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Audiência expõe problemas na fiscalização e avanço do crime organizado no setor de combustíveis

Representantes do governo, de sindicatos e da indústria, em audiência pública na Câmara dos Deputados, trouxeram alertas sobre a vulnerabilidade da fiscalização e a crescente presença do crime organizado no setor de combustíveis, com riscos para a qualidade e o preço dos produtos comercializados no país. O debate foi promovido nesta terça-feira (30) pela Comissão de Defesa do Consumidor, a pedido dos deputados Daniel Almeida (PCdoB-BA) e Paulão (PT-AL). Crime organizado De um lado, os debatedores demonstraram preocupação com a atuação do crime organizado na adulteração e na comercialização de combustíveis. O diretor-executivo do Instituto Livre Mercado, Rodrigo Marinho, explicou que a cadeia de atuação criminal é ampla, indo desde a prospecção de petróleo até a distribuição e a ponta final nos postos de combustíveis. eldquo;O crime organizado descobriu uma oportunidade de mercado imensa no setor de combustíveiserdquo;, afirmou Marinho. eldquo;Descobriram que o volume de dinheiro do posto é baixo. É melhor chegar à distribuidora. Mas ainda é baixo: chegaram à refinaria. Se não combatermos isso, esse mercado será todo perdido para o crime organizado e mesmo a Petrobras não vai conseguir concorrererdquo;, afirmou. O deputado Paulão reforçou a gravidade da situação. eldquo;O crime organizado está tendo capilaridade em tudo: Poder Executivo, Judiciário, Legislativo, Ministério Público Federal, estaduais, Forças Armadas. Eles criaram estrutura de inteligência na década de 80 e essa capilaridade hoje é internacionalerdquo;, disse. Controle Outra preocupação dos debatedores é com o controle da qualidade dos combustíveis vendidos no Brasil. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) é responsável por esse controle, principalmente por meio do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), realizado a partir de coletas e análises laboratoriais em todo o país. Superintendente adjunto de Biocombustíveis e de Qualidade de Produtos da ANP, Fabio da Silva Vinhado relatou que a qualidade da gasolina apresentou melhora significativa desde o fim dos anos 90. Contudo, o PMQC tem sido prejudicado por cortes orçamentários, tendo sido suspenso no fim de 2024 e em julho deste ano, sendo retomado em agosto. eldquo;Foram mais de 3,4 mil municípios monitorados em 2025 em 20 unidades da Federaçãoerdquo;, listou o superintendente. eldquo;Para este mês de agosto, que é o mês da retomada, já foram mais de 700 municípios visitados, mais de 2 mil postos de revendas com amostras coletadaserdquo;, informou. Fabio Vinhado disse ainda que um novo modelo do programa já está em execução em Goiás e no Distrito Federal, com adaptações para situações de restrição orçamentária. Entre outros pontos, no novo modelo, são os agentes econômicos que devem contratar o laboratório credenciado pela ANP, em vez de a própria agência contratar. Preços O preço dos combustíveis emdash; incluindo o gás de cozinha, a gasolina e o diesel emdash; foi outro ponto discutido na audiência. No caso da gasolina comum, o preço médio do litro no Brasil está custando R$ 6,19. Conforme lembrou Luis Eduardo Esteves, Superintendente de Defesa da Concorrência da ANP, o Brasil adota o regime de liberdade de preços desde 2002, não havendo tabelamento ou intervenção governamental na formação de valores. A ANP monitora os preços, mas também esse controle sofreu com o contingenciamento, o que levou à redução na quantidade de amostras na pesquisa semanal de preços. Diversos participantes apontaram a alta carga tributária como fator determinante do custo final, com mais da metade do preço na bomba sendo composta por tributos. Também foi mencionada a alta concentração do setor de distribuição, onde três grandes companhias detêm 60% do mercado. E ainda a crescente proporção de biocombustíveis, que deve ser de 15% no caso do diesel, por exemplo, como peso relevante no custo do combustível vendido no Brasil.

