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Conselho da Petrobras tenta blindar estatal de futuras ingerências políticas

O conselho de administração da Petrobras aprovou nesta quarta-feira, 27, uma proposta que garante ao colegiado maior poder para supervisionar a política de preços da estatal. A decisão é tomada em um momento em que o governo tenta emplacar novos conselheiros, mais alinhados com o presidente da República, Jair Bolsonaro. Segundo um executivo com assento no alto comando da empresa, a medida busca ampliar a blindagem contra futuras ingerências políticas. Apesar de a medida dar mais voz ao conselho no tema, a decisão final sobre a necessidade de reajustes permanece com a diretoria executiva. Um dos objetivos da proposta era dar visibilidade e formalizar práticas, que antes eram adotadas informalmente pela diretoria, como apresentação de relatórios trimestrais sobre eventuais reajustes nos combustíveis. Uma fonte na empresa explica que a Diretriz de Formação de Preços de Derivados e Gás Natural no Mercado Interno, que acaba de ser aprovada, estará no site da empresa e, com isso, o público externo passará a ter acesso aos procedimentos que eram informais. Com a mudança, o conselho poderá a partir de agora impedir uma eventual alteração na política de preços e receberá trimestralmente informações sobre os reajustes praticados pela companhia para diesel, gasolina e gás de cozinha. O documento destaca que a política de preços da companhia deve ter como principais balizadores a competitividade e o equilíbrio de preços com os mercados nacional e internacional, o chamado preço de paridade de importação (PPI). eldquo;A diretriz coloca uma lupa sobre o cumprimento da política de preços da Petrobras, mas não mexe nessa política, que continua focada no resultado econômico. Ela (diretriz) reforça esse recado para a diretoriaerdquo;, avaliou o especialista em governança Renato Chaves. Segundo ele, por ser um tema sensível, a política de preços precisava formalizar esse acompanhamento. Ele observa, no entanto, que a redação da diretriz levanta algumas questões. Entre as determinações, o texto explica que a diretoria deverá executar a política de preços observando gerar valor para a companhia, eldquo;bem como a preservação de um ambiente competitivo salutar, nos termos da legislação em vigorerdquo;. Para Chaves, o termo eldquo;salutarerdquo; gera dúvidas, porque não fica claro o que seria um ambiente salutar. eldquo;Se ocorrer greve de caminhões, o ambiente deixa de ser salutar?erdquo;, questionou. Caminhoneiros Um dos líderes dos caminhoneiros, o presidente licenciado da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, mais conhecido como eldquo;Chorãoerdquo;, ironizou a mudança. eldquo;A reunião do conselho da Petrobras não muda em nada a política de preços da companhia, pelo contrário, só reforça que a diretoria executiva cumpra o PPI, o mercado está contente, as ações subiramerdquo;, disse ele, em nota. A decisão dos reajustes, segundo a Petrobras, continua sob a responsabilidade de três diretores endash; o presidente, o diretor financeiro e o diretor comercial endash;, levando em conta o PPI, implantado na Petrobras em 2016, após a Operação Lava Jato, para blindar a estatal de ingerências governamentais. Por essa política, os reajustes levam em conta o preço do petróleo no mercado internacional, o valor do dólar em relação ao real e os custos de importação (frete, portos). O presidente Jair Bolsonaro tem atacado a política de preços e deixado claro, em várias declarações públicas, que a estatal vai voltar a eldquo;ter uma função socialerdquo;, o que para ele significa reduzir o preço dos combustíveis. No dia 19 de julho, a estatal, que está no quarto presidente da gestão Bolsonaro, anunciou uma queda de 4,9% no preço da gasolina. Segundo fontes, apesar de já ter promovido um corte de preços nas primeiras semanas de trabalho, Caio Paes de Andrade tem sido pressionado no comando da estatal para baixar também o preço do diesel. A queda da gasolina foi uma decisão técnica, segundo fontes no comando da Petrobras, que aproveitou uma janela de oportunidade quando o preço do petróleo cedeu abaixo dos US$ 100 o barril (fechou cotado a US$ 101,67 nesta quarta). Depois de leilão, ações da empresa fecham em alta Ruídos em torno da política de preços da Petrobras provocaram ontem grande volatilidade na negociação das ações da companhia, que no início da tarde chegaram a entrar em leilão (mecanismo para tentar diminuir potenciais distorções nos preços). No fim do dia, porém, os papéis fecharam em alta de 0,65% (as ações ON) e de 1,1% (preferenciais) endash; o que contribuiu, inclusive, para que o Ibovespa, o principal índice da B3, se mantivesse nos 101 mil pontos. Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura, atribuiu o comportamento volátil do papel após o leilão à falta de clareza do comunicado divulgado pela Petrobras, que, segundo ele, deixou eldquo;espaço para ambiguidadeserdquo;. O receio era de aumento da interferência do governo nas decisões sobre novos reajustes dos combustíveis. Já o sócio da Ajax Capital Rafael Passos disse que, apesar do ruído, a mudança aprovada pelo conselho de administração não tem impacto imediato nos resultados ou nos dividendos que serão distribuídos pela estatal. eldquo;Essas decisões de preços são técnicas, e dificilmente o conselho se opõe à diretoria. Até porque não pode violar o estatuto da Petrobras e muito menos a Lei das Estatais.erdquo;

