Sindiposto | Notícias

Os irmãos Batista estão de olho em um projeto petrolífero venezuelano de 1 bilhão de barris que deve se beneficiar do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de revitalizar o setor energético do país sul- americano.

Os Batistas, que controlam o maior frigorífico do mundo, estão discretamente posicionados na periferia do setor petrolífero venezuelano através da participação que um de seus associados comerciais detém no projeto Petrolera Roraima, segundo pessoas familiarizadas com a situação.

Antes da destituição do líder Nicolás Maduro no início deste mês, um representante comercial dos Batistas obteve uma participação em um conjunto de campos petrolíferos anteriormente operados pela ConocoPhillips.

A Fluxus, uma empresa de petróleo de propriedade dos Batistas, poderia se juntar a esse ou outros empreendimentos petrolíferos no país assim que as perspectivas de negócios se tornarem claras, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas ao discutir informações não públicas.

A Jeamp;F SA, holding dos irmãos brasileiros, disse que não possui ativos na Venezuela e está monitorando de perto os acontecimentos. "Uma vez estabelecido um cenário de estabilidade institucional e segurança jurídica, estaremos prontos para avaliar investimentos", disse a Jeamp;F em email.

Os Batistas têm adotado uma abordagem cautelosa em relação à Venezuela desde que os EUA impuseram sanções, devido aos extensos investimentos americanos que incluem a processadora de frangos Pilgrime#39;s Pride Corp., disseram pessoas familiarizadas com sua estratégia de negócios.

Em 2024, o ministério do petróleo da Venezuela concedeu direitos de exploração e produção por 25 anos no antigo projeto da ConocoPhillips, Petrolera Roraima, para a Aeamp;B Investments, liderada por Jorge Silva Cardona, um associado comercial dos Batistas.

Depois que a Aeamp;B se juntou ao projeto, a produção diária cresceu para 32.000 barris entre junho e outubro, mas desde então despencou conforme a administração Trump começou a bloquear as exportações de petróleo do país, segundo uma fonte.

O projeto foi uma maravilha da engenharia moderna quando entrou em operação no início dos anos 2000. Refinarias conhecidas como "upgraders" convertiam o petróleo viscoso em cerca de 90.000 barris por dia de um tipo de petróleo "sintético" mais leve e mais valioso.

A estatal petrolífera PDVSA detém uma participação majoritária de 51% no empreendimento, enquanto a Aeamp;B possui 49%. Os Batistas também estão explorando oportunidades no setor de mineração da Venezuela e na infraestrutura elétrica na era pós-Maduro, de acordo com uma das fontes.

Embora Trump tenha dito que o governo venezuelano "roubou" riquezas petrolíferas reivindicadas por empresas americanas como a ConocoPhillips durante uma onda de nacionalização há quase 20 anos, ele também não demonstrou desejo de reverter essas apreensões de ativos.

Isso indica que os Batistas estão em posição privilegiada para ajudar a expandir a produção de petróleo do país, enquanto as perfuradoras americanas e europeias aguardam garantias financeiras e de segurança mais fortes.

Desde a queda de Maduro, Joesley Batista emergiu como uma figura-chave na transição pós-Maduro. Na semana passada, ele voou de Washington para Caracas para uma reunião com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Ele retornou com um relatório otimista para autoridades americanas de que ela estava aberta a investimentos estrangeiros, especialmente no setor de petróleo e gás natural, disse uma pessoa familiarizada com o assunto que pediu para não ser identificada.

Os Batistas construíram habilmente laços com líderes de todo o espectro político. A Pilgrime#39;s Pride fez a maior doação individual para o comitê inaugural de Trump em 2025. No ano passado, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva convocou Joesley Batista para negociar alívio tarifário com Trump.

Joesley Batista, 53, também está aproveitando relacionamentos cultivados na Venezuela nos últimos anos para posicionar a família como pioneira no que já foi o maior exportador de petróleo da América Latina. Em dezembro, ele viajou para o país para instar Maduro a renunciar em uma transição pacífica.

Os laços dos irmãos com a Venezuela remontam a mais de uma década. A joia da coroa da fortuna familiar, a JBS, fechou um acordo de US$ 2,1 bilhões com o governo Maduro há anos para fornecer carne e frango em um momento em que a nação estava enfrentando escassez aguda de alimentos e hiperinflação.

Esse contrato foi facilitado pelo linha-dura socialista Diosdado Cabello, que agora é ministro do Interior da Venezuela.

Fonte/Veículo: Folha de S.Paulo

Leia também:

article

Etanol: Hidratado sobe 1,60% e anidro 2,17% na semana nas usinas de SP

O preço do etanol hidratado subiu 1,60% e o do anidro 2,17% na semana nas usinas do Estado de São [...]

article

Brasil inaugura 1ª fábrica de etanol de trigo

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou o início das operaç [...]

article

Petróleo volta ao centro da geopolítica global após ação dos EUA na Venezuela

A ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela recolocou na mesa uma relação [...]

Como posso te ajudar?