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Sanções dos EUA ameaçam Brasil por compra de diesel russo

Os Estados Unidos consideram impor tarifas de até 500% a países que continuam comprando derivados de petróleo da Rússia, alerta Vitélio Brustolin, professor de relações internacionais. O Brasil, como um dos principais importadores de óleo diesel russo, é um potencial alvo dessas sanções. A estratégia americana visa pressionar economicamente parceiros comerciais da Rússia, incluindo China, Índia e Turquia. Apesar da redução do comércio direto entre EUA e Rússia para cerca de 3 bilhões de dólares, as tarifas secundárias buscam limitar o apoio financeiro à Rússia. Autoridades ucranianas agradeceram recentemente o envio de armamento dos EUA, visto por Kiev como uma medida protetiva. Contudo, há preocupações sobre a eficácia das sanções em interromper o conflito com a Rússia.

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Projeto piloto da MSGás testará caminhões a gás na indústria de papel e celulose no MS

A MSGás, distribuidora de gás canalizado do Mato Grosso do Sul, recebeu autorização da Agems, a agência reguladora estatual, para executar um projeto piloto para abastecimento de caminhões com gás natural (GNV), em substituição ao diesel. O experimento será realizado no município de Três Lagoas, com participação de indústrias do setor de celulose. O projeto envolve o abastecimento de três veículos, a partir de uma base provisória de compressão de gás natural comprimido (GNC), com capacidade de 700 m³/hora. O gás será comprimido e, de lá, será transportado por carretas até as garagens das indústrias participantes do projeto. Dos três caminhões contemplados no projeto, um deles atuará em rotas fixas, percorrendo cerca de 640 quilômetros por dia entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado. Outros dois veículos irão operar em rotas florestais variáveis, simulando diferentes cenários logísticos. Por 90 dias, entre julho e outubro, o projeto irá avaliar o desempenho do gás natural em testes de autonomia, eficiência de abastecimento, impacto nas emissões de poluentes, custos operacionais e estrutura tarifária diferenciada. Se necessário, esse prazo poderá ser prorrogado por mais 90 dias. Durante o período, a Agems fará relatórios mensais de desempenho e resultados. Um relatório final será entregue até dezembro.

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Lula regulamenta lei da reciprocidade, que permite responder ao tarifaço de Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta segunda-feira (14/7), o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica emdash; instrumento que pode vir a ser usado pelo governo brasileiro como resposta à tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros. O texto será publicado na edição desta terça (15), do Diário Oficial da União (DOU). O decreto estabelece mecanismos para que o governo possa buscar uma resposta à eventual taxação de produtos brasileiros em segmentos específicos da economia. Pelo rito de procedimento, qualquer um dos 11 ministérios que compõem a Câmara de Comércio Exterior (Camex) estará apto para acionar a lei. O decreto cria também um comitê composto pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Relações Exteriores (MRE), Fazenda e Casa Civil, e estabelece a participação de empresários em comissões para tratar do assunto. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também chefia o MDIC, vai coordenar as tratativas com o setor privado para a superação das medidas impostas contra o Brasil. No caso da tarifa anunciada por Trump, por exemplo, as reuniões do governo com o empresariado têm início hoje (15/7). Pelo decreto assinado ontem, o próprio comitê poderá decidir e aplicar contramedidas em caráter de urgência. Já medidas definitivas deverão ser aplicadas pela Camex. eldquo;O decreto não cita país não, como a lei não cita. A lei autoriza o Executivo a adotar medidas de proteção do país quando medidas extemporâneas e extraordinárias forem adotadas de forma unilateral por outros países contra o Brasilerdquo;, disse mais cedo o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). Minimizar impactos A norma permite que o país responda a medidas unilaterais adotadas por países ou blocos econômicos que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira. A adoção das contramedidas deve buscar minimizar o impacto sobre a atividade econômica e evitar custos administrativos desproporcionais. Pelos termos da Lei da Reciprocidade Econômica, as respostas que podem ser adotadas são: imposição de tarifas, taxas extras ou restrições sobre importações de bens e serviços de um país; suspensão de concessões comerciais e de investimentos; e suspensão de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual. Ofensiva de Trump O presidente americano anunciou na semana passada uma leva de tarifas sobre produtos exportados por mais de 20 países aos EUA. Elas devem entrar em vigor a partir de 1.º de agosto, a menos que os países afetados fechem um acordo comercial com os americanos. Na quarta-feira (9/7), Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos importados do Brasil. Em carta enviada ao presidente Lula e divulgada na rede social Truth Social, Trump justifica a imposição da taxa como resposta ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele ainda afirmou que ordens judiciais eldquo;censuramerdquo; redes sociais americanas e inibem a liberdade de expressão de cidadãos dos EUA. Segundo Trump, esses ataques do Brasil partem do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, Trump também ameaça elevar ainda mais as tarifas caso o país responda com medidas semelhantes. Déficit Até agora o Brasil é o país com a maior taxa. Dados do Monitor do Comércio Brasil-EUA, divulgado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham Brasil, na sexta-feira (11/7) mostram que o país acumulou um déficit comercial com os Estados Unidos de US$ 1,7 bilhão no primeiro semestre deste ano, um aumento de aproximadamente 500% em comparação com o mesmo período de 2024. No entanto, a indústria aumentou a participação nas exportações do Brasil aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2025, de 76,6% para 79,8%. Isso representa um novo recorde de US$ 16 bilhões, um aumento de 8,8% na comparação com igual período de 2024. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Comissão amplia vantagem para produtos verdes em compras públicas, além do carro flex

