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Há tempos em que a tecnologia automotiva avança por caminhos inusitados. Este é o caso da Bosch, que acaba de confirmar o desenvolvimento de um motor capaz de rodar com diesel e etanol ao mesmo tempo. A empresa alemã, vale lembrar, ajudou a criar os motores flex no começo dos anos 2000.

O novo motor funciona com partes iguais de diesel e etanol, o que representa uma diferença em comparação com os propulsores flex, que podem misturar gasolina ou etanol em qualquer proporção. Neste novo sistema, o combustível fóssil será injetado no início da operação do propulsor para que, depois, o derivado de cana-de-açúcar entre gradativamente na mistura.

Para tornar a combinação possível, a Bosch instalou um segundo sistema de injeção de combustível (sendo este a etanol) e um controlador eletrônico da mistura. Dessa forma, o propulsor detecta de forma autônoma a possibilidade de substituição e, sem qualquer interferência do condutor, ajusta a proporção de diesel e etanol.

A Bosch trabalha no desenvolvimento deste novo motor há pelo menos uma década, mas apenas em 2024 os estudos avançaram suficientemente ao ponto de viabilizar sua produção em escala comercial. Outro fato interessante é que essa tecnologia não é nova: foi aplicada comercialmente no Brasil em 1983, pela antiga empresa Valmet, como revelou o site Auto Entusiastas. Na ocasião, a combinação de diesel e etanol não foi bem aceita.

A intenção da Bosch é que a tecnologia esteja pronta para ser lançada no fim deste ano. Antes de aparecer em caminhões e ônibus, entretanto, o inédito motor vai dar as caras em máquinas agrícolas, como colheitadeiras e locomotivas.

De acordo com a Bosch, existem mineradoras que consomem 1 milhão de litros de diesel por ano. Logo, um motor que também consome etanol poderia equilibrar a balança e emitir menos dióxido de carbono (COe#8322;). Por se tratar de uma tecnologia em testes, ainda não é possível mensurar a redução do impacto ambiental ao adicionar o derivado de cana-de-açúcar na mistura do diesel.

Após a incorporação em colheitadeiras e locomotivas, a Bosch pretende apresentar a mesma tecnologia para motores de caminhões. A empresa recebeu R$ 521 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da (Finep) para o viabilizar o recurso.

Tecnologia flex consagrada no Brasil

A chegada dos motores que combinam diesel e etanol representaria uma revolução para a mobilidade brasileira. A própria Bosch esteve à frente de outra inovação que mudou a indústria automotiva para sempre: o lançamento do primeiro motor flex, em 2003.

Naquele ano, 22 anos atrás, o Volkswagen Gol chegava às lojas na versão Total Flex, que poderia combinar qualquer proporção de gasolina e etanol. Os primeiros meses foram difíceis por conta da tecnologia recém-incorporada, mas os conjuntos flex logo se consagraram e hoje equipam até modelos de luxo no Brasil. Mesmo veículos híbridos, aos poucos, se tornam compatíveis.

Fonte/Veículo: AutoEsporte

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