diferente:
Combustível na refinaria ou importado (cerca de 45%): o peso do custo inicial é maior, tornando o diesel mais sensível a variações internacionais e cambiais.
Biodiesel (cerca de 14%): o diesel vendido no Brasil contém biodiesel em percentual obrigatório, atualmente definido por política pública. Esse percentual em volume é menor do que na gasolina, mas o biodiesel costuma ter custo elevado, fazendo com que sua participação no preço final seja significativa.
ICMS (em torno de 19%): assim como na gasolina, tem preço fixo, e, neste caso, de R$ 1,17.
Tributos federais (cerca de 5%): menores do que na gasolina, reduzem o peso total dos impostos no diesel.
Distribuição e margem do posto (cerca de 16%): custos logísticos e operacionais que variam conforme a região e a estrutura de abastecimento.
Como o preço do litro do etanol é definido?
No etanol hidratado, vendido diretamente ao consumidor, a formação é mais simples, mas bastante variável:
Custo de produção na usina (45% a 50%): depende da safra da cana-de-açúcar, produtividade agrícola, clima e custos industriais.
ICMS (20% a 30%): é o principal tributo do etanol e tem o mesmo custo de R$ 1,57.
Tributos federais: têm peso reduzido ou podem estar zerados em determinados períodos.
Distribuição e margem do posto (20% a 25%): o etanol é especialmente sensível à logística: quanto maior a distância das usinas, maior tende a ser o preço final.
Por que o preço do combustível varia de acordo com o estado?
Em médias históricas e períodos comparáveis, os dados da ANP mostram que São Paulo costuma apresentar preços de gasolina e etanol cerca de 5% a 10% menores do que os observados em estados mais distantes dos principais polos produtores, como Mato Grosso do Sul. Essa diferença não é fixa, mas recorrente ao longo das séries.
A explicação está na estrutura do mercado: São Paulo concentra refinarias, bases de distribuição e grande parte das usinas de etanol do país, o que reduz custos logísticos e de transporte. Já em estados mais afastados desses centros, o combustível percorre distâncias maiores até chegar aos postos, elevando o frete por litro.
Além disso, o nível de concorrência local entre postos também influenciam o preço final, contribuindo para variações regionais mesmo quando os demais custos são semelhantes.
O que faz o custo de produção do combustível variar?
As oscilações no preço do petróleo no mercado internacional são apenas um dos fatores que influenciam o custo dos combustíveis. No caso da gasolina e do diesel, o valor do barril é importante, mas não atua sozinho: entram também o câmbio, os preços internacionais dos derivados já refinados, custos de refino, importação e disponibilidade de produto no mercado global.
No etanol, a lógica é diferente. O custo de produção está ligado principalmente à safra da cana-de-açúcar, às condições climáticas, à produtividade agrícola e à demanda do setor sucroenergético. Por isso, o preço do etanol pode subir ou cair mesmo em períodos de estabilidade do petróleo.
Já o biodiesel, misturado ao diesel, tem custo influenciado pela oferta de matérias-primas, como óleos vegetais, além de regras de mistura obrigatória e da demanda do setor de transporte.
Essas diferenças explicam por que cada combustível reage em ritmos distintos às mudanças de cenário. Entre variações no custo de produção, decisões comerciais e estoques ao longo da cadeia, o impacto final na bomba tende a ocorrer de forma gradual emdash; e nem sempre simultânea entre gasolina, diesel e etanol.
Fonte/Veículo: Autoesporte
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