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Especialista: mistura de etanol na gasolina afeta qualidade do combustível

A nova medida do governo sobre as misturas obrigatórias na gasolina e no diesel brasileiro, que entrou em vigor na última sexta-feira (1º), pode trazer impactos negativos para os consumidores. A alteração aumentou o percentual de etanol na gasolina de 27% para 30%, e do biodiesel no diesel de 14% para 15%. Segundo o engenheiro e colunista da CNN Boris Feldman, a mudança pode resultar em problemas técnicos e aumento no consumo de combustível. "O etanol tem um poder energético menor que o da gasolina, então quando você vai subindo o etanol da gasolina, você reduz a quilometragem", explica Feldman. Impacto nos veículos Os veículos flex, fabricados a partir de 2003, não devem apresentar problemas técnicos com a nova mistura. No entanto, carros mais antigos e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina podem enfrentar dificuldades, especialmente na partida do motor pela manhã. A gasolina premium, que mantém 25% de etanol em sua composição, não sofrerá alterações. Contudo, seu preço é cerca de 50% mais elevado que a gasolina comum, tornando-a inacessível para grande parte dos consumidores. Comparação internacional O percentual de etanol utilizado no Brasil é significativamente maior que em outros países. Nos Estados Unidos, a mistura é de 10%, enquanto na Europa varia entre 2,5% e 5%. Segundo Feldman, o percentual ideal seria entre 10% e 20%, embora até 30% seja tecnicamente suportável pelos motores. Quanto aos preços, ainda não foram observadas reduções nos valores dos combustíveis nas bombas, conforme era previsto com a implementação da medida. "Se houver a queda no preço, ela talvez não seja nem suficiente para compensar o consumo que aumentou", avalia Feldman.

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Indústria de açúcar e etanol da Paraíba estima perdas de R$ 40 milhões com tarifas dos EUA

