Produção de veículos tem melhor mês desde outubro de 2014

07/09/2018

As montadoras produziram em agosto no Brasil o maior volume de veículos desde outubro de 2014. Foram 291,4 mil unidades no mês passado, alta de 11,7% em relação a agosto de 2017 e de 18,6% na comparação com julho, segundo dados divulgados ontem pela Anfavea, que reúne os fabricantes, em conta que considera automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. É também o maior resultado para meses de agosto desde 2013.

Os volumes retornam, portanto, a patamares dos primeiros anos da crise do setor, que começou a perder demanda em 2013, em razão do aumento da inadimplência dos consumidores e da maior restrição dos bancos para conceder crédito.

No acumulado do ano, o setor soma uma produção de 1,971 milhão de unidades, crescimento de 12,8% sobre o volume alcançado em igual intervalo do ano passado. A previsão da Anfavea para o ano todo é de expansão de 11,9%.

Com o aumento da produção, as montadoras continuam gerando emprego. Foram 498 vagas criadas em agosto. Em 12 meses encerrados em agosto, são 4.663 novos postos de trabalho. Hoje, o setor conta com 132,5 mil funcionários, alta de 3,6% em relação ao nível de agosto do ano passado.

A exportação de veículos, em valores, somou US$ 1,295 bilhão em agosto, queda de 11% em relação a igual mês do ano passado, mas alta de 4,9% na comparação com julho. No acumulado do ano, as vendas ao exterior totalizam US$ 11 bilhões, crescimento de 7,8% sobre o volume de igual intervalo de 2017.

O presidente da Anfavea, Antonio Megale, afirmou que uma nova projeção para exportação será divulgada no próximo mês, provavelmente para baixo, em razão da crise na Argentina, principal destino das exportações brasileiras de veículos.

A previsão atual da Anfavea é que o ano termine com 766 mil unidades exportadas, considerando todos os destinos, o mesmo volume do ano passado, que foi recorde. No entanto, com o aumento dos juros básicos no país vizinho, de 45% para 60% ao ano, a demanda argentina vai continuar caindo. “Não vamos conseguir repetir o bom número do ano passado”, disse. No acumulado de janeiro a agosto, há queda de 4,6%, para 462 mil unidades.

Megale também lamentou a recente ação do governo argentino de tributar produtos exportados pelo país. Segundo ele, a medida deve afetar o comércio entre os dois países, porque pode encarecer os carros que o Brasil importa. “É uma medida extrema, mas não definitiva e sim emergencial”, disse.

Fonte: O Estado de S.Paulo