Com greve, economia brasileira encolheu 3,34% em maio, a maior queda em 15 anos

16/07/2018

Os estragos causados pela greve dos caminhoneiros agora estão claros na atividade econômica como um todo e não apenas em dados de setores como indústria e comércio. A economia brasileira encolheu 3,34% em maio, de acordo com o índice do Banco Central que mede a atividade econômica (IBC-BR). Foi a maior queda já registrada pela autoridade monetária desde quando começou a calcular o indicador, há 15 anos.

Superou até mesmo dezembro de 2008, quando a atividade despencou 3,08% no auge dos impactos da crise financeira internacional. A diferença é que, naquela época, o resultado foi o ápice de outros fortemente negativos. Agora, o país começava a se recuperar, mas a paralisação reverteu os avanços.

A greve afetou todos os setores da economia. Derrubou a produção industrial em 13 dos 14 estados pesquisados pelo IBGE em maio. A retração foi de 10,9% em maio. Os impactos foram sentidos por todo o país. O maior tombo foi no Mato Grosso, onde o setor teve retração de 24% na comparação com abril, já com ajuste sazonal. Apenas no Pará — onde a produção extrativa mineral tem forte peso — houve avanço na indústria, de 9,2% no mês.

No comércio, a paralisação fez as vendas caírem 0,6%. Afetou com mais força o setor de serviços, que encolheu quase 4% em maio. Esse setor movimenta mais de 70% da riqueza produzida anualmente no Brasil.

Ao longo dos cinco primeiros meses do ano, a atividade econômica cresceu apenas 0,73%. Nos últimos 12 meses, a expansão foi de 1,13%.

O BC revisou os dados. Anteriormente, dizia que o país só havia crescido em abril. Agora, além de aumentar o crescimento naquele mês, afirma ainda que houve expansão também em fevereiro.

O que é o ICB-Br

O IBC-Br foi criado pelo BC para ser uma referência do comportamento da atividade econômica que sirva para orientar a política de controle da inflação pelo Comitê de Política Monetária (Copom), uma vez que o dado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) é divulgado pelo IBGE com defasagem em torno de três meses. Tanto o IBC-Br quanto o PIB são indicadores que medem a atividade econômica, mas têm diferenças na metodologia.

O indicador do BC leva em conta trajetória de variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (indústria, agropecuária e serviços).

Já o PIB é calculado pelo IBGE a partir da soma dos bens e serviços produzidos na economia. Pelo lado da produção, considera-se a agropecuária, a indústria, os serviços, além dos impostos. Já pelo lado da demanda, são computados dados do consumo das famílias, consumo do governo e investimentos, além de exportações e importações.

Fonte: O Globo