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Investigação expõe guerra pelo mercado de combustíveis em SP e no RJ

A Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal em conjunto com outros órgãos, expôs uma disputa que há dez anos opõe empresas de combustíveis no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os dois lados são investigados por supostas ligações com o crime organizado. De um lado estão Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", suspeitos de ligação com o PCC e donos da Copape e da Aster, formuladora e distribuidora de combustíveis, respectivamente, em São Paulo. Ambos estão foragidos. Suas defesas negam qualquer relação com a facção criminosa ou com lavagem de dinheiro ligada ao tráfico. Do outro, aparece o grupo Refit, comandado pelo empresário Ricardo Magro, que enriqueceu com a refinaria de Manguinhos, no Rio, e desde 2016 administra suas empresas de Miami. Ele também nega envolvimento com o crime organizado. Lavagem de dinheiro O setor de combustíveis é formado por produtores (extração), refinarias ou formuladoras, distribuidoras e, por fim, os postos, onde a gasolina, etanol e diesel são comercializados. As grandes empresas, como Petrobras, e Shell, têm acordos de exclusividade nas distribuidoras e nos postos com bandeiras. Por isso, o mercado de bandeira branca, em que os postos são livres para comprar de quem quiserem, é aquele disputado entre empresas independentes, sem relação com grandes produtoras de petróleo. Em São Paulo, o PCC já usava postos de gasolina para lavar dinheiro, segundo o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), mas queria controlar também as distribuidoras. Para isso, Beto Louco e Mohamad teriam adquirido a Copape e a Aster em 2020. Embora pequena na época, a Copape rapidamente alcançou 12% do mercado paulista, aumentando a produção em 150 vezes. Investigações posteriores esclareceram parte do e Shell, têm acordos de exclusividade nas distribuidoras e nos postos com bandeiras. Por isso, o mercado de bandeira branca, em que os postos são livres para comprar de quem quiserem, é aquele disputado entre empresas independentes, sem relação com grandes produtoras de petróleo. Em São Paulo, o PCC já usava postos de gasolina para lavar dinheiro, segundo o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), mas queria controlar também as distribuidoras. Para isso, Beto Louco e Mohamad teriam adquirido a Copape e a Aster em 2020. Embora pequena na época, a Copape rapidamente alcançou 12% do mercado paulista, aumentando a produção em 150 vezes. Investigações posteriores esclareceram parte do motivo: a adulteração de etanol com metanol, substância tóxica e barata. Para continuar a leitura, clique aqui.

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Etanol/Cepea: Indicador do hidratado se estabiliza neste encerramento de mês

Segundo pesquisadores do Cepea, distribuidoras voltaram a ficar um pouco mais ativas no mercado spot do estado de São Paulo neste encerramento de setembro. No entanto, a maior parte desses demandantes ainda adquire volumes pontuais e insuficientes para causar reações nos preços de negociação. Do lado das usinas, a participação de vendedores também está limitada, com agentes atentos aos resultados finais do desempenho da safra 2025/26. Nesse cenário, entre 22 e 26 de setembro, os valores do hidratado ficaram praticamente estáveis. O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado para o estado de São Paulo fechou em R$ 2,7416/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), ligeira desvalorização de 0,2% no comparativo ao período anterior.

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Etanol sobe mais de 1% em setembro e faz gasolina ser melhor opção

