Ano:
Mês:
article

Carbono Oculto cita armazenamento de metanol em terminal do porto de Santos

Relatório do Ministério Público na megaoperação Carbono Oculto aponta que o metanol trazido por importadoras para o Brasil foi armazenado em especial em dois terminais marítimos: Cattalini, no porto de Paranaguá, no Paraná; e a Ultracargo, no porto de Santos. "O produto, no entanto, não é entregue nas referidas empresas endash;ao menos não no volume indicadoemdash;, mas destinados a postos diversos, exatamente para adulteração de combustíveis veiculares", diz o PIC (Procedimento Investigatório Criminal) 1005046-26.2025.26.0050, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Quando foi deflagrada a operação, no último dia 28, procuradores disseram que a distribuição do metanol não envolvia apenas postos de bandeira branca (sem contratos com grandes marcas de combustíveis) ou pequenas distribuidoras e terminais. Empresas importantes haviam sido usadas no esquema, mesmo que involuntariamente, segundo a investigação. A Ultracargo faz parte do Grupo Ultra, com atuação nos mercados de óleo, gás, especialidades químicas e varejo, segundo seu site. A Ultracargo é citada na investigação por causa de contratos para aluguel de tanques para três distribuidoras de combustíveis: Arka, Petroworld e Monte Cabral. Em nota, a Ultracargo informa que "não possui contratos ativos com as distribuidoras Monte Cabral Distribuidora de Combustíveis Ltda., Petroworld Combustíveis S.A. e Arka Distribuidora de Combustíveis Ltda. A empresa assegura a integridade e a conformidade de suas operações por meio de rigorosos processos de diligência, e pauta suas relações comerciais pelo compromisso com a ética, transparência e estrita conformidade legal". Representantes das outras empresas não foram localizados para comentar a investigação.

article

Produção de carros cai, mas exportações têm alta

A produção de veículos teve queda de 4,8% no mês passado frente ao mesmo período de 2024, chegando a 247 mil unidades. Na comparação com julho deste ano, porém, houve alta de 3% na fabricação de veículos, entre carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus. Divulgado ontem pela Anfavea, a entidade que representa as montadoras, o balanço mostra que no acumulado do ano até agosto houve 1,743 milhão de veículos montados, 6% acima do volume registrado no mesmo período de 2024. Já as vendas do mês passado, de 225,4 mil veículos, caíram 5,1% no comparativo com agosto de 2024. Na margem, ou seja, de julho para agosto, as vendas contraíram 7,3%. A despeito das quedas em agosto, o crescimento no acumulado do ano é de 2,8% em relação a 2024. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que o crescimento das vendas de veículos no País em 2025 deriva muito mais das vendas diretas (para locadoras e motoristas portadores de deficiência, por exemplo) por parte das montadoras do que da comercialização no varejo. Segundo Calvet, houve um crescimento de 12,9% nas vendas diretas, enquanto as vendas no varejo caíram 4,3%. EXPORTAÇÕES. As exportações, por sua vez, somaram 57,1 mil veículos no mês passado, uma alta de 49,3% em relação a agosto de 2024, e crescimento de 19,3% na comparação com o mês de julho. Desde o início do ano, 378,2 mil veículos foram exportados, um crescimento de 55,9% ante os oito primeiros meses de 2024. A Argentina é o principal destino das vendas de veículos ao exterior e vem puxando os resultados. O balanço da Anfavea mostra ainda que 700 vagas de emprego foram criadas nas montadoras em agosto. O setor agora emprega um total de 110,1 mil trabalhadores. ebull;

article

Carbono Oculto: secretaria da Fazenda de SP cassa inscrição de três distribuidoras de combustíveis