A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado aprovou nesta terça-feira (15/7) o substitutivo apresentado por Cid Gomes (PSB/CE) ao PL 1086/2024. O texto original criava uma margem de preferência para compra de veículos menos poluentes emdash; com exceção dos 100% elétricos. Agora, expande o conceito para qualquer bens ou serviços. O relator propôs critérios envolvendo usus eficientes de energia, água ou dos materiais, e que atendam a critérios de sustentabilidade, que serão regulamentados pelo governo federal. Originalmente, o projeto de autoria do senador Fernando Farias (MDB/AL) combatia a eletrificação da frota pública e estabelecia a margem de preferência para veículos de modelos híbridos ou exclusivamente movidos a biocombustível ou a hidrogênio, em compras e locações. Isto é, favorecia os elétricos, desde equipados para rodar com etanol. Cid Gomes ampliou o escopo da proposta. eldquo;É mais conveniente aprovar um projeto de lei que seja mais abrangente, e que as opções escolhidas pela política pública em questão sejam tratadas em ato infralegal, conferindo flexibilidade nesse processo de escolha públicaerdquo;, defendeu o relator. No substitutivo, Gomes deixou a cargo da Comissão Interministerial de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (CICS) a definição dos produtos beneficiados. O projeto tramita em caráter terminativo, ou seja, não precisa passar pelo plenário do Senado antes de seguir para análise da Câmara dos Deputados emdash; a não ser que seja apresentado um recurso. Porém, como o texto aprovado foi um substitutivo ao projeto original, a matéria ainda precisa passar por um turno suplementar de votação na própria CI. O projeto já passou pela Comissão de Assuntos Econômicos e, dos 16 senadores presentes na votação desta terça-feira na Comissão de Infraestrutura, apenas dois votaram contra: Jaime Bagattoli (PL/RO) e Marcos Pontes (PL/SP).

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Etanol cai em 14 estados e é competitivo em sete

Os preços médios do etanol hidratado caíram em 14 estados, subiram em 3 e ficaram estáveis em 9 estados e no Distrito Federal na semana de 6 e 12 de julho. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilados pelo AE-Taxas. Nos postos pesquisados pela agência em todo o país, o preço médio do etanol subiu 1,2% na comparação com a semana anterior, passando de R$ 4,16 para R$ 4,21 o litro. Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço ficou estável, em R$ 3,96 o litro na comparação semanal. A maior queda porcentual na semana, de 1,92%, foi registrada em Rondônia, onde o litro passou de R$ 5,21 para R$ 5,11. A maior alta no período, no Distrito Federal, foi de 0,64%, de R$ 4,68 para R$ 4,71 o litro. O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,19 o litro, em São Paulo. O maior preço, de R$ 6,36, foi observado em Santa Catarina. Já o menor preço médio estadual, de R$ 3,77, foi registrado em Mato Grosso, enquanto o maior preço médio foi verificado no Amazonas, de R$ 5,49 o litro. Etanol é mais competitivo em sete estados O biocombustível mostrou-se mais competitivo em relação à gasolina em sete estados na semana de 6 a 12 de julho. Na média dos postos pesquisados no país, o etanol tinha paridade de 66,68% ante a gasolina no período, portanto favorável em comparação com o derivado do petróleo, conforme levantamento da ANP compilado pelo AE-Taxas. Executivos do setor observam que o etanol pode ser competitivo mesmo com paridade maior do que 70%, a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado. O etanol é mais competitivo em relação à gasolina nos seguintes estados: Acre (69,99%); Goiás (68,06%), Mato Grosso (62,01%); Mato Grosso do Sul (65,55%); Minas Gerais (68,02%); Paraná (67,69%), e São Paulo (65,45%). (Estadão Conteúdo)

