Petróleo cai com maior oferta prevista e redução de riscos no Oriente Médio
Os preços ezwnj;do petróleo caíram nesta quinta-feira devido à queda na demanda, ao recuo dos tem [...]
A crise energética em Cuba, provocada pelo endurecimento das sanções dos Estados Unidos, mobilizou organizações brasileiras em torno da campanha Petróleo para Cuba, que pressiona pela liberação do envio emergencial de combustível ao país caribenho. A iniciativa reúne o Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e Causas Justas, entidades populares, centrais sindicais, partidos políticos e personalidades, com apoio de federações nacionais dos petroleiros.
Segundo os organizadores, o Brasil tem condições técnicas e políticas de suprir, ao menos parcialmente, a demanda cubana por petróleo, responsável por garantir o funcionamento de serviços essenciais como saúde, educação, transporte e produção de alimentos. A proposta se ancora nos princípios constitucionais brasileiros de defesa da autodeterminação dos povos e da cooperação internacional.
O escalada da ofensiva contra Cuba ocorre no início do segundo mandato de Donald Trump, marcado pela retomada de uma política externa agressiva na América Latina, alinhada ao aprofundamento da Doutrina Monroe. Em 29 de janeiro, o presidente estadunidense assinou um decreto que autoriza a imposição de tarifas contra países que eldquo;vendam ou forneçam petróleo a Cubaerdquo;, ampliando o cerco econômico que já impacta o abastecimento de energia na ilha.
As articulações da campanha envolvem diretamente a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que negociam com a diretoria da Petrobras as possibilidades jurídicas e operacionais de envio de petróleo bruto ou refinado. A medida depende de autorização da estatal e, segundo os movimentos, enfrenta entraves burocráticos considerados incompatíveis com a urgência da situação cubana.
Reuniões entre as entidades sindicais e os comitês de solidariedade estão em curso para acelerar o processo. A primeira secretária da Associação Cultural José Martí do Rio Grande do Sul, Senira Beledelli, relata que há também uma frente de diálogo em Brasília, envolvendo a embaixada de Cuba, parlamentares e organizações sociais.
eldquo;A gente sabe que não é fácil a questão burocrática, ela leva um tempo, mas a necessidade de Cuba é urgente, é para ontem. O pessoal da Federação Nacional nos informou que eles têm condições de enviar petróleo suprindo a necessidade que Cuba temerdquo;, afirma.
Além de cartas e abaixo-assinados, a campanha prevê a entrega de documentos às direções regionais da Petrobras em diversos estados. Mesmo com a interrupção do ritmo institucional durante o Carnaval, os movimentos pretendem utilizar o período como espaço de visibilidade política.
eldquo;Encaminhamos numa reunião do movimento brasileiro de solidariedade a Cuba que, mesmo no Carnaval, nos blocos que a gente puder, vamos colocar a bandeira de Cuba, a bandeira da Venezuela, uma faixa, um cartaz. Todas as denúncias e todos os movimentos que a gente conseguir fazer são importanteserdquo;, diz Beledelli.
A proposta inicial busca atender ao suprimento imediato de combustível, mas os organizadores apontam possibilidades de médio e longo prazo, incluindo articulações com países dos Brics, bloco do qual Cuba participa como convidada. eldquo;Mais adiante, a intenção é que o envio passe a ser constante. Existem várias possibilidadeserdquo;, afirma.
Crise energética e impacto social
Altamente dependente do petróleo, Cuba enfrenta apagões prolongados que afetam diretamente a vida cotidiana da população. Mais de 90% da matriz energética do país é baseada em combustíveis fósseis, o que torna o bloqueio um fator central de desestabilização econômica e social.
eldquo;Na saúde, por exemplo, impede o funcionamento de geradores em hospitais. Como eles fazem racionamento, sempre priorizam os serviços básicos. Entre faltar energia para um hospital e para uma universidade, vai faltar para a universidadeerdquo;, explica Beledelli.
O racionamento atinge a população nos bairros de forma alternada. eldquo;Um dia falta tantas horas de luz num determinado momento do dia em um bairro, no outro dia vai ser em outro territórioerdquo;, relata.
Segundo os movimentos, a situação se agravou após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a declaração de Trump de que eldquo;nem uma gota a maiserdquo; do petróleo venezuelano chegaria à ilha. A Venezuela era, desde a Revolução Bolivariana, o principal parceiro energético, político e diplomático de Cuba.
Diante da escassez, o governo cubano retomou medidas adotadas durante o chamado eldquo;período especialerdquo;, como a redução das jornadas de trabalho, a suspensão parcial de aulas universitárias, a diminuição do transporte público e a realocação de combustíveis para garantir água e serviços essenciais. Paralelamente, o Estado iniciou a instalação de sistemas fotovoltaicos em áreas rurais, centros de saúde e residências de trabalhadores essenciais.
Solidariedade e pressão política
O Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e Causas Justas atua também em campanhas voltadas a outros povos afetados por conflitos e sanções, como Palestina, Venezuela e Saara Ocidental. Entre as ações recentes estão campanhas de doação de medicamentos, com participação de artistas, intelectuais e organizações populares, como o MST.