O preço do etanol subiu em média 1,15% nos postos de abastecimento em setembro, na comparação com agosto, chegando à média nacional de R$ 4,41 o litro, maior valor desde junho deste ano. Já a gasolina registrou estabilidade no mesmo período, mantendo o preço médio de R$ 6,34 registrado no mês anterior, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que mede os preços de 21 mil postos brasileiros. eldquo;Enquanto a gasolina permaneceu estável em setembro, o etanol voltou a subir, refletindo tanto a pressão de demanda com a mudança regulatória, que elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 27% para 30%, quanto as condições de oferta no mercado internoerdquo;, explica o diretor de Rede Abastecimento da Edenred Mobilidade, Renato Mascarenhas, informando que, com a alta do etanol, a gasolina foi a melhor opção para o motorista este mês. Na análise por regiões, a maioria acompanhou a alta para o etanol, com exceção do Nordeste, a única a registrar queda para o biocombustível, de 0,20% (R$ 4,94). O Sudeste apresentou a maior alta do período, de 1,65%. Mesmo assim, a região segue com o etanol mais em conta: R$ 4,30. Já o etanol com média mais alta segue sendo registrado na Região Norte: R$ 5,20 (+0,19%). Em relação à gasolina, apesar da estabilidade na média nacional, a maioria das regiões registrou leves quedas, com destaque para o Nordeste, com redução de 0,47% (R$ 6,42). Na análise por regiões, a maioria acompanhou a alta para o etanol, com exceção do Nordeste, a única a registrar queda para o biocombustível, de 0,20% (R$ 4,94). O Sudeste apresentou a maior alta do período, de 1,65%. Mesmo assim, a região segue com o etanol mais em conta: R$ 4,30. Já o etanol com média mais alta segue sendo registrado na Região Norte: R$ 5,20 (+0,19%). Em relação à gasolina, apesar da estabilidade na média nacional, a maioria das regiões registrou leves quedas, com destaque para o Nordeste, com redução de 0,47% (R$ 6,42). Apenas o Sudeste teve alta para o combustível no período, de 0,32%, fazendo com que a média da região emdash; ainda a mais em conta do País emdash; chegasse a R$ 6,21. A gasolina mais cara entre regiões segue sendo a do Norte: R$ 6,83 (-0,15%). Na análise por Estados, o etanol apresentou sua maior alta do período em Rondônia, onde passou a custar R$ 5,26, após alta de 3,75%. O Estado com o etanol mais em conta para o motorista no período foi São Paulo, onde o preço médio registrado foi de R$ 4,18, mesmo após aumento de 2,20%. Alagoas apresentou a maior queda para o biocombustível em setembro, de 1,87%, recuando ao preço médio de R$ 5,25. O etanol mais caro em setembro foi o do Amazonas, com preço médio de R$ 5,47; o valor representa alta de 0,18% em relação a agosto. Já a gasolina teve o maior aumento no Espírito Santo, de 0,79%, chegando ao preço médio de R$ 6,41. A maior queda da gasolina, de 2,12%, ocorreu em Alagoas, que registrou média de R$ 6,46. O Rio de Janeiro teve a gasolina mais em conta: R$ 6,12 (estável). O Acre seguiu como Estado com a gasolina mais cara do Brasil em setembro, com preço médio de R$ 7,44 (-0,53%). eldquo;Em setembro, graças ao cenário de alta do etanol, a gasolina se destacou como a alternativa mais econômica para os motoristas na maior parte dos estados brasileiros, sobretudo os das regiões Nordeste, Sul e Norte. Ainda assim, vale lembrar que o etanol carrega uma vantagem ambiental relevante: por emitir menos poluentes, contribui para uma mobilidade mais limpa e alinhada às metas de descarbonizaçãoerdquo;, afirmou Mascarenhas.

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Margem Equatorial: Ibama fará novo simulado após ajustes da Petrobras

Há cerca de um mês, tivemos um dos momentos mais significativos do setor de combustíveis, com as operações da Receita Federal, Polícia Federal, ANP, entre outros órgãos, que unidos, que colocaram à mostra todo esquema do crime organizado. De lá para cá, acompanhamos os desdobramentos da Operação Carbono, com a operação Square e também a interdição da Refinaria de Manguinhos. Ibama fará um novo simulado para confirmar as mudanças feitas pela Petrobras no atendimento à fauna em caso de vazamento de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, segundo parecer do órgão. A operação, porém, não afetará o processo de licenciamento para a estatal explorar a região, explica o Ibama no documento, depois que a Avaliação Pré-Operacional (APO) foi aprovada na semana passada. A expectativa de pessoas próximas ao assunto é de que a licença deva sair nos próximos dez dias. A sonda que fará a exploração, a ODN II, já está posicionada, segundo apurou o Estadão/Broadcast, mas nem sempre o primeiro poço traz o resultado esperado, diz uma pessoa a par do assunto que pediu anonimato. No caso da bacia de Campos, por exemplo, que garantiu a maior parte da produção da estatal desde a década de 1970 até recentemente emdash; hoje responde por apenas 20% do total produzido no País emdash;, a descoberta de petróleo significativo ocorreu apenas na perfuração do nono poço. Na bacia da Foz do Amazonas, devem ser perfurados pelo menos oito poços. eldquo;Um novo exercício de fauna deverá ser executado, sem prejuízo da continuidade do processo de licenciamento em cursoerdquo;, explica o Ibama em parecer obtido pelo Estadão/Broadcast. eldquo;No decorrer do transbordo noturno de fauna ocorreram três incidentes: atropelamento de petrecho de pesca, encalhe em banco de areia e abalroamento de embarcações que participavam da atividade. Cabe uma reconsideração na forma como foi conduzida a avaliação de risco, conjecturando também aspectos de segurança da equipe envolvidaerdquo;, diz o documento. Receita fácil de pipoca caramelizada deliciosa Durante o simulado houve, por exemplo, um dano real em uma das embarcações utilizadas (Mineral III) com uma rede de pesca do barco Bambam, que será ressarcido em R$ 12 mil. eldquo;O procedimento de identificação do pescador responsável pela embarcação e petrecho perdido foi considerado apropriado e célereerdquo;, de acordo com o parecer do Ibama sobre a atuação da Petrobras no incidente. Expectativas A proximidade de uma possível liberação para o início da exploração do primeiro poço pela estatal na região, o FZA-M-59, tem empolgado os defensores da busca por petróleo no Norte do País. A exploração da nova fronteira é necessária para que a Petrobras aumente suas reservas da commodity e garanta a manutenção do nível de produção após o declínio do pré-sal, previsto para a próxima década. Por outro lado, o avanço na região provoca a reação de opositores à atividade petrolífera no local, considerado zona sensível pela biodiversidade.

