Importações de diesel pelo Brasil caem 42% desde o programa de subsídio

13/09/2019

As importações de diesel pelo Brasil caíram 42% desde o início do programa de subsídio ao combustível, no mês junho, até o mês passado, ante igual período do ano anterior. A conclusão faz parte dos dados oficiais do governo, em meio a uma série de problemas na implementação da subvenção do combustível, como demora no pagamento.

A queda das compras externas ilustra afirmações feitas por importadores, que disseram estar reduzindo suas atividades devido ao programa do governo, criado como uma resposta ao clamor dos caminhoneiros, em uma histórica greve em maio contra os altos preços do diesel.
A redução nas compras externas de diesel também mostra como a Petrobrás está sendo chamada a participar mais do mercado, seja com produção própria ou importações.

Em junho, julho e agosto, as importações do diesel, combustível mais consumido do Brasil, somaram aproximadamente 2,17 milhões de metros cúbicos, ante cerca de 3,75 milhões no nos mesmos três meses do ano passado, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Em agosto, as importações do combustível caíram também 41% ante o mesmo mês de 2017, para 754.773 metros cúbicos.

Com o programa, a Petrobrás e outras refinarias brasileiras e importadores do diesel que aderiram ao plano reduziram os preços do combustível aos distribuidores, com a promessa de serem ressarcidos em até R$ 0,30 por litro, dependendo de condições do mercado.

No entanto, os importadores vem apontando que o cálculo para o pagamento da subvenção não recompensa adequadamente as empresas, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

Além disso, grande parte dos pagamentos de subsídios devidos até agora pelo governo está atrasada, inclusive grandes montantes aguardados pela própria Petrobrás.

Neste cenário, a Petrobrás está aumentando a produção em suas refinarias e respondendo por mais de 90% das importações, segundo executivos informaram em entrevistas recentes.

Os volumes de importação contrastam com 2017, quando eles atingiram o maior nível desde pelo menos 2000, segundo uma série histórica da ANP.

Fonte: O Estado de S.Paulo