Para Parente, alto preço dos combustíveis não é culpa da Petrobrás

1º/03/2018

Para o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, a culpa do preço dos combustíveis estar alto não é da estatal. O executivo, que participou de evento promovido pela FGV-Rio na quarta-feira (28), afirmou que a política de preços, que segue os preços internacionais,”por definição, não é injusta”. “Para a questão do preço caro dos combustíveis, a resposta não está na Petrobras”, disse.

Ele argumentou que o modelo de preços adotado em sua gestão, de revisões diárias segundo as oscilações externas, é “muito importante para a empresa”, porque garante participação de mercado e margens. Destacou também que a mesma política é adotada em todo o mundo.

Desde o último dia 19, a companhia passou a divulgar o preço que pratica nas refinarias para a venda de gasolina e diesel às distribuidoras. A medida visa dar maior transparência à composição do preço final dos combustíveis. No início do mês, o presidente Michel Temer determinou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a Polícia Federal investiguem postos de combustível por formação de cartéis. Investigações feitas pelo próprio Cade apontaram que desde 2012, de 17 casos já julgados, 12 resultaram em condenação por formação de cartel. Ainda há oito processos em andamento.

“Se nas bombas têm um preço que é um múltiplo do preço da Petrobras, o problema não é a Petrobras”, disse Parente, acrescentando desconhecer qualquer intenção do governo de reduzir os impostos que incidem sobre os combustíveis automotivos.

Segundo a Petrobrás, a empresa fica com 28% do preço total da gasolina e 49% do total do diesel. Além da fatia da estatal, os componentes que formam os preços dos combustíveis são a distribuição e a revenda, os tributos e as misturas de outros produtos. No caso da gasolina, a distribuição e a revenda ficam com 14% do total; os tributos (ICMS, Cide, PIS/Cofins) com 45%; e a mistura do etanol anidro com 13%. No diesel, a mistura com o biodiesel corresponde a 0,6% do preço; os tributos, 30%; e a distribuição e revenda, 15%.

Fernanda Nunes

Fonte: O Estado de S. Paulo