Rota 2030: negociação difícil

03/05/2018

A crise econômica está travando as discussões do Rota 2030, programa de fomento da indústria automotiva que substituirá o Inovar-Auto, encerrado em dezembro de 2017. Isso porque, no programa anterior, o abatimento em tributos era a moeda de troca dada pelo governo para que a indústria cumprisse as metas de eficiência veicular. Agora, o governo resiste na renúncia fiscal por questões orçamentárias.

A expectativa é de que o Rota 2030 venha em um pacote menor do que o anteriormente planejado pela indústria, segundo Edson Orikassa, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). “Devido à situação fiscal do Brasil, a negociação está difícil”, disse.

O Rota 2030, que substituirá o Inovar, está atrasado e um dos principais entraves para que o programa saia é a renúncia fiscal, que um dos pilares do Inovar-Auto. O que tem sido feito para solucionar esse problema? O programa sairá logo mesmo ou pode-se esperar mais atrasos?

Devido à situação fiscal do Brasil, a negociação está difícil. A tendência é o programa sair bem menor daquele planejado inicialmente.

Com base no desenho do Rota-2030, o que podemos esperar do mercado brasileiro nos próximos anos para os modelos elétricos, híbridos e com células de combustível?

A eletrificação tem aumentado mundialmente e não será diferente no Brasil. Tudo vai depender das políticas governamentais e do consumidor. .

De que modo o programa deve impulsionar esses tipos de veículos e a indústria automotiva brasileira como um todo?

A grande vantagem dessas tecnologias modernas será na melhora no consumo. Por outro lado, provavelmente, terão tratamento fiscal diferenciado.

Um dos grandes problemas para inserção desses veículos é a falta de infraestrutura. Como devem ser os postos de combustíveis de acordo com essa mudança no cenário automotivo brasileiro?

Enquanto não tiver a infraestrutura, a solução será os híbridos.

Um dos principais focos da indústria automotiva brasileira é a competitividade com o mercado internacional. Dentro do modelo do Rota 2030, como a indústria nacional pode fazer frente à indústria estrangeira?

O Brasil precisa melhorar a produtividade. Os acordos comerciais em andamento vão acirrar cada vez mais. Acreditamos que a indústria 4.0 ou de manufatura avançada podem colaborar muito nesse processo. A AEA está empenhada em modernizar as linhas de produção do país.

Qual balanço o senhor faz do Inovar-Auto?

Muito positivo. Além do grande investimento em novas plantas, laboratórios e centro de pesquisas, houve uma melhora de 15%, em média, no consumo nos veículos durante o programa.

Adriana Cardoso

Fonte: Assessoria de Comunicação da Fecombustíveis