A Secretaria Estadual da Fazenda do Estado de São Paulo cassou a inscrição estadual de três distribuidoras de combustíveis investigadas pela Operação Carbono Oculto, que mirou fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC). Duas delas são ligadas à Refit: a Estrela Distribuidora de Combustíveis e a VMR Distribuidora de Combustíveis e Lubrificantes, ambas sediadas em Jardinópolis. A cidade no interior paulista é um dos polos do comércio ilegal exposto na operação deflagrada no dia 28 de agosto. A terceira empresa com inscrição estadual cassada foi a Petroworld Combustíveis. A decisão vem na esteira da portaria publicada na última sexta-feira pela secretaria de Fazenda que estabelece critérios mais rigorosos para a concessão e alteração da inscrição estadual de empresas que atuam no setor de combustíveis. A empresa a Estrela Distribuidora teve um faturamento total de 3 bilhões entre janeiro de 2024 e maio de 2025 e movimentou 230 milhões de litros no primeiro semestre de 2025. Já a VMR teve baixa movimentação de vendas pois seria usada como eldquo;empresa reservaerdquo;, caso o outro CNPJ do grupo Refit fosse cassado. Segundo o processo administrativo, a Petroworld vendeu 175 milhões de litros em igual período em mercados como São Paulo e Goiás. Os responsáveis pela Petroworld não foram localizados. Posicionamento da Refit: A Refit esclarece que não possui qualquer vínculo societário e nunca manteve relações comerciais com a Estrela Distribuidora de Combustíveis e a VMR Distribuidora de Combustíveis e Lubrificantes. A companhia adota rigorosos mecanismos de controle em sua cadeia de distribuição a fim de impedir que seus produtos abasteçam estabelecimentos associados ao crime organizado. A Refit informa ainda que não tem operações em Jardinópolis (SP).

article

O mercado cinzento de combustíveis no Brasil

Adriano Pires - O setor de combustíveis no Brasil carrega, há anos, uma vulnerabilidade crítica: um sistema tributário e regulatório fragmentado e permeado por exceções. A complexidade do arcabouço fiscal não só dificulta a previsibilidade de custos e margens, mas também cria um terreno fértil para comportamentos oportunistas. Em um ambiente onde cadeias de valor são longas, integrando refinarias, distribuidoras, importadoras, postos revendedores e uma malha de logística intensiva, a variedade de tributos e a falta de harmonização entre esferas federais e estaduais constituem falhas de mercado notáveis. A tributação de combustíveis é um mosaico difícil de decifrar, mesmo para agentes mais experientes do mercado. Sobre a gasolina, por exemplo, incidem impostos federais como Cide, PIS/Pasep e Cofins, além do ICMS estadual endash;que recentemente ganhou contornos mais simples com a aplicação da cobrança monofásica ad-rem. O etanol, apesar de ter apelo ambiental, não escapa da confusão: além da cobrança diferenciada do ICMS, sua tributação sofre impactos da política de incentivos que altera o equilíbrio competitivo. Para o diesel, as constantes mudanças em alíquotas e isenções refletem a sensibilidade política do produto, utilizado como insumo em transporte de carga e de passageiros e no agronegócio. Um bom exemplo recente da volatilidade e da complexidade dos tributos sobre o segmento foi o debate durante a discussão da reforma tributária, no final de 2023. No texto original da proposta, havia uma medida que isentava o Imposto de Importação e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para o setor de petróleo na ZFM (Zona Franca de Manaus). Essa mudança permitiria que importadores desses produtos fossem trazidos para a região a valores menores do que em outras partes do país, resultando em assimetrias claras de mercado. A alta carga tributária, e em constante mudança, tem consequências para a formação de preços e a avaliação de políticas públicas. No caso do ICMS, por exemplo, a cobrança, baseada em uma pauta fiscal ou no PMPF (Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final), é fonte recorrente de judicialização e incerteza. Historicamente, a dinâmica sensível entre os preços de refinarias, importadores, adição de biocombustíveis, margem de distribuição e revenda e a carga tributária torna qualquer tentativa de estabilização artificial uma tarefa onerosa e sujeita a críticas de todos os lados. A propensão desse ambiente à proliferação de esquemas ilícitos é um fato conhecido, como demonstrou a recente operação Carbono Oculto, deflagrada pela PF (Polícia Federal) em 28 de agosto. A investigação, considerada a maior já realizada contra o crime organizado no Brasil, mirou um esquema bilionário de sonegação, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis, revelando a infiltração do crime organizado em praticamente toda a cadeia do setor. As apurações mostram uma rede altamente sofisticada, que controlava da importação e produção até a distribuição e revenda ao consumidor final. Além disso, o grupo utilizava fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada para ocultar patrimônio e legitimar recursos ilícitos. De 2020 a 2024, foram importados mais de R$ 10 bilhões em combustíveis por empresas ligadas ao esquema. As operações envolviam o uso de importadoras como eldquo;laranjaserdquo; para adquirir nafta, hidrocarbonetos e diesel, repassados a formuladoras e distribuidoras associadas ao grupo. Essas companhias não só sonegavam tributos de forma sistemática, como adulteravam combustíveis para ampliar margens de lucro. Em só 4 anos, R$ 52 bilhões circularam por postos fiscalizados em 10 Estados, com recolhimento de tributos irrisório e incompatível com o volume de operações. A gravidade da situação fica ainda mais evidente quando se observa a recente deterioração do orçamento da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). A autorização para despesas discricionárias da agência caiu de R$ 749 milhões em 2013 (valor corrigido pela inflação) para R$ 134 milhões em 2025 (-82%). Para ler o artigo completo, clique aqui.

