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Governo avalia nova proposta para elétricos

O governo prepara uma proposta para responder a pedido das montadoras que querem a retomada imediata do Imposto de Importação de 35% sobre carros elétricos. Segundo apurou o Estadão/Broadcast , há possibilidade de o tema ser analisado nesta semana no Comitê de Alterações Tarifárias (CAT), instância que antecede a votação no Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex). Como ainda não há uma proposta de consenso dentro do governo, não está descartada a chance de a resposta ficar para o próximo ano. Interlocutores consultados pela reportagem nos últimos dias apontaram que várias alternativas ainda estão na mesa. Hoje, a opção vista como mais difícil é o governo subir o imposto imediatamente a 35% endash; contrariando o desejo do setor. Por isso, propostas de eldquo;meio-termoerdquo; são citadas como possibilidades por pessoas que acompanham as tratativas. Elas vão desde a aplicação da alíquota cheia somente ao que ficar fora da cota de importação a uma alteração no cronograma de aumento do imposto. Os estudos são feitos a partir de pedido encaminhado, em setembro, pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A entidade, que representa as montadoras, quer a retomada da taxação a 35%, acompanhada de uma cota de importação. Hoje, a alíquota do imposto para os modelos elétricos está em 18%. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o pleito foi reforçado na reunião das montadoras realizada na semana passada com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O Imposto de Importação para esses veículos foi retomado em janeiro deste ano, inicialmente em 10%. Pelo modelo em vigor, a alíquota só chegará a 35% em julho de 2026. Os níveis são diferenciados por tipo de carro. No caso dos híbridos, a alíquota do imposto começou com 15%, em janeiro, e foi para 25% em julho; irá para 30% em julho de 2025; e alcançará os 35% em julho de 2026. Para híbridos plug-in, 12% em janeiro de 2024; 20% em julho; 28% em julho de 2025; e 35% em julho de 2026. CRONOGRAMA SUPERADO. O cronograma foi aprovado em novembro do ano passado para atender ao pleito do setor automotivo, preocupado especialmente com as importações de carros elétricos vindos da China. Mas a medida foi considerada insuficiente. A estimativa é de que haja no País um estoque recorde de modelos eletrificados chineses, de 81,7 mil unidades endash; o que cobre aproximadamente nove meses de venda endash;, uma vez que a elevação gradual do imposto levou a uma antecipação das importações. Embora esse estoque alto possa até mesmo se tornar um problema para as importadoras, pelo risco de depreciação, a avaliação na indústria nacional é de que novos veículos continuarão entrando no País de forma agressiva se o imposto continuar abaixo de 35%, uma vez que o segmento de carros eletrificados se inova com muita velocidade. O momento internacional A Anfavea, que representa as montadoras, quer volta imediata de imposto de 35% também pode jogar a favor do pleito das montadoras. O futuro presidente dos EUA, Donald Trump, já prometeu elevar as tarifas de importação de produtos chineses. Embora hoje os carros elétricos produzidos na China já enfrentem uma alta barreira comercial nos EUA e Europa, o que não mudaria tanto o xadrez do comércio exterior nesse setor, o retorno do republicano tende a dar força política a medidas protecionistas em outros países. ebull;

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Fecombustíveis recebe Prêmio Atena 2024

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) foi uma das entidades do Sistema Comécio que recebeu o troféu Atena em Ação 2024, em evento promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ontem (24), em São Paulo. Representada pelo presidente James Thorp Neto, a Fecombustíveis conquistou o primeiro lugar na categoria Desenvolvimento de Negócios em reconhecimento ao trabalho desenvolvido na ExpoPostos eamp; Conveniência. A premiação é uma iniciativa da CNC e tem o objetivo de incentivar, valorizar e reconhecer as boas práticas das entidades participantes do Sistema Comércio que se destacaram no ano.

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Apesar de ter energia limpa, Brasil sofre para reduzir fontes fósseis