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Preço da gasolina não cai e setor diz que etanol e inflação pressionam custos

O preço da gasolina chegou à quarta semana de estabilidade nos postos brasileiros, sem atingir o repasse integral estimado pela Petrobras quando reduziu o valor de venda do produto em suas refinarias, no início de julho. Representantes do setor alegam que o preço da estatal é apenas um dos fatores da composição final do preço e que houve variação para cima de outros custos, como o etanol anidro e energia elétrica, por exemplo. "Nosso mercado não é uma foto, é um filme. Existem vários pontos que influenciam no dia a dia, e postos são o último elo da cadeia", disse à Folha o presidente da Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes), James Thorp Neto. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), a gasolina comum foi vendida pelos postos brasileiros na semana passada, em média, a R$ 6,22 por litro, R$ 0,05 a menos do que o valor verificado na semana anterior ao corte da Petrobras. A estatal reduziu seu preço em R$ 0,17 por litro e disse que, considerando a mistura de 27% de etanol no produto final, estimava um repasse ao consumidor de R$ 0,12 por litro. A frustração da expectativa vem gerando críticas tanto do governo quanto da estatal. Há duas semanas, o Palácio do Planalto determinou que a AGU (Advocacia Geral da União) pedisse investigações sobre os preços, gerando incômodo entre empresários do setor, acusados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de enganar o consumidor. Dados elaborados pelo Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) indicam que, de fato, houve aumento das margens de distribuição e refino na venda de gasolina em julho, passando de R$ 1,14 para R$ 1,24 por litro. O presidente da Fecombustíveis defende que a fotografia não condiz com a evolução do mercado, que chegou a baixar os preços em um primeiro momento, mas depois foi impactado por outros custos, como as altas do etanol e da gasolina fornecida por outras empresas. "A redução da Petrobras vai impactar só no que ela fornece. Mas, no Norte e Nordeste, a maior parte do produto não é Petrobras. É Acelen [refinaria na Bahia vendida pela estatal ao grupo árabe Mubadala] e produtos importados", afirma. A cotação do etanol também teve um repique na segunda quinzena de junho, logo após o anúncio do aumento da mistura na gasolina para 30%, que começa a vigorar no dia 1º de agosto. Segundo dados do Cepea (Centro de pesquisa Econômica Aplicada) da USP, o preço do etanol anidro nas usinas paulistas subiu de R$ 2,91 para R$ 2,99 por litro. Depois caiu a R$ 2,95. O preço do etanol hidratado, que é vendido diretamente nos postos, não apresentou o mesmo movimento nas usinas, oscilando em torno dos R$ 2,70 nas últimas semanas. Nas bombas, porém, o produto subiu R$ 0,05 na semana passada, para R$ 4,21 por litro. O segmento de distribuição de combustíveis evita falar publicamente sobre o tema. Representantes das empresas disseram à Folha que o etanol e aumento de custos com a inflação são componentes que vêm segurando os preços. E questionaram as estimativas de queda feitas pela Petrobras e pelo governo, afirmando que a empresa responde por apenas um terço do preço final da gasolina. A maior parcela, dos impostos, permanece inalterada desde fevereiro, quando foi pressionada pela elevação do ICMS. Os impostos representaram em junho 35% do preço final da gasolina, segundo o Ineep, com uma fatia de R$ 2,17 por litro. Após a instituição do novo modelo de cobrança durante o governo Jair Bolsonaro, o valor é fixo e não varia de acordo com o preço final de bomba. "Se existe forma de baixar preço, ou é dólar ou petróleo caindo, ou é reduzindo imposto", afirma Thorp Neto.

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