article

Etanol sobe em 13 estados e é competitivo em seis

Os preços médios do etanol hidratado subiram em 13 estados, caíram em 9 e ficaram estáveis em 4 e no Distrito Federal, na semana de 31 de agosto a 6 de setembro. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE-Taxas. Nos postos pesquisados pela agência em todo o país, o preço médio do etanol subiu 0,96% na comparação com a semana anterior, de R$ 4,15 para R$ 4,19 o litro. Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço subiu 1,01% na comparação semanal, de R$ 3,98 para R$ 4,02 o litro. A maior queda porcentual na semana, de 11,02%, foi registrada no Acre. A maior alta no período, em Goiás, foi de 2,79%. O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,19 o litro, em São Paulo. O maior preço, de R$ 6,49, foi observado em Pernambuco. Já o menor preço médio estadual, de R$ 3,85, foi registrado em Mato Grosso do Sul, enquanto o maior preço médio foi verificado no Amazonas, de R$ 5,49 o litro. Etanol é mais competitivo em seis estados O etanol mostrou-se mais competitivo em relação à gasolina em seis estados na semana de 31 de agosto a 6 de setembro. Na média dos postos pesquisados no país, o etanol tinha paridade de 67,91% ante a gasolina no período, portanto favorável em comparação com o derivado do petróleo, conforme levantamento da ANP compilado pelo AE-Taxas. Executivos do setor observam que o etanol pode ser competitivo mesmo com paridade maior do que 70%, a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado. O etanol é mais competitivo em relação à gasolina nos seguintes estados: Goiás (67,16%); Mato Grosso (67,30%); Mato Grosso do Sul (65,03%); Minas Gerais (69,19%); Paraná (67,49%) e São Paulo (66,34%). (Estadão Conteúdo)

article

ANP publica resolução que aumenta octanagem da gasolina

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou a resolução que eleva a octanagem da gasolina C de 93 para 94, conforme determinado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para o aumento do percentual obrigatório da mistura de etanol anidro. A mistura de etanol à gasolina subiu de 27% para 30% a partir de 1° de agosto. A resolução ANP n° 988/2025, publicada nesta terça-feira (9/9), altera a especificação da gasolina de uso automotivo e as obrigações quanto ao controle da qualidade. Outra alteração estabelecida pelo conselho é a nova massa mínima da gasolina A, que deverá ser de 688,9 kg/m³ Segundo a agência, o objetivo é garantir a manutenção da qualidade da gasolina A (pura) utilizada na mistura e assegurar os benefícios de aumento de octanagem decorrentes da elevação do teor de etanol. As diretrizes foram aprovadas na última reunião da diretoria colegiada da ANP, na sexta-feira (5/9), em processo sob relatoria da diretora Symone Araújo. A entidade realizou consulta pública em julho para receber contribuições sobre o tema. Os diretores aprovaram, ainda, uma carência mínima para aplicação de autuação por não conformidade das novas misturas após alteração na legislação sobre o teor obrigatório do biocombustível. Agora, na cadeia de distribuição, o prazo é de 30 dias para a região Norte, após a entrada em vigor da nova mistura, e 15 dias para as outras regiões. Na revenda, são 60 dias para o Norte e 30 para as demais localidades. As mudanças foram dispensadas da análise de impacto regulatório, por se tratar de ato normativo destinado a disciplinar direitos e obrigações de norma superior, no caso, a Lei do Combustível do Futuro. Segundo cálculos do Ministério de Minas e Energia (MME), o salto de E27 para E30 poderá reduzir o consumo de gasolina A em até 1,36 bilhão de litros por ano e transformar o Brasil em exportador líquido do derivado.

Como posso te ajudar?