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Notícias recentes mostram que o avanço dos biocombustíveis no país projeta um consequente crescimento em várias culturas do agronegócio.

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a soja atingiu 47 milhões de hectares na safra 2024/2025 e deverá subir para 49 milhões de hectares na safra 2025/2026.

Com um novo avanço da agroindústria no terceiro trimestre, o já expressivo crescimento do PIB da cadeia da soja e do biodiesel para 2025 passou por mais uma revisão positiva. No segmento de esmagamento, o resultado esteve em linha com a melhora das perspectivas para o ano.

No caso do biodiesel, o movimento foi impulsionado pela aceleração da produção observada no terceiro trimestre, associada à entrada do B15 em 1º de agosto.

Estudos realizados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia da soja e do biodiesel pode crescer expressivos 11,66% em 2025, refletindo o avanço da agroindústria e seu impacto positivo sobre os agrosserviços da cadeia.

Mas a diversificação do agro brasileiro vai para além da soja, com o reconhecimento do crescimento das culturas de outras plantas oleaginosas como carinata, sorgo, gergelim, lúpulo e canola.

Elas avançam como alternativas futuras para produção de biodiesel e de combustível sustentável de aviação (SAF).

Este cenário confirma o que venho defendendo há anos: os biocombustíveis representam o agro completo.

Eles não são apenas uma política de transição energética ou de proteção ambiental emdash; fazem parte de uma engrenagem estruturante do desenvolvimento econômico do Brasil.

No início, o biodiesel foi compreendido principalmente como uma alternativa ambiental, capaz de reduzir emissões e melhorar a qualidade do ar. Com o avanço da política de mistura, ficou claro que seus efeitos iam muito além.

O aumento gradual do biodiesel no diesel passou a impactar positivamente toda a cadeia produtiva, especialmente a produção animal, ao ampliar a oferta de farelos e proteínas para ração.

Hoje, o biodiesel interfere diretamente na dinâmica do agro brasileiro. Ele estimula novas culturas, cria alternativas produtivas na segunda safra, reduz a dependência de um único grão e fortalece regiões inteiras do país.

Ao invés de exportarmos matérias-primas in natura, passamos a agregar valor dentro do Brasil, gerando empregos, renda, arrecadação e desenvolvimento regional.

Esse é um ponto central: o biodiesel transforma grão em energia, coprodutos em alimento, e produção em renda.

Ele conecta o campo à indústria, a agricultura à pecuária, a energia à segurança alimentar. Poucos setores conseguem integrar tantos interesses estratégicos de forma tão clara e eficiente.

Para um país que já é uma potência agroambiental, o biodiesel deixou de ser uma alternativa e se tornou fundamental para a infraestrutura econômica.

É parte do que sustenta a competitividade do Brasil no cenário global, ao mesmo tempo em que fortalece o mercado interno e promove inclusão produtiva.

Em 2026, com a entrada do B16 (16% de biodiesel misturado ao diesel fóssil), o Brasil estará ainda mais forte. Mas o avanço não será apenas numérico.

Ele virá acompanhado de algo fundamental: a construção de um diálogo efetivo com os consumidores, baseado em qualidade, transparência e confiança.

Esse diálogo é o que permitirá transformar o biodiesel não apenas em política pública, mas em um verdadeiro patrimônio nacional.

Transição energética, alimentos, renda, inovação, sustentabilidade e soberania. O biodiesel reúne tudo isso. E é exatamente por isso que ele já é indispensável ao maior país agro do mundo.

(Opinião por Jerônimo Goergen)

Fonte/Veículo: Eixos

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