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A partir de 30 de dezembro de 2025, grandes exportadores brasileiros de commodities como soja, óleo de palma, café, madeira e carne precisarão comprovar sua origem livre de desmatamento e degradação florestal (começando a contar de 31 de dezembro de 2020) se quiserem vender para a Europa.

É o que prevê a lei antidesmatamento da União Europeia, a EUDR, que deve alcançar 16% das exportações da agroindústria brasileira, um montante de US$ 17,5 bilhões por ano, segundo estimativas da indústria.

Um movimento que pode levar a um processo de eldquo;descomoditizaçãoerdquo; no agronegócio.

eldquo;Deixa de ser uma commodity simples, porque agora teremos uma soja com rastreabilidade e outra não. Um milho com rastreabilidade e outro não, mesmo dando o mesmo resultado para produtividade de biocombustíveis ou ração animalerdquo;, explica Paulo Costa, representante da Greentech Sinergy no Brasil.

O grupo de tecnologia sediado em Portugal está trazendo para o Brasil uma iniciativa de seguro de custódia de risco, adaptada do setor energético português para a realidade do agro brasileiro.

Costa, que foi coordenador de Biocombustíveis no Ministério de Minas e Energia (MME) e um dos formuladores do RenovaBio, avalia que, para superar as robustas exigências da EUDR, o setor privado precisará fazer um esforço integrado e buscar soluções que mitiguem riscos e custos.

Grandes traders já começaram a se certificar e rastrear seus fornecedores para atender às exigências relacionadas ao desmatamento direto.

Mas mudanças indiretas no uso da terra (ILUC, em inglês) ainda estão descobertas, um mercado onde a Greentech enxerga oportunidades. Assim como os pequenos e médios produtores emdash; para quem a regulação começa a valer em 30 de junho de 2026.

eldquo;O mesmo desafio que tivemos no RenovaBio está posto na EUDR: a segregação da produção. Cada operador precisa comprovar que o produto exportado não é oriundo de uma área desmatada, além da segregação total do produto na fase de estocagem e logísticaerdquo;, detalha.

eldquo;Isso, por si só, já é um grande desafio, mas além disso, o operador deverá comprovar que não provoca desmatamento de forma indireta. Ou seja, que ele não provoca a mudança indireta do uso da terraerdquo;, completa em entrevista à agência eixos.

É aí que entra o seguro de custódia. A empresa atua como representante europeu, assumindo responsabilidade pela due diligence, gestão de riscos e rastreabilidade dos produtos ligados a biomas florestais brasileiros, usando tecnologias que vão desde imagens de satélites e inteligência artificial até captura de carbono.

Os exportadores no Brasil e os importadores na UE pagam por um serviço que atua como um seguro contra multas da EUDR ao Balcão de Custódia de Risco gerido pela Greentech.

O operador paga um prêmio de risco, calculado a partir da complexidade da sua cadeia de fornecedores e subfornecedores, assim como a pressão de desmatamento indireto associada à sua atividade.

Os recursos são repassados a donos de terras na Amazônia, para preservação da floresta em pé. O valor varia de 70 e 370 euros por hectare por ano.

O conjunto dessas áreas protegidas formam um ativo ambiental, uma reserva florestal gerida pela Greentech.

As áreas com alto risco de desmatamento são identificadas a partir de tecnologia geoespacial e inteligência artificial, e são essas as regiões que serão remuneradas pelo projeto.

Mas isso não significa que as empresas ficam isentas de suas obrigações. O ativo ambiental é uma eldquo;rede de segurança extraerdquo;, garante Costa.

eldquo;Ter novas ferramentas no mercado e bem vistas pela União Europeia facilita bastante a precificação. Nossa visão é que a gente vai ajudar associações e cooperativas a precificar seus produtoserdquo;, pontua.
Próximo passo: SAF e combustível marítimo

A Greentech está começando por commodities abarcadas pela EUDR no Brasil, mas tem planos de expandir para outros mercados na América Latina como Argentina e México, e ampliar o escopo para biocombustíveis que serão exportados para cumprir metas na aviação e navegação.

São segmentos que elevarão a demanda global por novos combustíveis e, com ela, a cobrança por padrões de sustentabilidade, onde o ILUC já aparece como um desafio para o Brasil.

eldquo;Depois que esse produto começar a rodar, um dos objetivos é fazer a rastreabilidade de matérias-primas para biocombustíveis avançados, como SAF e combustível marítimoerdquo;, revela Costa.

Fonte/Veículo: Eixos

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