Produtores de açúcar e etanol da Paraíba calculam impactos de R$ 40 milhões na cadeia produtiva com tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. Segundo estimativas do Sindialcool da Paraíba, o impacto será maior para o açúcar, onde empresas e trabalhadores já foram contratados, já que o produto responde por cerca de 49% do total das exportações do estado. Em 2024, Estados Unidos (US$ 20 milhões) e o Canadá (US$ 18 milhões), juntos, foram o destino de 47,3% de todo o valor exportado no segmento. O sindicato que representa as usinas de etanol e açúcar na Paraíba divulgou, nesta sexta-feira (1/8), uma nota pública em defesa do etanol brasileiro e de uma parceria estratégica e sustentável com os Estados Unidos. A organização também critica a natureza política do tarifaço. Oficializada pelo presidente dos EUA na última quarta (30/7), a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros (10% anunciados em abril + 40%) deve entrar em vigor no dia 6 de agosto. Quando divulgou os 40% adicionais no início de julho, Trump usou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como uma das justificativas para a medida, deixando claro o uso político das tarifas. Embora a ordem executiva de Trump assinada esta semana tenha isentado quase 700 produtos, o etanol e o açúcar seguem sujeitos à taxação, o que preocupa a indústria sucroalcooleira. eldquo;O Brasil, que detém quase 50% das exportações mundiais, tem direito a apenas 155 mil toneladas e viu recentemente a eliminação da cota de açúcar orgânico emdash; medidas que afetam diretamente regiões como a Paraíbaerdquo;, diz o Sindialcool em nota. Segundo a organização, Brasil e Estados Unidos respondem juntos por cerca de 80% da produção mundial de etanol e devem compartilhar a responsabilidade de promoção global dos biocombustíveis como solução para a descarbonização do transporte, da aviação e do setor marítimo. eldquo;No entanto, a assimetria atual nas políticas comerciais e ambientais entre os dois países impõe obstáculos à construção de uma aliança verdadeiramente estratégicaerdquo;, observa. Os produtores lembram que o Brasil substitui 45% da gasolina no ciclo Otto por etanol, o que garante um mercado equilibrado, inclusive com a o desenvolvimento da indústria de etanol de milho, o que justificaria a tarifa de 18% imposta às importações do biocombustível fora do Mercosul. Em contrapartida, nos EUA, onde a produção chega a 60 bilhões de litros, a mistura de etanol está em 10%, com um excedente de 7 bilhões de litros que são eldquo;exportados agressivamente, muitas vezes com apoio diplomático e tarifárioerdquo;. Ainda assim, os Estados Unidos compram o biocombustível brasileiro, a uma tarifa de 2,5%, para cumprir políticas de descarbonização. Isso porque o produto da cana de açúcar possui uma pegada de carbono significativamente menor: 22 gCOe#8322;/MJ contra 66 gCOe#8322;/MJ do etanol norte-americano de milho. Em contrapartida, o açúcar paga uma taxa de US$ 357,6 a tonelada para entrar nos EUA, o que representa quase 100% do valor da commodity considerando os preços atuais. Investigação contra o Brasil Em 15 de julho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) iniciou uma investigação contra o Brasil, tendo etanol e desmatamento entre seus alvos. O processo, a pedido de Trump, vai averiguar se políticas e práticas adotadas pelo governo brasileiro são consideradas arbitrárias, discriminatórias e oneram ou criam barreiras ao comércio estadunidense. Uma das preocupações é em relação possíveis restrições à entrada do etanol dos EUA no Brasil. Para o Sindialcool, adotar etanol importado com maior intensidade de carbono contraria os compromissos ambientais do Brasil e os objetivos globais de descarbonização, sobretudo às vésperas da COP30. Barreiras ao açúcar Outra crítica dos produtores paraibanos é em relação ao fechamento do mercado estadunidense ao açúcar importado. Há uma cota global de 1,1 milhão de toneladas distribuída entre 42 países, e o Brasil, que detém quase 50% das exportações mundiais, tem direito a apenas 155 mil toneladas. eldquo;Ressaltamos que a presente tarifação se trata de um acréscimo sobre a taxa de 83% sobre o açúcar brasileiro que os Estados Unidos mantiveram nos últimos 30 anos como defesa do mercado à produção localerdquo;, diz a nota do Sindialcool. eldquo;Ainda assim, nós no Brasil estamos dispostos a ampliar o engajamento com os Estados Unidos, evitar julgamentos precipitados, administrar as diferenças com maturidade e explorar mecanismos consistentes de cooperaçãoerdquo;, continua. eldquo;É urgente fortalecer canais bilaterais de comunicação e consulta (ehellip;). Relações baseadas em unilateralismo e práticas de pressão comercial (bullying) devem ser substituídas por respeito mútuo, previsibilidade e construção de confiançaerdquo;, completa.

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Produções de petróleo e de gás natural batem novo recorde em junho

A ANP divulgou hoje (1/8) o Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural de junho de 2025, que traz os dados consolidados da produção nacional. O mês registrou recorde nas produções nacionais de petróleo e de gás, considerando pré-sal, pós-sal e terra. Com relação ao petróleo, foram extraídos 3,757 milhões de barris por dia (bbl/d), um aumento de 2,1% na comparação com o mês anterior e de 10,1% em relação ao mesmo mês de 2024. Já a produção de gás natural em junho foi de 181.636 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). Houve crescimento de 5,4% frente a maio e de 20,9% na comparação com junho de 2024. A produção total (petróleo + gás) foi de 4,900 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Pré-sal Também houve novo recorde na produção de petróleo e gás natural no pré-sal, que foi de 3,860 milhões de boe/d. Trata-se de um aumento de 1,5% em relação ao mês anterior e de 12,7% se comparado a junho de 2024. A produção do pré-sal, que ocorreu por meio de 162 poços, correspondeu, no mês, a 78,8% do total nacional. Separadamente, a produção de petróleo foi de 2,981 milhões de bbl/d e a de gás natural, de 139,79 milhões de m³/d. Aproveitamento do gás natural Em junho, o aproveitamento de gás natural foi de 96,7%. Foram disponibilizados ao mercado 61,76 milhões de m³/d e a queima foi de 6,02 milhões de m³/d. A queima variou 40,3% se comparada ao mês anterior e 97,1% na comparação com junho de 2024. O crescimento foi devido ao comissionamento da FPSO Alexandre de Gusmão, no Campo de Mero. Origem da produção No mês, os campos marítimos produziram 97,6% do petróleo e 85,3% do gás natural. Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 89,35% do total produzido. A produção teve origem em 6.555 poços, sendo 536 marítimos e 6.019 terrestres. Campos e instalações No mês de junho, o campo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, foi o maior produtor, registrando 794,60 bbl/d de petróleo e 40,19 milhões de m³/d de gás natural. Já a instalação com a maior produção foi o FPSO Guanabara, na jazida compartilhada de Mero, com 183.787 bbl/d de petróleo e 12,08 milhões de m³/d de gás natural. Sobre o Boletim da Produção de Petróleo e Gás Além da publicação tradicional em .pdf, é possível consultar os dados do boletim de forma interativa utilizando a tecnologia de Business Intelligence (BI). A ferramenta permite que o usuário altere o mês de referência sobre o qual deseja a informação, além de diferentes seleções de períodos para consulta e filtros específicos para campos, estados e bacias. Variações na produção são esperadas e podem ocorrer devido a fatores como paradas programadas de unidades de produção em função de manutenção, entrada em operação de poços, parada de poços para manutenção ou limpeza, início de comissionamento de novas unidades de produção, dentre outros. Tais ações são típicas da produção de petróleo e gás natural e buscam a operação estável e contínua, bem como o aumento da produção ao longo do tempo.

