Petrobras lucra R$ 10 bilhões no 2º tri, avanço de 45% sobre janeiro a março

03/08/2018

A Petrobras registrou lucro líquido de R$10,072 bilhões no segundo trimestre deste ano. O resultado representa um ganho bem superior ao resultado do segundo trimestre do ano passado, quando ficou em R$ 316 milhões. Foi o melhor resultado desde o segundo trimestre de 2011. Ficou ainda acima do esperado pelo mercado, que projetava ganhos entre R$ 5 bi e R$6,5 bilhões. Assim, no primeiro semestre deste ano, a estatal obteve lucro líquido de R$17,033 bilhões, uma alta de 257% ante os R$4,765 bilhões. É o melhor resultado desde o primeiro semestre desde 2011.

A receita de vendas somou R$ 158,8 bilhões no primeiro semestre deste ano, 17% maior que os R$ 135,3 bilhões no primeiro semestre do ano passado. Já os investimentos caíram 8% no semestre, para R$21,2 bilhões.

O presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, disse que a Petrobras teve um resultado marcado pela disciplina financeira.

— O lucro veio bastante forte e é o maior desde 2011. Vale lembrar que em 2011 a referência do Brent era muito superior ao nível de hoje. Estamos acelerando o pré-pagamento de dívidas com a expectativa de aumento de juros no mercado internacional. Vamos atingir a métrica de 2,5 vezes a relação entre a dívida líquida e a geração de caixa operacional ao fim de 2018 — disse Monteiro.

A expectativa é receber mais US$ 2 bilhões este ano com a venda de ativos, afirmou o presidente da companhia.

— Estamos acelerando os investimentos neste segundo semestre. Vai ficar abaixo do anunciado no início do ano, mas em linha com o plano de negócios.

MARGENS MAIORES

Segundo a Petrobras, o aumento do lucro foi possível devido às maiores margens de petróleo, com o avanço da cotação no mercado internacional. Esse avanço compensou a queda no volume de combustíveis no Brasil. Ajudou no resultado ainda a renegociação das dívidas da Eletrobrás, o que compensou o aumento do dólar, que impactou negativamente o pagamento da ação coletiva.

As vendas gerais da Petrobras caíram 7% no semestre, para 3,1 milhões de barris por dia, em relação ao mesmo período do ano passado. A produção total da companhia caiu 4% no semestre, para 2,6 milhões de barris por dia. Já o preço do Brent no mercado internacional obteve alta de 40%, para US$63,07, em relação ao primeiro semestre do ano passado.

Com a maior rentabilidade na venda do petróleo, a Petrobras obteve uma geração de caixa operacional, medida pelo Ebitda, de R$ 55,8bilhões, alta de 26% em relação ao primeiro semestre de 2017. O valor de mercado da companhia chegou a R$ 240,8 bilhões no fim do junho, avanço de 44%.

A companhia destacou que houve uma entrada de US$ 5 bilhões no caixa com os desinvestimentos. Isso ajudou a reduzir a dívida. A dívida total da companhia chegou ao fim do junho em R$353,6 bilhões, queda de 2% em relação ao fim de dezembro.

Com a redução da dívida, a Petrobras reduziu as despesas financeiras em R$1,6 bilhão no semestre e alongou o perfil de vencimento da dívida, que passou de 8,62 para 9,11 anos. Já a taxa de juros se manteve em 6%.

AUMENTO DE PARTICIPAÇÃO DO MERCADO

A Petrobras informou ainda que, de acordo com sua política de preços, a sua participação nas vendas do diesel subiu de 74% para 87% entre junho do ano passado e junho deste ano. Na gasolina houve alta de 83% para 85% no mesmo período.

Com o lucro registrado, a companhia vai antecipar aos acionistas na forma de juros sobre capital próprio de R$0,05 por ação para todas as classes de ações. O pagamento, no valor de R$652,2 milhões, será feito no dia 23 de agosto. Com isso, a companhia já distribuiu aos acionistas R$ 1,3 bilhão.

O diretor financeiro da estatal, Rafael Grisola, afirmou que o lucro subiu por conta da maior cotação do petróleo, as maiores margens das exportações e das vendas no mercado interno, além das menores despesas gerais e administrativas.

— Houve ainda redução das despesas financeiras, com a redução do endividamento. Estamos alongando nossa dívida. Estamos conseguindo reduzir nosso nível de alavancagem, mas ainda é alto, que é de 50%. As majors (principais empresas do setor) globais estão abaixo de 20%. Nosso caixa de US$ 18,1 bilhões, cobre os vencimentos de dívida até 2021 — afirmou Grisola.

Em sua apresentação, o diretor Financeiro lembrou ainda que a companhia vem desde 2016 controlando suas despesas:

— As despesas caíram no primeiro semestre 4%. As despesas com vendas que estão relacionadas às despesas e a elementos de utilização de gasodutos, que viraram despesas, com a venda da NTS. O custo de extração, sem as participações governamentais, cai 7% no trimestre. E o custo de refino cai 11% no segundo trimestre.

Ele destacou a venda de ativos no Paraguai, Roncador, Azulão, Carcará, entre outros:

— Nas fases vinculantes, já recebemos propostas firmes (de interessados em comprar) a refinaria de Pasadena, campos de águas rasas no Rio e em São Paulo, e ativos na África.

Por áreas, o diretor destacou que a de refino, transporte e comercialização obteve alta de 5% na geração de caixa, para R$ 14,7 bilhões no semestre. A alta foi compensada pela maior margem dos produtos, apesar da queda no volume. Na área de exploração e produção, a geração de caixa subiu 51%, para R$ 49,5 bilhões, puxada pela maior cotação do preço do barril e a menor ociosidade dos equipamentos.

PETROBRAS PERFURA POÇO COM MAIOR COLUNA DE ÓLEO JA DESCOBERTA NO PRÉ-SAL

Solange Guedes, diretora de Exploração, destacou os resultados operacionais da companhia. Ele lembrou que 96% da produção da empresa estão no Brasil, destacando a renovação de concessão de Marlim Sul até 2052.

— Isso é importante porque mostra a nossa permanência na Bacia de Campos. Tivemos ainda o primeiro óleo de Tartaruga Verde (campo na Bacia de Campos).

Na área de exploração, com os novos campos que ainda serão desenvolvidos, ela ressaltou os 12 novos blocos, explicando que essas novas áreas formam quase que novos campos na Bacia de Campos.

— Isso traz uma nova dinâmica. Tivemos a nova rodada de Partilha. Ampliamos em 31% no nosso portfólio, que fica com mais qualidade. Nos últimos cinco leilões, a Petrobras é operadora em 20 blocos. Estamos ampliando, com novas fronteiras exploratórias, com em Campos, Santos, Paraná e Potiguar.

A diretora destacou ainda que terminou a perfuração no Campo de Sururu, na Bacia de Santos.

— Foi a maior coluna de descoberta de óleo no pré-sal, com uma coluna de 530 metros de óleo, acima da média dos outros poços do pré-sal.

Fonte: O Globo