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Governo pede ajuda ao Cade para baixar combustíveis

O governo quer pressionar a Petrobras, refinarias e distribuidoras a reduzirem preços. A ideia é constranger as empresas que demoram a repassar queda de preços. Diante desse movimento, o Cade abriu uma investigação a pedido da AGU (Advocacia-Geral da União) contra a Refinaria da Amazônia (Ream), controlada pelo grupo Atem e responsável pela venda da maior parte do gás de cozinha, diesel e gasolina da região Norte. A representação, contudo, não deve prosperar. No documento, a AGU aponta indícios de irregularidades e formação de cartel, motivo principal para que o pedido fosse enviado ao Cade. No documento, a AGU ainda levanta suspeitas de abuso de posição dominante pela refinaria do grupo Atem, incluindo prática de preços acima das médias do mercado. Também foi apresentada notícia-crime ao chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. No Cade, essa situação é vista como resultado da livre iniciativa. Não há indícios de formação de cartel, tampouco de abuso de poder de mercado pela refinaria. Mesmo assim, por dever de ofício, a investigação seguirá seu curso. Dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo) apresentados na representação revelam que as reduções anunciadas pela Petrobras no preço dos combustíveis também não são integralmente repassadas ao consumidor final. Entre março e junho deste ano, a Petrobras promoveu três reduções de preço do Diesel S-10, totalizando uma queda acumulada de R$ 0,67 por litro. Mas o preço médio praticado nos postos com as bandeiras das três maiores distribuidoras, Vibra, Ipiranga e Shell, revela uma redução do produto em apenas R$ 0,15 por litro no mesmo período no Rio, onde dominam 70% do mercado, e 0,21% em São Paulo, onde controlam 60%. Consultado, o grupo Atem não se manifestou até a publicação desta reportagem.

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Inflação começa a ceder para mais pobres e acelera nas faixas de renda maior

Após sequência de altas, a queda dos preços de parte dos alimentos começa a aliviar a inflação das famílias mais pobres no país. Enquanto isso, os serviços ainda pressionam os custos da cesta de consumo dos brasileiros que pertencem a faixas de renda mais elevadas. É o que aponta a pesquisadora Maria Andreia Parente Lameiras, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a partir de levantamento mensal do órgão sobre o tema. "Quando a gente passar por dezembro e olhar o que foi o ano de 2025, provavelmente as famílias de renda mais alta vão estar com uma inflação maior. Vão estar sentindo mais a pressão de serviços e vão estar se beneficiando menos da desaceleração dos preços dos alimentos", afirma. O estudo do Ipea que mede a inflação por faixa de rendimento divide as famílias em seis grupos de acordo com os respectivos ganhos mensais. São eles: renda muito baixa, baixa, média-baixa, média, média-alta e alta. A partir dessa divisão, o instituto calcula a variação dos preços para cada estrato, considerando os bens e serviços mais consumidos em cada um deles. Os alimentos pesam mais no orçamento dos mais pobres, ao passo que os serviços impactam mais a cesta dos brasileiros com rendimentos mais elevados. FAIXAS DE RENDA EM INDICADOR DE INFLAÇÃO DO IPEA Valor mensal domiciliar Renda muito baixa: menor que R$ 2.202,02 Renda baixa: entre R$ 2.202,02 e R$ 3.303,03 Renda média-baixa: entre R$ 3.303,03 e R$ 5.505,06 Renda média: entre R$ 5.505,06 e R$ 11.010,11 Renda média-alta: entre R$ 11.010,11 e R$ 22.020,22 Renda alta: maior que R$ 22.020,22 Na passagem de maio para junho, a inflação perdeu força para as três faixas da população que ganham menos, segundo o Ipea. Foram os casos dos índices das famílias de renda considerada muito baixa (de 0,38% para 0,20%), baixa (de 0,36% para 0,21%) e média-baixa (de 0,31% para 0,23%). "Toda aquela pressão que a gente tinha visto sobre a inflação dos mais pobres, que estava muito forte por conta dos alimentos, começa a se reverter", diz Maria Andreia. Com a ampliação da oferta de produtos após problemas climáticos, os preços da alimentação no domicílio mostraram queda de 0,43% em junho, após nove meses consecutivos em alta. "Isso trouxe um alívio muito grande para as camadas de renda mais baixa", afirma a técnica. Entre os brasileiros da classe de rendimento médio, a inflação foi de 0,24% em junho. Assim, repetiu a taxa de maio (0,24%). Já para a camada de renda média-alta, a inflação ganhou força, passando de 0,21% em maio para 0,27% em junho. O índice também acelerou para a faixa de rendimento alto, de 0,08% para 0,28%. Segundo Maria Andreia, a inflação desses grupos vinha sendo segurada, em parte, pela queda dos preços das passagens aéreas, o que não aconteceu em junho. Os bilhetes de avião avançaram 0,80% no mês passado. Além disso, os ganhos de renda da população com a recuperação do mercado de trabalho ainda dão margem para as empresas reajustarem os preços de serviços diversos, apesar do choque de juros praticado pelo BC (Banco Central), aponta a pesquisadora. "O setor de serviços está conseguindo fazer repasses porque as pessoas estão trabalhando e estão ganhando mais. Elas continuam demandando, mesmo com os serviços caros, porque estão com dinheiro para consumir. Isso acaba retroalimentando a inflação." Conforme o Ipea, o grupo de renda alta registrou a maior elevação de preços no acumulado de 12 meses até junho: 5,40%. O resultado marca uma diferença em relação a maio, quando a variação dessa camada era de 5,15%, a menor da pesquisa. No outro extremo da distribuição, o grupo de renda muito baixa registrou inflação de 5,24% no acumulado até junho. Trata-se da menor taxa da pesquisa. O índice dessa camada era de 5,34% até maio. O Ipea utiliza as variações de preços captadas pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O IPCA é o indicador oficial de inflação do Brasil. Apesar de a alta dos preços ter ficado maior para as camadas com rendimentos mais elevados, esses grupos têm mais condições de lidar com a carestia, se comparados aos mais pobres. TARIFAÇO DE TRUMP TRAZ INCERTEZA Ao ser questionada se o tarifaço prometido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai provocar reflexos na inflação brasileira, Maria Andreia diz que o cenário ainda é de muitas incertezas. A previsão de Trump é sobretaxar as exportações brasileiras em 50% a partir de 1º de agosto. Caso a medida realmente entre em vigor, forçará parte das empresas a buscar mercados alternativos, aponta a pesquisadora do Ipea. Assim, é possível que, inicialmente, mais produtos sejam direcionados para consumo interno, aliviando os preços no Brasil, segundo Maria Andreia. Esse cenário, contudo, tende a mudar com o passar do tempo. Produtores podem encontrar mercados substitutos ou simplesmente reduzir a produção, acrescenta a pesquisadora. "Não teria mais uma queda de preços nesse segundo momento, e outras variáveis poderiam impactar a inflação." A técnica ainda afirma que o recuo das exportações tende a diminuir a entrada de dólares no Brasil. A situação poderia pressionar a taxa de câmbio e, consequentemente, os preços de alimentos e outros itens, como combustíveis e bens duráveis.

