Vendas de combustíveis caem 9%, mostra balanço da Petrobras

09/05/2018

As vendas de combustíveis e derivados pela Petrobras tiveram queda de 9% no primeiro trimestre, em relação a igual período do ano passado. A companhia vendeu 1,647 milhão de barris por dia, menos que os 1,860 bilhão por dia do início de 2017, informou na terça-feira (08) a estatal. Além da menor demanda no país por conta da crise econômica, Jorge Celestino, diretor de Refino, citou outros motivos:

— Houve redução na venda de nafta para a Braskem, que está importando em vez de comprar da Petrobras. Além disso, o etanol esta mais competitivo que a gasolina. E, com isso, o etanol fica mais presente na gasolina. A demanda extra por etanol foi de 45 mil barris por dia. O preço do GNV aumentou 10%.

Em pelo menos quatro estados do país, o preço do etanol já está mais vantajoso do que o da gasolina, segundo a última coleta de preços da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Celestino lembrou ainda que as ações comerciais feitas no fim de 2017 permitiu à companhia ganhar mais participação de mercado em gasolina e diesel. Em gasolina, a fatia da estatal é de 86% em abril, contra 80% de março. No caso do diesel é de 79%, contra 77% no mesmo período.

— Em abril, há tendência de recuperação de nosso market share (participação de mercado). Estamos firmes nas ações para manter nossa participação e estamos ancorando nossa política de preços e agora buscando parceiros na área de refino.

Também houve queda nos investimentos e na produção. A redução foi de 14% nos investimentos no primeiro trimestre, para R$ 9,9 bilhões. A dívida líquida caiu 4%, para R$ 270,712 bilhões.

A produção no primeiro trimestre ficou em 2,680 milhões de barris por dia, menor que os 2,805 bilhões do início de 2017. Segundo Solange Guedes, diretora de Exploração e Produção da Petrobras, houve venda de campos de petróleo, além de paradas programadas no Brasil e nos EUA.

— Tivemos redução de despesas de US$ 3,1 bilhões para US$ 2,9 bilhões. Por outro lado, tivemos um custo de extração por volta de US$ 11,3 por barril, maior que os US$ 10,6 por barril. Isso ocorreu por conta do aumentando a intervenção de postos.

Ela lembrou que a estatal adquiriu sete novos blocos na 15ª Rodada, realizada recentemente, o que aumentou a área exploratória em 25%.

— E já manifestamos o interesse em exercer o direito de preferência em três blocos da quarta rodada de partilha do pré-sal — lembrou Solange.

CESSÃO ONEROSA

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse que pretende concluir até 17 de maio as negociações com o governo em relação à cessão onerosa, o que vai permitir um novo leilão de petróleo e um reforço de caixa para a estatal.

— Estou cautelosamente otimista com esse assunto — disse Parente.

Bruno Rosa e Ramona Ordoñez

Fonte: O Globo Online