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Venda de etanol na primeira quinzena de junho sobe 0,58%, para 1,22 bilhão de litros

As unidades produtoras de cana-de-açúcar do Centro-Sul venderam 1,22 bilhão de litros de etanol na primeira quinzena de julho, o que representa um avanço de 0,58% em relação ao mesmo período da safra 2021/2022. As informações são da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em levantamento quinzenal. No mercado interno, o volume de etanol hidratado comercializado foi de 734,79 milhões de litros, que representa um aumento de 0,80% em relação ao ano anterior. As vendas domésticas de etanol anidro, por sua vez, totalizaram 462,69 milhões de litros no mês, volume 1,20% inferior ao observado na primeira quinzena de julho de 2021. No acumulado da safra 2022/23 (de abril até 16 de julho), foram comercializados 4,84 bilhões de litros de hidratado domesticamente (-5,82%) e 2,88 bilhões de litros de etanol anidro ( 2,84%). Desde o início da safra 2022/2023, as vendas globais (mercado interno e exportação) das unidades produtoras totalizam 8,25 bilhões de litros de etanol, o que representa uma queda de 1,51% em relação ao mesmo período da safra anterior. Desse volume, as vendas de etanol hidratado totalizaram 5,05 bilhões de litros (-6,83%). Já as vendas de anidro foram 3,20 bilhões de litros ( 8,25%). Cbios Dados da B3 mostram que, até o dia 22 de julho, a parte obrigada do programa RenovaBio já havia adquirido cerca de 24,96 milhões de créditos de descarbonização. Esse volume representa 68% da meta de aquisição total para o ano corrente, de 36 milhões de títulos. O diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, destaca que "a emissão de CBios lastreado pela venda de etanol deve seguir em ascendência no segundo semestre, acompanhando a recuperação da participação do etanol hidratado na demanda de Ciclo Otto". Na avaliação dele, o ano de 2022 deve terminar com um estoque de créditos ativos superior a 7 milhões, o que significa uma oferta superior à necessária para que as metas sejam plenamente atendidas.