Manifestos divulgados pelo movimento, pela FNP e pelo MST destacam que a necessidade anual de petróleo de Cuba equivale a apenas seis dias da produção sob controle da Petrobras. eldquo;Ou seja, é viável e plausível que o nosso país encabece essa campanha de solidariedade internacionalerdquo;, afirma a federação, que ressalta: eldquo;Sem energia, não há hospitais, não há escolas, não há produção de alimentos. Negar energia a um povo é uma violação sistemática dos direitos humanoserdquo;.
eldquo;O recrudescimento constitui genocídio prolongado, causando escassez de combustível que paralisa hospitais, escolas e transporte. É urgente campanha internacional por envio de combustível, alimentos e medicamentos. Convocamos o governo Lula a seguir exemplo do México e enviar petróleo a Cuba, numa decisão humanitária, política e histórica para evitar catástrofe humana e reafirmar compromisso com soberania, paz e solidariedadeerdquo;, pontua o MST, em nota.
Dois navios enviados pelo governo do México atracaram nesta quinta-feira (12) no porto de Havana, transportando mais de 800 toneladas de ajuda humanitária a Cuba. As embarcações Papaloapan e Isla Holbox chegam à ilha em meio às negociações do governo da presidente Claudia Sheinbaum para viabilizar um eventual fornecimento de petróleo ao país caribenho sem sofrer sanções dos Estados Unidos.
Solidariedade em ações concretas
O presidente da Associação Cultural José Martí do Rio Grande do Sul, Ricardo Haesbaert, reforça que a solidariedade precisa ser concreta e imediata diante da gravidade da crise enfrentada pelo povo cubano. Para ele, não se trata apenas de um gesto político, mas de uma resposta humanitária diante de um bloqueio que compromete direitos básicos.
eldquo;Um país pequeno, com pouco mais de 10 milhões de habitantes, que historicamente tem demonstrado uma solidariedade imensa com os povos do mundo, não pode ficar sozinho neste momento. Cuba não está só porque tem a solidariedade dos povos, mas essa solidariedade precisa se materializar em ações concretaserdquo;, afirma.
Segundo Haesbaert, apesar dos esforços de reconversão energética, o petróleo ainda é essencial para garantir transporte, ambulâncias, ônibus escolares e o funcionamento da vida cotidiana. eldquo;Solidariedade não se bloqueiaerdquo;, afirma.
Pressões internacionais e cenário diplomático
Em meio às crescentes ameaças, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel reiterou que o país está disposto a dialogar com os Estados Unidos, desde que o diálogo ocorra eldquo;a partir de uma posição de igualdade e pleno respeito à soberania, independência e autodeterminação de Cubaerdquo;. Segundo ele, desde dezembro passado, Cuba não recebe petróleo da Venezuela devido ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.
Além da ajuda humanitária do México, a Rússia informou que deve fornecer petróleo a Cuba. O porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, confirmou nesta quinta-feira (12) que Moscou está avaliando diversas opções de apoio energético. eldquo;Temos estado em contato com nossos amigos cubanos ao longo destes dias e temos discutido opções para ajudá-loserdquo;, disse Peskov.
A China também manifestou apoio a Cuba diante da crise energética provocada pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (11), em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, reafirmou o compromisso do país com a ilha. eldquo;A China, como sempre, fornecerá a Cuba apoio e assistência da melhor forma possívelerdquo;, afirmou. Segundo o governo chinês, em janeiro o país asiático enviou 60 mil toneladas de arroz e liberou US$ 80 milhões em ajuda emergencial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido apoio a Cuba em discursos, mas ainda não tomou nenhuma decisão governamental nesse sentido. No último sábado (7), o mandatário afirmou que o PT eldquo;tem que encontrar um jeito de ajudarerdquo; o país caribenho.
Brigada de Solidariedade
O Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e Causas Justas promove programas anuais de intercâmbio e trabalho voluntário, organizados pelo Instituto Cubano de Amizade entre os Povos (Icap), em parceria com a agência de viagens cubana Amistur Cuba S.A. As iniciativas integram a Brigada de Solidariedade com Cuba, que reúne participantes de diversos países para vivenciar a realidade da ilha, realizar trabalho voluntário e fortalecer o apoio internacional à soberania cubana diante do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos.
A próxima edição será a 19ª Brigada Internacional 1º de Maio de Trabalho Voluntário e Solidariedade com Cuba, que ocorre entre 29 de abril e 9 de maio. A atividade marca o centenário de nascimento do comandante Fidel Castro e se insere nas celebrações do Dia Internacional dos Trabalhadores, reafirmando o caráter internacionalista da data e a luta histórica da classe trabalhadora por justiça social.
Segundo Senira Beledelli, a brigada tem como objetivo o trabalho voluntário, a participação em atividades culturais e ações de solidariedade, como em hospitais, além do conhecimento da estrutura social, cultural e política do país. eldquo;Também conhecemos os Conselhos de Defesa da Revolução, os comitês de participação popular e o processo da revolução cubana, além do contexto econômico atualerdquo;, explica.
Para ela, o agravamento do cerco econômico tem ampliado o interesse pela participação. eldquo;Nesse período de agravamento do ataque a Cuba, existe uma movimentação maior das pessoas em querer ir, participar e ajudarerdquo;, avalia.
Além da brigada, os movimentos também organizam caravanas com foco em atividades culturais. Para quem é do Rio Grande do Sul, no mesmo período da Brigada do 1º de Maio ocorre a 1ª Caravana RS Cem Anos com Fidel, promovida pela Associação Cultural José Martí e outros movimentos de solidariedade. eldquo;As duas iniciativas estão com seleção abertaerdquo;, destaca Beledelli.
Informações e inscrições para a Brigada estão disponíveis em linktr.ee/BrigadasCuba.
Mais informações sobre a caravana estão disponíveis em www.instagram.com/p/DUBYW1pD0r9/.
Fonte/Veículo: Brasil de Fato
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