Preços administrados estão acima de 6,5% na maioria das regiões do Brasil

02/05/2018

Na maioria das regiões brasileiros, os preços controlados pelo governo estão em linha ou acima do teto da meta de inflação (6,5%), enquanto os preços livres seguem abaixo de 2%, mostram dados do Banco Central do Brasil (BC).

Para especialistas, o aumento do dólar em relação ao real pode pressionar um pouco mais a inflação dos administrados neste ano. No entanto, o ritmo lento de recuperação da economia garantirá que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que mede a inflação oficial do Brasil – feche 2018 abaixo do centro da meta de (4,5%), em cerca de 3,49%, segundo analistas de mercado consultados pelos BC.

Contudo, na avaliação do coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Balistiero, o elevado nível dos preços controlados – que incluem as tarifas de transporte público, de energia elétrica, planos de saúde, telefonia e gasolina – acaba pesando no bolso das famílias. Esse cenário, somado à alta taxa de desemprego e à baixa produtividade do País, tem limitado os efeitos positivos da queda do IPCA no orçamento dos consumidores e impedido avanços significativos na renda.

Em 12 meses até março de 2018, os preços monitorados acumulam alta de 7,05% no Brasil, enquanto os livres registram aumento de 1,26%. O Sul é a região onde os administrados verificam a maior elevação, de 8,14%, enquanto os livres chegam apenas a 1,15%.

No Centro-Oeste, por sua vez, os controlados aumentaram 8%, enquanto os preços regulados pela oferta e demanda do mercado subiram 1,66% até março. No Nordeste, os administrados também estão acima do teto da meta, ao acumularem elevação de 7,45%, enquanto os livres estão em 0,01%. Já no Sudeste, os monitorados aumentaram 6,52% até março e, os livres, 1,73%. O Norte, por fim, registra a inflação mais baixa, com administrados em 5,91% e com preços livres deflacionários (-0,42%).

“O elevado nível dos preços controlados tem um ônus muito grande no bolso das famílias, principalmente das mais pobres”, diz Balistiero. “Mesmo com o IPCA baixo, as famílias precisam comprometer a sua renda com as tarifas de ônibus, de energia, com os planos de saúde. Isso faz com que a queda inflacionária não fique tão evidente”, acrescenta. Em 12 meses até março, o IPCA do Brasil está em 2,68%. “Com produtividade baixa, desemprego e monitorados em alta, a massa de rendimentos fica bastante comprometida”, reforça o especialista do IMT.

Dólar

O professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Mauro Rochlin, pontua que o aumento do dólar pode encarecer os produtos importados e impactar, portanto, os preços livres. No entanto, o ritmo lento de retomada da atividade e a safra boa de alimentos são alguns dos principais fatores que manterão a inflação abaixo da meta neste ano.

Balistiero destaca que os preços administrados também podem sofrer influência da alta do dólar, já que alguns deles, como os de energia, são corrigidos pelo Índice Geral de Preços (IGP). Um dos índices que compõe o IGP é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que possui influência direta da taxa de câmbio.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que em 12 meses até março de 2018, os preços dos planos de saúde acumulam alta de 13,51%, ao passo que os combustíveis apresentam elevação de 14,65%. As taxas de água e esgoto apresentam aumento de 9,56%, enquanto energia elétrica residencial possui alta de 1,76%.

Paula Salati

Fonte: DCI