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Sob ameaça da Otan, Brasil terá dificuldade se deixar de importar diesel da Rússia; entenda

O mercado brasileiro pode enfrentar dificuldades para encontrar novos mercados de importação de diesel e derivados de petróleo caso deixe de manter relações comerciais com a Rússia. Uma ruptura no fluxo comercial no setor de combustíveis com o Kremlin foi sugerida pelo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, na semana passada, como condição para que o Brasil não seja alvo de sanções do grupo. Atualmente, a Rússia é o principal fornecedor de diesel ao Brasil, com mais de 40% do volume importado. De janeiro a junho, as importações somaram mais de US$ 2,5 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Os Estados Unidos são o segundo principal fornecedor, seguido pela Arábia Saudita, em transações que se aproximam de R$ 1,5 bilhão. O economista do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), Eric Gil Dantas, explica que a predominância russa nas relações com o Brasil se deu após as sanções da União Europeia a Vladimir Putin, em função da guerra contra a Ucrânia. eldquo;A Rússia vendia muito diesel para a Europa, e esse mercado foi fechado (para o diesel, mas não totalmente para o petróleo cru e o gás natural), e com isto o produto ficou disponível a um preço mais barato, muitas vezes R$ 0,10 mais barato do que os preços internacionaiserdquo;, ressalta. Dantas aposta em um encarecimento nos preços do diesel no mercado interno, caso o Brasil busque novos mercados em detrimento da Rússia. Segundo ele, outro impacto será a dificuldade em encontrar outro fornecedor. eldquo;Pois a segunda maior fonte, que historicamente sempre foi o principal fornecedor até isso se inverter em 2023, são os EUA, o qual o Brasil segue neste embate contra o tarifaço e a tentativa de intervir na política brasileira via sanções. Teríamos que procurar em outros países, como Emirados Árabes, Kuwait e Índiaerdquo;, complementa Eric, ao lembrar da ameaça de uma taxa de 50% às exportações brasileiras, anunciada por Donald Trump, nos EUA, que tem gerado um racha na relação comercial entre os dois países. O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, diz que trata o assunto apenas como uma ameaça. eldquo;Estamos muito atentos, mas, por ora, não há nenhum plano, vamos aguardar para avaliar o melhor caminhoerdquo;, compartilha. Araujo alerta para uma preocupação quanto à disponibilidade de óleo diesel caso os produtos da Rússia saiam do mercado. eldquo;No passado, a gente importava, majoritariamente, óleo diesel dos Estados Unidos. Mas com o avanço da guerra entre Rússia e Ucrânia, os Estados Unidos passaram a ser fornecedores da União Europeia e, com isso, há um desequilíbrio no mercado. A saída da Rússia certamente provocará um impacto na oferta e na demandaerdquo;, acrescenta. eldquo;E há também uma tendência de elevação de preços. É uma situação delicadaerdquo;, arremata Sérgio Araújo, da Abicom. E a Petrobras? Procurada, a Petrobras apenas informou que não importa diesel da Rússia. Eric Gil Dantas, do Ibeps, por sua vez, lembra que a estatal importa um volume importante de diesel. As negociações miram, em maioria, o mercado dos Estados Unidos e do Golfo Pérsico. eldquo;Ela mantém uma relevância muito importante na procura de novos mercados, até porque ela é a maior empresa do país, e estatal, logo tem um poder e uma responsabilidade estratégica incomparável às outras agentes do mercadoerdquo;, sugere. O economista ainda frisa que a empresa tem investido na expansão da capacidade instalada para produção de diesel em refinarias, como nos projetos concluídos em Pernambuco. No início do mês, a estatal anunciou um aporte acima de R$ 33 bilhões nas áreas de refino no Rio de Janeiro. eldquo;Mas vai demorar ainda uns dois anos para que isto realmente se reflita em volumes muito maiores de diesel nacional no mercado. Essa situação mostra como foi um enorme erro a política para a Petrobras nos dois últimos governos, onde praticamente não se investiu um centavo na ampliação das refinarias, mesmo o Brasil aumentando fortemente sua extração de petróleoerdquo;, finaliza.

