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Uma pesquisa inédita da SAE Brasil, entidade internacional de engenheiros da mobilidade, traz um retrato curioso e contraditório do setor automotivo.

Apresentado parcialmente no Congresso SAE 2025, em outubro, e com divulgação total prevista para a COP30, que começa no próximo dia 10, em Belém, o estudo ouviu mais de 1.000 profissionais, a maioria engenheiros e pesquisadores com profundo conhecimento sobre a crise climática.

No entanto, na vida real, esse conhecimento não se traduz em ação. O dado mais emblemático está na hora de abastecer. Apesar de 73% dos entrevistados afirmarem dominar o tema "transição energética", a escolha pelo combustível menos poluente não é prioridade.

Contradição na bomba de combustível

A pesquisa detalhou o comportamento dos proprietários de carros flex, que foram a maioria entre os entrevistados:

  • 29% dos donos de carros flex disseram usar apenas gasolina.
  • 16% dos donos de híbridos flex também dizeram optar pelo combustível fóssil.
  • 22% afirmaram abastecer sempre com etanol.
  • Apenas 17% consideram uma combinação de fatores, incluindo o impacto ambiental.

O cenário se repete nas empresas

A contradição não para no posto de gasolina. No ambiente corporativo, a lógica, segundo a pesquisa, é a mesma. Quando questionados sobre o que guia as decisões de mobilidade em suas empresas, os entrevistados foram claros:

  • 67% citaram o preço/custo como fator principal.
  • 47% priorizam o desempenho e autonomia.
  • O impacto ambiental apareceu em 4° lugar, com apenas 39% das menções.

Biocombustível é visto como solução

O mais paradoxal é que, quando perguntados sobre a melhor solução para a transição energética no Brasil, a visão dos especialistas obedeceu à seguinte ordem da melhor para a pior alternativa:

  • Biocombustíveis (etanol e biodiesel)
  • Veículos híbridos
  • Hidrogênio verde
  • Elétricos a bateria

Eles reconhecem a vantagem única do Brasil, onde o etanol chega a reduzir em até 90% as emissões de CO² em todo o ciclo de vida.

Ainda assim, a frota flex nacional, que representa 80% dos 40 milhões de veículos, não aproveita todo esse potencial. Segundo a SAE, cerca de 70% dos motoristas rodam com gasolina (E30), e não com etanol puro (E100).

Desafios econômicos e culturais

Apesar de todas as contradições, 59% dos pesquisados pela SAE Brasil acreditam que o Brasil tem o papel de líder global na transição energética nos próximos anos.

Porém, os próprios hábitos revelam os desafios: a solução tecnológica já existe e é viável, mas fatores econômicos e culturais ainda mantêm o país preso ao combustível fóssil.

Fonte/Veículo: O Tempo

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