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Silveira diz esperar que Petrobras reduza ainda mais combustíveis: "Temos condição"

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse esperar forte volatilidade no mercado internacional de petróleo, devido aos conflitos geopolíticos, e afirmou que o governo faz de tudo para minimizar os impactos ao consumidor. Apesar disso, ele acredita que há espaço para novo reajuste para baixo nos combustíveis vendidos pela Petrobras. eldquo;Temos condição e espero que a empresa ainda reduza mais os preços dos combustíveis. É a minha expectativa, se nós continuarmos com o Brent nos níveis que estão hojeerdquo;, afirmou o ministro ao jornal Valor Econômico. Silveira avaliou ainda que o processo de licenciamento da Petrobras na Margem Equatorial eldquo;andouerdquo;. eldquo;Após as simulações, o próximo passo é o licenciamento. É natural agora que a Petrobras acelere o processo de simulação e entregue os resultados ao Ibama. Se ele Ibama pediu as simulações, já deu uma sinalização clara que entendeu a importância de licenciar e do Brasil poder conhecer o potencial e de poder pesquisar na região. Agora está dependendo de a Petrobras entregar o resultado das simulaçõeserdquo;, afirmou. Política Segundo Silveira, a medida provisória (MP) do Auxílio Gás, aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para elevar sua popularidade, deve ser publicada em agosto. eldquo;O botijão de gás será entregue às famílias brasileiras mais carentes do Cadastro Único (CadÚnico), 17 milhões de famílias receberão. Nós queremos iniciar esse processo ainda este anoerdquo;, disse. Questionado sobre suas pretensões eleitorais, Silveira reafirmou o apoio à reeleição de Lula e não descartou ser candidato a algum posto por Minas Gerais em 2026. eldquo;Eu me julgo jovem aos 55 anos de idade e ainda com alguma energia para poder contribuir com o País e com o meu Estado. Naturalmente, pelo projeto que eu participo hoje e acredito que é o melhor para o Brasil, que é a continuidade do governo do presidente Lula até 2030, eu vou discutir e vou ouvi-lo do ponto de vista do macroprojetoerdquo;, disse. (Estadão Conteúdo)

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Setor de combustíveis rebate Lula