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'Combustível do Futuro' impulsiona mercado de biometano, que atrai investimentos

O mercado brasileiro de biometano, gás renovável idêntico ao gás natural, que pode ser usado tanto nos veículos, como GNV, quanto na indústria, vive um momento de otimismo. A publicação, neste mês, do decreto que regulamenta a Lei do Combustível do Futuro anima o setor e deverá estimular investimentos. Uma das maiores produtoras de biometano da América Latina, a Gás Verde, dona da usina instalada no Aterro Sanitário de Seropédica, que recebe os resíduos do Rio, planeja aumentar sua produção de 160 mil metros cúbicos por dia (m3/d) para 650 mil m3/d, até 2028, com novas plantas em seis estados. Marcel Jorand, CEO da empresa, explica que a companhia espera ampliar a oferta de biometano para outras regiões e apoiar a transição energética de indústrias e do transporte rodoviário no país: emdash; Também estamos prontos para apoiar o setor de gás natural fóssil no atendimento das metas colocadas pela Lei do Combustível do Futuro, seja com o biometano certificado ou com o CGOB (Certificado de Garantia de Origem do Biometano). A nova regulamentação prevê a adição do biometano ao gás natural no país emdash; num modelo mais ou menos semelhante à mistura de etanol anidro na gasolina emdash;, começando com 1%, a partir de 2026, até chegar a 10%. emdash; Além do biometano, vamos começar a produzir, em breve, o CO2 verde, oriundo da corrente de biometano, fechando um ciclo completo de circularidade emdash; conta Jorand. A Gás Verde fornece biometano para grandes indústrias como Ambev, Saint Gobain e Nestlé, entre outras. Já o CO2 é usado, principalmente, na indústria de bebidas. emdash; Também abastecemos veículos e frotas de empresas, como, por exemplo, o do Grupo Lersquo;Oréal, para quem montamos o primeiro ponto de abastecimento dedicado para atender toda a frota da empresa, possibilitando a descarbonização dos transportes emdash; completa Jorand. Renata Isfer, presidente da ABiogás, destaca que a chamada pública da Petrobras, lançada em janeiro, para o fornecimento de 600 mil m3/d de biometano atraiu um grande volume de oferta, o que demonstra o apetite dos investidores. Ela explica que o Brasil tem hoje uma capacidade instalada para produção de biometano de 1 milhão de m3/d, mas o potencial no curto prazo é de até 34 milhões de m3/d: emdash; Podemos crescer até oito vezes em apenas cinco anos. Segundo Renata, a maior parte desse crescimento virá do aproveitamento de resíduos da produção de açúcar e etanol, cuja decomposição gera o biogás. emdash; Além de fornecer maior potencial de aproveitamento energético, a maior parte da produção de cana se concentra em São Paulo, onde está a maior demanda, com clientes industriais que buscam a descarbonização emdash; explica a presidente da ABiogás. emdash; É onde também se concentra a maior infraestrutura para o transporte e a distribuição do biometano. Faltam postos Para que as expectativas se concretizem, ainda será preciso vencer alguns desafios, como a instalação de postos com o combustível, diz Renata. Gasolina terá mais etanol? O diesel vai mudar? Entenda o e#39;combustível do futuroe#39; A operadora de gasodutos TBG desenvolve um projeto de Hub de Biometano, para incrementar a oferta do biocombustível emdash; como o biometano é idêntico ao gás natural, pode ser injetado nos gasodutos. Segundo Jorge Hijjar, diretor-presidente da TBG, o plano é construir um ou dois hubs, com capacidade de 200 mil m3/d cada um. emdash; O transporte pode ser por meio de caminhões-tanque de GNC (Gás Natural Comprimido), GNL (Gás Natural Liquefeito) ou por meio de conexão entre o hub e a rede de gasodutos emdash; diz Hijjar.

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