Com greve, inflação de junho é a maior desde 1995

07/07/2018

O IPCA ficou em 1,26% em junho, maior taxa para o mês desde 1995. O desabastecimento provocado pela greve dos caminhoneiros é apontado como motivo principal da alta, ao pressionar os preços dos alimentos. Apesar de acreditarem que o fenômeno é pontual, analistas revisaram projeções e a estimativa agora é de que a inflação oficial feche perto do centro da meta de 4,5% neste ano.

A crise de abastecimento provocada pela greve dos caminhoneiros pressionou os preços dos alimentos e combustíveis em junho e fez a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) disparar para 1,26%, a maior taxa para o mês desde 1995. Embora não tenha surpreendido, o resultado levou analistas a revisarem suas projeções. Uma pesquisa feita ontem pelo ‘Estadão/Broadcast’ mostra que a estimativa agora é que a inflação oficial feche perto do centro da meta de 4,5% este ano.

As projeções para 2018, que no mês passado, estavam no intervalo de 3,5% a 4,2%, agora apontam para uma inflação entre 3,5% e 4,63%.

A avaliação de economistas, porém, é que o choque de junho foi pontual, com pressões mais intensas dos alimentos e dos preços administrados pelo governo. “Junho foi um ponto fora da curva”, resumiu o professor Luiz Roberto Cunha, decano do Centro de Ciências Sociais da PUC-Rio.

O bloqueio de estradas pelo País, que se prolongou por 11 dias no fim de maio, prejudicou a produção e o fornecimento de diversos produtos, como o leite longa-vida, que subiu 15,63%. Em relação aos alimentos, a expectativa é de que as altas de junho sejam compensadas por quedas nos preços em julho. “Tem produto que aumentou durante a greve (dos caminhoneiros), mas que já devolveu a alta”, ponderou Fernando Gonçalves, gerente da Coordenação de Índices de Preços do IBGE.

Diante da demanda ainda deprimida, segundo diversos analistas, o cenário inflacionário não pressiona a decisão acerca da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 6,5%, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central.

Para Cunha, o comportamento do câmbio é a principal variável a ser observada até o fim do ano. Ele calcula que, se a cotação chegar até R$ 4,10, ou R$ 4,20, há chance de os repasses para os preços ao consumidor ficarem contidos, tendo em vista a demanda em baixa por causa da recessão recente. “Isso deixa o Banco Central confortável para não mexer na Selic”, disse Cunha.

A alta do dólar já deixou sua marca na inflação de junho. “O pão aumentou, por causa do trigo (o Brasil é importador de trigo, cujos preços são dolarizados). O frango teve impacto, por causa do milho, da ração dos animais”, disse o pesquisador.

Mais da metade da alta da inflação veio de preços monitorados, que representam 30% do IPCA. Em junho, a energia elétrica subiu 7,93% e foi responsável sozinha por praticamente um quarto de toda a inflação do mês. A falta de chuvas é um dos principais motivos dos reajustes. O segundo item de maior pressão na inflação de junho foi a gasolina, 5% mais cara.

Fonte: O Estado de S.Paulo