O Brasil ostentou na COP29 sua migração para uma matriz elétrica limpa, mas os dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) mostram que, na prática, o país só fez uma troca entre fontes limpas e pena para reduzir o uso de combustíveis fósseis, como carvão, gás natural e petróleo. Em 2023, as fontes poluentes, responsáveis por emissões de carbono na atmosfera, respondiam por 8,7% ante 10,8%, em 2004. No mesmo período, a participação das hidrelétricas caiu de 82% para 60%. Ou seja, apesar do discurso e das ações de governos pela melhoria dos indicadores ambientais ao longo das duas últimas décadas, o que o país tem feito é uma "dança de cadeiras" entre as fontes limpas. Ganharam mais espaço usinas solares e eólicas, que saíram praticamente do zero para um percentual de 20,6% na matriz. Especialistas em energia afirmam que essa troca não afeta significativamente as emissões de gases poluentes. Para isso, seria mais importante trocar termelétricas a óleo diesel pelas geradoras que usam fontes limpas emdash;não importa qual. Atualmente, as termelétricas são movidas a diesel ou a gás e são acionadas quando há risco de escassez de energia. Isso ocorreu, por exemplo, em 2021, ano de uma das piores crises hídricas da história. Outro problema apontado por técnicos do Ministério de Minas e Energia são as distorções causadas no sistema elétrico nacional com o avanço das plantas solares e eólicas. Ambas se tornaram relevantes após uma política de subsídios ao setor, mas funcionam de forma intermitente emdash;só geram energia quando há sol ou vento. Podem fornecer energia de menos quando há demanda demais ou o contrário, causando episódios de sobrecarga. No ano passado, por exemplo, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ligou o apagão em diversos estados, ocorrido em agosto, após a queda abrupta de uma linha de transmissão, ao "desempenho de parques eólicos e solares" ter sido inesperado. A agência internacional, que produz dados e análises para orientar os países em suas políticas energéticas, indica que a situação em alguns países europeus é de redução acelerada na relevância das termelétricas emdash;embora elas ainda mantenham uma presença dessa fonte em suas matrizes mais significativa que a do Brasil. No Reino Unido, as usinas movidas a combustíveis fósseis tiveram queda de 74% para 36%; solar e eólica ampliaram sua presença de 0,5% para 33,5%. Na Alemanha, o percentual das térmicas diminuiu de 61% para 44,6%. As duas fontes intermitentes tiveram um salto de 4,2% para 38,8%. Na França, houve pequena queda na fatia das termelétricas na matriz (de 9,5% para 7,6%), e as intermitentes saltaram de 0,1% para 14,2%. Por lá predomina a geração das usinas nucleares, que hoje representam 64% da matriz. Nos casos desses três países, as hidrelétricas mantiveram presença estável, sem perder nem ganhar muita importância. A agência não tem dados atualizados até 2023 de países como China, Índia, Rússia e África do Sul, que integram o grupo dos emergentes (Brics), juntamente com o Brasil. Nos EUA, caiu de 70% para 59% a geração proveniente de fontes fósseis. Eólicas e solares contribuíram com 0,3% em 2004; no ano passado, com 14,4%. As hidrelétricas representavam 7,1%, o que passou para 5,9%. Fator político Parte da dificuldade em se reduzir o uso de combustíveis fósseis se deve ao gigantismo de empresas estatais produtoras de petróleo e gás. É o caso da Arábia Saudita, de outros países do Oriente Médio ligados à Opep, e do Brasil. Como noticiou o The New York Times recentemente, enquanto as negociações climáticas das Nações Unidas ocorriam no Azerbaijão e os líderes do G20 se reúnem no Brasil, diplomatas da Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, trabalhavam para frustrar qualquer acordo que renove a promessa de fazer a transição dos combustíveis fósseis. No Brasil não é diferente. Embora apoie políticas de transição energética, o presidente Lula defende a extração de óleo pela Petrobras, que, sozinha, responde por 13,5% do PIB nacional.

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Raízen avalia trazer sócio para etanol e vender Oxxo, diz agência

A empresa brasileira Raízen cogita a venda de uma participação em suas usinas de etanol de segunda geração para levantar dinheiro para investimentos e ajudar seu principal acionista a reduzir a alavancagem, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A Raízen, uma joint venture de capital aberto entre o conglomerado brasileiro Cosan e a gigante petrolífera Shell, também está considerando a possibilidade de vender sua participação na operadora brasileira de lojas de conveniência Oxxo, pois a rede não é o foco principal dos negócios da empresa, disseram as pessoas. Nenhuma decisão final foi tomada e as negociações podem não terminar em um acordo, disseram as pessoas. A Raízen preferiu não comentar. Para o negócio de etanol de segunda geração (E2G), a Raízen estuda uma parceria em uma nova unidade de negócios que reuniria todos os ativos relacionados, incluindo duas fábricas que já estão em operação. O novo sócio se juntaria à Raízen em uma joint venture injetando capital na nova unidade. A Raízen seria então capaz de eliminar os investimentos recorrentes que já comprometeu com os lucros. A participação no negócio do etanol foi oferecida a fundos de investimento. O biocombustível E2G é produzido a partir de matéria seca vegetal, também conhecida como biomassa lignocelulósica. A tecnologia proprietária da Raízen utiliza resíduos de cana-de-açúcar para aumentar a produção de etanol em 50%. A empresa possui cerca de 4,3 bilhões de euros (US$ 4,48 bilhões) em vendas já contratadas, segundo apresentação no site da Raízen. A operadora brasileira da Oxxo é o Grupo Nós, uma parceria entre a Raízen e a mexicana Fomento Económico Mexicano, que opera a marca de lojas de conveniência em toda a América Latina. Os varejistas no Brasil têm lutado contra a concorrência online e as altas taxas de juros, o que poderia dificultar a venda da participação. A Cosan, um império de açúcar e etanol que se expandiu para tudo, desde a produção de lubrificantes e distribuição de gasolina até o transporte ferroviário e o fornecimento doméstico de gás natural, viu as ações despencarem para o nível mais baixo desde o início de 2019. A alavancagem subiu após uma decisão de 2022 de tomar dívidas para comprar participação minoritária na produtora de minério de ferro Vale, investimento que proporcionou retornos considerados "medíocres" pelo BTG Pactual. A Cosan disse aos investidores que todas as opções estão em jogo para melhorar o seu balanço, incluindo a venda de parte ou da totalidade da sua participação de 4,1% na Vale, informou a Bloomberg em setembro. A empresa também ponderou a venda de ativos de distribuição da Raízen na Argentina. Nenhuma decisão final foi tomada. (Bloomberg)

