O salto da energia – Miriam Leitão

28/02/2018

Petrobras e Eletrobras, hoje, valem R$ 240 bilhões a mais do que há dois anos. Esse é o aumento do valor de mercado nas duas companhias com a mudança de gestão e a perspectiva de privatização da estatal do setor elétrico. As duas vivem uma revolução desde a mudança do comando, com o fim das nomeações políticas para a direção, e a redução da interferência estatal.

A Eletrobras, em 26 fevereiro de 2016, valia R$ 8,63 bilhões. Dois anos depois, em 26 fevereiro de 2018, a estatal está sendo avaliada na bolsa por R$ 34,15 bilhões, segundo estudo feito por Einar Rivero, da Economática. A empresa quase quadruplicou o seu valor de mercado, com um aumento de R$ 25 bilhões. Nesse período, ganhou 20 posições entre as maiores empresas da bolsa, saindo de 35º lugar para 15º. Com a Petrobras, o efeito é ainda mais impressionante. Nesses dois anos, a companhia saltou de R$ 78,56 bilhões para R$ 293 bilhões, na mesma comparação. Um aumento de R$ 214 bilhões ou 272%.

A Petrobras recuperou o que perdeu desde o início da crise da Lava-Jato, em valor de mercado, e a Eletrobras hoje vale 70% do seu patrimônio líquido, o maior percentual desde que entrou na bolsa. Em parte, isso é resultado do bom período da Bolsa, que tem elevado essas e outras ações, mas a maior explicação foi a mudança de gestão e a perspectiva de privatização, no caso da Eletrobras.

Em todas as duas empresas o que tem havido desde o fim do governo anterior é a redução do intervencionismo. Na Petrobras, os preços dos combustíveis passaram a seguir os parâmetros internacionais. O congelamento da gasolina chegou a provocar um prejuízo de US$ 40 bilhões à empresa, segundo Adriano Pires, do CBIE. Além disso, houve a intromissão do governo forçando a empresa a assumir investimentos que levaram a enormes prejuízos, como a refinaria Abreu e Lima, um dos focos da corrupção. Agora os diretores não são indicados mais por partidos, a empresa implantou um novo sistema de governança e as decisões de investimento não são tomadas no Planalto. A Petrobras está também realizando um programa de venda de ativos, que tem reduzido seu tamanho, diminuído sua dívida e aumentando o seu valor.

A Eletrobras desde sempre foi pasto para os indicados do PMDB e chegou a um ponto em que a empresa estava quebrada e sem capacidade sequer de gerar um balanço. O processo não acabou. Ela ainda é assediada por partidos da base. Até as distribuidoras do Nordeste e Norte, que são rombos ambulantes com data certa para serem vendidas ou liquidadas, continuam sendo objeto de disputa política. A presidência da Eletrobras, contudo, foi entregue a um profissional de mercado, e não mais a indicado político, e o processo de privatização vai blindar a companhia contra futuras interferências.

Segundo um funcionário do setor, na distribuidora do estado do Amazonas, o custo da ineficiência em um ano consome o que 35 anos de boa gestão conseguiria poupar. Agora, essas seis últimas, e superdeficitárias empresas de distribuição, serão vendidas. A Eletrobras terá que arcar com a dívida no valor de R$ 20 bilhões, mas acha melhor isso do que continuar carregando as empresas. Se até o dia 30 de abril não se conseguir vender, elas terão que ser liquidadas. O setor de energia está mudando profundamente
Com o acordo inicial entre a Petrobras e a Eletrobras, a Aneel aprovou nesta terça-feira condições para a cisão dos ativos de geração e transmissão da Amazonas Distribuição, chamada de “desverticalização”. A agência deu um prazo até o final de abril para a conclusão da operação.

Além do Amazonas, as seis distribuidoras que a Eletrobras quer vender neste semestre atendem Acre, Alagoas, Roraima, Rondônia e Piauí.

Fonte: O Globo