EUA vão controlar vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado
Os Estados Unidos precisam controlar as vendas de petróleo e receitas da Venezuela indefinidamente para impulsionar as mudanças que desejam ver no país sul-americano, disse o secretário de Energia Chris Wright nesta quarta-feira (7).
Os comentários refletem a importância do petróleo bruto para a estratégia do presidente Donald Trump na Venezuela desde que as forças americanas destituíram o ditador do país, Nicolás Maduro, em uma operação na capital Caracas no sábado (3).
"Precisamos ter essa influência e esse controle sobre as vendas de petróleo para impulsionar as mudanças que simplesmente devem acontecer na Venezuela", disse Wright na Conferência de Energia, Tecnologia Limpa e Serviços Públicos da Goldman Sachs em Miami.
O país membro da OPEP possui as maiores reservas de petróleo do mundo, mas representa apenas cerca de 1% da oferta global.
Wright disse que os EUA comercializariam o petróleo venezuelano armazenado e depois venderiam a produção futura contínua, inclusive para refinarias americanas equipadas para processá-lo.
Segundo comunicado do Departamento de Energia americano, o país já começou a comercializar o petróleo da Venezuela, e todos os recursos provenientes de sua venda serão depositados em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos mundialmente.
"Contratamos os principais comercializadores de commodities e os principais bancos do mundo para executar e fornecer suporte financeiro para essas vendas de petróleo bruto e derivados", disse o departamento.
Wright acrescentou que estava conversando com empresas petrolíferas americanas para entender quais condições permitiriam que elas entrassem na Venezuela para ajudar a aumentar a produção do país.
"Os recursos são imensos. Este deveria ser um país rico, próspero e pacífico, uma potência energética", disse ele.
Na terça-feira (6), Washington anunciou um acordo com Caracas para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA. Trump disse que quer que a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, dê aos EUA e às empresas privadas "acesso total" à indústria petrolífera de seu país.
Vender o petróleo "beneficiará o povo americano, a economia americana e os mercados globais de energia, mas, é claro, também beneficiará enormemente o povo da Venezuela", disse ele.
As ações das refinarias americanas Marathon Petroleum, Phillips 66 e Valero Energy subiram entre 2,5% e 5%.
Na sexta-feira (9), Trump se reunirá com executivos de empresas petrolíferas americanas para discutir a situação da Venezuela, segundo comunicado da Casa Branca desta quarta-feira (7).
Representantes da Exxon Mobil, ConocoPhillips e Chevron emdash;as três maiores empresas petrolíferas dos EUAemdash; estariam presentes, de acordo com uma fonte familiarizada com o encontro.
As empresas, todas com experiência na Venezuela, recusaram-se a comentar.
A Chevron é a única grande petrolífera americana operando nos campos de petróleo da Venezuela. A Exxon Mobil e a ConocoPhillips foram grandes produtoras no país antes que seus projetos fossem nacionalizados por Hugo Chávez há quase duas décadas.
A Venezuela produzia até 3,5 milhões de barris por dia na década de 1970. Mas a má gestão e o investimento estrangeiro limitado levaram desde então a uma enorme queda na produção anual, que teve média de cerca de 1,1 milhão de barris diários no ano passado.
Wright disse que acredita que aumentos de produção a curto prazo na Venezuela são possíveis, mas que uma recuperação maior para os níveis de produção anteriores levaria anos.
"Poderíamos obter várias centenas de milhares de barris por dia de produção adicional no curto a médio prazo se as condições estiverem presentes para apenas pequenos investimentos de capital", acrescentou Wright.