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Lula promete mudar política de preços da Petrobras, se eleito

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira, 27, que pretende mudar a política da Petrobras e abolir o modelo de Preço de Paridade de Importação (PPI), se for eleito em outubro. Segundo o petista, o presidente Jair Bolsonaro (PL) "não teve coragem" de tomar medidas para reduzir o preço do combustível que sai das refinarias. "Essa história de PPI é para agradar os acionistas, em detrimento dos 230 milhões de brasileiros", afirmou, em entrevista ao UOL. A estatal, porém, tem como maior acionista a União. "A gente pode reduzir o preço, sim, o presidente não teve coragem", completou. O petista voltou a argumentar que o País poderia ser "autossuficiente" na produção de derivados do petróleo e defendeu tornar a estatal "senão a primeira, a segunda maior empresa petroleira do mundo". A Petrobras passou a trabalhar com alinhamento de preços ao mercado internacional a partir do governo de Michel Temer, que desfez a política de preços controlados de Dilma Rousseff (PT). Lula tem defendido retornar o modelo de gestão adotado para a estatal na gestão do PT. O ex-presidente costuma argumentar que a população "ganha em real e gasta em real" e, por isso, o preço dos combustíveis não deveria ficar suscetível às flutuações do câmbio. Outra alegação frequente do presidente é de que o País é "autossuficiente" em petróleo, mas carece de refinarias para abastecer o mercado interno. Nesta quarta-feira, na entrevista que concedeu ao UOL, disse: "Um país que é autossuficiente em petróleo, que poderia estar exportando derivado, não tem capacidade de refinar a quantidade de consumo que nós precisamos (...) É uma vergonha". Para o economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flavio Serrano, políticas de subsídio nos preços de combustíveis resultam em distorções que, em algum momento, podem produzir danos ainda maiores. "O maior problema é que precisamos importar diesel. Então não dá pra deixar o preço doméstico abaixo do internacional. Vai acabar gerando problema de desabastecimento. A solução, portanto, é abrir o mercado, não mudar a política de preços", afirmou. Segundo ele, uma política de preços abaixo do internacional desestimularia os importadores a trazer o combustível. Dependendo da capacidade de refino e importação da Petrobras, tal situação poderia levar ao desabastecimento. O professor associado do Insper, Marcos Mendes, defende que a interferência em preços gera consequências negativas. "O preço é uma sinalização para a sociedade que determinado produto está escasso e tem que consumir menos. A hora que subsidia, as pessoas consomem da mesma maneira que consumiam antes, e agrava a escassez. Em segundo lugar, isso concentra a renda, porque vai estar subsidiando tanto o pobre quanto o rico", argumenta. Mendes também aponta que um possível congelamento de preços prejudica a capacidade de investimento e produção da Petrobras. "A exportação do petróleo diminui o choque da crise sobre o País. Se por um lado os preços na bomba estavam subindo, por outro lado a receita do governo aumenta, e pode gastar mais com a população", completa. Se houver congelamento, segundo o economista, em algum momento o governo vai precisar cobrir o prejuízo da Petrobras. A prévia do programa de governo do PT argumenta que "é preciso abrasileirar os preços dos combustíveis" e ampliar a produção nacional de derivados, com expansão do parque de refino, como forma de substituir a paridade de preços com o mercado internacional.

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Petróleo fecha em alta com redução na oferta e dólar mais fraco

Os contratos futuros do petróleo fecharam a sessão desta quarta-feira (27) em alta, impulsionados pela redução de fornecimento de gás natural da Rússia para a Europa e pelo dólar mais fraco no exterior --- que recuou após a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que aumentou os juros dos Estados Unidos em 0,75 ponto percentual. O contrato do petróleo Brent, a referência global da commodity, para outubro fechou a sessão com valorização de 2,2%, a US$ 101,67 por barril, enquanto o do WTI americano para o mesmo mês avançou 2,4%, a US$ 97,26 por barril. O índice DXY, que normalmente tem correlação negativa com os preços da commodity, operava em queda de 0,57% por volta do fechamento do petróleo, a 106,570 pontos. Os estoques americanos de petróleo caíram 4,52 milhões de barris na semana encerrada no dia 22 de julho, para 422,08 milhões de unidades, de acordo com dados divulgados hoje pelo Departamento de Energia dos EUA (DoE, na sigla em inglês). A queda superou com folga a expectativa dos analistas consultados pelo "Wall Street Journal", de queda de 700 mil barris no período. Os estoques de gasolina, por sua vez, recuaram 3,30 milhões de barris, com a queda também superando com folga a expectativa, que era de um recuo de 100 mil unidades. Os estoques de gasolina dos EUA totalizaram 225,13 milhões de barris na semana passada. Os temores sobre o fornecimento de energia à Europa também prejudicam a confiança dos investidores. Ontem, a UE anunciou um acordo para reduzir voluntariamente a demanda por gás natural em 15% entre agosto deste ano a março de 2023, na comparação com o consumo dos últimos cinco anos. A decisão segue na esteira do anúncio feito pela estatal russa Gazprom, de que reduzirá o fornecimento de gás para a Europa, por meio do gasoduto Nord Stream 1, a 20% da produção máxima --- dos 40% atuais ---, citando a manutenção de uma turbina como motivo para a redução. Segundo a companhia, a mudança no fornecimento aconteceu já nesta quarta.