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Como destravar o mercado de gás natural

Na última década, o gás natural foi mundialmente legitimado como o combustível da transição energética. No Brasil, entra ano sai ano e o gás natural não consegue exercer esse papel. A principal vantagem do gás está no fato de emitir menos carbono do que os demais combustíveis fósseis, 44% abaixo do carvão e 27% menos que o petróleo. Em termos estratégicos, há de considerar a geração de energia com gás natural como uma espécie de bateria para a energia eólica e solar, dada a intermitência dessas fontes e a melhora do gerenciamento dos reservatórios das hidrelétricas. Segundo a U.S. Energy Information Administration (EIA), a substituição do carvão pelo gás natural na produção de energia elétrica nos EUA resultou em um corte estimado de 532 milhões de toneladas métricas de COe#8322; equivalente (tCOe#8322;e). Em 2021, o gás foi a ação de descarbonização mais significativa no País, com uma redução de emissões equivalente a mais que o dobro do aumento da geração por renováveis. Apesar das diversas iniciativas, leis e programas, o Brasil permanece na contramão do mundo ao não conseguir emplacar políticas efetivas que aumentem a oferta e a redução no preço da molécula. Tivemos duas leis aprovadas pelo Congresso nos governos Dilma e Bolsonaro, com a promessa em ambos de redução do preço do gás e aumento da oferta, e o resultado foi exatamente ao contrário, e, mais ainda, tivemos redução na demanda. O curioso é que são dois governos com vieses diferentes, um mais pro Estado e o outro mais pro mercado. Agora, o governo Lula busca impulsionar o mercado de gás com o Programa Gás para Empregar, propondo o aumento da oferta através da comercialização de gás da União pela PPSA e a publicação do Decreto n.º 12.153/2024, que traz como medida principal dar maior transparência no preço do gás desde o poço até o consumidor. O Congresso tenta, também, dar uma contribuição importante que seria incluir uma emenda no Paten (PL n.º 327/2021, em tramitação no Senado), objetivando reduzir o poder dominante da Petrobras na comercialização de gás. Porém, a Petrobras trabalha para inviabilizar essa emenda. Essas medidas, se implantadas, são boas? Sim. Mas, se o objetivo no curto prazo for aumentar a oferta e termos gás competitivo, quatro políticas não podem ser adiadas e precisam ser implantadas com urgência. Dar total transparência ao que a Petrobras cobra para escoar e tratar o gás nas UPGNs; viabilizar o gás da PPSA; reduzir o poder dominante da Petrobras na comercialização de gás para algo como 40% a 50%, promovendo leilões de gás release; e dar licenças incentivando a exploração e produção de shale gas no Brasil. Caso contrário, teremos mais do mesmo, a oferta não crescerá e o preço da molécula não cairá. E no Brasil o gás não será a energia da transição energética, e a indústria de fertilizantes no País só existirá com subsídios.

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Inpasa é uma das empresas com as quais a Petrobras conversa sobre etanol

A Inpasa Agroindustrial é uma das empresas com as quais a Petrobras tem conversado para retornar à produção de etanol. Maior produtora de etanol de milho da América Latina, a Inpasa tem unidades em Sinop (MT), Nova Mutum (MT) e Dourados (MS), além de atividades no Paraguai. A estatal pretenderia evitar parcerias com empresas da área que tem como controladoras outras petroleiras, como BP e Raízen (de Shell e Cosan), apesar de seu tamanho no mercado de etanol que as habilitaria à conversa. Isso fortaleceria a posição da Inpasa. O Plano Estratégico da Petrobras para 2025-2029 prevê investimento de US$ 2,2 bilhões em etanol num período de cinco anos, além de reforçar as frentes de biodiesel, biometano e manter a previsão de investimentos em biorrefino (US$ 1,5 bilhão). Empresa quer posição grande no mercado Segundo o diretor de Transição Energética e Sustentabilidade da estatal, Mauricio Tolmasquim, a Petrobras planeja criar uma joint venture com outra empresa relevante do setor, para ter uma posição grande nesse mercado. A ideia é produzir cerca de 2 bilhões de litros de etanol ao ano, mas esse volume ainda está em estudo. Tanto etanol de cana-de-açúcar quanto de milho - caso da Inpasa - são cogitados como alternativas.

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