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A guerra no Oriente Médio e os riscos que isso traz para o preço do petróleo inflamaram os discursos de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa dos biocombustíveis, o que faz com que o tema volte à pauta do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nesta quarta-feira, 25.

Como informou o Estadão em março, o governo já planejava ampliar a mistura do etanol na gasolina de 27,5% para 30%, mas a mudança empacou em momento crítico da inflação dos alimentos e da discussão sobre os possíveis efeitos da produção de biocombustíveis no preço da alimentação.

O próprio presidente Lula expressou essa preocupação e solicitou estudos extras aos técnicos do governo. Com isso, o aumento da mistura previsto para abril acabou adiado.

Nos últimos dias, porém, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, passou a defender que a mistura do etanol em 30% pode zerar a importação de gasolina pelo Brasil e tornar o País autossuficiente no consumo do combustível.

Nesta quarta, a previsão é a de que ele e Lula façam discursos em defesa do biocombustível como um anteparo aos efeitos da guerra entre Israel e o Irã, em um ensaio da posição brasileira na COP-30, em Belém.

Além do etanol, o governo decidiu dar sinal verde para aumentar a mistura do biodiesel ao diesel a partir de agosto, o que também havia sido interrompido em fevereiro.

O cronograma definido em 2023 dizia que a mistura aumentaria para 15% neste ano, mas em razão da alta no óleo de soja a equipe econômica sugeriu segurar a ampliação da mistura para que não houvesse impacto adicional na alimentação e também nas bombas de combustíveis (com a adição do biodiesel, que é mais caro).

Desde então, o óleo de soja e o milho em grão (usado para fazer etanol de milho) entraram em deflação com a entrada das grandes safras do primeiro semestre, como alegavam os produtores rurais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o litro do óleo de soja caiu 6,91% de janeiro a maio, e o milho em grão, 0,07%.

O aumento de 14% para 15% pode reduzir a importação de diesel em 685 milhões de litros em um ano emdash; neste ano, contando que serão cinco meses de vigência da medida, são 286 milhões de litros a menos na importação de diesel.

Nos bastidores, produtores de biodiesel avaliam que a decisão do governo desta quarta apenas entrega com atraso o que já era o previsto para o setor, que faz investimentos de olho na expansão da demanda até o fim da década devido à lei do combustível do futuro emdash; até 2030, a mistura deverá chegar a 20% e, depois disso, poderá subir para 25%, a depender de avaliação do CNPE.

Fonte/Veículo: O Estado de S.Paulo

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