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A queda da fervura e o apoio de parlamentares ao presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, geraram na estatal expectativas de que o executivo será mantido no cargo por mais tempo. Aliados do governo, porém, não garantem sua permanência.

Prates viveu uma semana sob intenso tiroteio, desde que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, fez críticas públicas à sua atuação em entrevista publicada pela Folha. Antes disso, porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já vinha relatando a interlocutores a intenção de demitir o executivo.

O presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defendeu nesta quarta-feira a permanência de Prates, lembrando que ele foi senador e é um quadro técnico. "Prates tem meu apoio", disse.

Consultado por emissários do Executivo, segundo relatos, Alcolumbre disse que seria ruim demitir o presidente da companhia depois de ele ter sido fritado pelo próprio governo.

O próprio Silveira mudou de tom após notícias sobre a indicação do presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante como substituto. Nesta terça (9), classificou as notícias sobre demissão como "apenas especulações".

"Tenho o mais profundo respeito e admiração [pelo] que desenvolve, desenvolveu o parlamentar, o presidente Jean Paul", afirmou.

O recuo de Silveira e declarações do ex-presidente do PT, José Dirceu, em defesa de Prates, levaram otimismo à atual gestão da Petrobras. Um assessor próximo ao presidente da estatal disse nesta quarta à reportagem que a ordem é seguir trabalhando.

Fontes do governo, porém, dizem que Prates ganhou apenas sobrevida, enquanto Lula busca outro nome para substituí-lo. O processo de substituição levaria tempo, dizem fontes, e depende de indicação de um nome ao conselho de administração da companhia.

O governo já entregou uma lista de oito candidatos ao colegiado, mas a expectativa é que haja troca de nomes, já que o presidente da Petrobras tem que ser integrante do conselho. A lista atual conta com quatro secretários de ministérios, Prates e três nomes tidos como independentes.

Prates ainda não se reuniu com Lula para discutir sua situação. Ele ganhou apoio do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), casa legislativa onde exerceu mandato antes de ser indicado por Lula à presidência da Petrobras.

Em sua defesa, vem divulgando realizações de sua gestão. Primeiro, em redes sociais, mostrou obras em andamento em refinarias e estaleiros pelo país. Depois, no Whatsapp, listou as "principais marcas e recordes da Petrobras nessa gestão".

Entre eles, estão o "maior lucro da história da empresa sem vender refinarias, dutos ou subsidiárias", "dez recordes de valor de mercado da empresa ao longo de 2023" e um "plano de investimento de meio trilhão de reais nos próximos cinco anos".

Aliados de Prates veem o processo de fritura como uma crise fabricada para minar a confiança de Lula no executivo, que vem tendo divergências com os representantes de Silveira e do ministro da Casa Civil, Rui Costa, no conselho de administração da companhia.

O último grande embate se deu em torno da retenção de dividendos extraordinários sobre o lucro de 2023, aprovada pelos representantes do governo contra proposta da direção da companhia, que queria distribuir cerca de R$ 20 bilhões.

Nesta semana o governo voltou atrás e decidiu reavaliar o pagamento dos recursos, que ajudariam a garantir espaço fiscal no orçamento da União.

Procurada, a Petrobras não comentou a possibilidade de permanência no cargo. Mercadante, não quis responder perguntas de jornalistas após após evento em que o banco lançou edital para projetos de conservação de corais na costa brasileira.

Fonte/Veículo: Folha de S.Paulo

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