Gasolina mais barata? Redução nas distribuidoras pode não chegar aos postos do DF, diz sindicato
A redução do preço da gasolina desenha um cenário mais benigno para a inflação, que registrou a terceira queda consecutiva no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, com projeção de 4% ao fim deste ano. De acordo com a Warren Investimentos, a redução deve se traduzir em um recuo de cerca de 1,54% no preço na bomba, com impacto total estimado no IPCA de 0,08%. Pode-se dizer que a queda da gasolina reforça os argumentos técnicos de que o Banco Central poderia reduzir os juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa nesta terça-feira. A maior parte do mercado avalia que a Selic será mantida em 15% nesta reunião, mas, caso decida reduzir, o Copom tem justificativas técnicas para fazê-lo. É claro que o Banco Central não olha apenas os resultados de hoje ou de amanhã, mas sim o horizonte relevante, que acompanha a convergência do IPCA até 2029. É esse horizonte que é considerado na hora de determinar a taxa básica de juros da economia.
Quando se fala em combustíveis, há um ponto de vista que vai além do macroeconômico e que também deve ser acompanhado: o macroenergético. O petróleo tem ficado mais barato nos últimos tempos, o que o torna mais competitivo em relação a outras fontes de energia que emitem menos gases de efeito estufa. Se, por um lado, isso é bom para a inflação e para o bolso do consumidor, por outro, a redução do preço dos combustíveis fósseis é ruim para o meio ambiente. Na economia, nada está isolado. Com preços mais baixos, a tendência é de maior consumo, o que tem um efeito perverso sobre o planeta, que já ultrapassou o limite de emissões de gases de efeito estufa, com impactos sentidos em todas as partes do mundo.
O petróleo pode continuar em queda no médio prazo. Segundo especialistas, a oferta tem crescido em ritmo maior do que a demanda, e ainda há a perspectiva de aumento da produção na Venezuela. O cenário se complica caso haja um avanço para um confronto com o Irã. Há algumas semanas, o mercado voltou suas atenções para o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, antevendo o risco de fechamento da passagem pelo governo iraniano, o que elevou os preços do barril.
A cotação do dólar também afeta esse preço, e a moeda americana está em queda, mas este deve ser um ano de volatilidade por causa da eleição. O valor do barril no mercado internacional e o dólar formam o preço interno do combustível. Por isso, fazer previsões em 2026 é mais difícil. No médio prazo, pode-se dizer que há espaço para novas quedas, mas é preciso observar também o preço do diesel. Segundo alertam os especialistas, o diesel está atualmente entre 2% e 9% abaixo do preço internacional. Caso o diesel suba, o impacto se espalha por vários outros preços da economia, já que o transporte de mercadorias no país é majoritariamente rodoviário.
(Blog por Míriam Leitão)
Fonte/Veículo: O Globo
Os preços médios do etanol hidratado subiram em 17 Estados, caíram em outros três e no Distrito F [...]