Venda de combustíveis cai 6% no primeiro semestre em relação a 2017

11/08/2018

O IBGE divulgou nesta sexta-feira (10) que a venda de combustíveis teve queda de 6% no primeiro semestre, comparando com o mesmo período de 2017. Um estudo mostra que o diesel nas refinarias estaria mais barato se a política de preços da Petrobras tivesse sido mantida.

Mais de dois meses depois da greve que parou o país, caminhoneiros ainda reclamam do preço do óleo diesel. A greve foi uma reação aos preços da Petrobras, que fazia reajustes de acordo com o câmbio e o valor do diesel no mercado internacional. O preço para o consumidor, às vezes, mudava de um dia para o outro.

O governo fez um acordo com os caminhoneiros e optou pelo congelamento do preço na refinaria.

Agora, um estudo do Centro Brasileiro de Infraestrutura contesta a medida. Um economista afirma que bastaria um imposto flexível. Quando o combustível fica mais caro, o imposto desce. E quando fica mais barato, ele sobe. Isso daria mais estabilidade no preço final.

“Na história do Brasil, a gente sempre observou que todas as intervenções que o governo fez em preços teve um resultado muito ruim”, explica Adriano Pires, diretor do Centro brasileiro de Infra-estrutura.

Para garantir um diesel mais barato, o governo reduziu impostos e remanejou recursos do orçamento. Um impacto estimado em mais de R$ 10 bilhões nas contas públicas. A conclusão do estudo é que se os preços continuassem livres, o consumidor, hoje, estaria pagando menos e o dinheiro do subsídio poderia ser aplicado em áreas consideradas mais essenciais. “Esse dinheiro é do consumidor, é do contribuinte. Poderia ser aplicado em educação, saúde”, afirma Adriano Pires.

O acordo que encerrou a greve previa uma redução de pelo menos R$ 0,46 por litro na bomba. E o congelamento dos preços nas refinarias em R$ 2,03, ainda em vigor. Antes da greve, com o preço ainda livre, esse valor chegou a R$ 2,10.

O estudo afirma que se a livre flutuação tivesse sido mantida, no dia primeiro de agosto, o preço nas refinarias seria de R$ 1,99; R$ 0,04 mais barato que o definido no acordo.

Uma das razões para a queda do diesel é o verão no hemisfério Norte. Com o calor, há menos consumos de combustível para aquecer as casas. Mas, como no fim de 2018 começa o inverno, o preço deve voltar a subir.

“Fez o subsídio do diesel exatamente no período que o diesel estava caindo no mercado internacional. E pior: o programa do diesel vai acabar em 31 de dezembro, exatamente no momento em que, provavelmente, o diesel vai estar mais caro no mercado internacional.

O Jornal Nacional procurou os ministérios da Fazenda e de Minas e Energia, mas não obtivemos resposta sobre o estudo do Centro Brasileiro de Infraestrutura

Fonte: G1