Petrobras: nova fórmula pode gerar desabastecimento de diesel

18/08/2018 

A Petrobras avalia que a nova fórmula proposta pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para calcular o preço de referência para a concessão de subsídios ao diesel, a partir de 31 de agosto, poderia trazer risco de desabastecimento. O programa foi criado em junho, como resultado da greve de caminhoneiros contra os preços do diesel. No início, foi usado como referência um preço da Petrobras antes da intensificação dos protestos de maio. Depois, a ANP definiu que nova fórmula seria usada a partir de 31 de agosto. Durante audiência pública para discutir o novo cálculo proposto pela agência, o gerente executivo de Marketing e Comercialização da Petrobras, Guilherme França, defendeu que a autarquia mantenha a atual metodologia de cálculo do subsídio.

Ao se inscreverem para participar do programa, empresas precisam congelar os preços do diesel em patamares estipulados pelo governo, contando que serão ressarcidos em até R$ 0,30 por litro, dependendo das condições de mercado. Masa fórmula apresentada pela autarquia não foi bem recebida.

A principal crítica é que o cálculo levaria a uma redução do preço de referência praticado hoje, principalmente por não contabilizar custos de internalização de diesel importado, considerando apenas custos até o porto. —Vai inviabilizara oferta de produto importado no âmbito do programa de subvenção—disse França, que a pro postada ANP gera “potencial risco dedes abastecimento ”.

Para a Petrobras, o preço precisa levar em conta todos os valores empenhados por uma empresa que importa o produto até seu ponto de venda. —Não vemos como ter racionalidade econômica o preço da subvenção ser o preço na costa, que é o mais barato de todos. Teria que ser o preço médio de toda a região —acrescentou França. A Petrobras defende que seja mantida a atual metodologia de cálculo.

Apesar de ponderar que “não é o ideal ”, França afirmou que as empresas já aprenderam a lidar com ela. Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasil eirados Importadores de Combustíveis também vê risco de desabastecimento no curto prazo: —É inviável. Ninguém vai importar: nem a Petrobras nem os agentes privados.

Fonte: O Globo