O Sindicom, que reúne o setor de distribuidoras de combustíveis e lubrificantes de todo o país, decidiu reagir às falas do presidente Lula, que cobrou, neste mês, fiscalização sobre o preço da gasolina e do diesel nos postos emdash; até mesmo por parte da Polícia Federal. Sem citar nominalmente o presidente, o Sindicom vai divulgar hoje uma nota em que eldquo;manifesta preocupação com declarações recentes e narrativas que visam descredibilizar o setor de combustíveis do país, em especial o segmento de distribuição, responsável por 9% do PIB industrial brasileiro.erdquo; eldquo;Tentar responsabilizar os distribuidores pelo preço dos combustíveis revela uma interpretação equivocada da cadeia de distribuição, desconsiderando sua relevância, as dimensões operacionais de sua atuação e a arrecadação tributária que promoveerdquo;, diz trecho da nota. eldquo;Outros fatores de mercado, como os custos do produto e da logística, além da tributação federal e estadual, impactam diretamente o preço final ao consumidor.erdquo; Mercado irregular O sindicato argumenta ainda que a Petrobras responde por 33% da composição do preço final da gasolina, enquanto os tributos federais e estaduais representam aproximadamente 35%. eldquo;Não bastassem os desafios diários para a garantia do abastecimento nacional, o setor enfrenta dificuldades persistentes em relação ao crescimento do mercado irregular, devedores contumazes de tributos e, mais recentemente, ao enfraquecimento das agências reguladoras emdash; o que vem colocando em risco a segurança dos consumidores e o bem-estar da sociedadeerdquo;, acrescenta. No começo do mês, em evento em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Lula afirmou que eldquo;é preciso fiscalizar para saber se os preços são justos ou se tem alguém, mais uma vez, tentando enganar o povo brasileiroerdquo;, segundo reportou o G1. eldquo;É preciso que esses órgãos, que têm a função de fiscalizar, não permitam que nenhum posto de gasolina neste país venda gasolina mais cara do que aquilo que é o preço que tem que vender emdash; e muito menos o óleo dieselerdquo;, acrescentou o presidente. (Capital)

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Senador dos EUA ameaça taxar Brasil em 100% se país seguir comprando petróleo russo

O senador americano Lindsey Graham fez uma ameaça sobre a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem tarifa adicional a países que continuarem comprando petróleo da Rússia, citando a possibilidade de impor uma alíquota de 100%. O Brasil seria um dos potenciais alvos. eldquo;Se vocês continuarem comprando petróleo barato da Rússia para permitir que essa guerra continue, nós vamos colocar um inferno de tarifas, esmagando a sua economiaerdquo;, disse o parlamentar da Carolina do Sul em entrevista à Fox News nesta segunda-feira, 21. eldquo;China, Índia e Brasil. Esses três países compram 80% do petróleo russo barato e é assim que a máquina de guerra de Putin continua funcionandoerdquo;, disse. eldquo;Se isso continuar, vamos impor 100% de tarifa para esses países. Punindo-os por ajudar a Rússiaerdquo;, afirmou. eldquo;Putin pode sobreviver às sanções, sem dar relevância a elas, e tem soldados. Mas a China, Índia e o Brasil vão ter de fazer uma escolha entre a economia americana e a ajuda a Putinerdquo;. eldquo;O jogo mudou em relação a você, presidente Putinerdquo;, declarou, citando ainda que os EUA continuarão mandando armas para que a Ucrânia possa revidar aos ataques russos. (Estadão Conteúdo)

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Petróleo estende perdas e fecha em queda com incerteza sobre tarifas

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda nesta terça-feira (21), estendendo as perdas das duas sessões anteriores, em meio às incertezas relacionadas às tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que pesa sobre a demanda. Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o petróleo WTI para setembro recuou 0,97% (US$ 0,64), a US$ 65,31 o barril. Já o Brent para mesmo mês, negociado na ICE (Intercontinental Exchange), cedeu 0,89% (US$ 0,62), a US$ 68,59 o barril. Trump afirmou hoje que os EUA fecharam um acordo comercial com as Filipinas, com o país asiático sendo tarifado em 19%. Já o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, confirmou que sediará as negociações contínuas entre Washington e Pequim início da próxima semana. Na União Europeia, todavia, o governo francês quer que Bruxelas aumente a pressão sobre os EUA, à medida que as negociações se aproximam do fim sem que haja um acordo à vista. A Ritterbusch vê os estoques de petróleo aumentando "consideravelmente", à medida que os avanços de produção da Opep+ (grupo formado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados) se tornam mais visíveis em um momento em que as tarifas norte-americanas terão um impacto maior - mesmo que sejam atenuadas ou adiadas por Trump. Os preços da commodity podem permanecer voláteis devido às crescentes preocupações em relação à demanda global, dada a escalada das tensões comerciais, instigando temores de uma desaceleração econômica e reduzindo as perspectivas de consumo de combustível, acrescenta Wael Makarem, da Exness. Uma pausa nos aumentos de produção da Opep+ no final deste ano poderia limitar mais risco de queda, acrescenta ele. *Com informações da Dow Jones Newswires (Estadão Conteúdo)

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