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OPEP+ sinaliza novo aumento na produção de petróleo para setembro

Membros da OPEP+ chegaram a um acordo em princípio para outro aumento substancial na produção de petróleo para setembro, segundo um representante, enquanto o grupo se movimenta para recuperar sua fatia nos mercados globais de petróleo. A Arábia Saudita e seus parceiros planejam ratificar a adição de 548 mil barris por dia para o próximo mês quando realizarem uma videoconferência no domingo, disse o representante. O aumento completaria a reversão de um corte de 2,2 milhões de barris feito por oito membros do grupo em 2023, e também considera uma cota extra que está sendo gradualmente implementada para os Emirados Árabes Unidos. Clique aqui para continuar a leitura.

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Petróleo fecha em queda após payroll fraco nos EUA e relato de aumento da produção pela Opep+

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda de quase 3% nesta sexta, 1º, após a decepção com a criação de empregos nos EUA e relatos de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) aumentará produção, gerando temores sobre a oferta. As perdas, contudo, foram levemente reduzidas após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar nesta tarde que posicionará dois submarinos nucleares em "regiões apropriadas" próximo à Rússia. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para setembro recuou 2,78% (US$ 1,93), a US$ 67,33 o barril. Já o Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), teve baixa de 2,83% (US$ 2,03), a US$ 69,67 o barril. Na semana, o WTI e Brent subiram 3,33% e 2,97%, respectivamente. De acordo com fontes da Reuters, a Opep+ provavelmente aprovará outro avanço na produção da commodity no domingo. Três fontes disseram que oito membros poderiam aumentar a produção em 548.000 barris por dia em setembro, enquanto uma quarta pessoa alegou que as discussões sobre o volume estavam ainda em andamento. A notícia amplificou a queda que já vinha motivada por dados fracos nos EUA. "Esta é definitivamente uma venda impulsionada por fatores macroeconômicos", diz Rebecca Babin, trader sênior de energia da CIBC Private Wealth US. As notícias sobre tarifas "estão se revelando um pouco piores do que o esperado", acrescenta. Apesar da baixa do dia, os ganhos da semana do óleo foram impulsionados principalmente pelas ameaças de sanções severas à Rússia e compradores de petróleo russo por parte de Trump. Anúncio de terceiros. Não é uma oferta ou recomendação do Investing.com. Leia as nossas diretrizes aqui ou remova os anúncios. O republicano afirmou hoje que ordenou o posicionamento de dois submarinos nucleares em "regiões apropriadas", caso as declarações "tolas e inflamatórias" do ex-presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, se tornem "mais do que isso". Trump ainda lembrou que Medvedev ocupa agora o cargo de vice-presidente do Conselho de Segurança do país. "Palavras são importantes, e podem com frequência levar a consequências indesejadas, espero que esta não seja uma dessas circunstâncias", escreveu. *Com informações da Dow Jones Newswires (Estadão Conteúdo)

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