Mesmo sem novas tarifas contra óleo russo, queda no preço do barril será breve
O mercado global de petróleo deve viver novas restrições em 2026 que vão elevar o preço do barril, mesmo sem as tarifas secundárias que os Estados Unidos ameaçaram aplicar contra o petróleo da Rússia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que não vai cobrar novas taxas da China por comprar petróleo russo. Segundo Trump, a trégua é resultado dos avanços das negociações para encerrar a guerra da Ucrânia, depois da reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na sexta-feira (15/8). Antes mesmo do anúncio, o mercado começou a precificar o recuo das ameaças: na sexta, Brent para outubro recuou 1,48%, a US$ 65,85 o barril. Ao longo da semana passada, a cotação caiu 1,1%. A tendência para o segundo semestre de 2025 é de continuidade da queda: segundo a Seamp;P Global Commodity Insights, as cotações podem retornar para a faixa dos US$ 50 nos próximos meses, com o aumento nos estoques globais e o avanço nos acordos internacionais para lidar com as políticas comerciais dos EUA. Mas o cenário vai ser temporário: a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) deve anunciar novos cortes de produção em 2026. Recentemente, o cartel decidiu que a partir de setembro vai acabar com as restrições à produção estabelecidas em 2023. Ainda assim, o grupo segue buscando preços próximos aos US$ 80, cotação que permite o equilíbrio fiscal dos integrantes do cartel. eldquo;A partir do ano que vem, em algum momento, a Opep deve cortar 1,6 milhão de barris/diaerdquo;, prevê Lenny Rodriguez, analista da Seamp;P Global Commodity Insights. Também contribui para o cenário de menor oferta a expectativa de queda na extração em países que são grandes exportadores, como os EUA e a Noruega. Caso as projeções se confirmem, o principal impacto no Brasil será sobre os preços dos combustíveis. Vale lembrar que 2026 é um ano eleitoral no Brasil e que as cotações do diesel e da gasolina são um dos temas mais sensíveis para a população. No centro desse debate, como sempre, está a Petrobras: a definição de preços de combustíveis da estatal no atual governo passou considerar outras variáveis, como a participação de mercado e a competitividade em relação a concorrentes, mas as cotações internacionais seguem tendo peso na composição final. Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), os preços da gasolina da estatal estão acima das cotações internacionais há semanas. Na sexta (15), a média da gasolina estava 3% acima do preço de importação, enquanto o diesel estava 3% mais barato do que no exterior.