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Fecombustíveis promove debate sobre o self-service 

Um dos mais importantes temas da revenda, o self-service para postos de combustíveis, foi apresentado, ontem (27), durante painel de palestras na ExpoPostos e Conveniência. O tema já gerou muita polêmica no passado, culminando com a proibição do autosserviço no país pela Lei 9.956/2000. No entanto, atualmente, há um movimento em prol da liberação do sistema. James Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis, atuou como mediador do painel. O evento também contou com a participação de Arthur Villamil, consultor jurídico da Fecombustíveis, Carlos Eduardo Guimarães, vice-presidente da Fecombustíveis, e Rui Cichella, diretor da Fecombustíveis. eldquo;O objetivo aqui hoje não é que a Federação se posicione favorável ou não ao self-service, mas o objetivo é dar subsídios para que o revendedor avalie o tema, procure o seu sindicato, converse e participe do debateerdquo;, disse Thorp. A Fecombustíveis e seus sindicatos filiados vão se posicionar sobre o tema conforme a decisão da maioria da revenda. Para isso, é importante que o revendedor participe dos assuntos de discussões do setor e saiba tomar a decisão de forma consciente sobre os prós e contras do sistema self-service. Acompanhe a cobertura completa da ExpoPostos e Conveniência na próxima edição da revista Combustíveis e Conveniência, em agosto.

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Tereos e Lemon Energia vão fornecer eletricidade a biogás no interior de SP

A francesa Tereos --- que no Brasil produz açúcar, etanol e energia a partir da biomassa --, fechou uma parceria com a startup Lemon Energia para fornecer eletricidade através do biogás no interior de São Paulo. O serviço será voltado para pequenos e médios negócios atendidos pela distribuidora CPFL Paulista. A energia será gerada na planta piloto de biogás da Tereos, localizada na unidade industrial da empresa, no município de Cruz Alta, em Olímpia (SP). A usina produzirá o equivalente ao consumo de cerca de 85 pequenos comércios, com potencial de duplicar o volume no médio prazo. O biogás será um complemento à geração de energia da produtora de etanol, que produz eletricidade a partir da biomassa da cana para atender o consumo das suas unidades industriais e comercializa o excedente. "Já tínhamos a oferta de energia elétrica limpa gerada a partir da biomassa da cana. Com a produção de biogás, oferecemos mais uma fonte renovável de geração, contribuindo para agregar valor a nossos clientes e parceiros de negócios", esclarece Gustavo Segantini, diretor comercial da Tereos. E a parceria já tem os clientes para essa energia. A Lemon alocou pequenos e médios estabelecimentos para receber a energia sustentável na região, e calcula que a economia nas contas de energia dos clientes pode chegar a R$ 160 mil. A startup atua no mercado de geração distribuída com usinas que fornecem créditos para abatimento nas contas dos consumidores conectados à sua plataforma. Segundo a Lemon, isso permite uma economia anual de até 20%. Recentemente, a Lemon captou R$ 60 milhões em rodada Séries A para expandir sua atuação.

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